Postado em: DestaquesPor:
7 de Abril de 2019 Ultima atualização: 8 de Abril de 2019

Investimentos e a Transparência como Valor Máximo

Relatórios de investimento, recomendações de investimento (compra, vende, segura), rebates, comissões. A transparência pode ser a maior aliada no combate ao conflito de interesses.

7 de Abril de 2019

O mercado financeiro brasileiro vem passando por uma verdadeira revolução. Seja do ponto de vista do investidor que mudou seus hábitos, muito mais informado e conhecedor dos produtos; seja do ponto de vista da tecnologia que permitiu o surgimento das plataformas digitais, atendimentos customizados, menores custos; seja também do ponto de vista das inovações em estratégias e produtos de investimento, com novos fundos, criptoativos como moedas digitais, derivativos e debêntures que pipocam a cada semana e estão à disposição do pequeno investidor.

O avanço desta tal revolução também vai em direção de algo subjetivo, porém essencial: a crescente transparência nas relações entre os agentes do mercado, em especial na relação do investidor com a organização que oferece o serviço/produto financeiro. A jornada em direção à transparência cada vez mais escancara uma relação que foi desde sempre assimétrica e turva, e que agora, por conta da tecnologia, se torna mais clara e traz à tona novamente um antigo debate: o conflito de interesses.

“Quem parte e reparte, fica com a melhor parte “
Provérbio Português

Conflitos de interesses como parte da rotina

Vale resgatar uma velha teoria econômica batizada de problema do principal-agente1, onde a clássica relação entre um principal e seu agente contratado é permeada por conflitos de interesse. Muitas relações financeiras são naturalmente conflitadas, quando desde o começo as partes possuem objetivos diferentes e buscam maximizar o seu seus próprios interesses.

Isso acontece, por exemplo, entre os executivos e os acionistas de uma empresa, quando os critérios do bônus dos diretores incentivam a busca por resultados de curto prazo (favorecendo os executivos), mesmo que isso prejudique a empresa no longo prazo (prejudicando os acionistas). Uma série de ajustes é necessária para corrigir essa situação. Existe uma extensa literatura que estuda esse fenômeno e seus impactos na economia.

Bem, mas voltemos à realidade do mercado financeiro brasileiro.

No mercado financeiro, as relações são naturalmente conflitadas, pois desde o começo da relação as partes (investidor e seu assessor) possuem objetivos diferentes e buscam maximizar o seu seus próprios interesses.

Por exemplo, no momento em que o gerente do seu banco lhe oferece um investimento, o seu interesse de maximizar sua rentabilidade conflita com o interesse dele em maximizar as comissões que o banco recebe pela indicação de determinados investimentos. Os interesses do banco se manifestam mais claramente nas metas de vendas que os gerentes precisam atingir, que infelizmente não utilizam como critério a rentabilidade ou a segurança da carteira do cliente quando são definidas.

Outro exemplo clássico são as recomendações das corretoras para compra de ações. Existe muito espaço para subjetividade nas recomendações, e por isso as corretoras podem emitir, por exemplo, um relatório indicando a compra de ações de uma empresa que possui um bom relacionamento com seus analistas, mas que não necessariamente teria bons fundamentos para receber tal indicação. Outro caso clássico ocorre quando corretoras optam por não emitir indicação de venda ou publicar críticas em relação a uma grande empresa para não prejudicar um relacionamento com essa empresa.

"Nossas taxas são altas e o senhor afirma que possui pouco para investir. Acho que existe um conflito de interesses aqui." - Leo Cullum
“Nossas taxas são altas e o senhor afirma que possui pouco para investir. Acho que existe um conflito de interesses aqui.”

Assessoria independente? Quais os incentivos?

Atualmente, um conflito de interesses mais crescente é entre os clientes e os famosos assessores de investimentos “independentes”. Obviamente, os casos que ocorrerem são pontuais e não invalidam o sistema como um todo, porém demonstram as fragilidades existentes entre a relação das partes, especialmente pela forma como os assessores são remunerados (sempre é a remuneração que gera um interesse conflitante!)

As pessoas respondem a incentivos.
(MANKIW, 1999)

Algo que deixa um pouco nebulosa a explicação sobre essa classe de profissionais, os agentes ou assessores de investimento, é o fato de que eles não são diretamente remunerados por seus clientes. A sua remuneração advém de uma parte do custo que o cliente tem ao investir em ativos financeiros. Inclusive nos produtos “sem taxa”. Como assim?

Se o investidor aplica em um fundo de investimento, o agente autônomo ganha um percentual das taxas de administração e performance que são pagas pelo fundo com o dinheiro do cliente.

Se o investidor aplica em um CDB, LCI ou LCA, o assessor recebe um percentual do spread, como remuneração por estar distribuindo esse título ao cliente.

Ou seja, para cada tipo de produto sugerido por um assessor de investimentos existe uma diferente remuneração/comissão que ele irá receber.

Então, se o assessor ganha mais em oferecer o ativo A do que o ativo B, qual você acha que será o viés existente? Ele pode não ser tão óbvio como no caso dos gerentes de banco, mas o conflito existe e tem consequências. Sabemos que a grande maioria dos assessores está sob forte regulação da própria organização e grande parte possui certificações sobre o seu grau de ética e compromisso perante o cliente, mas isso não elimina o problema.

Transparência como arma para reduzir os conflitos

Trazendo toda essa conversa para o mundo da Vérios, a estrutura da empresa foi toda desenhada para diminuir ao máximo essas situações. Esse foi um dos grandes atrativos que eu vi em trabalhar aqui.

i) A estrutura tecnológica permite que cada cliente consulte a sua posição de forma aberta e dia-a-dia, pois atualmente trabalhamos com ativos extremamente líquidos e simples de acompanhar: Tesouro Direto e ETF. Aproveitando o ensejo: você sabe exatamente os ativos que estão comprados nos fundos de investimento que você possui? Provavelmente não, já que eles divulgam as carteiras apenas no final de cada mês, no site da CVM e de forma pouco amigável. Você terá que se contentar em saber apenas a performance da cota – seja boa ou seja ruim.

ii) Nosso querido robô Ueslei é quem faz todas as alocações, seguindo uma carteira ideal de acordo com o perfil de cada cliente e irá trabalhar para enquadrar seu portfólio de forma eficiente, segura e rentável – sem te dar nenhum trabalho. Então, aqui conseguimos oferecer uma transparência brutal e eliminar o problema clássico de uma estrutura conflitada.

iii) O custos que o investidor paga são evidenciados por categoria mês a mês. Então você consegue a partir da sua conta, ver quanto você pagou para a Vérios, quanto pagou de corretagem, custódia, etc… Aqui eliminamos qualquer tipo de taxa escondida (tipo custos de cartório, advogado e auditoria que são pagos pelo seu fundo de investimento, com o seu dinheiro, e não estão inclusas na taxa de administração anunciada, você sabia disso?), eliminamos também os rebates, aquele famoso dinheiro que volta para a mão da gestora se ela recomendar um fundo x ou y. Veja um exemplo de como os custos são apresentados na plataforma da Vérios:

Custos dos Investimentos

 

iv) As carteiras inteligentes da Vérios democratizam para o pequeno investidor um modelo de gestão que até pouco tempo atrás era exclusivo para milionários ou grandes gestoras de fortunas (familly offices), a carteira administrada. A imagem que peguei em uma apresentação de uso interno é auto-explicativa.

Vérios: Democratização do serviço de Carteira Administrada individual

Como dissemos no início do artigo, o mercado está em transformação. A onda da digitalização é imparável, é uma realidade. Alinhados a essa concepção, usufruímos da tecnologia, e também da eficiência do Ueslei, para alocar a sua carteira de investimentos da mesma maneira que antes só era feito nos segmentos de alta renda ou private; com toda a transparência de ter pleno acesso a o que foi investido e quanto custou!

Porque transparência não pode ser só uma palavra no discurso, um “valor” impresso na parede. Transparência precisa ser exercida na prática.

 

_________

1 “Em ciência política e economia, o problema do principal-agente ou dilema de agência trata as dificuldades que podem surgir em condições de informação assimétrica e incompleta, quando um principal contrata um agente, tais como o problema de potencial conflito de interesses e risco moral, na medida em que o principal está, presumivelmente, contratando o agente para perseguir os interesses do principal.” Fonte: Wikipedia.

Este artigo foi útil para você?
Investimentos e a Transparência como Valor Máximo
4.8 (96%) 10 votes

Compartilhe:
Postado em: Destaques
Por:
7 de Abril de 2019
Ultima atualização: 8 de Abril de 2019

Você pode gostar também…

3643238 min de leitura

Carteira de investimentos administrada: o que é e como funciona

Você sabe o que é uma carteira administrada? E como realizar investimentos com ela? Pois entenda como ela funciona, suas vantagens e desvantagens nesse artigo!

Continue lendo
15808012 min de leitura

Como as carteiras da Vérios se recuperaram após a delação da JBS

Dezoito de maio de 2017 — o “Joesley Day” — um dia que ficará marcado na história recente do Brasil. O dia após a delação do grupo JBS vir à...

Continue lendo
38972 min de leitura

Vérios se apresenta no Finnosummit, principal conferência de fintechs na América Latina

A Vérios se apresentou no Finnosummit, conferência internacional que é referência no segmento das fintechs — startups que apostam na tecnologia para oferec...

Continue lendo

Autores

Pedro é gestor de recursos credenciado pela CVM e responsável pela engenharia financeira das carteiras inteligentes na Vérios. Trabalha há anos no mercado financeiro, tendo atuado por alguns anos em uma das maiores gestoras de recursos do Brasil. É também editor no Terraço Econômico, maior portal independe de economia do país, formado em Economia pela Unicamp e com passagem na Universidade do Porto, em Portugal.

Comentários