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12 de Abril de 2019 Ultima atualização: 12 de Abril de 2019

Kit Brasil

A expressão "Kit Brasil" diz respeito a um pacote com os principais ativos do mercado brasileiro. O Kit Brasil se valoriza quando o mercado demonstra um otimismo em relação ao Brasil e às perspectivas para o futuro do país. O problema é que, quando os gestores alegam a alta ou a baixa do Kit Brasil, não há nenhum termômetro que indique a magnitude do movimento. Isso torna o mercado mais difícil de compreender - algo que nos incomoda muito. Mas estamos propondo uma solução.

12 de Abril de 2019

A expressão Kit Brasil, comum no dia a dia do mercado financeiro, diz respeito a um pacote teórico composto pelos principais ativos do mercado brasileiro. Normalmente o termo é relacionado à combinação da variação da taxa de juros (de curto e longo prazo), do Real frente ao dólar, do risco país e do índice da bolsa de valores.

Quando esses ativos se valorizam em seus respectivos mercados, isso representa uma valorização do Kit Brasil como um todo, o que por sua vez demonstra um otimismo dos agentes do mercado financeiro em relação ao Brasil e às perspectivas para o futuro do país.

O termo sempre foi tratado informalmente, utilizado como muleta na hora de explicar algum movimento que ocorreu no mercado ou para ilustrar o posicionamento de um dado fundo de investimentos.

O problema com esse uso informal é que os gestores de recursos alegam a alta ou a baixa do Kit Brasil, sem haver nenhum tipo de termômetro que indique qual foi a magnitude do movimento mencionado. Isso torna a comunicação menos clara e, como de costume, deixa o mercado financeiro mais enigmático, misterioso e difícil de compreender – algo que nos incomoda muito. Mas estamos propondo uma solução.

Lançamento do Índice Kit Brasil

Nesse sentido, buscando trazer essa expressão do mundo das idéias para o mundo da prática, criamos o Índice Kit Brasil. Ele possui uma metodologia própria para suas ponderações, considerando a volatilidade histórica de cada ativo, que gera um índice único no agregado.

Assim, passaremos a analisar periodicamente o índice, que mede o grau de otimismo com o Brasil e a performance ponderada de todos esses mercados, observando a sua variação ao longo dos meses e em qual patamar ele se encontra. Para facilitar a compreensão, estabeleceremos que a sua data de criação é o último dia útil de 2016, 30/12/2016, com valor inicial arbitrado em 1 ponto.

Comportamento do Kit Brasil

Índice Kit Brasil

Pois bem, o Índice Kit Brasil vem apresentando constante valorização desde meados de setembro de 2018, quando o provável desfecho da corrida eleitoral foi se tornando mais claro, alimentando toda a expectativa otimista com as agendas liberais e reformistas prometidas pelo então candidato Jair Bolsonaro. Antes, o indicador havia chegado a bater as mínimas duas vezes, abaixo de 1 ponto, e atualmente opera na faixa de 1,25, ou seja, os mercados se valorizaram 25% na média.

É interessante notar quando foram as épocas de maior queda do Kit Brasil. Os Amigos do Ueslei, clientes da Vérios, talvez se lembrem de algumas dessas datas. Uma queda acentuada e súbita ocorreu em maio de 2017, no dia seguinte à delação premiada de Joesley Batista envolvendo o então Presidente Michel Temer, e uma queda um pouco mais lenta, porém longa e persistente ocorreu nos meses de maio e junho de 2018, no contexto da greve dos caminhoneiros. Na época da greve do caminhoneiros, preparamos um vídeo que foi enviado somente aos clientes, explicando o que estava acontecendo no mercado.

Kit Brasil em 2019

O recente aumento das incertezas sobre a aprovação da reforma da previdência cobrou seu preço. Em meados de março de 2019, o índice atingia sua máxima histórica, acumulando uma evolução de quase 30% no período (o mais simbólico componente deste resultado sendo o Ibovespa, que superava a marca de 100 mil pontos). O otimismo, porém, durou pouco. Dias depois, o índice desabou com as notícias vindas de Brasília, sinalizando que a aprovação da reforma da previdência não seria tão rápida, e derrubando o Índice Kit Brasil de volta para o patamar atual de 1,25.

Volatilidade do Kit Brasil

Índice Kit Brasil - Volatilidade

Do ponto de vista da volatilidade histórica do índice, destaca-se claramente o dia 18 de maio de 2017, que ficou famoso como “Joesley Day“. A delação envolvendo Michel Temer derrubou subitamente os mercados, causando grande volatilidade.

Excetuando-se esse período, notamos que ao longo de todo o ano de 2017 o mercado vinha operando em um patamar de volatilidade muito baixa, em torno de 1,5% a 2,0% durante a maior parte do tempo.

Porém, a chegada de 2018 (ano marcado pela disputa eleitoral) trouxe consigo o aumento do nível de risco do mercado como um todo, que passou a operar com volatilidade entre 2,0% e 4,0% no Índice Kit Brasil. Esse é um comportamento típico dos anos eleitorais, em que o mercado joga com a incerteza sobre quem será eleito Presidente. Mas 2018 foi um ano especialmente volátil, dado o grande número de candidatos, e também o quão desconhecidos do público eram alguns desses presidenciáveis. O resultado das eleições pareciam absolutamente imprevisíveis.

A volatilidade só voltou a diminuir a partir de outubro, quando o resultado passou a ser altamente previsível e depois foi confirmado. O mercado reagiu de forma otimista e até mesmo eufórica em relação aos próximos meses.

Após as notícias recentes que citamos ao tratar da performance do Kit Brasil, a volatilidade anualizada do índice voltou a subir, de 2,0% para 4,0%. A realidade bateu à porta e a lua de mel do mercado com o Presidente foi colocada em cheque, pois cada vez mais a ansiedade pela agenda de reformas se torna urgente.

Aparentemente, o Kit Brasil agora está em compasso de espera. O mercado financeiro parece ainda estar decidindo se os investimentos no Brasil irão se valorizar em um novo rally de alta ou perder valor com a frustração no calendário de reformas. Vamos aguardar.

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Ultima atualização: 12 de Abril de 2019

Autores

Pedro é gestor de recursos credenciado pela CVM e responsável pela engenharia financeira das carteiras inteligentes na Vérios. Trabalha há anos no mercado financeiro, tendo atuado por alguns anos em uma das maiores gestoras de recursos do Brasil. É também editor no Terraço Econômico, maior portal independe de economia do país, formado em Economia pela Unicamp e com passagem na Universidade do Porto, em Portugal.

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