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20 de setembro de 2019 Ultima atualização: 15 de outubro de 2019

Queda da Taxa Selic: como a redução dos juros afeta seus investimentos

A meta da Selic atingiu um patamar histórico. Mais uma vez, os "influenciadores" fazem alarde e as pessoas ficam inseguras: preciso mudar minha carteira? Faz sentido investir em Tesouro Selic, se as perspectivas são de queda?

20 de setembro de 2019

Mais uma vez o Banco Central cortou a taxa de juros básica da economia brasileira. A meta para a Taxa Selic havia chegado a 14,25% em 2015 e permaneceu nesse nível por 15 meses. Em outubro de 2016, a taxa começou a baixar gradualmente e hoje encontra-se em 5,5% ao ano, com elevada probabilidade de seguir caindo nas próximas reuniões do Copom – o Comitê de Política Monetária.

Toda vez que ocorre um novo corte, muitas pessoas nos perguntam se faz sentido investir parte do patrimônio em renda fixa pós-fixada, atrelada à Taxa Selic, mesmo se as perspectivas são de que ela caia mais. Nesse artigo, vamos cobrir três pontos importantes: (1) a queda da Selic não é novidade; (2) nós estamos acompanhando o movimento e sempre ajustando as carteiras inteligentes; e (3) o Tesouro Selic tem seu lugar garantido numa boa carteira de investimentos.

A queda da Taxa Selic não é novidade

O Brasil tem uma tradição de juros altos, uma fama de “país da renda fixa”. Os investidores mais antigos ainda se lembram (com saudade, talvez?) da época em que o padrão era buscar rendimentos de 1% ao mês. Esse tempo acabou. 

A Taxa Selic alta vinha atrelada a um longo histórico de inflação alta. Nos últimos três anos a situação virou.

Talvez o único efeito benéfico da desaceleração econômica pela qual o país está passando seja o arrefecimento da inflação. Em 2015, a taxa de inflação acumulada pelo IPCA foi de 10,7% nos 12 meses do ano. Ao longo de 2016, a taxa acumulada já caiu para 6,29%. No ano seguinte, 2017, o IPCA foi de apenas 2,95% e em 2018 foi de 3,75% ao ano. Apesar de uma leve retomada recente, esses ainda são os menores patamares na história do nosso país.

Inflação medida pelo IPCA

Como a inflação está controlada e a atividade econômica abaixo do esperado, o Banco Central segue cortando os juros, para tentar acelerar a economia. 

O corte de juros torna o crédito mais barato, facilitando a tomada de empréstimos e estimulando o consumo. 

Veja como a redução da meta da Selic vem depois da queda da inflação, como uma resposta. Em 2018, a inflação ameaçou subir e o Governo manteve a Selic em 6,50%, tentando controlar de outras maneiras o aumento de preços. 

Meta da Taxa Selic e a Inflação medida pelo IPCA

Agora, em 2019, parece que o controle da inflação funcionou e o Copom voltou a cortar a meta da Taxa Selic. Toda vez que isso acontece, vira notícia de grande destaque em todos os canais de economia e de finanças pessoais. 

Porém, a maior parte do impacto desse corte sobre os seus investimentos  acontece antes dos juros caírem. O mercado começa a prever o corte e precificar os investimentos de acordo com a maioria das previsões.

A maior parte do impacto sobre os seus investimentos acontece antes da notícia de que os juros caíram.

Quando o Copom corta a taxa e os jornais divulgam a notícia, o mercado financeiro inteiro já está ajustado à nova realidade. Se você tenta mudar seus investimentos nessa hora, chegou tarde

A Vérios ajusta as carteiras inteligentes

Saiu no jornal, no YouTube e no Instagram: A Taxa Selic caiu! Oh, meu Deus!! 

Porém, não se preocupe! Se você tem uma carteira inteligente, não precisa fazer nada. Foi pra isso que você nos contratou.

Quem precisa se mexer é aquele seu amigo que tem todo o dinheiro dele investido em poupança, CDB, fundos de renda fixa, LCI, LCA, etc. Essa galera da renda fixa pós-fixada está ficando pra trás. Mas você, não. Você já se mexeu, você já tem uma carteira inteligente.

Nós estamos acompanhando esse movimento há anos, e fazendo pequenos ajustes na alocação-alvo das carteiras inteligentes. A carteira individual de cada cliente é ajustada caso fique muito afastada do alvo. 

Veja, por exemplo, o histórico de “alocações-alvo” da Carteira 5, no gráfico abaixo.

Mudanças na Alocação-Alvo da Carteira 5 da Vérios

Recentemente, o modelo resultou em um aumento das posições em renda variável. Foi por isso que nos preocupamos em disponibilizar renda variável para mais pessoas. Como essas classes trazem volatilidade, seu aumento foi contrabalanceado com um aumento da renda fixa pós-fixada na carteira, para manter o nível de risco correto para cada cliente.

As posições que foram um pouco reduzidas foram a renda fixa prefixada e a renda fixa corrigida pela inflação (juro real). 

Isso faz sentido. Quando a taxa de juros está baixa, é normal você ter menos disposição a comprar prefixados, ou seja, pré-fixar essa taxa de retorno pelos próximos anos. 

E, talvez você tenha notado: as mudanças são pequenas a cada atualização. Sim! Porque o cálculo é feito com dados de mais de 20 anos. As mudanças recentes não são tão grandiosas quanto os movimentos que já tivemos antes.

Agora, para quem pensa que precisa mexer na carteira por causa do corte da Taxa Selic de 6,0% para 5,5%, tenho uma notícia: você não precisa, porque NADA MUDOU.

Lembre-se que o mais importante é o seu ganho real, ou seja, o ganho acima da inflação. O ganho real no Brasil mudou, sim, mas já faz mais de um ano e meio! Não tem nenhuma relação com a notícia “bombástica” da semana passada, que foi alardeada por todo o mercado financeiro. 

Vamos pensar em uma carteira que tenha 100% renda fixa pós-fixada. O dinheiro do ultra-conservador. Para essa pessoa, vamos fazer uma conta simples: Meta da Selic menos Inflação = Ganho Real Esperado. Temos o seguinte gráfico.

Ganho Real Esperado em cada patamar de Meta da Taxa Selic e Inflação

Veja que curioso! O patamar de ganho real no Brasil mudou já faz um ano e meio. Só faz sentido mudar a sua carteira agora se o seu perfil de tolerância a risco mudou.

Tem algo de errado com esse pessoal que está tentando te convencer de que você precisa mudar sua forma de investir porque AGORA, com esse corte de 0,5% tudo mudou. Eles devem ter algum outro interesse por trás. Será que vendem ações? Consultoria? Manchetes? Polêmica? Não sei. Cada caso é um caso.

O Tesouro Selic tem seu lugar garantido numa boa carteira diversificada

Agora, uma frase polêmica: mesmo que a taxa de juros seja reduzida para zero (em alguns países, chega a ser negativa!), o Tesouro Selic (ou um investimento semelhante) sempre terá lugar numa boa carteira.

Mesmo que a taxa de juros seja reduzida para zero, o Tesouro Selic sempre terá lugar numa boa carteira.

O motivo para isso é o controle do nível de risco da sua carteira com um todo. O Tesouro Selic é o investimento mais seguro do Brasil e a sua alocação nesse investimento não existe apenas para trazer rentabilidade. 

Uma das funções mais importantes dela é manter a sua carteira dentro dos limites esperados de volatilidade, ou seja, o investimento em Tesouro Selic ajuda você a não correr mais riscos do que deveria.

Pense que o Tesouro Selic funciona como uma espécie de freio em sua carteira, pois ele possui volatilidade nula, ao passo que um ETF de bolsa de valores possui volatilidade média de 20% ao ano.

E, mesmo que ocorra algum problema no mercado, o Tesouro Selic estará lá, líquido e disponível para você, sem sofrer nenhuma desvalorização. Essa segurança também é importante, não acha?

Conclusões

Na Vérios, deixamos a ansiedade de lado e fazemos as contas para saber qual é a forma mais inteligente de estar alocado em diversos mercados diferentes, seguindo uma estratégia que funciona em diferentes ciclos econômicos.

Não haverá mudanças drásticas na composição da carteira inteligente de um dia para outro. Não especulamos com seu dinheiro.

Dinheiro guardado é para trazer tranquilidade. Se a sua estratégia de investimento lhe traz ansiedade, você está fazendo algo de errado.

Estamos atentos aos custos e à tributação. Os ajustes para um novo cenário de juros menores estão acontecendo, mas a transição é sempre feita de maneira suave, sem euforia, na medida certa que os números apontam essa necessidade, e, principalmente, respeitando sempre os níveis de risco de cada cliente.

Um amigo uma vez me disse uma frase muito boa: cada vez que você gira a carteira, você fica mais pobre. Sim, porque paga impostos e taxas para mudar as posições. Então, pense bem se a mudança é necessária. Lembre-se disso antes de seguir as “dicas quentes do momento”.

Keep calm e bons investimentos!

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CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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