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14 de agosto de 2020 Ultima atualização: 14 de agosto de 2020

Rentabilidade da Vérios no Segundo Trimestre de 2020

Se o primeiro trimestre de 2020 foi desafiador, o segundo foi de forte recuperação dos mercados, a despeito da pandemia.

14 de agosto de 2020

“O risco é aquilo que sobra
quando você acha que já pensou em tudo”
— Carl Richards

A História e as explicações de crises financeiras são sempre muito interessantes de estudar. Livros, filmes, documentários e até mesmo relatos de pessoas que as vivenciaram são fontes de grande aprendizado. É possível construir toda uma narrativa que explica as causas e consequências de cada crise, de uma forma tão bem amarrada que a gente chega a acreditar que era evidente, quase óbvio, que aquela crise estava a caminho. Só não viu quem não quis.

As crises passadas também muitas vezes ficam parecendo um chacoalhão necessário. Algo que a sociedade precisava passar para corrigir o seu rumo e que normalmente deixa marcas e mudanças profundas no contexto da nossa realidade.

Ocorre que agora não estamos mais no campo acadêmico ou num exercício lúdico de encaixar as justificativas. Estamos vivendo de fato o tempo de uma crise grave e continuada; que tem sua origem na saúde pública e atinge em cheio a economia global e os mercados financeiros. 

Como esperado, a prática é muito diferente da teoria. Muitas narrativas e explicações já existem, mas só no futuro saberemos quais vão prevalecer, de que forma elas vão se encaixar e quais serão as consequências.

Nesse contexto, os mercados financeiros que vinham vivendo uma era de esplendor, com anos seguidos de altas desde a crise de 2008, passaram por semanas de altíssima volatilidade, de uma forma que os nossos leitores mais jovens nunca viram. 

Contudo, nessa era em que o novo normal é estar cansado da expressão “novo normal”, a queda mais rápida da história dos mercados globais foi seguida da alta mais rápida também. São tempos difíceis para tentar adivinhar os próximos movimentos de mercado, e ótimo momento para quem segue uma metodologia de diversificação e controle de risco. As carteiras inteligentes da Vérios, por ora, já recuperaram toda a queda sofrida no primeiro trimestre e ganharam um pouco mais.

Risco e Incerteza

A rápida movimentação das bolsas de valores pelo mundo em 2020 é um ótimo terreno para exercitar a diferença entre risco e incerteza. 

Resgatando o trabalho do economista Frank Knight1, o conceito de risco refere-se às situações onde os agentes econômicos conseguem mapear os possíveis resultados e atribuir probabilidades a cada um deles. 

Isso difere muito, segundo o autor, do conceito de incerteza, que refere-se às situações nas quais não apenas as probabilidades são desconhecidas, mas até mesmo alguns resultados possíveis são desconhecidos dos agentes econômicos. Nos cenários de incerteza, as regras de tomada de decisão como “maximizar o resultado esperado” podem perder sua utilidade

E eis que chega o ano de 2020, um século depois do trabalho de Knight. Nos primeiros meses do ano, a Covid-19 já existia, mas pouquíssimas pessoas (para não dizer ninguém) anteciparam que a doença teria as consequências que estamos observando. Quando o mercado financeiro concluiu que havia subestimado os riscos da doença e que na verdade os impactos econômicos seriam profundamente maiores, a volatilidade explodiu. Panic sell.

No “olho do furacão” é muito difícil desenhar cenários e atribuir probabilidades a cada um deles. O risco sai de cena e a incerteza toma conta. Os preços deixam de fazer sentido, com agentes econômicos em pânico e sem liquidez.

Quando o risco sai de cena e a incerteza toma conta, os preços deixam de fazer sentido

Agora, passados alguns meses, já entendemos melhor o que a Humanidade está enfrentando. Já podemos desenhar cenários possíveis e criar para o novo coronavírus um modelo de risco mensurável. Além disso, notícias positivas começam a melhorar o conjunto de cenários possíveis. 

Os Bancos Centrais injetaram trilhões de dólares nas economias para garantir a liquidez do sistema. Os tratamentos, pesquisas e estudos sobre o vírus avançam num ritmo recorde, apesar de toda a polêmica, oferecendo hipóteses com prazos razoáveis para a liberação de uma vacina. As pessoas adaptam suas rotinas, mas continuam vivendo e consumindo. Na medida em que o pânico começa a dar lugar a planos e estratégias baseados em cenários menos catastróficos e menos incertos, a volatilidade diminui e as bolsas voltam a se valorizar. 

Obviamente, ainda estamos vivendo uma pandemia global, com aumento de casos em diversos países, um saldo de mortos crescente e uma onda de trabalhadores desempregados. Uma série de programas de auxílio e benefícios sociais buscam diminuir o impacto econômico da crise, mas ela ainda está se desdobrando.

As narrativas que vão explicar 2020 ainda estão em construção. O impacto sobre a economia real ainda não é totalmente conhecido. Mas os agentes de mercado já anteciparam o movimento de recuperação. E, nos altos e baixos dessa montanha-russa, as carteiras inteligentes da Vérios se saíram muito bem. 

Rentabilidade até Junho/2020

As carteiras inteligentes apresentaram forte valorização no segundo trimestre de 2020. Inicialmente, observamos uma recuperação mais acentuada das carteiras com diversificação em renda variável, especialmente pelo componente dolarizado no ETF de bolsa americana, que computou a valorização expressiva de +25,6% no trimestre, totalizando uma alta de +31% no seis primeiros meses do ano.

Logo em seguida, o Banco Central Brasileiro retomou o processo de cortes da meta da Taxa Selic, bem como o Ministério da Economia reforçou seu compromisso com a agenda de reformas fiscais, levando os títulos públicos pré-fixados e de juros reais a se valorizarem e recuperarem as perdas incorridas devido à crise. 

Com tudo indo bem, as carteiras inteligentes apresentaram forte valorização no segundo trimestre, especialmente aquelas com maior nível de risco (que haviam sofrido mais no trimestre anterior).

A bolsa de valores brasileira, representada nas carteiras pelo ETF que segue o índice IBrX-50, computou valorização de 33,5% no segundo trimestre, mas ainda acumula queda de -16,6% nos seis primeiros meses do ano. Nossa recuperação muito aquém das de outros países é explicada, em parte, pelo alastramento na pandemia no Brasil, pelos riscos da instabilidade política e pela forte retração econômica local. 

Vérios: Rentabilidade Líquida Abr-Jun/2020

 

Analisando as carteiras com renda variável sob uma ótica mais adequada, com os últimos 12 meses (no próximo gráfico abaixo), vemos que o período de grande volatilidade veio e já foi, sem fazer com que esse fosse um ano ruim. O resultado está em linha com nossa filosofia de proteger o capital dos nossos clientes, viabilizando a construção de patrimônio ao longo do tempo.

Vérios Rentabilidade 12 Meses até Jun 2020.jpg

Interessante notar também que o índice IHFA, que mede o desempenho dos “maiores e melhores” fundos de investimento multimercados, apresentou queda semelhante à das carteiras inteligentes, porém com uma recuperação mais lenta. Isso se deve ao fato da maioria dos grandes fundos multimercados terem reduzido sua exposição no auge da crise, tentando conter o risco. Com menos risco, houve menos oportunidade para obter rentabilidade.

No gráfico de linha, abaixo, a magnitude da queda fica bem clara, bem como a rápida recuperação em um curto espaço de tempo.

Rentabilidade Vérios 12 meses até 2020-06

Nossa filosofia de alocação de ativos baseada em otimização matemática, controle de riscos e diversificação sem “chutômetro” foi posta à prova nesse ano de grande turbulência. Agora, olhando para trás, a leitura é de que nossas convicções foram reforçadas.

O que esperar da Vérios

Antes de concluir esse artigo; vale lembrar que, independentemente dos excelentes resultados apresentados aqui, a metodologia de gestão das carteiras inteligentes da Vérios foi pensada para controlar rigorosamente o risco assumido, aumentando a segurança do investimento e, dentro de cada patamar de risco escolhido, obter o melhor retorno possível.

Os modelos de alocação seguem uma metodologia clara e renomada no meio acadêmico e no mercado financeiro, com um foco no horizonte de médio e longo prazo. A prioridade é a preservação de capital, por meio do controle de risco e balanceamento dos portfólios.

Além disso, buscamos ser sempre consistentes, coerentes e transparentes, não entrando nas “modinhas” do mercado financeiro. 

O Tesouro Direto vai render apenas 2% ao ano? Ele perde para a inflação?

No cenário atual de queda da taxa de juros em resposta à crise, gerenciar bem a sua carteira se torna um desafio ainda maior e mais complexo, para não entrar em riscos incorretos. O mercado financeiro aproveita para gritar suas mensagens de alarmismo, num esforço de vender produtos mais complexos e mais caros.

Nosso objetivo em relação à sua rentabilidade é justamente que o seu rendimento seja superior à meta da Selic, mas sem correr risco demais. 

Estamos trabalhando para viabilizar a inclusão de outros ativos na carteira inteligente, porque vocês estão pedindo. Nosso novo contrato já prevê algumas classes a mais. Mas atenção: o Tesouro Direto NÃO rende apenas 2% ao ano, como muitos andam dizendo por aí. E incluir outros ativos não é garantia de ter uma rentabilidade melhor. 

Antes de ter pressa em largar a renda fixa e antes de achar que é necessário tomar mais risco, vale observar que os títulos prefixados (Tesouro Prefixado) e de juros reais (Tesouro IPCA) estão com taxas atrativas para o médio prazo, garantindo retornos de cerca de 7% ao ano.

A renda fixa mais segura do país ainda paga 7% ao ano, garantidos, pelos próximos vários anos 

Ou seja, a renda fixa mais segura do país ainda paga de forma garantida 7% ao ano, de hoje até o vencimento, o que é uma rentabilidade excelente no patamar de juros e inflação baixíssimos que estamos vendo. E com a vantagem de poder sacar seu dinheiro a qualquer momento. Para te mostrar, peguei um print da tela do Tesouro de hoje.

Preços e Taxas do Tesouro Direto em 14/08/2020
É possível garantir rendimento de inflação +4% ao ano, de hoje até 2055! Clique para ampliar a imagem.

O grande ponto que essas taxas indicam é que o mercado está apostando que a Selic não vai ficar no patamar de 2% ao ano por muito tempo. Então recomendamos cuidado para não migrar seus investimentos de forma precipitada, comprando risco sem necessidade. Além disso, também é possível aproveitar para garantir essas rentabilidades que no cenário atual são altas, com a tranquilidade e a segurança de estar no Tesouro Direto. 

O único título que realmente tem a rentabilidade esperada em torno de 2% ao ano é o Tesouro Selic. Mas o papel do Tesouro Selic não é trazer rentabilidade, e sim trazer segurança para que sua carteira tenha um comportamento um pouco mais previsível. 

É possível reduzir a proporção desse papel na sua carteira, mas isso automaticamente significa um aumento no nível de risco. Sem o Tesouro Selic, as perdas na sua carteira teriam sido muito maiores durante a crise e, caso o cenário volte a se agravar, é o Tesouro Selic que vai segurar um pouco para proteger seu patrimônio. Se você julgar que topa esse aumento de risco, fale com o nosso time. Se prefere maior segurança, o jogo segue sem grandes mudanças. 

Pense nesses pontos antes de tomar suas próximas decisões de alocação.

E bons investimentos!

__________
1 Frank Knight publicou em 1921 o seu livro “Risk, Uncertainty and Profit”, baseado na sua dissertação de Ph.D. na Cornell University. No livro, ele diferencia os conceitos de risco e incerteza.

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14 de agosto de 2020
Ultima atualização: 14 de agosto de 2020

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Autores

Pedro é gestor de recursos credenciado pela CVM e responsável pela engenharia financeira das carteiras inteligentes na Vérios. Trabalha há anos no mercado financeiro, tendo atuado por alguns anos em uma das maiores gestoras de recursos do Brasil. É também editor no Terraço Econômico, maior portal independe de economia do país, formado em Economia pela Unicamp e com passagem na Universidade do Porto, em Portugal.

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 12 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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