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9 de setembro de 2019 Ultima atualização: 9 de setembro de 2019

Só 44% dos fundos de ações ativos batem Ibovespa em 3 anos

Levantamento feito pela Luz Soluções Financeiras para o Valor Econômico mostrou que a gestão ativa tem dificuldade de comprovar seu valor, inclusive no Brasil.

9 de setembro de 2019

Contribuímos com mais uma matéria do jornal Valor Econômico, que é referência em todo o Brasil para os temas de economia, mercado financeiro e investimentos. Confira na versão impressa ou no site do Valor Econômico a íntegra da matéria que foi publicada hoje.

A matéria, escrita por Adriana Cotias, baseou-se em um levantamento feito pela Luz Soluções Financeiras para o Valor com fundos de renda variável para mostrar que só 44% dos fundos de ações ativos batem Ibovespa em 3 anos.

Gestão: ativa versus passiva versus aleatória e humorística

Desde que o professor Burton Malkiel, da Universidade de Princeton, lançou, na década de 70, a provocação de que qualquer macaco vendado, ao atirar dardos nas tabelas de ações publicadas por um jornal seria capaz de escolher uma carteira tão ou mais eficiente quanto um especialista, o dilema gestão ativa versus passiva provoca acalorados debates no mundo dos investimentos.

Existe até um perfil no Instagram que, de forma bem humorada, procura mostrar isso na prática. A página Monkey Stocks realiza um sorteio, todo domingo à noite. Os seguidores da página podem acompanhar o sorteio ao vivo pelo Instagram. Dentre todas as ações do Ibovespa, ele sorteia 5 papéis para compor sua carteira aleatória por uma semana. De forma surpreendente (ou não), a carteira aleatória do Macaco Zé vem superando os resultados das carteiras recomendadas pelas maiores corretoras do Brasil. O perfil se diz Mestre em Anti-Análise e completa: “não sigam minhas dicas”.

Levantamento sobre gestão ativa no Brasil

De acordo com a reportagem, o levantamento mostrou que 71,2% das carteiras superaram o Ibovespa nos últimos 12 meses. Mas quando se amplia o horizonte para 24 meses, o percentual com desempenho acima do índice cai para 41,5%. Em 36 meses, essa parcela limita-se a 43,9% da amostra composta por 756 fundos nas diversas classes.

Num momento em que o juro brasileiro está no seu menor nível da história, com a Selic em 6% ao ano, e os fundos de ações atraem uma montanha de dinheiro – são R$ 105,2 bilhões de 2017 para cá -, esse é um tema que cresce em importância.

Em paralelo, vemos o mercado de fundos passivos negociados em bolsa (os chamados ETF, do inglês Exchange Traded Fund) também começando a decolar, apresentando-se como uma alternativa mais barata para o investidor.

“Na gestão ativa, o investidor paga mais porque o gestor promete um retorno maior, mas não necessariamente ele supera o Ibovespa”, disse Sara Marques, diretora da Luz, responsável pelo estudo. E completa: “A gestão ativa não parece consolidada no Brasil”.

Fundos de ações são recomendados para o longo prazo e talvez o intervalo de três anos seja insuficiente para avaliar a consistência de um gestor. Mas num momento em que o brasileiro começa a migrar da renda fixa para opções de mais risco, vale pesar se a gestão ativa está se pagando. No varejo, fundos com aplicação entre R$ 1 mil e R$ 25 mil cobram, em média, 2,22%, ao ano de taxa de administração, segundo a Anbima. 

“Menos de 10% dos fundos que aparecem com as melhores performances ajustadas ao risco num determinado período continuam no seguinte”, disse ao Valor um executivo de um banco estrangeiro, citado na matéria sem ser identificado. Para ele, são necessárias pelo menos oito janelas temporais justapostas para afirmar se um determinado gestor tem consistência de performance.

O especialista ressalva que isso não invalida a existência de casos de sucesso no mercado de gestão brasileiro, mas lembra que fundos com bom desempenho atraem uma quantia relevante de recursos e acabam fechados para captação.

Indústria de ETFs: melhor resultado com menos custos

 

Quando se compara com a indústria no mundo, onde os ETFs representam cerca de 10% do setor de fundos, e o Brasil, com menos de 0,5%, há espaço para avançar, diz Ricardo Eleuterio, chefe da área de produtos da Bradesco Asset Management, gestora do grupo Bradesco. “Há potencial, mas confesso que a gente acredita muito na gestão ativa.” Nesta frente, a Bram reduziu a taxa de administração dos fundos ativos oferecidos na rede, para 1,5% ao ano.

No conjunto, os ETFs listados na B3 reuniam R$ 20,8 bilhões ao fim de julho, quase três vezes superior ao observado um ano atrás. O número de investidores saltou de 30,9 mil em agosto do ano passado para 79,6 mil.

O Brasil ainda oferece alguma oportunidade para a gestão ativa, porque há distorções, mas o grande desafio é a consistência de retorno ao longo do tempo, afirma Pedro Lula Mota, gestor de portfólio da Vérios Investimentos. “Com o movimento de novas assets é preciso que a gestão ativa se comprove, muitas casas ainda não têm histórico para isso”, alerta.

Felipe Sotto-Maior, sócio-fundador da gestora – que monta carteiras para seus clientes controlando os riscos por meio de algoritmos, valendo-se de ETFs – acrescenta que o fator comportamental pode fazer naufragar até os mais experientes profissionais. “O problema é quando o gestor acerta várias vezes e começa a achar que tem mão de ouro, é aí que ele pode errar no tamanho do risco como já vimos tantas vezes”, afirma. “A gestão ativa pode ter lugar no portfólio desde que o investidor entenda o que está comprando, que se trata da contratação de um time para fazer apostas direcionais com o seu dinheiro – e desde que quais os riscos associados a isso.”

Vale lembrar que a Vérios não faz gestão ativa, focando seus esforços no asset allocation e abrindo mão de estratégias caras como stock picking e market timing. Falamos um pouco mais sobre isso ao analisar o caso da Crise na Argentina, em agosto.

 

Reforçamos que vale a pena ler a matéria completa no site do Valor Econômico, que traz mais elementos além daqueles destacados aqui no nosso blog.

 
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9 de setembro de 2019
Ultima atualização: 9 de setembro de 2019

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CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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