Alguém me contou uma vez a definição de inferno: no seu último dia na Terra, a pessoa que você se tornou se encontra com a pessoa que você poderia ter se tornado.

Não sei de quem é essa frase, ela foi publicada anonimamente (o que significa que provavelmente é de uma mulher). Espero que ela te inquiete e te faça pensar assim como ela faz comigo todos os dias, e te motive a tomar decisões melhores.

Aqui tem um pouco de tudo: o que eu aprendi estudando, vendo palestras, vídeos, lendo, trabalhando, errando e acertando (dias de luta mas também dias de glória, né).

Queria ter aprendido tudo isso muito mais cedo e de uma forma menos dolorosa, e por isso decidi compartilhar essas reflexões. Espero que esse texto te ajude a não cometer alguns erros também.

1. Dinheiro é igual cachorro: adestre-o ou ele vai adestrar você

Essa frase não é minha, é da musa das finanças Nathalia Arcuri, e quero começar o texto com ela porque isso resume a minha motivação pra estar aqui agora, escrevendo.

Foi uma lição que eu aprendi sofrendo na pele as consequências de gastar dinheiro de forma (muito) irresponsável: Se você não assumir o controle das suas finanças, se não tiver um plano, vai viver pensando só no curto prazo, refém do seu dinheiro, sem segurança e autonomia, sem concretizar sonhos e ainda refém das dívidas que o comportamento impulsivo e a falta de planejamento provavelmente vão te levar a fazer.

E um plano não necessariamente precisa ser extremamente detalhado, com planilhas, aplicativos e o caramba a quatro. Um plano pode ser algo bem simples também, pra quem não for o louco das planilhas — e tudo bem. O que importa é funcionar pra você.

2. Comece a pensar no longo prazo hoje

Não é mês que vem nem semana que vem, é hoje. E se for impossível sentar pra pensar com calma sobre isso hoje, reserve um tempo do seu próximo final de semana ou algum tempinho durante essa semana. Mas faça.

Sim, é difícil desenvolver pensamento de longo prazo, e isso tem até uma explicação biológica. As partes no nosso cérebro que reconhecem o 'eu' e a parte que reconhece 'os outros' são diferentes, e adivinha qual é a que "acende" quando pensamos em nós mesmos no futuro? Pois é, a parte que identifica 'os outros'. Ou seja, nosso cérebro tem dificuldade de entender que pensar no nosso futuro é pensar em nós mesmos, porque ele acha que estamos pensando em outra pessoa. E se é outra pessoa, por que vou me sacrificar no presente por ela?! Muito louco, né?

Mas é um exercício que precisa ser feito. Não tem coisa mais triste e desesperadora do que a sensação de perceber que a velhice está batendo na porta e você não se preparou.

E pensar no longo prazo não é só pensar na aposentadoria, não (“só”, como se fosse pouca coisa). É pensar nos seus sonhos grandes, coisas que demandam uma quantia maior de dinheiro ou que você pretende viver numa fase mais avançada da vida. Seja comprar um apartamento, seja ter filhos, dar uma volta ao mundo, tirar um ano sabático, qualquer coisa. Se você não começar a pensar nisso agora, a chance de conseguir concretizá-las como gostaria vai diminuindo um pouquinho a cada dia.

Informe-se sobre o quanto essas coisas custam — ou, no caso da aposentadoria, o quanto você precisa investir pra ter a renda mensal que deseja no futuro— coloque-as no seu orçamento e arregace as mangas. Existem diversas planilhas disponíveis gratuitamente na internet que te ajudam a calcular esse valor para a aposentadoria. Recomendo a calculadora de aposentadoria da Vérios.

3. Comece a investir, não importa quanto dinheiro você tem. Apenas comece

Existe uma coisa maravilhosa chamada juros compostos. Eles fazem do tempo um grande aliado seu: quanto maior o período que o seu dinheiro ficar investido, mais ele vai crescer. (Se você ainda não entende bem como eles funcionam, tudo bem: este vídeo vai te ajudar.)

Pra você ter uma ideia, investindo R$ 5.000 hoje a uma rentabilidade de 6% ao ano, em 15 anos você vai ter R$11.983. Imagina se, além de começar a investir logo, você ainda conseguir poupar todo mês pra acelerar esse bolão aí. (Mas dá pra começar com muito menos que isso, viu?)

Além disso, pense que a disciplina é como um músculo. Você tem que exercitá-la devagar e sempre pra fortalecê-la. Se você deixar pra começar a poupar quando "ganhar bem", mas estiver com esse músculo atrofiado, pode ter certeza que vai ser bem difícil você, do nada, conseguir dizer não para todas as coisas que quer fazer e comprar, ainda mais ganhando bastante dinheiro. Afinal de contas, você vai estar se sentindo ryca(o), como assim você vai ter que abrir mão de coisas? Pois é. Vai se acostumando desde agora.

E mais: o que é "ganhar bem"? Estava falando sobre dinheiro com um amigo um tempo atrás e eu estava explicando pra ele a importância de ele começar a investir desde já. E ele: "Pra que eu vou me matar pra poupar um pouco por mês agora se eu vou poder poupar muito mais, sem esforço, quando ganhar bem?Cara, ele ganha o dobro que eu. O dobro. E está esperando "ganhar bem" pra começar a investir.

Pare de esperar.

Você vai ver, investir e coçar, é só começar.

4. Pague-se primeiro e viva um degrau abaixo

Não fique torcendo pra sobrar dinheiro no fim do mês. Defina o quanto você vai investir por mês e já invista esse dinheiro assim que o salário cair na conta, e acostume-se a viver com o restante.

Por exemplo, se você ganha R$ 5.000 líquidos e decide investir R$ 1.500 por mês, tem que se acostumar a viver com um padrão de vida de R$3.500. Não "curtir a vida adoidado" e esperar pra sobrar um troco no último final de semana do mês.

Não funciona, você provavelmente já sabe disso.

5. Não deixe seus gastos crescerem na mesma proporção que a sua renda

Quem nunca pensou "Ah, agora que eu tô ganhando melhor, posso ir mais vezes no restaurante x"? Ou "Nossa, agora que eu fui promovida(o) vou pra praia todo final de semana!"? Ou ainda "Agora que tô ganhando bem, vou trocar de carro/morar em um apartamento maior/etc." Pois é, esse é um erro extremamente comum. Aumentar o padrão de vida de acordo com o salário.

É normal os gastos aumentarem com o tempo, óbvio. De jeito nenhum eu estou falando pra você manter o mesmo padrão de vida dos 25 até os 40 anos. O ponto é que a proporção do crescimento de um não deve acontecer na mesma proporção do crescimento do outro.

Por quê? Porque depois você vai olhar pra trás, vai ver que está ganhando um baita salário e mesmo assim não está conseguindo economizar direito, e vai bater o arrependimento. "Caramba, eu podia ter investido X mil reais ao longo desses anos e não estou nem perto disso. Como eu cheguei nesse ponto? Por quê?"

Por isso. Porque você tem que aprender a poupar e investir ainda mais quando começa a ganhar melhor, e não manter o valor que está poupando pra gastar todo o excedente. Acredite, tá cheio de gente ganhando uma grana ferrada sem conseguir investir direito exatamente por causa disso. Não adianta nada ganhar mais se você vai sair gastando como se fosse a Carolina Ferraz.

Não cometa esse erro.

6. Tenha metas e objetivos claros

Economizar dinheiro sem um objetivo é como fazer dieta por gostar de passar fome. Planeje-se, coloque as coisas na ponta do lápis, coloque-as no orçamento, defina o que é prioridade e o que não é prioridade pra você, e poupe. Se você não se planejar e não abrir mão dos gastos não prioritários no curto prazo, a chance de você realmente conseguir atingir seus objetivos diminui muito.

E um objetivo não é só uma coisa grande, uma viagem, um carro, etc — coisas menores podem (e devem) ser pensadas como metas também, devem estar contempladas no seu orçamento. Quer comprar um sapato? Meta. Quer trocar de celular? Meta. Quer fazer um curso de final de semana? Meta.

Confia em mim: Atingir objetivos é infinitamente mais prazeroso que gastar dinheiro com besteiras não planejadas.

Leia também: Saiba como gastar seu dinheiro sem culpa seguindo o método dos envelopes

7. Enriquecer não é sobre o quanto você ganha, é sobre o quanto você gasta

No meu primeiro estágio, em 2012, eu tinha o sonho de fazer intercâmbio. Sempre que o salário pingava na minha conta, quase metade dele ia pra minha poupança (tá bom, na época não sabia que a poupança era uma péssima opção, mas a lição aqui é sobre disciplina e metas, ok? hehe). Juntei meu dinheirinho, botei a mala nas costas e fui.

Um tempo depois, quando voltei para o Brasil, fui efetivada e comecei a ganhar melhor, mas não tinha prioridades nem metas. Pergunta se eu poupava alguma coisa? Poupava nada.

Não se engane dizendo “quando eu ganhar melhor, aí eu vou conseguir guardar dinheiro.” Eu paguei uma viagem pra Europa ganhando um salário de estagiária, mas não podia pagar uma viagem pra Paranapiacaba com um salário 2x maior (ainda morando com meus pais). Tenho amigos hoje que ganham mais que o dobro que eu, moram com os pais e ainda não poupam — ou seja, o segredo não está no salário.

Não tem desculpa — vai ter que abrir mão de coisas, aprender a esperar, sair da zona de conforto? Vai. Mas vai valer a pena. Prometo.

8. Não tenha medo nem vergonha de falar “Não posso fazer isso agora. Isso não é prioridade pra mim nesse momento”

Não poder pagar por algo não significa que você não tem dinheiro. Significa que você tem outros planos para o seu dinheiro e aquilo não é prioridade pra você (pelo menos não por enquanto). Se você não tem planos para o seu dinheiro, sai gastando com tudo o que aparece pela frente e reza pra sobrar algo no fim do mês.

Não tem problema NENHUM em rejeitar um convite pra jantar em um restaurante e sugerir uma alternativa mais barata, tipo fazer o jantar em casa — inclusive seus amigos muito provavelmente vão te agradecer por isso e você se surpreenderá quando ouvir algo como "Nossa, vamos! Também não tô podendo gastar."

Quantas vezes você não acabou gastando mais do que podia só porque foi no embalo dos outros e ficou sem jeito de falar que não podia? Vamos parar com isso?

Então tá bom. Seu bolso agradece — e seus sonhos também.

9. O Instagram pode ser um grande inimigo da sua conta bancária. Tenha muito cuidado

Por dois motivos. Primeiro porque se você segue marcas e lojas, vai ficar sendo bombardeado por mil produtos TODOS os dias. Se você não tem autocontrole, fica passando vontade e compra as coisas por impulso quando vê propaganda no Instagram, pare de seguir esses perfis (em vez de lojas, siga o @equipeverios). O mesmo serve para newsletters de lojas por email.

Segundo (e muito mais perigoso que o primeiro) porque o Instagram alimenta (e lucra com) uma coisa que a gente faz o tempo inteiro e até involuntariamente: se comparar aos outros. E pega no nosso ponto fraco: a necessidade de fazer parte do grupo.

Os outros sempre vão parecer ter coisas mais legais que você, fazer programas mais legais que os seus, ter roupas mais bonitas, fazer viagens mais incríveis, etc etc etc. O que você sente quando vê tudo isso? Pensa "Não posso ficar de fora. Vou dar um jeito de ter isso aí também" ou "Pô, se fulano fez isso, eu também posso fazer."

E quem chora quando ouve isso? Ele mesmo, o seu bolso.

(Ah, sem contar que a era dos memes faz a gente achar algumas coisas engraçadas quando elas, na verdade, não são. Quem nunca deu risada de um meme zoando a nossa total falta de controle com as finanças? E aí a gente sente: "Tá todo mundo na merda, então tudo bem." Não, não tá tudo bem.)

10. Priorizar é fácil — difícil é despriorizar

E você precisa aprender a fazer isso.

Pra caber tudo no seu orçamento, algumas coisas vão ter que ficar de fora, não tem jeito. Já dizia Steve Jobs: "Focar é dizer não."

E esteja preparada(o) pra dizer não — pra si mesma(o) e para os outros.

11. Pensamento 'jaque' é uma cilada, Bino. Fuja

"Ah, já que eu já saí do planejamento esse mês, vou gastar com isso, isso e aquilo."

"Já que eu não vou mais conseguir investir o que eu tinha planejado nesse mês, vou gastar um pouquinho a mais."

"Já que eu saí da dieta hoje, vou deixar pra recomeçar na segunda que vem."

Pare. Apenas pare. Não justifique 10 erros com a primeiro. Errou? Tudo bem, faz parte, é só retomar a rota e focar de novo. Errar é humano, insistir no erro… é burrice.

12. Saiba quais são suas kriptonitas e aprenda a se proteger delas

Mais uma vez roubei uma frase da Nathalia Arcuri. Resumindo, o que isso significa: assim como o Super Homem fica mais fraco quando está perto de kriptonita, você provavelmente tem seus pontos fracos que te fazem gastar mais. Pode ser um lugar, uma situação, uma pessoa, pode ser qualquer coisa. Identifique o que são essas coisas e tenha um plano de ação pra quando elas acontecerem.

Exemplo: eu gastava com alguma coisa SEMPRE que ia ao shopping, fosse pra almoçar, ir ao cinema, qualquer coisa. Agora me pergunta a última vez que fui ao shopping? Nem lembro mais. Passo longe.

Ou outra: Eu gastava ridiculamente quando tinha dinheiro dando sopa na minha conta corrente depois de ganhar algum dinheiro extra. Bônus, décimo terceiro, rescisão, etc — aquela sensação "eu tô ryyyca!", sabe? Só que não, né. Gastando tudo, cadê a riqueza? Até dói de pensar o quanto daria pra ter investido se eu não tivesse sido o quê? Trouxa.

Agora, pinga o dinheiro na conta e eu não confio em mim mesma, já tiro esse dinheiro do meu alcance, invisto e finjo que nunca nem vi.

Pense em um plano de ação pra cada kriptonita sua e seja feliz :)

13. Calcule quanto tempo você leva pra ganhar R$ 100 e você vai parar de achar que isso é pouco dinheiro

A conta é fácil:

(Tem uma cadeira ou sofá perto de você agora? Melhor se sentar antes de fazer isso.)

Pegue o seu salário líquido (o que efetivamente cai na sua conta) e divida pelas horas que você trabalha por mês. (Seja sincera(o) com você mesmo, é muito provável que você faça mais que 40h por semana.) Você vai chegar no preço da sua hora.

Depois, divida R$ 100 por esse preço que você calculou.

Tcharam, aí está o tempo que você trabalha pra ganhar R$ 100.

Aquele barzinho, balada, show ou aquela roupa acabaram de ficar mais caros, não? Pois é.

Antes, eu gostava de usar uns xampus diferentões, cheios de frescura, que custam R$ 50, R$ 60. Quando fiz essa conta, arregalei os olhos e falei "O QUÊ, TÁ MALUCO?" Pantene neles.

(E meu cabelo continuou i-dên-ti-co.)

O ponto aqui é você não gastar dinheiro à toa com coisas que não são prioridades pra você. Se um xampu diferentão for uma prioridade pra você, tá tudo bem. O importante é você saber o que é e o que não é prioridade, e aí cortar as gordurinhas dos gastos que não são prioritários. E lembre-se: não dá pra tudo ser prioridade.

14. Você precisa de um orçamento

Vou repetir: você precisa de um orçamento.

Tem uma frase que eu gosto muito, ela diz:

Anotar gastos é olhar pra trás, orçar é olhar pra frente.

Eu vivia querendo anotar e saber o quanto eu estava gastando com cada coisa, mas não adianta nada você dirigir olhando no retrovisor. O que te leva aos seus objetivos é um mapa, um guia. Anotar quanto você já gastou é olhar no retrovisor, um orçamento é o Waze. É com um orçamento que você consegue definir o quanto vai investir naquele ano, qual é o seu limite pra gastar com cada tipo de coisa, o que vai dar e o que não vai dar pra fazer naquele mês/ano — antes de ele começar. E esse é o ponto.

Tendo tudo isso em mente é muito mais provável que você consiga fazer o que realmente está dentro dos seus planos e o que realmente dá pra fazer, garantindo que está colocando dinheiro no que realmente é prioridade pra você.

15. A frequência com que você acompanha seu orçamento é tão importante quanto ter um orçamento

Não adianta nada ter uma baita de uma planilha linda, organizada, pra ela ficar abandonada e desatualizada. Se for pra fazer isso, nem gaste o seu tempo fazendo um planejamento.

Acompanhe e atualize seus planejamento semanalmente. Ele é o seu mapa, tenha carinho por ele ❤

(Dica: depois que você definir o quanto tem pra gastar com suas categorias de gastos, vá acompanhando o quanto você já gastou e o quanto ainda pode gastar. Tendo esse número em mente, você tem menos chance de escorregar e fazer besteira. Se eu sei que no último final de semana do mês, por exemplo, eu só posso gastar 50 reais em lazer pra fechar o mês dentro do orçado, eu vou ter muito mais clareza na hora de escolher quais programas eu posso ou não posso fazer, a qual tipo de restaurante/festa eu posso ir, se vou ao cinema ou fico no Netflix, etc.)

16. Comer fora de casa é MUITO caro

Quando saí da casa dos meus pais, fui morar em um bairro cheio de restaurantes maravilhosos, me sentia no paraíso. Pra piorar, eu não gostava da cozinha do meu apartamento, então nunca fazia comida. Tomava café da manhã, almoçava e jantava fora todos os dias. Você já deve imaginar o que aconteceu com a fatura do meu cartão.

Ah! E não tenha vergonha de levar marmita para o trabalho, vergonha você tem que ter de não conseguir poupar dinheiro, e não de se planejar e economizar.

Aprenda a cozinhar — seu bolso agradece.

(Ah, e pra quem quer comer saudável, não precisa ser caro, não. Isso é balela. Comer saudável pode ser super barato, só não vai ser super prático. O que é caro é a praticidade, e o mais barato sempre vai ser o mais trabalhoso. C'est la vie.)

17. Aprenda a ser cara de pau e peça descontos SEMPRE

Você vai se surpreender com o quanto de desconto você pode conseguir em lojas que jamais imaginou. E pagando à vista, a chance de dar certo aumenta demais! Em dinheiro vivo, então, nem se fala.

E não precisa pedir com medo ou vergonha, tipo "Moça, será que tem algum desconto se eu pagar à vista?". Pode botar fé, "Qual é o desconto pagando à vista?".

Não existe preço igual pra comprar à vista ou a prazo, ninguém é bobo. Se eles aceitam pagamento a prazo, tem juros aí no meio e o preço à vista tem que ser menor. Se tiver que falar com a(o) gerente, tudo bem. Chama ela(e) aí.

O não você já tem. Vá atrás do sim!

18. Desperdiçar comida é jogar dinheiro no lixo

Simples assim.

Você costuma jogar no lixo uma coisinha ou outra da geladeira toda semana? Quanto elas custaram? Multiplica por quatro semanas no mês, depois por 12 meses no ano. Você, literalmente, jogou esse dinheiro em um saco, amarrou e jogou fora.

Comece a prestar atenção no quanto você realmente consome e tente comprar em quantidades menores, é melhor passar no mercado durante a semana pra comprar o que faltou do que lotar a geladeira no final de semana e jogar um monte de coisas fora depois. Fazer listas antes de ir ao mercado ou à feira também ajuda bastante a comprar só o necessário.

(Dica 1: Pra quem tem feira perto de casa, é uma forma de economizar! Os preços costumam ser bem melhores lá do que no mercado. Dica 2: Não saia de casa pra comprar comida com fome, é cientificamente comprovado que você muito provavelmente vai comprar mais do que precisa. Dica 3: Compre alimentos não perecíveis e itens de limpeza no atacado, naquelas lojas enormes, sabe? Você vai economizar muito tempo e dinheiro.)

19. Independência financeira não é só pagar as contas sozinha(o), não

Por muito tempo eu achei que ser independente era sair da casa dos meus pais. Inocente, né, porque qualquer probleminha que acontecia eu recorria a quem? Bingo.

O conceito de independência financeira tem duas frentes. Uma delas é a reserva de emergências ou oportunidades: é a primeira prioridade que você deve ter em termos de investimento. Tudo pode ser colocado em segundo plano por enquanto, a prioridade número 1 é a sua reserva de emergências. O tamanho dela depende de algumas variáveis, mas a grosso modo ela deve corresponder a seis meses de todos os seus gastos mensais.

É o dinheirinho que deve ficar à disposição pra você poder resgatar a qualquer momento, pra você nunca ficar na mão em caso de emergências. (E não vai deixar esse dinheiro na poupança, pelo amor de Deus.)

A segunda frente é a de ter uma renda mensal com os seus investimentos (e até não precisar mais trabalhar). Muita gente olha pra essa reservona como um dinheiro para a aposentadoria, e aí vem na cabeça a época da velhice. Mas, se organizar direitinho, você pode atingir esse objetivo muito antes dos 65 anos. É uma conta que você precisa fazer pra saber o quanto precisa investir para que o dinheiro trabalhe por você, para que a rentabilidade dos seus investimentos te garanta uma renda mensal e você possa, literalmente, fazer o que quiser — seja parar de trabalhar, trabalhar fazendo só o que gosta, viajando, fazendo trabalho voluntário, qualquer coisa.

Uma vez ouvi em uma palestra que a independência financeira é o poder do "foda-se", e foi a melhor explicação que já ouvi.

É aquele momento que você pode falar "foda-se" para o seu chefe, para o seu trabalho, pra todas as coisas que você não gosta de fazer. Você não vai mais precisar delas. Muahaha.

20. Não trate o VR como dinheiro de brincadeira. VR é dinheiro

Quem nunca acabou com o vale-refeição (VR) na primeira metade do mês? Quem nunca pensou "Nossa, que bom que o restaurante XPTO aceita VR, vou poder ir lá!", ou "Ah, é VR mesmo, posso gastar."

A gente pode economizar (e muito!) usando o VR de forma inteligente. Tem muito mercado que aceita VR, inclusive.

Com o contatinho a gente pode até fazer papel de trouxa, mas com o dinheiro, não.

21. Pare de pensar "Trabalhei duro a semana inteira, eu mereço comprar isso ou aquilo"

Sim, você ralou a semana inteira, então o que você merece é atingir seus objetivos, não empobrecer comprando um monte de besteira só pelo prazer da compra. Na maior parte das vezes, o ato de comprar é muito mais prazeroso do que ter as coisas em si. (Ou vai dizer que você nunca se arrependeu de comprar nada?)

A gente acaba gastando com o que não deve mais pelo prazer de comprar do que pelo prazer de ter a coisa de fato — e de novo é a biologia sacaneando a gente. A dopamina, neurotransmissor liberado quando compramos, é o mesmo liberado quando fazemos sexo. Não é à toa que a gente gosta tanto de comprar, né não?

Mas segura essa empolgação aí. Aprender a esperar e a dizer pra si mesmo “eu não posso gastar com isso agora” é uma das lições mais valiosas que você vai aprender na vida. Confia.

22. Não é porque experiências são mais valiosas que coisas materiais que você pode pagar por elas

Não gaste com coisas materiais, invista em experiências. (MUNDO, Todo)

Outra cilada.

Essa máxima, que é muito comum principalmente entre nós, millennials, e na geração Z, pode ser uma baita de uma armadilha. Sim, momentos e experiências fazem a vida valer a pena, elas nos fazem mais felizes do que coisas materiais, mas calma aí. Isso não te dá um passe-livre pra ser irresponsável e pagar por todas as experiências que quiser.

Planeje-se e tenha as experiências que cabem no seu orçamento. A tranquilidade de não estar enrolada(o) em dívida/cartão de crédito, essa é uma experiência que vale mais que qualquer festa, show ou viagem.

Acredite em mim.

23. Pagar no crédito (ainda mais parcelando) não parece, mas é uma forma de se endividar

Pode parecer óbvio, mas se fosse, a galera não estava aí enrolada no cartão de crédito. Pague o máximo possível no débito (e isso ainda te ajuda a conseguir descontos!).

Usar o cartão de crédito te faz sentir que você pode comprar coisas sem ter dinheiro para pagá-las. Parcelar, então, mais ainda.

Compre só o que você realmente tem condições de pagar.

24. Aprenda a dizer não para si mesmo e esperar. O maior desafio da fase da adulta é "parent yourself"

Eu tirei esse conceito do TED incrível da Mel Robins. Assistam essa palestra e estejam preparados pra tomar uns tapas na cara.

Quando você era pequena(o), seus pais te falavam que tinha que comer salada e você tinha que comer. Eles te mandavam fazer a lição de casa e você tinha que fazer. Eles te acordavam super cedo pra ir pra escola e você tinha que levantar. Eles falavam que iam comprar aquele brinquedo só quando desse e você tinha que esperar. O problema da vida adulta é justamente esse: agora, você é quem decide.

E você não quer esperar.

Quem chora de novo? Isso mesmo, seu bolso.

Compre/faça as coisas quando elas forem realmente necessárias e quando você puder pagar por elas (sem se endividar e sem sacrificar outras coisas essenciais). É como um músculo que você precisa exercitar pra desenvolver, você precisa se acostumar a dizer não para si mesmo até que isso não se torne mais uma frustração, mas simplesmente uma forma responsável de lidar com seu dinheiro.

É difícil. É muito difícil, mas é necessário. (Ainda vou escrever um texto sobre isso, mas fica para a próxima.)

No fundo, tem ainda aquela criança dentro da gente que odeia ser contrariada — mas precisa, para o bem dela.

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