4 riscos que ameaçam a rentabilidade dos seus investimentos

Você sabe que nossas decisões de investimento não devem ser baseadas apenas em rentabilidade, não sabe? Temos que pensar em nossos objetivos, no nível de risco que toleramos, na segurança e, acima de tudo, seguir a regra de bolso de ter uma carteira de investimentos diversificada, que vai nos guiar com bom senso pelos bons e maus momentos do mercado.

Isso não significa, porém, que os rendimentos devam ficar em segundo plano. É importante ter consciência dos fatores que podem minguar o crescimento do seu patrimônio. Listamos a seguir quatro riscos que ameaçam a rentabilidade dos seus investimentos. Descubra se você está correndo algum deles.

1. Risco inflacionário

A inflação deveria ser a preocupação número 1 de quem busca proteger seu patrimônio financeiro contra a perda do poder de compra da moeda. A estabilização econômica e o início do processo de controle inflacionário são muito recentes e ainda estão em construção no Brasil. Mesmo após o Plano Real, ainda tivemos alguns anos de inflação de dois dígitos, como foi em 2010, alcançando 11,32%. Para este ano, as perspectivas de inflação não são nada boas.

Se você pensa em investir para o longo prazo, proteger-se da inflação é um fator-chave para seu sucesso. O desafio é buscar classes de ativos que superem a inflação e, mesmo descontado o imposto de renda, ainda proporcionem um ganho real. Ou seja, nada de poupança ou dinheiro parado em conta. Neste caso, o mais recomendado são os títulos públicos corrigidos pela inflação (Tesouro IPCA+). Se quiser saber mais, temos um bom artigo sobre o funcionamento dos títulos públicos.

2. Risco de pagar caro para investir

Numa palestra há alguns anos, uma cena me marcou. O palestrante perguntou quem na plateia possuía fundos ou outros investimentos no banco. Muitas mãos foram levantadas. Em seguida, ele perguntou quem, dentre aqueles que estavam com as mãos levantadas, sabiam quais eram as taxas de administração que pagavam nesses produtos. Quase nenhuma mão permaneceu. Foi uma revelação preocupante.

Quando você investe através do banco em que você mantém sua conta corrente, grande parte da sua rentabilidade está sendo transferida para seu banco. É isso que acontece todos os dias em nossa rede bancária. Sabe aquela “isenção” de tarifa mensal de conta corrente, em troca de um investimento de R$ 100 mil? Pois é…

A tal isenção de tarifa pode custar quase R$ 3 mil por ano, dependendo do produto que você comprou. Pode ser o spread bancário que existe embutido num CDB de 80% do CDI, os custos de carregamento e administração num plano de previdência ou os custos de um fundo de investimento com taxa de administração de 2% a.a. Antes de decidir, faça algumas contas e compare. A economia pode fazer diferença em seu planejamento de investimentos de longo prazo.

Quem já investe fora dos bancos do varejo está um pouco melhor, mas não imune ao risco estar pagando caro para investir. Vale a pena ficar sempre de olho nos custos, pois é algo que você pode melhorar. Entenda por que reduzir custos é a única forma garantida de aumentar sua rentabilidade e veja uma simulação do impacto de investir com taxas de administração em 1%, 2% ou 3% ao ano.

3. Risco do desvio moral do assessor

Pense em assessor como a pessoa ou empresa que você de alguma maneira remunera em troca de apoio para cuidar dos seus investimentos. Esse risco é mais perceptível nos bancos: há um conflito de interesses inquestionável entre o cumprimento das metas de vendas do gerente e a alocação mais adequada para os clientes.

No mercado independente, esse risco aparece sob a forma dos rebates, que é a fração do custo do produto destinada a remunerar o intermediário que distribui o produto financeiro. É muito comum que um assessor indique a você produtos que pagam maiores rebates, mesmo que não sejam os melhores para o seu perfil e objetivos. Alguns investimentos da moda ganham popularidade assim.

Nas corretoras, o risco toma a forma da taxa de corretagem. As recomendações de preço-alvo (comprar, vender, manter) estão atreladas ao modelo de negócio dessas instituições, que ganham com cada ordem de compra e venda. Corretoras são instituições importantíssimas por fazer a ponte entre o investidor e os ativos finais, mas isso não significa que não estejam sujeitas ao risco de desvio moral.

4. Risco emocional

O responsável pelo risco emocional é você. Sim, você mesmo. Deixar-se levar pelos ruídos do mercado é o exemplo mais clássico. Pessoas que vivem em um loop de investir quando os ativos estão em alta e resgatar quando estão em baixa são movidas por ganância e medo, dois ingredientes emocionais perigosos para o seu patrimônio.

Ter um plano de investimento realista, que exponha você a diferentes mercados, ajuda a evitar que decisões sejam tomadas por impulso. É uma forma eficaz de nos protegermos de nossos próprios medos e ansiedades. 

 

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