7 coisas que você não sabia sobre o FGC

Boia salva-vidas: Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Você investe em LCIs, LCAs ou CDBs? Certamente, um dos motivos que o levaram a escolher esses investimentos é a segurança proporcionada pelo Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Essa é a instituição responsável por ressarcir os investidores se o banco emissor quebrar ou der calote.

A garantia oferecida pelo FGC é, atualmente, limitada ao valor de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Isso você já deve saber. Mas você faz ideia do saldo de que o Fundo dispõe para honrar com as garantias, em caso de inadimplência do banco? Ou quanto tempo pode demorar para você receber seu dinheiro de volta?

Apuramos algumas informações e curiosidades para você conhecer melhor o garantidor dos seus investimentos em crédito privado.

1. Muito além de CDB, LCI e LCA

A garantia do FGC se estende a outros tipos de investimento em crédito privado. CDBs, LCIs e LCAs estão entre os mais populares no mercado de investimentos pessoais, e os bancos e distribuidores apostam na garantia como chamariz para aumentar a comercialização desses produtos.

Depósitos na sua conta corrente não são investimentos, mas são considerados créditos e também são garantidos, assim como a sua conta poupança, sempre dentro do limite assegurado.

Portanto, se você investe em produtos garantidos no mesmo banco onde tem conta corrente e poupança e desejar proteção integral, todos os valores somados (inclusive rendimentos) devem estar dentro do limite de R$ 250 mil. É claro, a chance de bancos como Itaú e Bradesco quebrarem é bem menor do que a de bancos médios, que têm maior risco de crédito.

Confira a lista completa do que é garantido pelo FGC.

2. O FGC é uma ONG

Não, você não leu errado. O FGC não é um órgão público, tampouco um fundo de recursos públicos vinculado ao governo. Também não é uma instituição financeira. O Fundo é uma associação sem fins lucrativos, de natureza privada, mantida pelos bancos que gozam da garantia por ele oferecida e, para isso, fazem contribuições mensais sobre um percentual dos depósitos garantidos.

O Fundo foi estabelecido em 1995 por meio de uma Resolução do Conselho Monetário Nacional que determina seu estatuto e regulamento. O estatuto é até explícito em registrar no parágrafo único do Artigo 1º: “O FGC não exerce qualquer função pública, inclusive por delegação.”

3. O saldo disponível do FGC equivale a apenas 3,38% do volume total garantido

Até o final de 2016 (último relatório disponível), o volume de recursos elegíveis à garantia era de R$ 1,9 trilhão. De acordo com o FGC, “com a limitação da garantia ordinária em até R$ 250 mil, a cobertura alcançava R$ 1 trilhão, o que representa 54,88% do total dos depósitos elegíveis à cobertura existentes à época”. As disponibilidades do fundo, por sua vez, somavam aproximadamente R$ 33,8 bilhões no mesmo período.

Isso significa que o montante disponível do Fundo para pagar garantias é de 3,38% do volume coberto pela garantia ou 1,78% do volume total do sistema. Parece pouco? Em caso de quebra de um ou outro banco pequeno, deve ser suficiente. Já se acontecesse alguma crise sistêmica de crédito com a quebra de várias instituições financeiras, poderia faltar recursos.

4. Contas conjuntas têm dois CPFs, mas não o dobro da garantia

Se você tem conta conjunta, fique atento: o valor da garantia do FGC é limitado a R$ 250 mil e, em caso de pagamento de garantia, o valor será dividido pelo número de CPFs na conta conjunta.

Por exemplo, se você e sua esposa (ou seu marido) têm um depósito garantido com saldo de R$ 100 mil, cada um teria direito a R$ 50 mil em caso de acionamento da garantia. Já se o depósito conjunto é de R$ 400 mil, cada um teria direito a apenas R$ 125 mil.

No site do FGC, você encontra exemplos de aplicações desse limite de cobertura.

5. O prazo médio de pagamento das garantias é de 3 meses

Quando um banco quebra, cada caso é um caso. Em algumas situações, pendências judiciais podem atrasar o pagamento das garantias.

Tomando como referência casos anteriores de instituições liquidadas, na média o FGC levou 95 dias para começar a devolver o dinheiro àqueles que tinham direito a garantias. Nesse caso, seu dinheiro não rende enquanto você aguarda o pagamento.

6. Em 20 anos, o limite do valor garantido foi corrigido 3 vezes

Quando o FGC foi criado em 1995, o limite de cobertura era de R$ 20 mil. Depois disso, o valor foi corrigido 3 vezes:

  • Para R$ 60 mil em 2006;
  • Para R$ 70 mil em 2010; e
  • Para R$ 250 mil em 2013.

7. O FGC tem outro papel além de ressarcir você

Se você acompanhou a crise recente do BTG Pactual, sabe que o banco de investimentos solicitou uma linha de assistência financeira de R$ 6 bilhões ao FGC.

O FGC não é apenas pagador de garantias, ele também tem o papel de prestar assistência à liquidez das instituições bancárias. De acordo com o Fundo, essas operações visam à manutenção de níveis adequados de liquidez e suporte na melhoria de estruturas de capital ou nas transferências de controle, como aconteceu no caso do BTG Pactual.

De acordo com o seu estatuto, o FGC tem três finalidades:

I – proteger depositantes e investidores no âmbito do sistema financeiro, até os limites estabelecidos pela regulamentação;

II – contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional; e

III – contribuir para prevenção de crise bancária sistêmica.

***

E aí? Aprendeu algo novo?

Espero que sim. Já vi muito “assessor financeiro” vendendo investimentos sem nem se dar ao trabalho de explicar do que se trata o ativo, e convencendo o cliente de que basta ter garantia do FGC para ficar tudo bem.

Se você vai investir baseado só na garantia, é bom pelo menos entendê-la direito, não é mesmo? Principalmente numa época de juros em alta, que aumentam a dificuldade de pagamento e portanto a chance de um calote.

banner-planilha-rentabilidadeE se você quer investir de um jeito inteligente, em uma carteira de investimentos diversificada e tão segura que nem precisa do FGC, que tal conhecer a proposta da Vérios? Faça uma simulação gratuita e descubra a alocação recomendada para o seu perfil.

7 coisas que você não sabia sobre o FGC
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Categorias: Intermediário, CDB, Tipos de investimentos, LCI e LCA, Poupança
  • Marcelo Estrela

    Excelente e oportuno artigo Felipe! Apenas uma ponderação: as disponibilidades do fundo somam R$37Bi. É que algumas delas, como as Letras Financeiras do Tesouro, possuem prazo superior a 1 ano e são classificadas como ativo não circulante. A página 21 do relatório ilustra bem. Grande abraço e sucesso!

    • Manuel Lino

      Perfeito. Apenas lembrando também que LFTs não são cobertas pelo FGC.

      • Sim! Elas não possuem o risco do crédito privado, por isso não precisam do FGC. São garantidas pelo Tesouro Nacional, que é infinitamente maior.

    • Bem observado, Marcelo! Já atualizamos.
      E obrigado pelo elogio.
      Abs!

  • Joao Bosco

    Você esqueceu de mencionar que caso o saldo do fgc não seja suficiente ele pode recorrer a outras fontes de recursos, inclusive a um entendimento entre o banco central e o fundo para verificar a melhor fonte de recursos.

  • Alex Rezende

    Muito bom! Obrigado pelas informações!

  • malanar11

    E onde o FGC coloca o dinheiro? Ou fica parado no cofre?

    • Isabella Paschuini

      Oi!

      No balanço mais recente divulgado pelo FGC, na página 21, você encontra uma tabela com as aplicações do saldo do fundo.
      Veja neste link: http://www.fgc.org.br/libs/download_arquivo.php?ci_arquivo=178

      A maior parte está aplicada em compromissadas de grandes bancos, mas há também aplicações em títulos públicos, fundos etc.

      Espero ter ajudado!

      • malanar11

        Foi o que pensei, aí vem a questão, se o sistema quebrar, ele quebra junto, aí ele não garante nem 1 real, logo essa garantia só existe em casos isolados de quebras. Ou estou enganado?

        • Isabella Paschuini

          É verdade, a garantia funciona muito bem para casos isolados, mas o que pode acontecer se o sistema quebrar? Como nosso gestor Daniel Resende gosta de dizer, o FGC é um caso de “la garantía soy yo”. A Vérios já levantou a bola para essa questão nesses outros dois artigos, vale a pena ler:

          https://verios.com.br/blog/por-que-nao-incluimos-lcilca-na-carteira-inteligente-da-verios/
          https://verios.com.br/blog/procuram-se-informacoes-sobre-lci-e-lca/

          Sobre o fator de multiplicação, realmente está faltando uma legenda na tabela, mas acredito que os valores apresentados sejam da ordem de bilhões de reais. Outro trecho do relatório fala sobre as disponibilidades:

          “Nosso Patrimônio cresceu aproximadamente 9,6%, comparado com o final de 2015, fechando o primeiro semestre de 2016 em R$ 52,9 bilhões, valor esse que já considera nosso superávit no período de 4,6 bilhões, o qual apresentou um crescimento de 29,19% em relação ao mesmo período em 2015, principalmente por conta do aumento nas receitas financeiras. Deste patrimônio, R$ 28,8 bilhões correspondem às nossas disponibilidades, as quais apresentaram crescimento de 26% em
          relação ao saldo no final do último exercício.” (página 4)

          • malanar11

            Obrigado, vou ver as outras matérias.

  • Cleuton

    A receita sobre o fundo garantidor de credito, pode ser diferida pelos 2 anos, que correspondem a antecipação do pagamento e que propiciará esse ganho? como è contabilizado?