A crise da Grécia em 5 minutos

Economia em 5 minutos

A crise da Grécia está nas manchetes de todos os jornais: as possíveis consequências, críticas, opiniões… Mas, de forma rápida e simples, o que está acontecendo?

Em linhas gerais, a Grécia gastou bem mais do que podia1 nas últimas décadas e pediu diversos empréstimos para financiar as suas despesas. Com o estouro da crise em 2008, a tomada de empréstimos ficou cada vez mais difícil e mais cara, por causa da falta de previsibilidade dos acontecimentos futuros e consequentes aumentos de juros. Isso tornou o país refém de sua própria dívida.

Desde então, a Grécia vem recebendo ajuda de diversas entidades, desde o Fundo Monetário Internacional (FMI) até o próprio Banco Central Europeu. A soma da ajuda é de mais de € 140 bilhões e a dívida total é de € 270 bilhões2. Apenas para comparar, o PIB do país em 2014 foi de € 179 bilhões.

Toda essa “ajuda” tem um custo. Os acordos envolvem promessas de austeridade, de redução dos gastos para melhorar a situação financeira grega, aumentos de impostos e até cortes na aposentadoria. Obviamente, a população não recebeu alegremente nenhuma das medidas, o que desde 2010 causa diversas revoltas populares.

Em 2013, a população grega estava próxima de 11 milhões de pessoas, sendo que a taxa de desemprego no mesmo ano foi de 27%. O descontentamento dos gregos ficou ainda mais claro no último domingo, 5 de julho, quando 61% dos gregos disseram “não” à continuidade das medidas de austeridade fiscal.

Meme de A Noviça Rebelde: Olhe para todas essas dívidas que não vou pagar
Crédito: Memes Históricos

Os próximos passos ainda não estão definidos, mas os prazos da Grécia estão chegando ao fim. No próximo dia 20 de Julho, o país deverá pagar € 3,5 bilhões em títulos de dívida para o Banco Central Europeu. Se não conseguir negociar mais uma ajuda financeira, esse pagamento será impossível, e o país ficará inadimplente. Com o “não” da população, a Grécia ainda tenta um acordo que não imponha restrições ainda mais pesadas ao dia a dia da população.

1 Para uma análise sobre os gastos públicos da Grécia, leia o artigo “A verdadeira tragédia grega foi o seu gasto público”, de Juan Ramón Rallo, professor de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madrid.

Dados informados pelo portal G1.

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Categorias: Economia em 5 minutos, Economia, Cansou de ler sobre investimentos?
  • Helcio Bianchi

    A Grécia não é tanto um problema financeiro para a Europa, é mais um símbolo político que pode abrir um precedente para outras economias mais importantes do bloco como Itália, Espanha, etc nas próximas eleições. No fim, o ‘não’ à austeridade teve vida curtíssima e foi duramente castigado – espécie de estelionato eleitoral a que já estamos acostumados -, mas como a dívida é impagável, ouviremos mais dos gregos por aí. A outra opção, a saída do bloco e a desvalorização da moeda local seria igualmente doloroso para a Grécia. Talvez a saída more no meio-termo dos dois lados, assim que a Grécia mostrar que está disposta a fazer o necessário.