A tecnologia gera ou destrói empregos?

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Extremamente comuns no passado, diversas profissões foram praticamente extintas por avanços tecnológicos ou econômicos. Alfaiates, datilógrafos, ascensoristas. Para onde foram essas pessoas?

Inicialmente, podemos supor que a tecnologia agravou o desemprego, à medida que seres humanos foram substituídos por máquinas. Esse raciocínio se chama Falácia Ludista (Luddite Fallacy), em referência ao movimento operário do início da revolução industrial na Inglaterra, que destruiu máquinas na crença de que elas roubavam os empregos das pessoas.

Hoje, a maioria dos economistas concorda que a substituição de trabalho humano por máquinas e computadores não causa desemprego. Se por um lado, um emprego é extinto, por outro, novas oportunidades surgem e normalmente em empregos mais qualificados e melhor remunerados que os extintos. Não temos mais ascensoristas, mas temos web designers.

Como a mecanização cria empregos

Ao substituir um homem por uma máquina, é possível realizar uma mesma atividade de forma muito mais eficiente. Essa eficiência decorre da capacidade das máquinas de executar tarefas com maior qualidade, quantidade e, principalmente, menor custo.

Essa redução de preços se verifica no cotidiano das famílias. Com a mesma renda de antes, é possível consumir mais produtos e em maior quantidade.

Veja o gráfico abaixo como alguns bens básicos foram sendo adquiridos por praticamente todas as famílias com o passar do tempo e como são adquiridos mais rapidamente hoje. Simultaneamente à mecanização das fábricas, diversas outras indústrias surgiram. Essas indústrias novas absorvem os trabalhadores dispensados das indústrias antigas, pois, nenhuma delas trabalha com 100% de mão-de-obra automatizada.

A tecnologia não gera apenas empregos tecnológicos

O aumento do poder de compra e a explosão do consumo motiva também a expansão dos mercados para os produtos e serviços existentes. Nem todos tecnológicos. Esse novo ambiente aumenta também a demanda de empregos de baixa qualificação. Dessa forma, legiões de motoqueiros, operadores de telemarketing, frentistas, caixas de supermercado são contratados.

Entretanto, esses empregos também tendem a ser eliminados em um futuro próximo. Essa dinâmica é muito bem explicada por Andrew McAfee, cientista do Center for Digital Business do MIT. O pesquisador, que estuda o impacto da tecnologia nas empresas, na economia e na sociedade, expôs suas visão no TEDx Boston 2012, com o painel Are droids taking our jobs?

Jornada de trabalho e produtividade

Essa evolução do mercado de trabalho provoca outras mudanças. A educação torna-se cada vez mais importante para a população, para que possam preencher as novas vagas.

Aumenta a pressão por mais qualidade e menor custo da educação. Pela universalização do acesso. E o impacto que isso provoca na sociedade é positivo.

A partir de estatísticas publicadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, podemos classificar seus países-membros de acordo com o número de horas efetivamente trabalhadas por cidadão economicamente ativo. Cruzando esses dados com o PIB per capita de cada país, temos um resultado curioso.

Horas trabalhadas por ano x PIB per capita. Fonte: OCDE e IBGE
Horas trabalhadas por ano x PIB per capita. Fonte: OCDE e IBGE

De acordo com esses dados, quanto menos horas trabalhadas, maior a renda per capita da população. Isso significa que os países conseguem produzir mais riqueza, ainda que seus habitantes trabalhem menos. O trabalho mais qualificado é capaz de gerar mais renda e qualidade de vida.

Em geral, os países que adotaram tecnologias produtivas, conseguiram dar melhores condições para sua população. Entretanto essa transformação não é linear e silenciosa. Nem todos os trabalhadores conseguem se realocar e carreiras são destruídas. Esse processo é inevitável, para torná-lo menos traumático é necessário desenvolver uma rede de direitos e garantias para os trabalhadores e oferecer níveis altíssimos de educação.

Categorias: Cansou de ler sobre investimentos?, Economia
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Cofundador da Vérios e diretor de Estratégia de Investimento. Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science, mas pode chamá-lo de "Father of Algorithms" :)

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