Ações: o que são e como funcionam

Neste artigo, a série Como funcionam apresenta a classe de ativo que mais desperta ansiedade nos investidores que não dominam os conceitos e o funcionamento do mercado: as ações. Se você associa o investimento em ações a jogos ou apostas, leia este artigo para entender um pouco mais sobre essa classe. Vamos abandonar os estereótipos e apresentar, de forma clara, as principais características do ativo, bem como suas vantagens e desvantagens.

O que são ações?

Ações são títulos de propriedade (participações) que você compra de empresas que têm capital aberto – ou seja, ações negociadas em bolsa de valores. Trata-se de um investimento classificado como renda variável, pois não sabemos exatamente qual será o ganho ao final do período de investimento. Como há negociação em um mercado organizado, compradores e vendedores ajustam o preço durante o período de negociação.

O investimento em ações busca capturar o crescimento das principais empresas. No caminho para o crescimento, há momentos de crise e prosperidade

O investimento em ações busca capturar o crescimento das principais empresas, seja no Brasil, nos EUA ou em qualquer outro país do mundo. Esse crescimento não é linear. Ele passa por momentos de crise e prosperidade. Varia conforme os ciclos econômicos, a gestão da empresa e suas decisões sobre novos projetos de expansão, as condições políticas e regulatórias, e a capacidade de adaptação em diferentes períodos.

Investir em ações é investir para o longo prazo

Por tudo isso, as ações são um investimento para o longo prazo. Ao tentar obter ganhos com as ações no curto prazo, você fica exposto aos efeitos dos ruídos de mercado. Oscilações bruscas acontecem, e podem levá-lo a perder parte considerável do seu patrimônio. Ainda assim, muitos consultores de investimento “vendem” o sonho de ficar rico investindo no day trade (compra e venda diária de ações).

Mesmo ações de empresas como Coca-Cola, Itaú e Apple sofrem com as variações negativas do mercado. Mas se você acredita que essas empresas estão organizadas para vender um produto ou serviço e ainda obter lucro, a forma de também participar desses resultados é tornando-se acionista.

Em um próximo artigo, trataremos as causas do medo que muitos brasileiros têm de investir em ações, e como fazê-lo de forma segura. Afinal, trata-se de uma classe importante para investidores que buscam construir uma carteira diversificada. Por ora, vamos abordar mais algumas características e particularidades das ações.

Tipos de ações: ordinárias e preferenciais

As ações em circulação no mercado brasileiro são divididas em dois tipos: ordinárias (ON) e preferenciais (PN). As primeiras são aquelas que dão poder de voto nas assembleias, ou seja, nas decisões estratégicas da empresa. As ações preferenciais, por sua vez, conferem ao seu titular prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital.

Índices de ações

Como as ações são negociadas em mercados organizados de bolsa de valores, é possível definir regras para agrupar empresas a partir de um ou mais critérios pré-determinados. Assim surgem os índices, que são indicadores de desempenho de um grupo selecionado de ações.

O índice pode ser baseado no setor da economia ao qual as empresas pertencem (financeiro, industrial, tecnologia, saúde, energia, mineração, consumo, entre outros), no valor de mercado (empresas que valem acima de R$ 10 bilhões, por exemplo), no volume de negociação diário na bolsa, ou mesmo em uma combinação desses critérios.

Sempre ouvimos falar de diversos índices de ações – o mais popular no Brasil é o Ibovespa. Na BM&F Bovespa há também índices como o IBrX-50, IBrX-100, Índice de Consumo, Índice Imobiliário. Também bastante conhecido é o índice S&P 500, que representa as 500 maiores empresas americanas, negociadas nas bolsas de Nova York.

Investir em índices é uma maneira de diversificar sua carteira com ações sem ter que selecionar e negociar cada uma delas individualmente

Além de funcionar como um termômetro do mercado ou de um grupo de empresas, os índices são formas de você investir em um conjunto de ações sem a necessidade de ter que selecionar e comprar cada uma individualmente. Iremos falar logo abaixo sobre os veículos de investimento em ações que buscam acompanhar um índice.

Veículos para investir em ações

ETFs

Os ETFs são fundos que procuram replicar um índice de mercado e cujas cotas são negociadas em bolsa (assim como as ações). Este é um instrumento que permite aos investidores comprar uma cesta de ações, sem a necessidade de negociar cada uma individualmente. Isso simplifica a operação de diversificar entre diferentes empresas e reduz drasticamente os custos de transação. Saiba mais sobre os ETFs.

Fundos de índices

Os fundos de índices também procuram acompanhar uma carteira de mercado, através da compra dos ativos que compõem aquele índice. Eles também permitem a diversificação entre ações a baixo custo. Uma das diferenças em relação aos ETFs é que eles não são negociados no mercado acões. Os investimentos são feitos por meio da aquisição de cotas do fundo, que não podem ser negociadas, apenas resgatadas.

Fundos de gestão ativa

São fundos que têm como objetivo um retorno acima da média do mercado. As equipes de gestão ativa procuram estudar empresas e avaliar o mercado, na procura de ações que estejam subavaliadas em relação ao seu real valor. O trabalho também consiste em vender as ações que já alcançaram o preço justo determinado pela equipe de análise. Para identificar o potencial de crescimento das empresas, analistas têm seus próprios métodos, como as análises gráfica e fundamentalista.

Um questionamento é que são poucos os gestores capazes de realmente entregar um desempenho superior ao mercado seguindo essa estratégia. Esta é uma forma de investimento cujos custos são elevados. É bastante comum somente a taxa de administração ser superior a 2% ao ano.

Uma outra forma abordar esse questionamento é que, em geral, para obter mais retorno é necessário correr mais risco. Para um gestor ativo igualar seu resultado ao mercado, ele terá que dar o mesmo retorno do mercado mais um retorno para “anular” suas taxas. Esse retorno adicional terá que correr mais risco para existir. O que nos leva a uma conclusão estranha: um gestor buscando alfa (retorno acima do índice de referência) correrá mais riscos para dar o mesmo retorno. Claro, há casos em que isso não acontece, mas, na média dos gestores que buscam alfa, o risco maior pelo mesmo retorno será uma realidade.

Compra direta via corretora

Muitos investidores procuram acessar o mercado de ações diretamente. Abrem a conta em uma corretora e passam a comprar e vender ações no mercado, via home broker.

Para os gestores que procuram fazer isso profissionalmente, mesmo com todos os anos de estudo e experiência acumulada, já é uma atividade que dificilmente gera retornos consistentes. Se você não tiver absoluta segurança, tempo e conhecimento do que está fazendo, recomendamos que não veja seus investimentos como uma aventura.

O investimento direto em ações é sim um canal importante, mas que só deve ser acessado por pessoas que reúnam o conhecimento e as condições necessárias para poder operar com segurança. Entrar como aventureiro pode fazer com que você se torne “dinheiro fácil” para a corretora, como explicamos no artigo sobre preços-alvo de corretoras.

Interessante notar que, do ponto de vista de redução custos, a estrutura proporcionada pela popularização do home broker é uma vantagem, pois é uma ferramenta prática e barata de compra e venda de ações. Serviços de investimento que automatizam a compra e venda de ativos a partir de uma metodologia de alocação reconhecida são uma forma inteligente de aproveitar a estrutura do home broker sem se expor ao problema mencionado acima.

Os custos do investimento em ações

Converter suas economias financeiras em ações possui um custo. Os mais comuns são taxa de custódia e taxa de corretagem, que variam em função da corretora escolhida, e emolumentos (tarifas) da BM&FBovespa.

No caso dos fundos de investimento em ações, essas mesmas taxas são cobradas na operação dos fundos, que possuem adicionalmente taxa de administração e podem também cobrar taxa de performance.

Tributação do investimento em ações

A alíquota de Imposto de Renda (IR) sobre a valorização das ações é sempre de 15%. A tributação só é cobrada no resgate, o que permite um ganho tributário aos investidores que procurem investimentos como segurança financeira de longo prazo. Se você conhece o come-cotas e fica incomodado com ele, sabe da vantagem que estamos falando.

Caso suas vendas de ações sejam inferiores a R$ 20 mil em um mês, mesmo que você tenha tido lucro na operação, você não é tributado. Este benefício só é válido se você investir diretamente, o que vimos que deveria ser uma opção bastante restrita aos poucos que podem se dedicar profissionalmente ao mercado. Essa isenção não é válida para investimentos via fundos ativos, fundos indexados e ETFs.

Vantagens e desvantagens de investir em ações

Vantagens

Diversificação de carteira: investir em ações é a única maneira de acompanhar o crescimento das principais empresas
Liquidez: em geral, seu investimento pode ser resgatado em até 4 dias úteis

Proteção contra a inflação: no longo prazo, contribui para a manutenção do poder de compra

Impulso no crescimento do patrimônio: tendência de ganho acima do custo de oportunidade do capital (Selic) no longo prazo

Desvantagens

Ansiedade: a volatilidade decorrente das negociações diárias pode causar ansiedade e desconforto no investidor

Complexidade: falta de tempo e ausência de conhecimento necessário para analisar e selecionar as empresas da carteira é muito comum (por isso, você deve buscar veículos mais seguros para investir em ações)

Market-timing: dificuldade de saber quando comprar e quando vender cada ação da carteira (não, nós não achamos que você tenha que fazer isso)

Dificuldade de rebalancear: não saber a proporção que cada ativo deve ter em sua carteira de investimentos e não fazer o rebalanceamento quando os preços oscilarem

 

Neste artigo, apenas introduzimos conceitos básicos sobre as ações. Como o tema é muito rico e com muitas ramificações, abordaremos outras questões importantes em breve. Assine nossa newsletter para se manter informado.

Ações: o que são e como funcionam
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