Alta dos juros: os dois lados da moeda

Economia em 5 minutos

Na primeira semana de junho, o o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) fixou a meta da taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75%. É o maior patamar desde janeiro de 2009. Se por um lado essa alta pode ter resultado em maior rentabilidade em seus investimentos, por outro, há riscos invisíveis que precisam ser observados.

De um lado, aumenta a rentabilidade

Se parte de sua carteira está investida em ativos vinculados ao CDI1, como CDB, LCI, LCA e fundos de crédito privado, você certamente reparou que sua rentabilidade nominal vem aumentando gradativamente, desde abril de 2013, quando o Banco Central iniciou o movimento de elevação dos juros.

É verdade que a inflação consome grande parte desse ganho, mas estamos falando de uma elevação de 7,25% a.a. para 13,75% a.a., ou seja, um aumento de 650 basis points em pouco mais de dois anos.

Evolução da taxa básica de juros (Selic) desde 2009

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Você deve estar satisfeito com os retornos que vem alcançando no curto prazo. Mas você já parou para pensar nos riscos decorrentes da alta dos juros? Sim, eles existem, principalmente para aqueles que estão muito expostos a ativos de crédito privado como CDB, LCI, LCA e fundos de crédito privado, entre outros.

Do outro, aumentam os riscos

Quando o Banco Central eleva a taxa básica de juros para quase o dobro do patamar anterior, ele aumenta o custo do dinheiro de toda a economia. Famílias que tomariam empréstimos para consumir precisam fazer um esforço maior para pagar os juros da dívida, o que desestimula o consumo. Empresas que buscariam crédito para financiar suas operações retardam projetos e investimentos.

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Além de inibir novas operações, existem muitos empréstimos que já foram tomados, atrelados ao CDI, que ficaram cada vez mais caros com o aumento da Selic. Com a economia já debilitada e a taxa de juros inibindo o crescimento, a dificuldade em honrar os pagamentos é uma consequência previsível.

Àqueles que concentram seus investimentos em crédito privado, sinal amarelo. Sem que você tenha feito nenhuma mudança de alocação, sua carteira passou a apresentar um desempenho melhor. Isso você deve ter notado. Mas você também precisa entender que seus investimentos ficaram mais arriscados. É por isso que reavaliar sua carteira de investimentos periodicamente é um hábito saudável e que pode protegê-lo contra situações difíceis de prever.

O que fazer?

O recomendável nesse momento é reavaliar sua carteira. Se antes você considerava que os ativos de crédito privado faziam parte da sua alocação de baixo risco, passe a considerá-los parte dos seus ativos de médio risco. Com esse novo prisma, reavalie sua alocação.

Ainda que o combate à inflação por meio da alta dos juros seja uma medida necessária, é preciso reconhecer que há um preço a ser pago. O risco de toda a economia aumentou, e isso pode refletir também na segurança de sua carteira de investimentos.

1O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) representa a taxa pela qual bancos e instituições financeiras emprestam dinheiro umas às outras. Funciona assim: no final do dia, os bancos devem estar com os saldos zerados em suas tesourarias. Dessa forma alguns vão precisar obter dinheiro e outros vão emprestar dinheiro. A taxa pela qual essas transações diárias são realizadas é o que chamamos de CDI. Ela varia diariamente e tem como base a Selic.

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Categorias: Economia em 5 minutos, Indicadores econômicos, CDB, Economia, Fundos de investimento, Outros fundos, LCI e LCA
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  • gilberto ferraz

    Mesmo assim, a LCI, LCA, CDB e LC continuam garantidos pelo FGC até R$ 250.000,00, o que ainda permitiria considerá-los como baixo risco de calote, ou não?

    • Gilberto,

      Quando um volume muito grande de recursos começa a ser investido sem nenhuma avaliação de risco, de olho apenas na garantia, tem algo de errado acontecendo. O FGC não é infinito, e ele garante muitas outras coisas além de LCI e LCA. Se der um problema em apenas 01 banco, ele resolve. Mas se houver algum problema mais generalizado… talvez o FGC não tenha fôlego. A economia já não está uma maravilha… Estamos recomendando cautela.

      Não existe rentabilidade sem risco. Rentabilidade é a remuneração pelo risco corrido. Se ela aumenta, o risco está aumentando junto.

      • R S

        Está aí um bom tema para outro artigo: as limitações do FGC e a excessiva confiança que os pequenos investidores depositam nele.

      • gilberto ferraz

        Agradeço imensamente a resposta. Realmente não tinha pensado nas limitações do FGC.Tenho cerca de R$ 3.000.000, 00 divididos em mais de 20 bancos e financeiras pequenas, em no máximo r$ 250.000 cada. Sentia-me 100% seguro, mas talvez aportar mais em TD seja uma alternativa, não? ?

    • Anselmo Figueira

      Alem do problema de aumento do risco existe o fato de que a rentabilidade liquida de cerca de 0,85% fica muito aquem da variação do INPC , que nos ultimos 3 meses tem sido de 1,25 %. Quanto maior a Selic , maior o prejuizo liquido para quem tem dinheiro no mercado financeiro.

  • gilberto ferraz

    Talvez as Debêntures, que também são crédito privado, e não contam com a garantia do FGC, esses sim tem risco aumentado e podem gerar perdas ao investidor.

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