Ano novo, despesas novas

Relatório Economia em 5 minutos

— Relatório referente ao mês de janeiro de 2015 —

Todo começo de ano temos que nos preparar para gastos extras, como o IPVA e o IPTU, entre tantas outras contas a pagar, não é mesmo? A novidade é que, em 2015, mais alguns reajustes vieram a rebote.

Energia

Em janeiro, os empréstimos realizados em 2014 pelo governo federal para socorrer as distribuidoras de energia elétrica começam a ser repassados aos consumidores. Além disso, o esquema de bandeiras tarifárias lançado em janeiro aumenta o custo da energia quando as usinas térmicas são acionadas – o que deve perdurar por um longo tempo com a crise hídrica. Em alguns casos, o aumento da conta de luz chegou a 40%.

Combustíveis

E não é só a energia que vai pesar mais no bolso. A nova equipe econômica anunciou a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre a gasolina e o diesel, o que eleva os preços dos combustíveis. Aliás, em 2014 o preço do barril de petróleo no mercado internacional caiu 48%. Isso se refletiu numa queda de 45% no preço da gasolina nos Estados Unidos no segundo semestre. Por aqui, os consumidores também viram um reajuste: pra cima.

Apenas em janeiro, inflação de 1,24%

Muita famílias já podem sentir os efeitos do chamado “pacote de maldades”. O IPCA1 de janeiro avançou 1,24% e pode ter impacto nos meses subsequentes. Apenas como base de comparação, no mesmo mês de 2014, o índice aumentou em 0,55%. A meta de inflação, definida pelo Banco Central, é de 4,5%. Se analisarmos os últimos 12 meses, temos um acumulado de 7,14%, percentual bastante superior ao teto definido pela autoridade monetária, de 6,5%.

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Evolução da inflação medida pelo IPCA em 2015

Um peso e duas medidas

Despesas do orçamento doméstico como planos de saúde e mensalidades escolares são reajustadas de acordo com a inflação, em geral tomando o IPCA como referência. O mesmo não será aplicado para o reajuste da tabela do Imposto de Renda, que determina o limite de isenção. A presidente Dilma vetou a correção de 6,5%, aprovada pelo Congresso em dezembro, e o reajuste ficou em apenas 4,5%. Enquanto os demais gastos da população aumentam com a aceleração da inflação, o reajuste do Imposto de Renda seguiu o centro da meta.

Como falamos no Economia em 5 Minutos de dezembro, o governo se esforça para acertar as contas públicas em 2015. Por enquanto, o caminho escolhido tem sido o bolso do contribuinte.

1. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo é o índice oficial de inflação do Brasil. As metas de inflação do Banco Central e todas as medidas de controle inflacionário consideram o IPCA. O índice é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reflete o custo das famílias que ganham entre 1 e 40 salários mínimos de diversas capitais brasileiras.

 

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Economista pela Unicamp com certificação CGA e programadora, Ana Vitória integra o time de Estratégia de Investimento da Vérios