Big data: do escritório para os gramados

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Desde o início da Copa do Mundo, circula pela mídia a notícia de que a seleção alemã está fazendo uso de análise avançada de dados para auxiliar na definição de suas táticas em campo.

Enquanto os brasileiros tentavam – muitos ainda tentam – digerir a goleada dos alemães sobre o Brasil nas semifinais do Mundial, essa estratégia que mistura estatística e tecnologia ganhou ainda mais evidência.

Um diferencial competitivo no esporte

Os dados estatísticos fazem parte do esporte, e os norte-americanos parecem ser um dos povos mais interessados por métricas esportivas. As transmissões de futebol americano, basquete, beisebol e hóquei bombardeiam o espectador com estatísticas – de curiosidades, como a última vez em que um time passou o primeiro quarto do jogo sem marcar pontos, até dados mais objetivos, como a velocidade com que a bola foi arremessada.

Mas os números não servem apenas para entreter o espectador. Quando bem aproveitados, podem servir como uma rica base de dados que pode ajudar na criação de um time vencedor. O livro Moneyball, de Michael Lewis, posteriormente adaptado para o cinema e estrelado por Brad Pitt e Philip Seymour Hoffman, conta como o Oakland Athletics, time de beisebol da Major League Baseball, conseguiu criar uma equipe competitiva com um orçamento muito inferior ao de seus concorrentes no começo do século. A chave para o sucesso do time foi o desenvolvimento de um sistema de análise de dados que utilizava as mais diversas estatísticas geradas por um jogo de beisebol. Com essa análise, o Oakland Athletics era capaz de encontrar jogadores avaliados por um preço abaixo do seu potencial. Assim, o time conseguia adquirir atletas promissores por preços compatíveis com seu orçamento.

Com uma equipe montada a partir dessas análises, o Oakland Athletics chegou a vencer 20 jogos seguidos – a quarta maior sequência da história do beiseboI. A equipe não conseguiu vencer a final da liga de beisebol americana, mas impressionou a todos por seu desempenho e inspirou o livro sobre os métodos do time.

Segundo o diretor técnico da seleção alemã, dez jogadores produzem em dez minutos sete milhões de dados

A Alemanha parece estar trilhando um caminho semelhante. Em parceria com a empresa de softwares de gestão SAP, também alemã, a federação de futebol do país desenvolveu um sistema de análise distância percorrida, chutes a gol e número de passes certos, entre outros dados amplamente disponíveis nos dias de hoje. Segundo o diretor técnico da seleção alemã, Oliver Bierhoff, dez jogadores produzem em dez minutos sete milhões de dados.

Após o jogo contra o Brasil, o técnico da Alemanha, Joachim Löw, afirmou que havia analisado o adversário e que sabia que a defesa brasileira tinha dificuldade quando atacada em velocidade, o que moldou a estratégia da seleção alemã na semifinal da Copa. Dezenas de estudantes de Ciências do Esporte ajudaram a analisar o big data e estão contribuindo para o sucesso da Alemanha na Copa.

Análise de dados no mercado financeiro

No mercado financeiro, há muito tempo que a análise de uma grande quantidade de dados está sendo utilizada para definir as estratégias de investimento. Um dos ramos da indústria de investimentos que mais cresce é o das Finanças Quantitativas. Através da análise de dados, os gestores de fundos de investimento conseguem montar estratégias automatizadas para comprar e vender ativos aos melhores preços. A isso se chama algorithmic trading, e há uma derivada dessa estratégia que é o high-frequency trading, onde os fundos executam ordens de compra e venda de ativos no espaço de segundos ou mesmo milissegundos, alguns até alugando espaço fisicamente próximo dos terminais da bolsa de valores para acelerar o envio das ordens. Michael Lewis, o jornalista que escreveu o livro Moneyball, também escreveu o livro Flash Boys: A Wall Street Revolt, sobre o high-frequency trading, mostrando a conexão entre os dois temas.

Através da análise de dados, alguns gestores de fundos de investimento conseguem montar estratégias automatizadas para otimizar a compra e venda de ativos

Seja no beisebol, nos investimentos ou no futebol, o uso da tecnologia parece estar se tornando cada vez mais um diferencial competitivo na análise da grande quantidade de dados disponíveis que o raciocínio humano, por mais importante que seja, não dá conta sozinho. Precisamos esperar até o próximo domingo, 13 de julho, para saber se a Alemanha será a vencedora da Copa do Mundo. Mas uma coisa parece certa: para um bom desempenho nos gramados, mais vale apostar na tecnologia e nas estatísticas que na superstição do sal grosso espalhado pelo campo, recurso adotado pela seleção brasileira antes da derrota nas semifinais.

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