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23 de Fevereiro de 2017 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Bitcoin: a moeda digital que veio para ficar

23 de Fevereiro de 2017

Pela primeira vez desde o advento do cartão de crédito, na década de 1960, temos uma tecnologia que moderniza radicalmente o dinheiro. A moeda digital bitcoin e sua rede de compensação são de código aberto, móvel, peer­-to-­peer (P2P), protegida por criptografia, com foco em privacidade e nativas da internet.

A fusão dessas tecnologias permite um nível de segurança e eficiência sem precedentes no mundo financeiro, reforçando assim o potencial do bitcoin como uma tecnologia disruptiva, o que poderia primeiramente perturbar e, em seguida, reinventar toda lógica dos sistemas monetários, financeiros e bancários.

Para ilustrar, estas são algumas das áreas em que a tecnologia bitcoin pode competir diretamente com a infraestrutura existente:

  • Mercado anual de remessas: US$ 514 bilhões
  • Mercado anual de e-­commerce: US$ 1 trilhão
  • Mercado anual de pagamentos eletrônicos: US$ 2 trilhões
  • Mercado de fundos de hedge: US$ 2,3 trilhões
  • Mercado de curto prazo: US$ 4,5 trilhões
  • Mercado de ouro: US$ 7 trilhões
  • Mercado de depósitos offshore: US$ 16,7 trilhões ­

De fato, o seu potencial como “dinheiro na nuvem” e “ouro 2.0” fez do bitcoin o setor com o mais rápido crescimento nos investimentos em startups em todo o mundo. Investimentos em startups desse ecossistema ultrapassaram o total de US$ 1 bilhão, e o valor de mercado do bitcoin explodiu de US$ 1,4 milhão em 2011 para US$ 16 bilhões no início deste ano.

Trata­-se de um ativo anti­cíclico, com uma excelente relação risco x retorno, que se alocado de forma inteligente será um importante vetor de rentabilidade e hedge contra investimentos mais ortodoxos.

O bitcoin tem tudo para continuar crescendo

Listo abaixo quatro razões por que o valor do bitcoin tem tudo para continuar crescendo, angariando novos usuários em busca de alternativas ao sistema financeiro tradicional e mecanismos de proteção contra interferências políticas dos Bancos Centrais.

1) Oferta x demanda

O crescimento do volume de transações de bitcoin aliado à sua taxa de inflação decrescente por design são os fundamentos que apontam para que a tendência de valorização do bitcoin se mantenha no futuro.

A taxa de inflação do bitcoin é definida no protocolo de forma deflacionária. A cada quatro anos, uma redução de 50% na oferta de bitcoins é aplicada, reduzindo a oferta marginal da moeda até que o teto de 21 milhões de unidades seja atingido, em 2140.

Vale lembrar que há cinco anos o bitcoin valia em torno US$ 0,30, enquanto atualmente o valor no mercado internacional tem sido negociado em torno de US$ 1.000,00.

Desde julho de 2016, a taxa de inflação programada do bitcoin caiu de 10% ao ano para 4% e se manterá estável até 2020.

2) Os grandes investidores estão esperando para comprar

Por enquanto, a maior parte dos investidores tradicionais do mercado financeiro sequer considerou manter parte de seu patrimônio em bitcoin.

No início, a postura mais resistente devia-se ao problema de imagem relacionado ao bitcoin, constantemente ligado à vendas de drogas, financiamento ao terrorismo e atividades ilícitas.

Atualmente o principal entrave é a grande incerteza regulatória em relação às moedas digitais, o que dificulta a criação de mecanismos de investimento regulados, conhecidos como ETFs, o principal canal de investimento para grandes fundos institucionais e investidores de varejo nos EUA e Europa.

Diversos pedidos de aprovação de fundos regulados focados em bitcoin estão atualmente sob análise e tendem a ser aprovados nos próximos meses, aumentando significativamente a demanda pela moeda digital.

No dia 11 de março, a SEC (equivalente americano da CVM) anunciará a decisão sobre a aprovação do primeiro ETF lastreado em ativos digitais, custodiado pelos irmãos Winklevoss, conhecidos por serem os investidores iniciais do Facebook e detentores de aproximadamente 1% do estoque total de bitcoins em circulação.

3) Troca do papel para o dinheiro digital

Governos ao redor do mundo estão incentivando a massificação dos pagamentos digitais e tentando se afastar tanto quanto possível das operações com dinheiro físico.

O objetivo por trás dessas medidas é aumentar o controle sobre as transações e ter mais habilidade para registrar e cobrar impostos, além de tirar de circulação gradativamente o dinheiro físico.

À medida que formas de pagamento digital tornam-se praticamente obrigatórias, mais pessoas terão conhecido as vantagens do bitcoin, especialmente em termos de eficiência, baixo custo e privacidade.

4) Guerra cambial

Enquanto o mundo financeiro se exalta a cada novo tweet de Trump, o dólar continua seu processo crônico de geração de inflação fruto das políticas monetária adotadas pós-2008.

Após o Brexit, a Zona do Euro nunca esteve tão pressionada por incertezas políticas e mergulhada em uma série de graves crises fiscais espalhadas pelos principais países do bloco.

A China, por sua vez, intensifica seus esforços para fazer do yuan a nova moeda de reserva global, atacando o dólar tanto ao se desfazer de títulos americanos quanto ao promover crédito denominado na moeda chinesa como mecanismo de financiamento para projetos ao redor do mundo todo.

O esgotamento dos Bancos Centrais e o intervencionismo monetário fazem com que as moedas nacionais se encontrem sob forte pressão, com fluxos financeiros gerando consequências graves na vida das pessoas.

O mundo está imerso em uma guerra cambial, com as principais potenciais lutando para estimular suas combalidas economias, com o custo de desvalorizarem o poder de compra das pessoas e inflar diversas bolhas, estimuladas pelo crédito barato.

Depois de assistirmos o colapso recente de uma série de economias (Zimbábue, Chipre, Grécia, Argentina e Venezuela) e a lista crescente de países na fila, surge cada vez mais espaço para alternativas aos sistemas econômicos centralizados e sob risco constante de crise.

Riscos do bitcoin

Existem quatro riscos potenciais associados ao bitcoin:

  • Uma moeda digital melhor que o bitcoin emergindo e roubando a liderança de mercado;
  • Um erro não detectado no sistema;
  • Um hard fork (quando alguns nós da rede fazem upgrade para um software que é incompatível com versões anteriores) fazendo com que a rede de pagamento do Bitcoin se divida em duas;
  • Um ataque sustentado por uma organização com recursos financeiros substanciais (como um governo).

Apesar do surgimento de uma moeda digital melhor ser possível, protocolos disruptivos ­ como o TCP/IP para a Internet ­ provaram ser resistentes uma vez que foram adotados por uma massa crítica da população, como o bitcoin quando comparado com outras moedas digitais, as chamadas altcoins.

Com qualquer aplicativo de software, erros desconhecidos podem desestabilizar o sistema, mas a natureza de código aberto do bitcoin permite que qualquer pessoa contribua com padrões de segurança e melhorias estruturais ao código.

Um hard fork gera competição entre duas versões de bitcoin, e após um período de medo e dúvida, finalmente o valor fluirá para a versão considerada mais útil por seus usuários.

Ademais, um ataque organizado é possível, mas extremamente caro, e há muitos mecanismos de defesa que tornam o ataque algo de difícil execução.

Finalmente, dado o quão enorme é o potencial valor futuro da rede bitcoin se for bem sucedida, a relação risco/retorno para o bitcoin é atualmente a mais favorável de qualquer investimento no mundo.

A maior parte das pessoas se interessa por bitcoin ao tomar conhecimento das constantes oscilações do preço e da grande valorização observada em 2016, tornando a moeda digital uma alternativa atraente de investimento, especialmente em portfólios diversificados.

A valorização até aqui tem tudo pra ser apenas o início de um processo sem precedentes, dadas as características únicas da tecnologia que muitos apontam como o “dinheiro do futuro”.

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23 de Fevereiro de 2017
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Autores

Sócio fundador da OriginalMy, provedora de soluções baseada em blockchain. Economista (Unesp) e administrador (Mackenzie) e especializado em Bankin (LabFin-FIA). Investe em bitcoins desde 2013 e fundador do primeiro modelo de Bitcoin Banking do Brasil com a Coinverse, startup adquirida pela coinBR.

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