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28 de Março de 2013 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Bitcoins: moeda digital com lastro em bits já circula fora da internet

28 de Março de 2013

Um assunto cada vez mais discutido em fóruns econômicos na Internet e que vem ganhando destaque no mundo “real” é uma moeda cuja emissão não é feita por um banco central. Essa moeda virtual se chama bitcoin. Sua circulação já começou a ser aceita em diversos estabelecimentos fora da internet e sua cotação frente ao dólar americano chama atenção. Entenda como é possível existir uma moeda totalmente independente e virtual.

Cotação do BitCoin em dólares americanos (julho de 2010 a março de 2013)

Cotação do BitCoin em dólares americanos – Fonte: bitcoin.de

Cotação em tempo real: http://bitcoinity.org/markets e http://bitcoinmonitor.com.

Emissão dos bitcoins

Para explicar as diferenças entre o bitcoin e as moedas tradicionais, é preciso relembrar como as moedas funcionam. As moedas tradicionais costumavam ser lastreadas em metais preciosos, como o ouro, e representavam uma fração da riqueza armazenada pelo país emissor (lastro). Atualmente, as moedas são lastreadas nas dívidas emitidas pelos países. Seu valor decorre da confiança de que o governo emissor vai pagar suas dívidas.

O bitcoin é diferente das moedas com as quais estamos acostumados, pois sua emissão se dá de forma descentralizada. Ela não depende de nenhum banco central e não possui lastro físico.

Os bitcoins podem ser adquiridos com dinheiro de verdade, como se fosse uma transação de câmbio, ou você pode receber bitcoins em troca de disponibilizar a capacidade de processamento do seu computador. O mecanismo pelo qual se gera novos bitcoins é chamado de mineração e se baseia na remuneração pelo serviço que o seu computador presta à comunidade que utiliza a moeda.

A base do bitcoin é um sistema P2P (peer-to-peer), do mesmo tipo que é usado para compartilhar músicas e filmes pela rede mundial de computadores. O bitcoin é controlado por toda a rede. Cada transação é verificada de maneira automatizada pelos diversos usuários que participam do sistema.

Como funciona

Ao entrar na comunidade, você tem os ganhos armazenados em uma carteira virtual. Ela nada mais é do que um número aleatório que te identificará ao fazer transações com bitcoins. A existência dessas carteiras (também chamadas de chaves públicas) pode ser verificada por qualquer pessoa. Quando você quer transferir uma quantia para outro usuário, basta ceder a propriedade das suas moedas, colocando-as na carteira daquela loja ou do local de onde quer adquirir produtos.

A seguir, a transação será comunicada por meio da rede P2P, e os computadores de várias pessoas vão validar e confirmar tanto as assinaturas criptográficas quanto a quantia compartilhada entre os participantes.

Sua transação é inserida em um registro permanente, que não pode ser alterado ou apagado por ninguém. A criptografia do registro depende das informações previamente registradas. Assim, qualquer tentativa de modificação do passado invalidaria todas as transações seguintes, e portanto seria rejeitada pelos computadores que verificam de maneira descentralizada as trocas de bitcoins.

Vídeo sobre a rede bitcoin

Apesar de acontecer em várias máquinas, a verificação da transação não é invasiva, pois ninguém fica sabendo quem são os usuários envolvidos ou quais são os produtos e serviços comprados. Esses detalhes são absolutamente privados e sigilosos, ao contrário do que às vezes acontece em transações oficiais.

O sigilo é garantido, pois os softwares que verificam as transações e fazem o bitcoin funcionar também são de código aberto, ou seja, os próprios usuários que utilizam a moeda conseguem verificar que não há nenhum conteúdo maligno no sistema.

Devido à sua natureza descentralizada e global, o sistema criado pelo bitcoin traz diversas vantagens para o mercado virtual.

A descentralização traz uma garantia de privacidade que nenhuma outra transação bancária pode oferecer. Os criadores de bitcoin afirmam que a transação é tão anônima quanto pagar com dinheiro vivo.

E os custos de transação são ínfimos e quase inexistentes, o que fez com que a moeda virtual ganhasse popularidade rapidamente entre os produtores e vendedores de conteúdo digital, que realizam vendas de valores pequenos.

Além disso, bitcoin não enxerga fronteiras. Não importa em que país as partes estão. Qualquer pessoa pode entregar dinheiro diretamente a qualquer outra pessoa, em qualquer lugar do mundo, sem a necessidade de nenhum intermediário.

Por outro lado, a questão da segurança ainda é um ponto que gera desconfiança. O bitcoin não é de ninguém. E isso às vezes causa medo de não ter a quem recorrer em caso de problemas.

Falsificação e fraudes

O bitcoin foi pensado para ser seguro, mas é claro que há possibilidade de fraudes. As moedas tradicionais também já passaram por diversas falsificações e foram sendo adaptadas ao longo do tempo para se tornarem cada vez mais seguras.

Pense em como o papel moeda é feito. Ele tem uma textura diferente, marcas d’água, selos e fitas de proteção. Essas características são criadas para dificultar a falsificação. Dificultar não é exatamente impedir, é simplesmente tornar a falsificação mais cara que o valor da moeda que o falsificador pretende replicar.

Com os bitcoin é a mesma coisa. As chaves de criptografia e a velocidade de validação fazem com que a quantidade de computadores e número de horas e energia que seriam necessárias para quebrar o sistema sejam tão caras que a quantidade de bitcoins roubados não justifique o esforço.

Ter dinheiro hoje em dia é acreditar em um governo e em uma instituição financeira, mas a história econômica mostra que essas instituições não são sempre confiáveis. Enquanto escrevemos este texto, diversos bancos europeus pedem ajuda e governos de países ricos aumentam consideravelmente os tetos de suas dívidas para sair de situações difíceis. Outros tantos países decretam o não-pagamento de suas dívidas.

Futuro

É cedo para saber se sistemas como bitcoins vão solucionar esses problemas e se tornar amplamente utilizados em todo o mundo. Por ora, sua popularidade e adoção crescem em ritmo que oscila. O grande fato é que a moeda também vai passar por uma revolução e experimentos como esse podem (ou não) apontar novos caminhos.

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Autores

Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

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