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20 de setembro de 2017 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Bovespa em alta! Quais os motivos?

20 de setembro de 2017

Ótima notícia para os leitores da Vérios que gostam de economia. Estamos retomando a série Economia em 5 minutos, que traz comentários periódicos sobre o cenário recente. Dessa vez, a série será encabeçada pelos nossos amigos do Terraço Econômico, que está mudando a forma de falar de Economia no Brasil. Os economistas do Terraço usam uma linguagem mais jovem e mais próxima da realidade do público, menos fechada no mundinho do financês.

Então, vamos ao texto deles. E usem os comentários para nos dizer se gostaram, além de tirar suas dúvidas. Boa leitura!

– – –

A bolsa de valores voltou à moda no Brasil, ou melhor dizendo, o índice IBOVESPA voltou a fazer manchete nos jornais de algumas semanas para cá, muito explicado pela valorização acumulada no ano de aproximadamente de 25%. Mas antes de qualquer euforia e corrida para investir, você consegue entender o motivo?

Bem, é ideal relembrar que o índice IBOVESPA é o indicador mais famoso do nosso mercado de capitais e ele nada mais é do que um “pacotão” com ações de várias empresas, o que chamamos de carteira teórica, sendo que cada ação possui um determinado peso que, somados, completam 100%. Por exemplo, atualmente a AMBEV possui um peso de 7,2% no índice1. E quando vemos nas manchetes que o índice atingiu sua máxima histórica, isso quer dizer que todo esse pacote das mais diversas ações e dos mais diversos setores passaram a valer mais dinheiro e, por consequência, a carteira está mais valorizada. Outro ponto bom para se atentar é que cada um ponto de valorização do índice é equivalente a um real (sim um real!). Então quando você lê que o índice IBOVESPA superou a máxima histórica para 75.000 pontos, isso equivale dizer que a carteira como um todo passou ser cotada no montante financeiro de R$ 75.000.

Pois bem, mas ainda não respondemos o motivo da sua recente valorização, mas com certeza você já deve estar começando a imaginar com as pistas que deixamos no primeiro parágrafo. A grande verdade, caro leitor, que é uma grande conjunção de fatos e que pasme: estão acontecendo de formas sincronizadas e são todos bem positivos, vou enumerar os mais relevantes. Primeiro, mais evidente, é que estamos começando a sentir uma melhora na economia brasileira, e por consequência, as empresas passam a melhorar seus resultados e suas ações passam a se valorizar. Lembrando que não somente a melhora efetiva da economia contribui, mas também a melhora das perspectivas de crescimento e queda do desemprego corroboram para a valorização das ações.

Segundo, um efeito mais indireto, está ligado à taxa de juros básica da economia (a famosa taxa SELIC) e ela nada mais é que o custo mínimo para emprestar ou investir dinheiro no Brasil, e como você pode estar observando, ela também vem caindo nos últimos meses. Sendo assim, em grandes termos, a  taxa de juros tem uma relação inversa com o índice IBOVESPA, ou seja, se ela se valoriza o outro – tende – a desvalorizar. Essa relação inversa é explicada por duas óticas, i) com a menor taxa de juros as empresas podem financiar suas atividades de forma mais barata e os consumidores também podem consumir mais. É um grande círculo virtuoso que se forma e que novamente tem impacto na valorização das ações e ii) a propensão dos investidores a correrem risco aumenta, no qual a escolha entre investir em ações ou deixar seu dinheiro aplicado em renda fixa começa a mudar de figura.

O otimismo, depois de muitos anos, volta a dar as caras nas terras tupiniquins

Terceiro e último por hoje, pode não parecer, mas atualmente estamos vivendo um momento muito positivo para todas as economias globais. Segundo estimativas do banco FMI, o mundo como um todo tende a crescer esse ano e as principais economias desenvolvidas (EUA e Europa) serão os grandes motores de crescimento. E qual o resultado? Muito fluxo positivo para o Brasil, ou seja, os “gringos” passam a investir em nossa economia buscando retornos maiores. Segundo os dados da própria bolsa, apenas nesse ano já entrou uma enxurrada de 12 bilhões de dólares. O resultado é simples: mais dinheiro entrando, mais gente comprando, mais se valorizam as ações e por consequência o índice também se valoriza.

Como comentei é uma grande conjunção de fatores, existem outros mais técnicos, mas a grande verdade é que o otimismo, depois de longos anos de ostracismo, começa a dar as caras nas terras tupiniquins. E que ele seja muito bem-vindo!

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Pedro é editor do site Terraço Econômico, maior portal independe de economia do país, formado em Economia pela Unicamp e com passagem na Universidade do Porto, em Portugal. Atualmente trabalha diretamente com fundos de investimentos.

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