Brasil: ciclos econômicos e perspectivas para o futuro

mendonca

– Este artigo reflete a opinião do autor convidado. –

Agradeço aos amigos da Vérios pela oportunidade de escrever esse breve artigo, com o objetivo de auxiliar os leitores na tomada de decisão em relação aos seus investimentos financeiros.

Atualmente os investidores brasileiros estão passando por um momento de grande ansiedade, o que contrasta com o período das gestões dos presidentes Fernando Henrique e Lula. Após a estabilização da economia nos primeiros anos do governo FHC, a manutenção de marcos macroeconômicos claros e a escolha de uma equipe econômica qualificada, já no início do governo Lula, fez com que a economia brasileira ganhasse consistência e racionalidade.

O momento difícil atual é uma consequência natural de 17 anos seguidos de crescimento econômico

A eliminação do risco de ruptura na gestão da economia, ajudada pelo cenário externo favorável, levou o Brasil a passar por um momento de grande prosperidade, onde a renda média da população cresceu a uma taxa de 4,7% anualmente entre 1993 e 2010. Este longo período de crescimento acabou por marcar os oito anos do governo Lula como um dos períodos de maior distribuição de renda na história recente do país. A chamada classe média passou de pouco mais de 1/3 da população para mais de 70% ao final do segundo mandato de Lula. Em função destas mudanças na composição da sociedade, o Brasil passou a ter um mercado de consumo colocado entre um dos cinco maiores do mundo.

O momento difícil que passamos hoje deve ser entendido como uma consequência natural destes 17 anos ininterruptos de crescimento econômico. Durante as últimas duas décadas, praticamente desapareceu de setores importantes no tecido econômico a capacidade ociosa que caracterizou o período 2004 a 2009. A partir de 2010, a oferta de bens de consumo encostou na demanda, criando espaço para um aumento mais acelerado dos preços. No momento em que a presidente Dilma assumiu o governo este novo equilíbrio entre oferta e demanda já refletia nos números da inflação, da conta corrente e no menor superávit primário.

É importante entender que o que agravou a situação brasileira nos últimos anos foi a falta de percepção da presidente Dilma em reconhecer que a economia brasileira estava terminando um ciclo econômico e que deveria se preparar para entrar em outro. Por isto, medidas estruturais que seriam necessárias para que pudéssemos retomar o crescimento foram deixadas de lado. Apostando que as medidas de expansão do consumo via aumento do crédito teriam o mesmo efeito do período anterior o governo apenas agravou os desequilíbrios que já vivíamos.

A mensagem que quero passar é que mantenham a calma para não cometerem os erros que já vi no passado

Do ponto de vista do investidor, é importante que ele entenda as causas do momento atual da economia e não tente criar, em cima das dificuldades atuais, um cenário de crise e catástrofe. Cenário que, infelizmente, temos visto nos últimos meses por grande parte dos analistas que reage como se o país estivesse à beira de um precipício.

A mensagem que quero passar aos investidores da Vérios é que neste momento mantenham a calma para não cometerem os erros que já vi no passado. O pessimismo que toma conta do mercado tem gerado grandes oportunidades, e quem estiver preparado irá colher os frutos desses exageros no futuro.

O que vemos hoje no Brasil é a clássica situação de um longo período de crescimento, onde a demanda supera a oferta, criando inflação e baixo crescimento. A solução para essa equação deve passar pela atuação do Banco Central, elevando os juros para reduzir o consumo – o que tem sido feito. Ao mesmo tempo, o país precisa incentivar o lado da oferta, criando condições competitivas para atrair o investimento privado, que ainda não atingiu todo potencial, apesar do enorme mercado consumidor brasileiro, por conta da insegurança política associada ao governo atual.

Olhando para frente, enxergo duas soluções possíveis. A primeira, a presidente Dilma, se reeleita, muda a sua forma de governo e o país retoma a sua trajetória de crescimento. A segunda, no caso da situação política e econômica do Brasil continuar em deterioração até outubro, os eleitores irão se manifestar optando por uma mudança de governo.

Sendo assim, apesar do atual momento de volatilidade do mercado, principalmente por conta das pesquisas eleitorais, os investidores devem ter clareza em perceber que a situação do Brasil está longe de ser catastrófica e que, independente de quem esteja no Palácio do Planalto no ano que vem, o país possui diversos atributos para reverter a situação econômica atual.

 
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