Cada centavo vale: como ensinei meu filho a valorizar nosso dinheiro

Como ensinei meu filho a valorizar nosso dinheiro

Eu tenho um bebê em casa.

Ok, um bebê de 8 anos de idade. Mas, pra mim, o Guga sempre será o meu bebê.

(Melhor parar por aqui, imagina a vergonha dele quando for pré-adolescente e os coleguinhas encontrarem este texto, rs…)

Quando você é mãe ou pai de um bebê, não importa a idade que ele tenha, todos os dias aparecem inúmeros dilemas e dúvidas na sua vida. Mas tem uma questão que sempre foi especialmente importante pra mim: a educação financeira do Gustavo.

Casa de ferreiro…

Eu trabalho com finanças na Vérios, uma startup do mercado financeiro. Você imagina o meu dia a dia: fazer as contas caberem no mês, buscar uma gestão eficiente dos aportes de capital e das receitas que temos, racionalizar as despesas…

Fazer com que os recursos da empresa sejam bem utilizados é uma preocupação diária. É a minha responsabilidade como profissional.

Mas e a minha responsabilidade como mãe? Como ensinar o Gustavo a valorizar nosso dinheiro? E como ensiná-lo fazer isso preservando valores como honestidade e esforço próprio?

…espeto de ferro!

Não gosto daquele papo de que em casa de ferreiro o espeto é de pau.

Por isso, desde que o Guga ficou maiorzinho e começou a entender o que é e para que serve o dinheiro, me preocupei em dar a ele alguma base de educação financeira.

Quero que ele se torne uma pessoa organizada e independente. Que seja capaz de usar o dinheiro para correr atrás dos sonhos que ele já tem e dos sonhos que ainda terá. Quero que ele faça isso de forma consciente.

Carol e Gustavo bebê

Ah, que saudade dessa época em que o Gustavo ainda nem sabia o que era dinheiro!

Meu filho foi crescendo e, como toda criança, descobriu uma frase que adooora repetir. Não é difícil adivinhar…

“Mãe, eu quero”

Após tanto ouvir isso, decidi começar a ensinar pra ele que nada vem fácil na vida. Que é preciso ser persistente, determinado e ter paciência para conseguir o que se quer.

Tenho pra mim que essa regrinha vale para tudo na vida. Vale quando o que você quer é conquistar bons relacionamentos, vale quando você quer construir uma carreira de sucesso. Vale também quando o que você quer é… um videogame, que era o caso do Gustavo três anos atrás.

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E foi assim que acabei desenvolvendo um “método” para ajudar o Gustavo a entender que os presentes precisam caber no nosso orçamento. Não é só dizer “eu quero”.

Vou contar nossa história e explicar direitinho como funciona o método e você, se quiser, pode tentar fazer o mesmo com os seus bebês. Não tem como dar errado!

O carrinho elétrico e o Xbox

No Natal de 2013, o Gustavo pediu um carrinho elétrico de presente. Era um carrinho caro. Eu comprei exatamente o que ele queria e embalei para o “Papai Noel” entregar.

Mas não foi só isso!

Carrinho elétrico do Gustavo

Guga todo feliz em seu carrinho elétrico. Acha que foi o suficiente?

Você sabe, criança não tem cerimônia… Na ceia de Natal, ele fez outro pedido: queria um videogame XBox.

O coração apertou.

O olhar do Gato de Botas

Essa era a carinha do Gustavo quando resolveu pedir um videogame logo depois de ganhar um carrinho elétrico… Como é difícil ser mãe!

Mas não, Carol. Não dava para comprar os dois presentes naquele mês.

Então, com a família toda reunida, surgiu a ideia. Pai, tios, avós e eu combinamos de entregar ao Gustavo todas as nossas moedas. Caberia a ele poupá-las até o final do próximo ano para conseguir comprar qualquer presente caro que ele quisesse.

Assim, poderíamos juntar boa parte do dinheiro para o videogame que ele pediu. Eu me comprometi a completar o valor, caso necessário. Com uma condição.

Nada vem fácil

Como nada na vida é fácil, completar o valor que faltava dependeria de outros esforços do Gustavo além de catar as moedas de todo mundo.

Ele teria que ter boas notas na escola, ser uma criança comportada e, o mais importante, praticar o desapego: queria que ele separasse alguns brinquedos para serem doados a crianças carentes.

Compramos, então, o nosso primeiro cofrinho. Ele era mais ou menos assim:

Cofrinho verde

Queria tanto ter guardado uma foto do primeiro cofrinho… 🙁

Durante todo aquele ano de 2014, o Guga não deixava ninguém na família gastar moedas. Todas eram destinadas ao cofrinho.

Sempre que ele saia com algum de nós e a forma de pagamento era dinheiro, ele já ficava atento para confiscar as moedinhas do troco.

Muito além das moedinhas

Esse processo de poupar moedas fez o Guga desenvolver um gosto em especial em ir à padaria, pois sabia que na volta era certo que teria as tão desejadas moedas. E isso passou a ser um momento prazeroso pra gente.

Na correria do dia a dia, muitas vezes fazemos as coisas tão no automático que não paramos para apreciar os pequenos gestos. No caminho até a padaria, estávamos sempre brincando, apostando corrida… ou apenas conversando sobre como havia sido nosso dia!

Quando estava se aproximando o início de dezembro, a ansiedade do meu filho já estava a mil. Não é exagero nenhum dizer que ele estava contando até os segundos para quebrar o cofre e descobrir qual teria sido o resultado de tanto esforço e dedicação ao longo do ano.

O tão esperado momento

Cerca de duas semanas antes do Natal, abrimos os cofres (tivemos que comprar outro porque o primeiro ficou lotado) e começamos a contar as moedas. Sentamos à mesa, em torno daquela enorme quantidade de moedas, para separá-las e calcular o valor poupado.

Incrivelmente, o Guga conseguiu juntar quase R$ 1.000.

Valor nenhum seria capaz de pagar a felicidade estampada no rostinho dele e o meu orgulho como mãe vendo que ele se esforçou em tudo que lhe foi proposto e teve êxito. Vendo que além disso ele conseguiu absorver os valores que a gente propôs com aquele desafio. Não existem palavras para explicar.

Gustavo desembrulhando seu Xbox

Gustavo desembrulhando seu merecido XBox

Novos desafios

No ano seguinte, o Guga decidiu que queria uma bicicleta nova, e lá fomos nós novamente!

Poupar as moedas. Tirar boas notas. Praticar o desapego.

Dessa vez foi mais fácil. Poupar já havia virado uma rotina, um momento de brincadeira em família. Eu chegava do trabalho já chamando a atenção dele, escondia umas moedinhas na mão, perguntando quanto ele achava que tinha. Se ele acertasse, eu dobraria o valor de moedinhas que iriam para cofrinho!

E assim, com muita determinação, disciplina e também diversão, ele conquistou sua bicicleta no final do ano passado.

Cofrinho do cavalo

O cofrinho desse ano tem a forma do burro do Shrek, bem grande. Vamos ter que quebrá-lo para resgatar as moedas!

Neste ano, acho que o desafio é mais meu que do Gustavo. Fui completamente surpreendida pelo pedido dele, o que era um dos meus maiores medos, rs.

Ele me pediu uma mini moto — adivinhe só — movida a gasolina!

Pois é, também me assustei, mas esse “brinquedo” existe mesmo:

Mini moto infantil movida a gasolina

A tal moto infantil movida a gasolina

Devo confessar que, embora a gente continue na mesma dinâmica de poupar as moedas, está rolando um duelo entre minha razão e meu coração para realizar esse desejo dele.

Fico pensando nos perigos de deixar ele pilotar uma moto, mesmo que seja “mini”, e mais que isso: o perigo das pessoas mal-intencionadas, que existem em todo lugar.

Por outro lado, penso que jamais posso cortar as asas dele, limitando seus sonhos por medos e receios de mãe.

Bem, o que me resta é garantir que ele possa usufruir dessa conquista com segurança e muita diversão.

Se ele continuar nesse ritmo, logo, logo vou ter que substituir o cofrinho por uma carteira de investimentos aqui na Vérios.

E você, como faz para ensinar seu filho a valorizar o dinheiro? Pode deixar aqui nos comentários. Vamos trocar umas figurinhas!

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Formada em Administração e com muita experiência em cifras e planilhas, Carol cuida da gestão financeira na Vérios

  • Fritz

    Muito bom! Certamente os pais influenciam muito na educação dos filhos. Pais financeiramente inteligentes tendem a criar filhos também financeiramente inteligentes.
    Como os pequenos ainda não têm fonte de renda própria, a iniciativa é fazê-los dar valor ao que ganham e de poder desfrutar do brinquedo (objetivo), visto que abriram mão de tantas outras opções igualmente ou mais divertidas (custo de oportunidade). Ensinar esses conceitos de finanças não tem preço.
    De fato, é algo que falta até mesmo para nós adultos: definir objetivos claros e desfrutar deles quando alcançados. Saber viver, não apenas sobreviver. Alguns pecam pela simplicidade, nem chegam na etapa de definir os objetivos, não planejam e vivem fazendo malabarismos com o orçamento. Outros pecam pelo excesso, definem objetivos surreais ou planejam demais, guardam tudo o que podem e esquecem de viver os momentos bons da vida. A palavra-chave nesse caso é equilíbrio.

    Parabéns, Carol. Continue sendo esse exemplo.
    Abraço.

    • Caroline Sofiatti Yoshida

      Exatamente, Fritz! Somos espelhos dos nossos filhos, precisamos estar sempre atentos à educação deles.
      Obrigada.

  • David

    Excelente história! Tenho também um filho pequeno que já aprendeu muito rápido o sentido da palavra comprar. Vou usar sua ideia para ensina-lo sobre a importância de poupar. Parabéns!!

    • Caroline Sofiatti Yoshida

      Obrigada! Ensinar nossos pequenos a valorizar o dinheiro, é o primeiro passo para torna-los adultos organizados e independentes.
      Não deixe de nos contar como foi a experiência.