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21 de novembro de 2018 Ultima atualização: 22 de novembro de 2018

Casais inteligentes enriquecem juntos: como investir melhor a dois

Como lidar com os investimentos em casal? Em minha missão diária de ajudar pessoas a investirem melhor seu dinheiro, esse tema sempre aparece. Planejar as finanças, controlar despesas, traçar objetivos, investir a dois. Parece complicado, mas não precisa ser.

21 de novembro de 2018

Como diz o título do best-seller de Gustavo Cerbasi, casais inteligentes enriquecem juntos. Se dinheiro é um problema no seu relacionamento, trago dicas que podem transformar a vida de vocês. Antes de terminar o primeiro parágrafo deixo o convite: que tal lerem juntos?

Superando os desafios de lidar com dinheiro a dois

Recentemente, mais um estudo concluiu que pessoas casadas são, em geral, mais felizes que as solteiras. Mas quem vive junto sabe que nem tudo são flores. A relação com o dinheiro costuma ser um dos desafios mais comuns da vida a dois. Quatro em cada 10 casais brigam por causa de dinheiro.

Você já se sentiu confuso, com raiva ou com a sensação de não ser compreendido ao conversar sobre dinheiro? De acordo com o planejador financeiro Carl Richards em seu livro “Você e Seu Dinheiro”, isso acontece porque “usamos o dinheiro como substituto para questões mais profundas que não queremos discutir”.

Usamos o dinheiro como substituto para questões mais profundas que não queremos discutir

Por trás de uma conversa sobre dinheiro, há receios, medo de ser julgado, ansiedade em relação ao futuro e muitos outros sentimentos que nem sempre conseguimos identificar.

Sem conversar, o casal acaba endossando o tabu social que é falar sobre dinheiro. A lacuna na educação financeira em nossa cultura acaba contribuindo para tornar as coisas mais difíceis.

Sei que boa parte das pessoas que investem com a Vérios estão vivendo (e investindo dinheiro) como um casal, por isso esse tema é especialmente relevante aqui dentro.

Apesar de não existir uma solução mágica para lidar com as finanças e investir a dois, quero compartilhar com vocês algumas dicas e boas práticas recomendadas por especialistas que admiro e que falam sobre esse assunto com muita propriedade.

Entre eles, o já citado Carl Richards, Jesse Mecham (fundador do Ynab, aplicativo de orçamento pessoal que eu uso), e Gustavo Cerbasi, autor do livro sobre finanças para casais que que se tornou um clássico no mercado brasileiro. Vamos fazer isso entregando soluções simples para as dúvidas mais frequentes entre os casais.

Por fim, para trazer um exemplo concreto, você poderá conhecer a forma como a Isa e o Vitor, casal de Amigos do Ueslei, lidam com as finanças e os investimentos a dois.

Quando é a hora de começar a falar de dinheiro na relação?

A resposta é simples: o quanto antes. É claro que cada casal tem o seu tempo, mas a partir do momento em que vocês decidem assumir um compromisso e planejar o futuro juntos, não dá para não falar de dinheiro. Quanto antes vocês começarem a trocar ideias, mais natural será o assunto, mais vocês irão se conhecer e mais fácil será lidar com impasses no planejamento financeiro.

Se é complicado falar sobre dinheiro sem ter um gancho, considere a dica de Jesse Mecham em seu livro “You Need a Budget”: é muito mais fácil falar sobre dinheiro sob a ótica de um orçamento. “Não é sobre a minha dívida ou a sua dívida, os meus gastos ou os seus gastos. É sobre como tudo se encaixa dentro do orçamento do casal”.

Ainda não conhece o conceito de orçamento pessoal? É algo muito mais eficiente do que controlar despesas (e pode dar muito menos trabalho). Descubra como funciona: Orçamento pessoal: assuma o controle com o método dos envelopes

Devo contar qual é o meu salário?

Se vocês têm objetivos em comum para o futuro, precisam se planejar juntos para alcançá-los. Para construir o orçamento, ambos precisam saber quanto dinheiro têm para pagar as contas do mês, se divertir, pagar dívidas, poupar e investir. Por isso, é natural que um saiba o salário do outro.

Se você tem receio de abrir qual é o seu salário com seu parceiro, reflita sobre os motivos. Provavelmente há alguma outra questão em jogo na dinâmica do casal. Ser transparentes um com o outro é fundamental para construir uma relação de confiança.

Já ouviu falar em infidelidade financeira? É o nome que se dá quando casais escondem informações sobre as finanças um do outro, sejam despesas, dívidas ou reservas e investimentos.

Ter um plano juntos significa apoiar um ao outro quando algo der errado. Se um perde o emprego, por exemplo, o outro vai precisar segurar as pontas por um tempo. Como se preparar para esse cenário sem saber o salário do outro?

Ela não curte falar de dinheiro e foge do assunto, e agora?

O objetivo de cuidar das finanças juntos é justamente ter um plano factível para construir um futuro juntos, seja comprando um imóvel, dando a volta ao mundo ou planejando a aposentadoria no sítio. Isso significa liberdade e flexibilidade para escolher como será a vida de vocês, mas algumas pessoas podem interpretar como o oposto.

Ter metas para poupar e investir juntos não significa colocar o parceiro na rédea curta ou ficar controlando seus gastos no detalhe. Mas talvez um de vocês pense assim, e isso seja um dos motivos para tentar escapar do assunto.

Conhecendo bem um ao outro, vocês vão encontrar uma forma de contornar esse problema financeiro. Segundo Jesse Mecham, há três coisas que você precisa saber sobre seu parceiro (e que ele precisa saber sobre você):

  • Seus hábitos com o dinheiro. Como é o seu comportamento financeiro no dia a dia?
  • Suas ideias sobre o dinheiro. O que você pensa sobre o dinheiro? Em que você acredita?
  • O que você traz como legado para o relacionamento. Dívidas? Investimentos?

Discordo da forma como ela gasta o dinheiro

Viver a dois não exclui a individualidade de cada um, e é muito saudável que cada um continue nutrindo seus próprios interesses e estilo de vida, cultivando seus hobbies e, naturalmente, usando o dinheiro de forma distinta.

Se você discorda da forma como o outro gasta o dinheiro, tente compreender o que está por trás disso. As contas estão pesando no seu bolso? Há uma sensação de injustiça? Ou é apenas uma comparação que você está fazendo? “Eu jamais gastaria meu dinheiro isso, não acho que ela deveria gastar.”

Ao construir um orçamento juntos, vocês precisam considerar o que é prioridade para cada um de vocês e o que é prioridade para o casal. Isso vai determinar como o dinheiro de ambos deve ser utilizado. Respeitando as individualidades, vai ser muito mais fácil falar sobre dinheiro.

Tenho receio de contar como gasto meu dinheiro e ser julgado

Se isso acontece no seu relacionamento, pode estar faltando conversa e compreensão. É o outro lado da situação que vimos no tópico anterior.

Se você tem medo de ser julgado, entenda os motivos. Você está gastando com algo que não deveria? Está sendo financeiramente infiel?

Segundo Carl Richards, “no shame, no blame” (“sem envergonhar, sem culpar”) é uma das regras mais importantes das finanças pessoais, sobretudo para um casal.

Para conseguir conversar honestamente sobre dinheiro, vocês precisam criar um ambiente seguro para essa conversa: um momento em que ambos podem falar de suas vontades e de seus erros, sem medo de ser acusado pelo outro, ou de sentir vergonha de se expor.

“No shame, no blame”: vocês precisam criar um ambiente seguro para essa conversa, um momento em que ambos podem falar de suas vontades e de seus erros com dinheiro, sem medo.

Para que vocês mantenham uma relação transparente e de apoio mútuo, é preciso entender que os erros fazem parte da trajetória, e que o outro pode valorizar determinados gastos que você não valoriza – e tudo bem. Julgar o outro só desestimula a conversa sobre dinheiro. Se você é quem está sendo julgado, fale sobre isso.

Tenha claras suas prioridades, converse com seu parceiro e, juntos, contemplem o que for importante para cada um de vocês no orçamento. Elejam em conjunto as prioridades do casal, sem reprimir as prioridades individuais. Conversem sobre o que cabe no orçamento e o que pode esperar.

Qual é a melhor forma de gerenciar o dinheiro em casal?

A melhor forma é mantendo um orçamento que vocês construíram juntos e monitoram no dia a dia, conversando sobre ele periodicamente para avaliar se está no caminho certo ou fazer correções de rumo.

Ter um orçamento significa decidir previamente como vocês usarão o dinheiro. Definam quanto será gasto com moradia, com alimentação, transportes, diversão… Conversem sobre as prioridades de cada um e como encaixá-las no orçamento, bem como sobre os planos para o futuro e quanto poupar todos os meses.

Planos comuns jamais serão construídos de modo eficiente se tudo no relacionamento for dividido. Perde-se em eficiência, em organização e em resultados!

Gustavo Cerbasi, no livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”

As diferenças salariais são normais em um casal. Cabe a vocês definir se irão somar as fontes de renda para fazer o orçamento, ou se irão tratar de forma separada as entradas de cada um. Sejam transparentes um com o outro e o combinado não sai caro!

Devemos ter conta conjunta?

Não há necessidade de ter conta conjunta para ter um orçamento conjunto. Fica a critério do casal.

Jesse Mecham conta que, no Ynab, eles encorajam os casais a manter uma conta conjunta e somente um cartão de crédito com a intenção de simplificar o orçamento — o que é curioso, pois o Ynab é uma ferramenta que facilita justamente a operacionalização do orçamento mesmo que o dinheiro esteja distribuído em várias contas!

Um outro argumento pró-conta conjunta seria obter melhores condições de crédito e investimento pelo saldo maior em conta e economizar com as tarifas pagas ao banco. Hoje, com as contas digitais, só paga tarifa alta quem quer.

Quanto devemos poupar por mês?

Consultores financeiros falam de um percentual de 10% a 15% da renda mensal, se vocês têm até 35 anos e o objetivo de manter a renda após a aposentadoria. Mas não se prendam a essas referências.

O quanto um casal deve poupar vai depender dos planos que têm para o futuro. Por isso é tão importante planejar juntos e manter um orçamento.

Se um dos objetivos de vocês é conquistar a independência financeira nos próximos anos, otimizem o orçamento para que possam poupar uma fatia maior da renda mensal.

Baixe a planilha calculadora de objetivo financeiro e saiba quanto poupar por mês

Onde devemos investir nosso dinheiro?

A resposta é a mesma da pergunta anterior: depende dos seus objetivos.

Se vocês estão poupando para o curto prazo, devem escolher investimentos de renda fixa sem risco de variação negativa e sem prender o dinheiro, como o Tesouro Selic (a aplicação do Tesouro Direto que é o investimento mais segura do nosso país), CDB ou fundos de renda fixa. Nem preciso falar que a caderneta de poupança não é uma boa alternativa, preciso?

Lembrem-se de manter uma reserva de emergência, equivalente a cerca de seis meses de despesas da família, para lidar com imprevistos sem prejudicar o orçamento.

Já se os planos miram o médio a longo prazo como a compra da casa própria, busquem diversificar as aplicações e construir uma carteira equilibrada de investimentos. Aqui na Vérios trabalhamos com cinco classes de ativos principais, que recomendamos para um mix de investimentos seguro e adequado ao seu perfil de tolerância a riscos. Faça uma simulação para conferir como fica a alocação da carteira sugerida no seu caso.

Isa e Vitor: como eles poupam e investem juntos

Escrevendo este artigo, me lembrei da Isa e do Vitor. A Isa faz parte da Família Vérios (já trabalhou aqui conosco, será sempre da família) e, de vez em quando, conversávamos sobre os desafios de gerenciar as finanças dentro do relacionamento.

Há cerca de um ano indiquei a ela o método que uso para fazer meu próprio orçamento. Ela me contou que adotou a metodologia junto com o Vitor e os dois andam felizes da vida com isso. Para esse artigo, a Isa topou compartilhar a trajetória do casal com os leitores do blog.

Finanças para Casais - Isa, Vitor e Nutella

Vitor e eu estamos juntos há 14 anos. Quando nos conhecemos éramos adolescentes ainda, mal pensávamos nessa vida dos adultos repleta de boletos! (Risos)

Nós dois viemos de famílias bem simples, então grana não era algo fácil. Fosse pra comprar um livro, ir ao cinema, tomar um café ou viajar, precisávamos nos apoiar um no outro e a junção do nosso dinheiro em um bolo único acabou sendo algo natural para que pudéssemos fazer nossas coisas juntos.

Começamos a ganhar dinheiro sendo monitores no colégio, recebíamos cada um uma bolsa mensal de R$ 250. Depois, na faculdade, fizemos estágios e iniciação científica. Às vezes o pagamento de um caía e a gente gastava tudo em um dia só em livrarias e restaurantes. Aí o pagamento do outro salvava até o final do mês.

Essa coisa de não ter educação financeira desde pequeno é um problema, você vai aprendendo com as porradas da vida. Já pagamos o mínimo da fatura do cartão, já pegamos empréstimo com o banco, já perdemos dinheiro com título de capitalização, o famoso PIC, já erramos ao deixar o dinheiro na poupança e resgatar antes do aniversário…

Quando começamos a trabalhar, conseguimos nos organizar melhor e poupar juntos para as coisas que queríamos fazer: conhecer outros países, mobiliar e equipar nosso pequeno apartamento (alugado) e fazer nossa cerimônia de casamento.

Depois do casamento foi que começamos a poupar pra valer pensando em ter uma reserva de segurança e, no futuro, certa independência financeira. Mas chegar em um acordo sobre o quanto poupar não era nada fácil. Cada um pensa de um jeito. Eu sempre mais desesperada, querendo cortar despesas e juntar mais dinheiro a cada salário, enquanto Vitor acreditava que juntar o dinheiro do bônus anual seria o suficiente.

Desde antes de casarmos, Vitor tinha criado uma planilha que carinhosamente chamávamos de PFU — Planejamento Financeiro Unificado. Todo último dia de cada mês a gente se reunia, listava as despesas do mês seguinte, fazia uns esquemas de fluxo de caixa pra ver quem iria pagar o que e se alguém tinha que transferir dinheiro pra conta do outro.

Era um pouco trabalhoso mas na teoria funcionava bem, o problema é que ao longo do mês não conseguíamos ter noção do quanto estávamos gastando com cada coisa, e quando chegava o último dia útil do mês seguinte, era aquela sensação: “Cadê o dinheiro que estava aqui?!”

Cheguei a anotar despesas no caderninho por um tempo, mas para Vitor isso era algo muito chato. Eu implicava com algumas despesas, achava que ele gastava muito com restaurantes, por exemplo. Era muito fácil apontar isso como o problema. Só que o problema de verdade é que nós não tínhamos um orçamento, o que tínhamos era um momento, uma vez por mês, onde fazíamos um “encontro de contas”, e era isso.

Sempre falamos de forma muito aberta sobre dinheiro, e isso acabava facilitando as coisas. Também fomos sempre cuidadosos com as contas, não criamos dívidas, mas permanecia a sensação incômoda de que não estávamos no controle do dinheiro e não sabíamos para onde ele estava indo todos os meses.

Há cerca de um ano, começamos a seguir o método dos envelopes usando o Ynab. Foi a melhor coisa que fizemos! Conseguimos acompanhar todas as nossas contas em um só lugar e garantir que o orçamento que planejamos está sendo cumprido.

Continuamos com nossa rotina de uma vez por mês decidir como o dinheiro será gasto, e aproveitamos para atualizar nossos saldos com investimentos. Não tem nada melhor do que a sensação de que estamos seguindo o plano. Yesss, parabéns pra gente! (Risos)

Reservamos um dinheirinho pra cada um de nós gastar como quiser, e isso significa gastar com o que é importante pra gente, sem culpa nenhuma. O nome disso é liberdade! Também deixamos uma quantia reservada para coisas que esquecemos de orçar no mês, porque tem coisa que a gente esquece mesmo, paciência!

Investimos com a Vérios o dinheiro que é para nosso futuro, e deixamos em CDBs e fundos de renda fixa a quantia que é para reservas de emergência e curto prazo. Estamos super satisfeitos e posso dizer que dinheiro nunca mais foi fonte de estresse e dor de cabeça pra gente. Muito pelo contrário, a gente agora gosta de fazer o orçamento e ficamos ansiosos pra ver como será no mês seguinte.

Leituras recomendadas

Ficou inspirado para cuidar melhor das finanças a dois? Para se aprofundar nos pontos que discutimos neste artigo, recomendo os livros abaixo:

Espero ter ajudado a guiar você e seu parceiro ou sua parceira no caminho certo!

Não sei se alguma universidade ou instituto já fez uma grande pesquisa para tentar comprovar isso, mas pessoalmente tenho certeza de que um casal que conversa abertamente sobre dinheiro é um casal que aproveita mais a vida e é mais feliz.

As grandes conversas sobre dinheiro são, na verdade, conversas incríveis sobre a vida.

Carl Richards, no livro “Você e Seu Dinheiro”

 

1 “How’s Life At Home? New Evidence on Marriage and the Set Point For Happiness”. Grover, S. & Helliwell, J.F. J Happiness Stud (2017).

2 “Quatro em cada dez casais brigam por causa de dinheiro, diz pesquisa”. Jornal Extra (22/02/2017)

3  “Setting Aside Shaming and Blaming in Financial Decisions”, New York Times (08/09/2015)

4 Por enquanto, disponível apenas em inglês 🙁

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21 de novembro de 2018
Ultima atualização: 22 de novembro de 2018

Autores

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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