CDB: o que é e como funciona

Uma das alternativas preferidas daqueles que estão dando os primeiros passos nos investimentos são os CDB. CDB significa Certificados de Depósito Bancário, que é um título de renda fixa do tipo crédito privado, oferecidos por bancos. Na prática, você empresta dinheiro ao banco, que te remunera com juros. A remuneração é definida no ato da contratação do CDB, e pode variar de acordo com o valor total aplicado, o prazo do CDB, e a saúde financeira do banco emissor.

A comodidade de aplicar pelo site do banco onde você é correntista e resgatar os recursos para sua conta fazem dos CDBs um destino popular para investir a reserva de curto prazo1. No entanto, se você está pensando em construir patrimônio, concentrar em CDBs tem suas armadilhas. Neste artigo, você vai conhecer um pouco mais sobre as características e funcionamento dos CDBs enquanto opção de investimento, suas vantagens e desvantagens.

Mas afinal, o que é o CDB e como funciona

Como dissemos acima, investir em CDBs é emprestar seu dinheiro para o banco.

Os bancos possuem operações comerciais de empréstimos, como cheque especial, crédito direto a correntistas e financiamento de automóveis, por exemplo. Para viabilizar essas operações e atender aos clientes que precisam de crédito, os bancos precisam tomar dinheiro emprestado pagando juros.

Ao emitir CDBs, o banco funciona como um intermediário entre os investidores, que são uma das fontes de captação do banco, e os tomadores de empréstimo.

O que é cdb
Lógica dos CDBs: você empresta para o banco, que empresta para outros clientes

Atualmente, o volume de investimentos em CDBs no Brasil é de quase R$ 500 bilhões2, uma cifra bastante expressiva.

banner-planilha-rentabilidade

Rentabilidade dos CDBs

A rentabilidade de um CDB é a taxa de juros ou remuneração determinada na contratação do investimento. Nesse aspecto, existem diferentes tipos de CDBs:

CDBs pós-fixados, atrelado ao CDI

É o tipo mais comum, no qual o investidor recebe um percentual da variação do CDI no período.

Exemplo: Considere um CDB que ofereça remuneração de 90% do CDI ao ano. Se nesse período o CDI for de 10%, a rentabilidade bruta do CDB será de 9%. Assim, R$ 1.000 aplicados teriam rendido R$ 90 em um ano.

CDBs indexados à inflação

São vinculados a um índice de preços, como o IPCA, mais um acréscimo de juros prefixados. Ou seja, além da manutenção do poder de compra do seu dinheiro com a correção pela inflação, é possível obter um ganho real no período.

Exemplo: Considere um CDB que remunere IPCA + 4% ao ano. Se o IPCA no ano for de 5%, uma rentabilidade bruta de 9% é esperada ao final do período. Assim, quem investiu R$ 1.000 terá um ganho de R$ 90.

CDBs prefixados

Nesse caso, a taxa de juros é definida no momento da aplicação.

Exemplo: Considere um CDB que pague taxa de juros de 9% ao ano (sem nenhum vínculo com a Selic ou o CDI). Se você investir R$ 1.000 por um ano, sua rentabilidade bruta será R$ 90.

O CDB pós-fixado é muito mais comum que as outras modalidades, mas os bancos de varejo frequentemente tentam vender CDBs da forma mais vantajosa para si. Quando os juros estão subindo, tornam-se mais frequentes as ofertas do banco para vender CDB prefixado, travando a rentabilidade em valores mais baixos; e quando o juros estão caindo torna-se mais comum o banco vender CDB pós-fixado, para poder reduzir a remuneração do investidor junto com a queda dos juros.

Liquidez

Muitos CDBs oferecem liquidez diária, ou seja, permitem que você faça resgates em um dia útil. No entanto, existem títulos com prazo de resgate maior. Por isso, é importante estar atento à liquidez na hora de contratar.

Se você contratar um CDB com liquidez de 90 dias e precisar resgatar antes do vencimento, o banco pode exigir um deságio para efetuar a operação, resultando em perda parcial ou total da rentabilidade.

Custo dos CDBs

Diferentemente dos fundos de investimento, que também são oferecidos pelo seu banco, CDBs não têm taxa de administração e/ou de performance. Isso significa que eles não têm custo? Hmm, não.

Nos CDBs, o custo que você paga para investir vem na forma de spread

Nos CDBs, o custo que você paga para investir vem na forma de spread. Você reparou na ilustração acima, em que o tomador de crédito paga juros ao banco e o banco paga juros ao investidor do CDB, certo? Talvez você também tenha reparado que a quantidade de cifrões é diferente. Essa diferença não foi acidental.

De acordo com o Banco Central do Brasil3, o spread médio cobrado pelos bancos nas operações com pessoas físicas em 2014 superava os 29 pontos percentuais.

Suponha que os bancos estavam pagando em média 10% ao ano nos produtos de investimento. Somar 29 pontos percentuais significa que eles estariam cobrando mais de 39% ao ano nos produtos de crédito. Essa diferença (29 pontos percentuais) é o spread.

É por isso que o consultor financeiro Carl Richards diz que o investimento com a maior rentabilidade geralmente é quitar suas dívidas, mas essa é outra história.

Riscos e garantias dos CDBs

Como os CDBs são títulos que representam a dívida de uma instituição financeira com o investidor, o risco mais relevante é de crédito, ou seja, o risco de o banco quebrar. Uma boa maneira de medir esse risco é avaliar a taxa de juros que instituição financeira promete pagar.

Os grandes bancos do varejo têm mais penetração e conseguem captar dinheiro via CDBs oferecendo rentabilidades mais modestas. Às vezes oferecem algumas opções um pouco melhores, vinculadas a prazos maiores de resgate, o que afeta a liquidez do investimento.

Já bancos de menor porte, que não inspiram tanta confiança, ou que estejam passando por dificuldades financeiras, precisam pagar uma remuneração maior para atrair o investidor. A incerteza em relação ao investimento exige um prêmio de risco maior.

Por isso, antes de tomar uma decisão de investimento motivada pela promessa de uma rentabilidade excepcional, tente entender a situação financeira do banco emissor.

Antes de se deixar levar pela promessa de rentabilidade excepcional, tente entender a situação financeira do banco emissor

Nessa hora você pode ter pensado: “Por que se preocupar, se tem a garantia do FGC?”. Sim, os CDBs são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos até o limite R$ 250 mil, por CPF e por instituição financeira.

Mas, pense um pouco: comprar um investimento arriscado, contando apenas com a garantia, não parece uma estratégia muito saudável. Além disso, a sua reserva para emergências não deveria estar sujeita a um processo de falência ou recuperação judicial do banco emissor, pois esses eventos podem “travar” subitamente um dinheiro que deveria estar sempre à sua disposição.

Quando aplicar em CDBs

CDBs são adequados para investimentos de curto prazo, como a reserva de emergências ou o valor destinado à compra de um carro, por exemplo

O CDB é um produto simples de investimento, adequado para investir recursos que serão utilizados no curto prazo, como a reserva para emergências, o valor destinado à compra de um carro ou uma viagem no curto prazo, por exemplo. Entenda a diferença entre soluções simples e sofisticadas de investimentos no artigo “Qual é o melhor investimento hoje?”.

Se sua ideia é construir patrimônio para o longo prazo tendo os CDBs como protagonistas da sua carteira de investimentos, tenha ciência das seguintes armadilhas:

Ausência de diversificação

Ao concentrar sua carteira com CDBs, você deixa de aproveitar os benefícios da diversificação de investimentos.

Risco de concentração em crédito privado

CDBs são títulos de crédito privado, podendo estar sujeitos à inadimplência da instituição emissora.

Menor rentabilidade no longo prazo

Os banco mais sólidos, onde o risco é menor, oferecem rentabilidades muito baixas, aumentando o spread bancário praticado.

Tributação dos CDBs

O Imposto de Renda (IR) incide sobre a rentabilidade do CDB por meio de alíquotas regressivas, de acordo com o tempo de permanência no investimento, conforme a tabela abaixo.

Prazo aproximado

 

 

 

 

 

Alíquota de IR

Até 6 meses
 
     
 
22,5%
De 6 meses a 1 ano
 
     
 
20%
De 1 a 2 anos
 
     
 
17,5%
Acima de 2 anos
 
     
 
15%

 

Como o banco é responsável pela retenção do imposto na fonte, quanto o CDB vence ou você solicita o resgate antecipado, sua remuneração já é líquida de impostos. Geralmente, o banco permite que você acompanhe o investimento sabendo o saldo bruto (antes dos impostos) e o saldo líquido (já descontados os impostos).

Se você mantiver o investimento por 30 dias ou menos, também terá desconto de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre seu ganho financeiro. 

Vantagens e desvantagens dos CDBs

Vantagens

Conveniência: é possível fazer aportes e solicitar resgates com facilidade pelo internet banking, sem precisar fazer TEDs para outras contas. E, dependendo do banco, é possível aplicar valores bem pequenos (menos de mil reais)
Liquidez: boa parte dos CDBs disponíveis no mercado oferecem liquidez diária. Se você precisar resgatar, pode ter o dinheiro em sua conta no mesmo dia ou no próximo dia útil

Garantia do FGC: até R$ 250 mil (principal + juros), por CPF e por instituição financeira, em caso de quebra do banco

Desvantagens

Rentabilidade: bancos mais sólidos têm poder de barganha para oferecer taxas de juros mais baixas. Em alguns casos, cobranças extras por resgates antecipados também podem minguar seus ganhos

Tributação: quem mantém investimentos de curto prazo no CDB é prejudicado pelas maiores alíquotas de IR ao fazer resgates. Não tem como fugir: quase todos os ativos de renda fixa funcionam assim. Certifique-se de levar o imposto em conta na hora de comparar as alternativas, e também planeje suas necessidades de caixa para tentar pegar as alíquotas menores

banner-planilha-rentabilidadeSe você busca um investimento diversificado e tem objetivos de médio e longo prazo, CDBs podem não ser a melhor opção. Que tal conhecer a carteira inteligente da Vérios, que diversifica em Tesouro Direto e ações (ETFs)? Use o nosso simulador de investimentos agora mesmo.

1No jargão da consultoria de investimentos, a reserva de curto prazo é o dinheiro equivalente a cerca de três a seis meses das suas despesas mensais, cujo objetivo é formar um colchão de segurança para gastos ou situações imprevistas, como perda do emprego ou despesas hospitalares. Também é conhecida como reserva para emergências.

2Fonte: Boletim Cetip (dados de 3/9/2015)

3Banco Central do Brasil, Diretoria de Política Econômica, Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais. Relatório “Juros e Spread Bancário – com informações até março de 2014

 

CDB: o que é e como funciona
4.93 (98.57%) 42 votos

Categorias: Iniciante, Plano de investimento, Como funcionam, CDB
  • Pingback: CDB prefixado: o que é e como funciona? | O Primo Rico()

  • ELIANE BATISTA

    PARA SETOR DO VAREJO COMO DEFINO A TAXA DO CDB?

    • Isabella Paschuini

      Oi, Eliane!

      Não sei se entendi bem sua pergunta.
      Você gostaria de saber o que seria uma boa taxa de CDB para investir via bancos de varejo?

      No caso dos CDBs pós-fixados atrelados ao CDI, quanto mais próxima a rentabilidade for de 100% do CDI, melhor. E quanto maior o prazo do investimento, maior deve ser a rentabilidade oferecida.

      Já vimos bancos oferecerem 70% do CDI para uma aplicação de 3 anos, o que é uma grande furada, pois não bastasse a rentabilidade fraca, o dinheiro fica bloqueado. No Tesouro Direto, por exemplo, é possível obter rentabilidade de 100% do CDI podendo resgatar de um dia para o outro.

      Espero ter ajudado.

      Abraços,
      Isa

  • Heitor89

    Tenho algumas dúvidas, se puder tirar ficarei grato. Digamos que eu invista uma quantia x num mês. Aí eu resgate um valor menor que x no mês seguinte…terei algum rendimento? Esse rendimento será sob o valor resgatado? Após esse resgate, no segundo mês, se eu quiser investir novamente outro valor x, ele será somado ao valor que está na aplicação ou será criada uma nova aplicação? O valor que fica na aplicação, mesmo após eu ter feito o resgate de algum valor, continuará rendendo? Minha intenção não é deixar dinheiro parado na conta corrente, só usando mesmo para pagamentos e pequenos gastos. Por isso preciso de uma liquidez, mas quero obter algum rendimento.

    • Ana Vitória Baraldi

      Oi Heitor, tudo bem?

      Tudo depende da liquidez que você escolher para esse CDB.
      Caso você escolha um CDB com liquidez diária ele irá render todos os dias e você pode resgatar quanto você quiser desse papel.
      São ótimas opções para não deixar os recursos parados em caixa como você disse.

      Se você fizer uma nova aplicação, será em outro papel, porque as características serão outras (data de início, data de vencimento, taxa…), mas as condições podem continuar sendo as mesmas do primeiro investimento. Isso não é garantido.

      Caso você deixe um valor na aplicação antiga ele fica rendendo até o vencimento ou até você realizar um próximo resgate.

      Espero que tenha ajudado.

      Abraços,
      Aninha

      • Heitor89

        Obrigado, Ana. Me ajudou sim. Forte abraço.

  • Luan Tonietto

    Tenho uma duvida, hoje dando uma olhada em minha conta no Banrisul online vi que consta um investimento em cdb a 11 meses, todo fim do mes o banco retira um valor diferente (maior ou menor ao mes anterior) e aplica nessa “aplicacao automatica“ mas acontece que nao solicitei isso, e tmbm nao vem me rendendo nada creio eu, nao notei diferenca de valores em minha conta, mas todo mes fecha com meu cheque especial negativado, por conta dessa aplicacao que e retida, entao vira o mes e volta pra conta o mesmo valor, ai desconta o valor que estava negativo e zera a conta, sou pensionista pelo Ipe RS , meu salario da pensao e pago parcelado por ser de servidor publico (em 1,2,3 ate 4x), entao nunca sei se o resgate automatico e do banco ou do meu pagamento do mes..se alguem puder me dar uma sugestao do que fazer, ou checar em minha conta, estaria o banco me roubando desta forma? ficarei grato!!