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14 de julho de 2016 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Como a Vérios protege seu patrimônio durante crises financeiras

14 de julho de 2016

Keep calm and carry on. Mantenha a calma e siga em frente, diz o famoso cartaz inglês usado para tranquilizar a população durante a Segunda Guerra Mundial. Quando o mundo parece desabar, manter a calma pode ser uma ótima política – desde que se esteja preparado de antemão.

Para um país, a preparação para crises envolve medidas como ter uma boa infraestrutura, com muitos hospitais e um sistema de transporte público eficiente. Já no caso da sua carteira de investimentos, a chave para a proteção em períodos críticos é a diversificação bem-feita.

Neste artigo explicamos como estruturamos um aspecto da carteira inteligente da Vérios para proteger seu patrimônio mesmo durante episódios críticos para a economia, como o Brexit e o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Como protegemos sua carteira de investimentos

Na Vérios, seguimos uma estratégia de investimento baseada em modelos matemáticos consagrados, capazes de otimizar a rentabilidade a longo prazo para um dado níveis de risco. E como medimos esse risco?

Em condições normais de temperatura e pressão, medimos o risco através da volatilidade da carteira de investimentos, calculada a partir de inputs como as correlações entre as classes de ativos, que por sua vez medem estatisticamente quão juntos ou distantes os preços de diferentes classes caminham. Isso nos momentos considerados normais na economia.

Nas crises financeiras, tecnicamente chamadas de eventos de estresse, não apenas a volatilidade da carteira explode, como mudam completamente de padrão as correlações entre as classes de ativos que compõem a carteira1. Ativos que normalmente se movem na mesma direção subitamente vão em direções opostas, e ativos que normalmente variam em direções opostas passam a se mover na mesma direção.

Nesses momentos críticos, uma carteira de investimentos está mais segura na medida em que tem ativos que variam em direções opostas, com uns atuando como colchões de proteção contra outros. É o que se chama de hedge em financês.

Os exemplos clássicos no Brasil são a bolsa e o dólar. No longo prazo, ambos tendem a subir. Mas em momento de crise, eles tipicamente se deslocam em direções opostas: a bolsa desaba e o dólar dispara. Isso é especialmente acentuado durante crises internas, made in Brazil, como o impeachment de Dilma. Ou seja, em geral o dólar é um excelente hedge para a bolsa.

Um colchão amortecedor: bolsa brasileira + bolsa norte-americana

A carteira inteligente da Vérios lança mão desse fenômeno. Ela aplica a maior parte dos recursos em títulos públicos diversificados, mas o restante é alocado em duas cestas de ações, por meio de ETFs: o índice IBrX 50, que representa as ações das maiores empresas brasileiras listadas na BM&FBovespa, e o índice S&P 500, que reflete as ações das maiores empresas listadas nas duas principais bolsas de valores dos Estados Unidos, Nasdaq e NYSE.

Note que o índice S&P 500 é cotado em dólares, e portanto seu preço em reais incorpora tanto as variações do índice nos EUA quanto as oscilações na cotação do dólar. Por exemplo, se em uma dada semana o S&P 500 sobe 3% e o dólar sobe 2%, então o valor do índice cotado em reais, que é o que interessa, sobe 5% (3% + 2%).

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No final das contas, o índice da bolsa norte-americana, mesmo medido em reais, tem comportamento mais tranquilo que o da bolsa brasileira. Ao longo dos últimos 9 anos a volatilidade do S&P 500 medida em reais foi de cerca de 16%, enquanto que a do IBrX 50 foi substancialmente mais alta, de 23%.

OK, mas tudo isso se refere à volatilidade, que é muito útil pra medir risco em tempos de relativa calmaria. Mas e o que acontece durante as tempestades, os eventos de estresse?

A bolsa norte-americana funciona como um colchão que amortece as quedas bruscas da bolsa brasileira

Aí é que está: em períodos de crise, a bolsa brasileira quase sempre despenca, mas o dólar dispara – e, com ele, o S&P 500 medido em reais. A bolsa norte-americana funciona então como um colchão que amortece as quedas bruscas da bolsa brasileira.

Foi o que aconteceu durante a turbulenta transição política e econômica entre novembro de 2014 e janeiro de 2015, quando teve início o segundo governo de Dilma Rousseff. Graças a uma combinação de incertezas tanto sobre o estado real da economia quanto sobre a política econômica, ao longo desses três meses o índice IBrX 50 caiu cerca de 12%. Pelas mesmas razões, o dólar disparou, subindo mais de 8%. Já o S&P 500 em dólares, que é pouco sensível às turbulências brasileiras, ficou praticamente estável.

Como a componente de ações da carteira inteligente da Vérios combina o IBrX 50 com o S&P 500 em reais, ela amorteceu muito a turbulência brasileira: a parte da carteira inteligente investida em ações teria caído apenas pouco mais de 1%3. A combinação bolsa Brasil + bolsa EUA com dólar protegeu quase que perfeitamente contra a imensa queda que um investimento concentrado em bolsa brasileira teria sofrido.

Olhando a alocação da Vérios como um todo, incluindo títulos públicos, aquela turbulência toda teve um impacto desprezível. De fato, a carteira alocada no nível de risco 5, o mais agressivo, valorizou 2,4% ao longo desses três meses.

Como a carteira inteligente se comportou no Brexit

Voltemos a falar da Inglaterra, que abriu nosso artigo. No Brexit, que foi um evento pontual e de origem externa, aconteceu algo semelhante. A bolsa norte-americana tomou um susto, caindo em dólares um total de cerca de 5% ao longo dos dois dias após a decisão popular pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia. A bolsa brasileira sentiu o impacto mas logo se recuperou, enquanto que o dólar subiu um pouco.

O resultado foi que nesses dois dias a parcela investida em bolsa da carteira de nível de risco 5 da Vérios caiu cerca de 2,6%4, enquanto que a carteira como um todo caiu menos de 0,5%. Nesse caso foi o Brasil – tanto a bolsa quanto o real – que funcionou como colchão contra a queda da bolsa americana. O hedge vale para ambos os lados.

A carteira inteligente da Vérios está bem “acolchoada” para lidar com impactos como o Brexit e a instabilidade política recente

Enfim, sustos acontecem, mas a carteira inteligente da Vérios está bastante “acolchoada” para lidar com impactos como o Brexit e a instabilidade política recente.

No dia de pior desempenho ao longo dos últimos 10 anos, a queda da bolsa brasileira, medida pelo índice IBrX 50, foi de 12,9%, enquanto que a carteira mais agressiva da Vérios teria tido uma queda de 2,77%. Na vida real, desde que começamos a operar em testes há mais de um ano (aliás, num ambiente político e econômico muito conturbado), a maior queda em um dia da nossa carteira mais agressiva foi de 1,29%.

Vale ressaltar que os números do parágrafo acima se referem à carteira de nível de risco 5 (volatilidade estimada de 5% ao ano), que é a nossa alocação com maior nível de risco. Atualmente, ela tem 21,1% de ações, entre ETFs da bolsa brasileira e dos EUA. Se olharmos a carteira 3, de risco mais moderado (com 12,7% de ações), a pior queda diária que ela teria tido nos últimos 10 anos seria 1,62%, e a maior queda real desde que começamos a operar em testes seria 1,04%.

Desempenho da componente de ações na carteira da Vérios (“Bolsa Vérios) vs. IBrX 50 (“Bolsa Brasil”)

grafico-bolsa-brasil-quedas

De fato, como se vê no gráfico acima, o desempenho da “bolsa Vérios”, a parte da carteira inteligente que está alocada em ações brasileiras e norte-americanas (curva azul), é muito mais suave do que o da bolsa brasileira isoladamente, medida pelo índice IBrX 50 (curva laranja). Isso se deve justamente ao efeito hedge que ilustramos nos exemplos anteriores.

Olhando o gráfico, repare que quase todas as vezes que a bolsa brasileira sofre quedas muito grandes e bruscas (realçadas pelas elipses), a “bolsa Vérios” cai muito menos – e às vezes não chega sequer a cair.

Você deve ter observado também a alta recente da componente de ações da carteira da Vérios, que tem tudo a ver com a disparada do dólar. Mas esse não é o ponto do artigo. Essa subida é conjuntural, pode continuar acontecendo ou não. Nos últimos meses, aliás, o dólar voltou a cair. O ponto é o contraste entre as quedas bruscas da bolsa brasileira e as quedas pequenas ou nulas da “bolsa Vérios” em momentos de crise. Isso sim é estrutural.

Resumindo: a estratégia da Vérios, além de inteligente, tendo sido desenhada para otimizar a rentabilidade a longo prazo respeitando a sua tolerância ao risco, é bastante resistente a chuvas e trovoadas. Invista com a Vérios, mantenha e calma, e siga em frente.

1Se você tiver interesse em aprender mais sobre crises e as quebras de padrões que as acompanham, vale a pena ler o livro “A Lógica do Cisne Negro”, do Nassim Nicholas Taleb.

2Mais precisamente, o índice sobe 5,06%. Veja o cálculo: [100 x (1,03 x 1,02) – 1] = 5,06

3Entre os dias 01/11/2014 e 31/01/2015, o IBrX 50 caiu 12,4%, o dólar subiu 8,27%, o S&P 500 em dólares caiu 1,14%, e a porção de ações da carteira inteligente da Vérios (gerada por meio de backtest) caiu 1,35%.

4Entre os dias 24/06/2016 e 27/06/2016, o S&P 500 em dólares caiu 5,3%, mas o IBrX 50 subiu 0,77% e o dólar subiu 0,51%. Com isso a porção de ações da carteira Vérios (gerada via backtest) caiu 2,61%.

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Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Autores

Economista pela PUC-Rio e doutor em Matemática pelo IMPA, colabora com o time de Estratégia de Investimento da Vérios. Flavio é sócio-proprietário da consultoria SLQ Soluções Quantitativas e possui certificação CGA

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