Como as carteiras da Vérios se recuperaram após a delação da JBS

Rentabilidade dos diferentes ativos e da carteira da Vérios

Dezoito de maio de 2017, um dia que ficará marcado na história recente do Brasil. O dia após a delação do grupo JBS vir à tona, comprometendo o presidente Michel Temer em um escândalo de corrupção, foi também um dia emblemático para o mercado financeiro. Para a Vérios, esse dia será lembrado por muito tempo como um momento em que nossa estratégia foi posta à prova.

Neste artigo vamos relembrá-lo sobre o impacto dessa notícia no mercado, mostrando a reação isolada de cada um dos tipos de investimento que compõem nossas carteiras diversificadas. Em seguida, traremos exemplos reais para que você possa visualizar como as carteiras foram impactadas nesse cenário extremo e depois caminharam para a recuperação de seu valor.

Uma única certeza: volatilidade

Para quem precisa de um refresco para a memória, foi no dia 17 de maio, à noite, que a imprensa anunciou a existência de uma gravação na qual Temer teria consentido com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. No dia seguinte, o mercado reagiria de forma muito intensa1.

Nós sabíamos que o dia 18 seria complicado, com muitas dúvidas, incertezas e, principalmente, oscilação dos ativos financeiros que compõem as carteiras de investimento administradas pela Vérios. Mas não poderíamos prever qual seria o tamanho da oscilação, e nem em qual direção ela aconteceria.

No início daquela manhã de quarta-feira, enviamos uma mensagem para todos os amigos do Ueslei (como chamamos as pessoas que investem com a Vérios) com o objetivo de tranquilizá-los, pois, independentemente do cenário que viria a se concretizar no final desse dia — e nos próximos dias –, nossa estratégia foi pensada para aguentar momentos de extrema volatilidade (oscilação nos preços de mercado das aplicações financeiras).

O baque foi considerável. Alguns títulos do Tesouro Direto tiveram perdas recorde no preço de mercado em apenas um dia. Vale lembrar que os títulos públicos são aplicações de renda fixa: ao manter o investimento até o vencimento, você receberá a rentabilidade contratada. Porém, os títulos do tipo Prefixado e IPCA+ estão sujeitas à oscilação diária dos preços no mercado, o que costuma assustar quem não está acostumado.

Vamos observar mais de perto o comportamento no dia 18 de maio de cada um dos tipos de investimento que integram nossa carteira inteligente com diversificação completa.

A reação de cada uma das classes de ativos

Cada um dos títulos públicos e ETFs reagiu de uma forma, acompanhando o comportamento geral da classe a que pertence e refletindo sua sensibilidade a situações de extremas incertezas, como aconteceu nesse dia.

Para exemplificar, trouxemos um ativo representando cada uma das classes que temos na carteira inteligente: juros pós-fixados, juros prefixados, inflação, bolsa brasileira e bolsa americana (abaixo mudamos a ordem para facilitar a explicação). Se sua carteira tem diversificação completa, é possível que ela tenha um pouco de cada um dos cinco investimentos representados a seguir.

Já que adoramos gráficos por aqui, vamos a eles! Mas já adiantamos uma coisa: é em situações como essas que vemos de forma cristalina a importância da diversificação.

Vamos começar com os investimentos que tiveram valorização no 18 de maio.

Juros pós-fixados

Ativo: Tesouro Selic 2021 (LFT)

Tesouro Selic - LFT

Percebam que o Tesouro Selic sequer sentiu as notícias do dia 18 de maio; continuou seguindo seu caminho, impassível, ao ritmo devagar e sempre.

Esse é um dos motivos pelos quais prezamos por uma grande parcela de juros pós-fixados em nossa estratégia. Sabemos que passamos por um momento de queda da taxa de juros, mas mesmo assim essa classe de ativos continua sendo fundamental em uma carteira diversificada.

Não sabemos quando outro acontecimento bombástico virá à tona. Ter um percentual maior de juros pós-fixados faz com que a queda de rentabilidade da carteira como um todo seja amenizada quando ativos mais voláteis vão mal.

Bolsa americana

Ativo: ETF IVVB11 (S&P 500)

ETF S&P 500 - IVVB

A parcela aplicada em bolsa americana, no ETF IVVB11, mais uma vez justificou sua importância na composição da carteira inteligente. Além de refletir a variação dos preços das principais empresas da bolsa americana pelo índice S&P 500, esse ativo também manifesta a variação cambial do dólar.

Como já mostramos anteriormente na ocasião da eleição de Trump, em momentos de incerteza e crise, a aplicação desempenha um papel de “colchão de amortecimento” na carteira.

Agora vamos às classes de ativos que desvalorizaram após a notícia da delação da JBS.

Inflação e bolsa brasileira

Ativos: Tesouro IPCA+ 2045 (NTNB) e ETF PIBB11 (IBrX 50)

Tesouro IPCA+ - NTNB e ETF IBrX 50 - PIBB

O dia 18 de maio foi histórico para o Tesouro Direto: alguns títulos tiveram a maior queda diária em preço de mercado desde o início do programa, em 2002. Veja o comportamento de cada um deles em nosso simulador.

Sim, tivemos títulos que caíram mais do que a própria bolsa de valores. Por isso escolhemos o Tesouro IPCA+ 2045 e colocamos ele lado a lado com o gráfico da bolsa brasileira, representada pelo ETF PIBB11, para você ver que, mesmo sendo renda fixa, pode existir (muita) oscilação, o que acabou sendo um aprendizado para várias pessoas. O título público caiu 12,6% e o ETF, 8,7%.

A diferença entre o título e o ETF é que, no primeiro, conseguimos saber como será dada a rentabilidade no vencimento (IPCA + uma taxa); no intervalo entre a compra e o vencimento, os preços mudam de acordo com as novas expectativas do mercado. Já no caso do ETF, um ativo de renda variável, não há qualquer tipo de regra para o rendimento futuro.

Saiba mais sobre o comportamento do Tesouro IPCA+.

Juros prefixados

Ativo: Tesouro Prefixado 2019 (LTN)

Tesouro Prefixado - LTN

E por fim um título da classe juros prefixados, que também apresentou queda forte, porém menos expressiva que os títulos indexados à inflação.

Lidando com expectativas

Diante desse cenário extremo, confesso que ficamos apreensivos. Não era apenas a reação do mercado que nos preocupava, mas também a reação e os sentimentos das pessoas que investem conosco.

Racionalmente, está bem claro o que devemos fazer em uma hora dessas: nada. Apenas esperar. Na prática é mais difícil; afinal somos humanos e temos emoções (ainda bem que temos nosso robô Ueslei para fazer as contas e nos ajudar a manter a calma).

A incerteza incomoda. Não tínhamos como saber quando os preços dos ativos voltariam aos patamares de 17 de maio, mas sabíamos que a recuperação de pelo menos 80% do valor das carteiras viria em algum momento, pois esse é o percentual mínimo de alocação em renda fixa na carteira inteligente.

Mesmo sabendo que grande parte dos amigos do Ueslei estavam receosos e preocupados com a queda na rentabilidade, em meio a todo o caos tivemos apenas uma solicitação de resgate total, entre milhares de pessoas que investem conosco, fato que comemoramos.

O mais correto nesses momentos é não resgatar, pois você estará vendendo seus investimentos por um preço abaixo do que eles valem

O mais correto nesses momentos é não resgatar, pois você estará vendendo seus investimentos por um preço abaixo do que eles valem. Em vez de resgatar, investir um pouco mais é a decisão mais racional para aproveitar os preços em baixa. Mas sabemos que as emoções às vezes nos dominam. Querer o que resta do dinheiro de volta é uma reação muito comum, explicada por vários estudos de economia comportamental que comprovam nossa aversão à perda.

Apesar de muitos processos na gestão das carteiras serem automáticos, sabemos que estar próximo, especialmente nesses momentos, faz toda a diferença. Acolhemos muitas pessoas que nos procuraram com dúvidas e inseguranças, mas sabemos que nem todo mundo se manifesta. Se você fica com qualquer tipo de receio quando há turbulência no mercado, não guarde para si: converse com nossa equipe. Estamos sempre disponíveis para conversar, explicar e ajudar. Aliás, adoramos fazer isso, inclusive nos momentos mais tensos. É o nosso compromisso.

Bom, agora que já entendemos a reação isolada de cada tipo de investimento, vamos ver como foi o impacto e a recuperação de carteiras de investimento reais?

É claro que cada carteira tem suas próprias características, como nível de risco e o tempo transcorrido desde a primeira aplicação. Por isso, selecionamos quatro casos para mostrar a você. Vamos comparar uma carteira de perfil 1 (a mais conservadora) com uma de perfil 5 (a mais arrojada) e, em seguida, comparar uma carteira recente (de quem começou a investir há pouco tempo) com uma antiga (de quem começou a investir há mais tempo).

Vale lembrar que na Vérios cada carteira é administrada de forma individual: mesmo tendo o mesmo perfil de risco, as carteiras podem ter rentabilidades distintas. Dois dos principais fatores que levam a essa diferença são os preços do mercado no momento da aplicação inicial e a frequência de aportes e resgates.

Carteira 1 x carteira 5

As carteiras mais conservadoras sentiram menos toda essa crise, pois o percentual de Tesouro Selic (aquele que continuou o dia 18 em seu ritmo devagar e sempre, lembram?) é maior. Já as carteiras mais arrojadas sentiram um baque maior.

Carteira 1

Carteira 1: Rentabilidade no dia 18 de maio

Carteira 1: Rentabilidade no dia 20 de junho

Essa carteira de perfil 1 perdeu 0,4% no dia 18 de maio e chegou ao patamar de 5,9% de rendimento desde o começo da aplicação. Antes da queda do dia 18, o rendimento da carteira era de 6,3%. Ela voltou a ter essa rentabilidade apenas seis dias depois, em 24 de maio. Pouco mais de um mês após o dia 18, a queda aparece registrada como um pequeno sulco no gráfico de rentabilidade, que voltou para o seu ritmo com menos oscilação e fechou em 7,1% no dia 20 de junho.

Carteira 5

Carteira 5: Rentabilidade no dia 18 de maio

Carteira 5: Rentabilidade no dia 20 de junho

Escolhemos uma carteira com perfil 5 cuja aplicação inicial ocorreu na mesma época que a carteira 1 acima. Assim, a comparação entre as carteiras é mais adequada. Essa carteira de perfil 5 perdeu 2,2% no dia 18 de maio, chegando a 5,4% de rendimento desde o começo da aplicação. Antes disso, a rentabilidade era de 7,6%, patamar para o qual retornou 32 dias depois, em 19 de junho. No dia 20 de junho, a rentabilidade dessa carteira 5 fechou estava em 7,8%.

A carteira 1 que apresentamos começou em 04/11/2016 e a carteira 5, em 07/11/2016. Percebam que, antes da queda do dia 18 de maio, a rentabilidade da carteira mais agressiva era mais de 1% superior à da carteira mais conservadora (7,6% para a carteira 5 e 6,3% para a carteira 1). No entanto, a recuperação da carteira mais conservadora foi muito mais rápida e o impacto visual do dia 18 no gráfico, bem menor.

Essa comparação é super importante para entender um pouco mais sobre o seu próprio perfil de risco. A carteira mais arrojada tem uma possibilidade de ganho maior, mas as oscilações também são maiores.

Ao investir é muito importante estar confortável com o andamento e as oscilações da carteira

Não existe certo ou errado aqui. Não é porque o seu amigo com a mesma idade tem uma carteira 5 que você também deveria ter uma. Ao investir é muito importante estar confortável com o andamento e as oscilações da carteira. Mesmo com um objetivo de longo prazo e sendo racional admitir um risco maior hoje para uma rentabilidade maior no futuro, se essas oscilações te dão ansiedade e dor no estômago, será que vale mesmo a pena estar na carteira mais arriscada? Com certeza não.

Carteira recente x carteira antiga

Agora vamos comparar duas carteiras com períodos bem diferentes de existência. Para isso, escolhemos carteiras com o mesmo perfil de risco: 4.

Carteira recente

Carteira recente

Carteira recente: rentabilidade no dia 20 de junho

Carteira antiga

carteira antiga

Carteira antiga: rentabilidade no dia 20 de junho

A carteira recente fez a aplicação inicial no dia 26/04/2017, menos de um mês antes da turbulência do dia 18. A carteira antiga, por sua vez, fez o primeiro aporte no dia 17/04/2015, mais de dois anos antes da delação da JBS.

O que queremos mostrar nessa comparação é que, sim, se a sua carteira é recente, a queda parece muito, muito grande, quem sabe até irrecuperável. Mas quando olhamos para carteiras mais antigas, essa queda enorme vira um pequeno buraquinho. Um buraquinho perceptível, porém bem pequeno se comparado a todo o patrimônio que foi construído.

Por isso, se a sua carteira é muito nova (menos de seis meses), veja que o tempo passa, e que os dias com rentabilidades positivas são muito superiores aos dias com rentabilidade negativa.

Essa carteira mais antiga já passou por outros momentos muito complicados: impeachment da Dilma, dólar na casa dos R$ 4, Brexit, eleição do Trump, entre outros. Apesar da queda do dia 18 ter sido muito expressiva por ter ocorrido em um único dia, ela não foi o pior momento da carteira. Percebam que no começo do gráfico o rendimento da carteira ficava muito próximo à inflação (linha pontilhada), e ficou assim até perto de janeiro de 2016, quando o cenário começou a melhorar.

Uma estratégia pensada para o longo prazo e preparada para as incertezas

Quando investimos por muito tempo, não sabemos quando virão os tempos bons e os tempos ruins. Temos que estar preparados para qualquer situação que venha a acontecer, e é nisso que a Vérios te ajuda, com uma equipe olhando o dia inteiro para isso e ciente de que as quedas fazem parte da trajetória.

Quando investimos por muito tempo, não sabemos quando virão os tempos bons e os tempos ruins

Escolhemos seguir uma estratégia pé-no-chão de diversificação porque sabemos que ninguém é capaz de prever o futuro e antecipar de forma precisa os movimentos do mercado. Não existe bola de cristal.

Se, em vez de diversificar, tivéssemos escolhido apenas um dos cinco tipos de investimentos da carteira inteligente para aplicar seu dinheiro, poderíamos ter ido super bem (ETF IVVB11) ou super mal (Tesouro IPCA+ 2045).

A verdade é que, no dia anterior à delação, ninguém sabia o que aconteceria (talvez só a própria JBS). Da mesma forma, ninguém pode garantir que sabe o que vai acontecer amanhã. Só podemos garantir que seguimos uma estratégia resiliente para administrar o seu dinheiro, e estamos prontos para o que vier.

Confesso que fiquei curiosa para fazer alguns testes de eficiência de mercado nesse dia e ver a teoria de eficiência dos mercados de Fama na prática. Quem sabe não rola algum outro artigo sobre esse assunto.

Como as carteiras da Vérios se recuperaram após a delação da JBS
4.91 (98.21%) 67 votos

Categorias: Iniciante, Intermediário, Avançado, Carteira inteligente, Por dentro da Vérios
  • Kleber Lage

    Ótimo artigo, bem explicativo. Confesso que quando vi a queda na minha carteira assustei um pouco, pois um único dia a desvalorização foi maior do que a rentabilidade de um mês inteiro anterior a esse período. Mas nada que um “dê tempo ao tempo” não resolva, alguns dias após essa confusão toda a carteira estava interessante novamente. Parabéns pelos trabalhos nos artigos, são fundamentais em alguns momentos, que para alguns como eu são meros aspirantes na área de investimentos.

    • Ana Vitória Baraldi

      Oi Kleber!

      Obrigada pelo seu comentário! Sabemos que foi “assustador” o dia, saber que esse tipo de conteúdo ajuda nesses momentos nos motiva a continuar fazendo, pode ter certeza.

      Qualquer coisa, conte conosco!
      Aninha

  • Karel Kadlec

    Só lamento porque eu não tinha dinheiro para comprar um monte de títulos no dia =(!

    • Ana Vitória Baraldi

      Oi Karel, é verdade!
      As taxas ficaram bem atraentes nesse dia!

    • Esse conselho de comprar mais no dia da queda é sempre difícil, porque mexe com muita coisa emocional e a gente nunca sabe se a queda já chegou ao fim ou se vai continuar caindo… Mas no dia 18 eu mandei uma grana a mais pro Ueslei, na minha conta com a Vérios, e foi excelente o resultado! Se tivesse caído mais no dia 19 eu teria mandado um pouco mais.
      Mandei 1 terço da minha reserva de segurança e enviaria mais um terço no dia seguinte. Agora eu vou recompor a reserva de segurança aos poucos.

      • Karel Kadlec

        Exatamente Felipe, eu teria feito o mesmo! não existe motivo para ter problemas emocionais com renda fixa (salvo se você precise resgatar exatamente naquele dia)! o dinheiro vai estar disponível ao final do período, o que você fez foi conseguir um belo desconto!!!

  • Júlio César Furtado

    Excelente artigo, Aninha! Parabéns, muito esclarecedor. Nessa semana, provavelmente teremos turbulências com a denúncia do Presidente da República, por parte do PGR. Tenho um pouco de experiência, não é especulação, mas será uma grande oportunidade de fazer aportes, p quem tiver essa possibilidade. Bons investimentos a todos!

    • Ana Vitória Baraldi

      Oi Júlio!

      Obrigada pelo elogio! 🙂

      Não gostamos de momentos assim, mas estamos preparados.

      Conte conosco.
      Aninha

  • Ederson Vieira

    Mostra um pouco do gráfico entre dia 26 e o dia 30 de Junho de 2017 como ficou?:

  • Samir Magalhães

    Olá Ana,
    com a redução da taxa de corretagem da RICO para adm dos títulos do TD a Vérios irá reduzir os custos das carteiras pras nós??
    Muito obrigado pela informação!

    • Ana Vitória Baraldi

      Oi Samir!
      Tudo bem?

      Pretendemos reduzir os custos das carteiras sim sim!
      Em breve devemos divulgar novidades.

      Abraços,
      Aninha