Como as medidas do governo Temer impactam seu bolso

Medidas econômicas do governo Temer

O governo federal vem anunciando diversas medidas com o objetivo de retomar o crescimento da economia brasileira. Algumas delas são1:

– A recuperação da demanda interna, por meio da liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para além das regras atuais, visando dar o primeiro “empurrão” para tirar os mercados da paralisia. O calendário para saque dos valores contidos nas contas inativas do FGTS será divulgado em fevereiro.

– A redução das taxas de juros dos cartões de crédito, um dos principais motivos do endividamento das famílias brasileiras. O governo promete reduzir as taxas pela metade!

– A reforma trabalhista para flexibilizar as regras dos contratos de trabalho e, com isso, frear o desemprego, que em 2016 atingiu 12 milhões de trabalhadores.

Mas quais os efeitos dessas três medidas sobre as suas finanças pessoais?

Neste artigo, vou apresentar de forma simples e prática os principais conceitos econômicos envolvidos em cada uma das medidas. Será uma leitura rápida porque a ideia é que você use o seu tempo para se dedicar aos seus interesses — e não para se tornar um economista!

Pois é, percebo nas entrevistas do meu programa de consultoria e coaching para organização das finanças pessoais – o Detox dos Gastos — que as pessoas chegam assustadas, achando que terão que entender profundamente os conceitos econômicos para poder ver o seu dinheiro multiplicar. Não é por aí, não!

Escolhi quatro indicadores econômicos para você ficar de olho em 2017:

1. Desemprego

Segundo o IBGE, o desemprego afetava 12 milhões de brasileiros ao fim do terceiro trimestre de 2016, correspondendo a 11,8% da população economicamente ativa. Isso mantém a geração de renda em níveis baixos e retrai a produção nacional.

A  situação da baixa da produção na economia é tão grave que duas das três medidas que citamos acima estão diretamente relacionadas ao desemprego no país.

A reforma trabalhista é uma tentativa de impedir (ou pelo menos desacelerar) o crescimento do desemprego, sem depender dos efeitos do aumento da produtividade pelas melhorias no longo prazo. Já a medida da liberação do FGTS visa injetar dinheiro na economia, na forma de um “extra” para a renda das pessoas. Infelizmente, talvez os valores liberados sejam insuficientes para aliviar de maneira substancial um endividamento elevado que foi muito reforçado pelo prolongamento da crise.

É aí que entra a consciência através do planejamento financeiro, para que cada um administre os seus ganhos conforme as respectivas realidades.

Dica Detox dos Gastos: Conhecer o seu perfil de gastos facilita que você faça ajustes, visando tomar melhores decisões. Assim, você poderá aumentar suas reservas de emergência e viver de forma mais equilibrada.

2. Juros

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No começo do ano, o Boletim Focus do Banco Central do Brasil divulgou as projeções de analistas financeiros para o valor da taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2017. A média dessas projeções está em 10,25% ao ano.

No dia 11 de janeiro, foi divulgada a nova taxa Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic pela terceira vez seguida, passando de 13,75% para 13% ao ano, surpreendendo as expectativas dos analistas financeiros, que estimavam uma redução de 0,50 ponto percentual.

Uma taxa de juros até a casa dos 10% ao ano ainda é bastante alta, especialmente em um cenário de inflação em queda. Isso sinaliza que o valor do dinheiro investido em renda fixa ainda apresentará boas opções para a multiplicação do patrimônio de reserva no planejamento das finanças pessoais.

Dica Detox dos Gastos: Buscar a assessoria de um planejador financeiro é interessante para que ele(a) avalie a sua situação atual e as possibilidades existentes frente aos desafios da economia para 2017.

3. Inflação (IPCA)

A inflação é a elevação generalizada dos preços. Controlá-la é um dos maiores desafios na história da economia brasileira. Já tivemos inflação da ordem de 2.447,15%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 1993!

A variação do IPCA é um dos indicadores que mais enfatizo nas finanças pessoais, para que os meus clientes e seguidores tenham clareza sobre o real poder de compra do dinheiro e assim identifiquem oportunidades de ajustes nas finanças pessoais.

Dica Detox dos Gastos: Se com uma mesma quantia de dinheiro o seu poder de compra é hoje menor do que há um ano, a primeira coisa a fazer é detalhar os seus gastos atuais para avaliar itens de redução e chegar a um novo padrão que seja coerente com a sua realidade.

4. Endividamento da população

É necessário muito cuidado para evitar as altas taxas de juros do crédito pessoal.

Quando começou a se falar na crise econômica, há cerca de dois anos, o endividamento brasileiro já era elevado. Hoje em dia estima-se que, a cada três indivíduos, dois estejam endividados.

A medida de redução das taxas de juros dos cartões de crédito, que neste momento chegam a superar os 400% ao ano, tenta ajudar o consumidor a sair do endividamento. Ela traz a possibilidade da negociação da dívida, dentre outras regras cujo objetivo é proteger o consumidor.

Cartões de crédito são os maiores vilões no processo de desequilíbrio das finanças pessoais que leva ao endividamento excessivo.

Dica Detox dos Gastos: Com a redução dos juros do cartão, preste muita atenção para não ficar com a falsa impressão de “problema resolvido” e aumentar ainda mais o consumo através deste meio de pagamento.

Agora, como um resumo geral, apresentarei algumas equações simples que vão ajudar você a entender a dinâmica econômica em suas finanças pessoais.

Uma equação básica para suas finanças

Renda = Consumo + Poupança

Renda: salários para empregados de empresas e pró-labore para empresários ou profissionais liberais

Consumo: gastos com o padrão de vida, definidos individualmente

Poupança: economias que compõem o patrimônio de reserva

Observe que diminuições da renda reduzem o consumo e/ou a poupança. E aumentos no desemprego reduzem a renda total circulando na economia.

Mesmo que a renda caia, podemos reduzir o consumo e manter a poupança. Para isso, será necessário realizar ajustes no planejamento financeiro.

O efeito da inflação é a perda do poder de compra. Por exemplo, se o salário ou pró-labore não for ajustado na mesma base ou acima da inflação, será necessário rever as despesas do orçamento atual, visando reduzir as quantidades dos itens gastos ou os preços desses itens (fazendo substituições, por exemplo).

Caso você tente manter o seu padrão de vida de antes da perda do poder de compra, você provavelmente vai acabar tendo que recorrer ao crédito “fácil”, como cartão de crédito e cheque especial. À medida em que essas dívidas são roladas ao longo de sucessivos períodos, elas geram um efeito de bola de neve que poderá levá-lo ao endividamento excessivo.

O endividamento econômico é resultado do desequilíbrio nas suas finanças e exigirá muito mais esforço e sacrifício de sua parte para ser resolvido. Dependendo do grau de endividamento, você terá que:

  • Reduzir o seu padrão de vida;
  • Reduzir a multiplicação do seu patrimônio; ou mesmo
  • Reduzir o seu patrimônio.

Por outro lado, juros altos numa economia facilitam a multiplicação dos investimentos. Sim, pois mesmo com a taxa Selic sendo reduzida, ainda conseguimos investimentos em renda fixa que trarão resultados muito melhores e com mais liquidez do que a poupança ou a LCI/LCA, que em outras épocas reinaram entre as opções de investimento com baixo risco.

Se você achou que este artigo explicou os efeitos das medidas econômicas destacadas de maneira fácil de entender, compartilhe para que ele possa ajudar outras pessoas na organização do planejamento financeiro para 2017!

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1Quem quiser acompanhar as atualizações dessas e de outras medidas pode acessar o site do Palácio do Planalto.

Crédito da imagem: Agência Brasil

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Categorias: Iniciante, Intermediário, Planejamento pessoal, Indicadores econômicos, Economia
  • Kátia Avelar

    Agradeço à Vérios pela parceria. Sucesso à equipe e aos clientes !
    Quem desejar receber um Roteiro “Gratuito” com o que é necessário
    para construir o Planejamento Financeiro 2017, envie e-mail para contato@kavelar.com.br
    Abraços de prosperidade ! 😉

  • Leopoldo Coutinho

    Katia, muito bom artigo. Direto ao ponto. Muito do planejamento financeiro passa pela necessidade de termos consciência de nossos limites e condições. Tenho certeza de que seu texto auxiliará muitas pessoas.

    • Kátia Avelar

      Obrigada, Leopoldo.
      Fico feliz em ler nas suas palavras o propósito deste artigo.É a informação à serviço da consciência e clareza que nos move na busca das melhoria, Vida próspera para você e sua família ! Se desejar conhecer mais do Detox dos Gastos, acompanhe na fanpage https://www.facebook.com/detoxdosgastos/

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