Como economizei para fazer a viagem da minha vida

O Bruno investe com a Vérios. Ele já contou aqui no blog sobre sua decisão de vender o carro para investir o dinheiro. Agora, ele mostra como se planejou para uma viagem incrível. Inspire-se com o relato!

Minha noiva e eu acabamos de voltar de uma viagem de 21 dias pela África do Sul. Cruzamos o país de leste a oeste fazendo safáris, trilhas, tirolesas, passeio de caiaque, bungee jump, degustação de vinhos, de chocolates, visitas a museus, compras e muito mais. Para ter uma viagem tranquila e sem “miserê”, é fundamental ter planejamento. Neste texto conto como fizemos o nosso para poder curtir as melhores férias de nossas vidas sem lá muita moderação.

“Preciso de longas férias”

Faz muitos anos que não tiro mais do que 15 dias de férias. A vida no mundo de startup é bem diferente de ter um emprego mais tradicional. São (muitas) noites sem dormir, trabalho além do horário (e aos fins de semana), necessidade de acelerar e escalar processos, infinitas reuniões e, sim, estresse acumulado.

Nos últimos sete anos da minha carreira eu vivi esse loop insano de trabalho. Abri empresa. Vendi empresa. Entrei como sócio em um projeto, acelerei e vendi a minha parte. Dei consultoria. Depois acabei voltando pro mercado para trabalhar novamente com startups (é muito amor por esse ecossistema). Tudo isso sem parar pra respirar. Sim, eu realmente precisava de umas longas férias para recarregar as baterias. Férias de verdade, sabe? Dias livres de obrigações em que eu não precisasse ficar olhando o e-mail a toda hora.

Mas em 2017 seria diferente, eu já tinha me prometido isso.

O mais importante: ter uma meta clara

Aqui em casa, a gente gosta de planejar. De uma viagem curta no feriadão a uma recepção em casa para os amigos, gostamos de organizar as aventuras em que vamos nos jogar. A vida tem, sim, diversos imprevistos. Muita coisa pode eventualmente não funcionar como a gente imagina, mas ter um pouco de planejamento ajuda a mitigar erros, alinhar expectativas e nos dá uma base de segurança do que esperar.

O mais importante, na minha opinião, é ter uma meta clara. Definimos que neste ano faríamos uma viagem para o exterior de 20 a 25 dias. O destino em si ainda era desconhecido, mas estávamos entre Tailândia e Vietnã ou África do Sul. A gente queria que essas férias tivessem um pouco das coisas que mais gostamos de fazer: esportes, trilhas, aventuras, imersões em outras culturas, comida boa e, claro, o descanso. Finalmente, o merecido descanso!

Alguns amigos nos inspiraram com roteiros e dicas, até porque ambos os destinos nos chamavam a atenção, mas venceu aquele que melhor se encaixava no nosso momento de vida, a África do Sul. Começamos então a estudar mais sobre o país e nos surpreendemos com a riqueza natural e cultural: cumpria todos os critérios que buscávamos com algum grau de excelência. Em maio batemos o martelo. O destino seria a terra do braai1!

Já estávamos economizando para fazer a viagem desde o início do ano. Depois que definimos o destino, começamos pesquisar o que fazer no país dentro do tempo disponível — aqui vale comentar o trabalho incrível que a Tai, minha noiva, fez no planejamento desta trip (e eu ajudei também) usando o conceito de metodologias ágeis. Essa pesquisa prévia definiu o nosso orçamento para a viagem e o quanto precisaríamos apertar o cinto pelos próximos seis meses, antes que a gente entrasse no modo “dane-se tudo, estou de férias!”.

Cortando custos

Já dizia o meu amigo Matheus Flandoli: “Quem converte não se diverte.”

Uma vez viajando, você tem que desencanar dos custos, desde que eles estejam, claro, dentro do seu orçamento.

Viajar é aproveitar as experiências que virão pela frente. Comer em restaurantes legais, tomar drinks diferentes (e as sobremesas?), fazer passeios bacanas etc. Resumindo: para não ter neurose e curtir a viagem numa boa, primeiro fizemos um exercício de economizar, que basicamente é transferir prazeres do presente para prazeres o futuro.

Para ter condições de fazer uma trip como essa, sem massacrar o orçamento mensal e mexer nos investimentos, eu tive de começar com o bem que mais me gerava passivo mensal: o carro.

Venda do carro 🚗 

Há 14 meses, eu contei a saga da venda do meu carro e da compra da Olívia (nome da minha bike). Se você não leu o texto, eu recomendo que leia, para entender como alguns movimentos simples podem gerar uma grande economia no curto e longo prazo.

Mas se você não vai ler o texto agora eu resumo: vendi o carro, investi o dinheiro com a Vérios e acabei economizando R$ 1.181 todos os meses. Além dessa economia, tive uma rentabilidade média de R$ 520 mensais (sim, o poder da diversificação), em cima do valor da venda do possante. Multiplicando esses valores por 14 meses já temos R$ 16.534 de economia com o carro e R$ 7.280 de rentabilidade, totalizando R$ 23.818 de uma grana que até então eu não tinha e acabou “surgindo” na minha conta bancária. Voilà!

Na cozinha 🍴

Além do carro, Tai e eu fizemos alguns outros ajustes na rotina. Olhando a fatura de cartão de crédito, percebemos que os jantares e almoços nos finais de semana já estavam perto dos R$ 1.000 por mês para o casal. O que fazer? Reduzir sem esmagar o prazer que é sair pra comer e encontrar os amigos. Começamos a cozinhar mais e receber os amigos para jantar em casa.

Cozinhar mais acaba gerando mais custos em alimentação, mas não chega nem perto da facada que é comer fora. Nessa brincadeira já foi uma economia de uns 40% da despesa mensal com restaurantes. Fizemos esse corte seis meses antes de viajar e tivemos a economia de cerca de R$ 1.800.

Tabela de economias

Mais transporte público 🚇

Algo que eu particularmente cortei bastante nos últimos meses foi transporte. Notei que as corridas com táxi, Uber, Cabify já beiravam uns R$ 250 mensais no cartão. Abri mão do conforto de ter um carro me pegando na porta de casa e troquei por uma caminhada — ou pedalada — até o metrô.

Para trajetos maiores, a economia é grande. Atravessar a cidade da zona oeste para a zona norte de São Paulo custa em média R$ 90 pelos apps (ida e volta), já de metrô sai por R$ 7,60. Por que às vezes pagar mais de 10 vezes em um trajeto, se você pode se planejar, se esforçar um pouco? Foi o que eu disse lá em cima, são os pequenos confortos do presente sendo transferidos para o futuro.

Comprando moeda 💵 

Uma última dica para quem está se planejando para uma viagem no médio prazo é comprar moeda estrangeira aos poucos. Reserve uma quantia mensal para ir comprando um bocado todo mês. Dessa forma, você adquire a moeda em diversas cotações, evitando pagar um preço muito alto, principalmente em épocas de instabilidade econômica em que o valor da moeda oscila a cada notícia no cenário político-econômico.

Agora é só curtir!

Após 14 meses sem carro e seis meses apertando os cintos com os gastos supérfluos, conseguimos chegar no orçamento idealizado. Não vou dizer que aplicamos a soma de todos os valores economizados na viagem, até porque abrir mão do carro acaba gerando outros custos. Mas gostaria de expor como algumas economias simples podem ter um ótimo resultado e fazer com que você curta de verdade qualquer experiência à qual esteja direcionando sua energia — e suas economias — sem desespero.

Abaixo algumas fotos da nossa viagem, para você ter ideia das coisas legais que a gente viveu, graças ao poder do planejamento financeiro, organização e corte nos gastos supérfluos.

Visitamos centros urbanos, fizemos safáris e nos hospedamos em uma “casa na árvore”.

Obviamente, vimos muitos animais selvagens.

Fizemos trilhas, caiaque e minha noiva pulou do maior bungee jump de ponte do mundo.

A gente come bem, mas também se exercita. Caminhamos pelo terceiro maior cânion do mundo.

Resumindo

Espero que meu texto tenha te ajudado a refletir um pouco sobre o seu padrão de gastos hoje. Se você tem uma meta bem definida, sempre dá tempo de começar. No nosso caso, abrimos mão dos pequenos luxos do dia a dia — andar de carro importado, comer bastante fora e usar excessivamente os apps de mobilidade — para termos “luxos” diferentes enquanto estávamos de férias, além da enorme quantidade de benefícios que uma vida menos ligada a bens materiais acaba proporcionando. O mais legal deste processo é que não precisamos fazer resgates dos nossos investimentos para o futuro — aposentadoria, por exemplo — para viver o momento presente.

E você, tem alguma meta pessoal de médio prazo? Conte nos comentários o que você achou da minha experiência e como você está pensando em realizar seu sonho.

Até a próxima!

Artigo originalmente publicado no LinkedIn.

1Braai é um tipo de churrasco tradicional na África do Sul.

Como economizei para fazer a viagem da minha vida
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Categorias: Iniciante, Intermediário, Avançado, Planejamento pessoal, Cansou de ler sobre investimentos?
  • Maxwel De Oliveira Figueiredo

    Que pena q ter e manter um carro seja algo tão caro 🙁
    Tenho reservado o valor da aquisição de um carro para um objetivo futuro q aínda não sei bem qual é, mas sei q fazer uso desse valor agora não é uma boa escolha.