Como ganhar a Copa? A partir das estatísticas e da economia

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É impossível saber quem será o campeão da Copa do Mundo de Futebol, por mais que um amigo seu, por exemplo, tenha certeza de que sabe. Mesmo assim, temos uma forte sensação de que países como Argélia, Honduras e Suíça não serão vitoriosos e o título provavelmente fique entre Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha… Mas por que achamos isso?

Buscando entender a concentração das estrelas de mundiais nas camisas de determinados países, coletamos informações do estudo publicado pelo pelo economista Stefan Szymanski e o jornalista britânico Simon Kuper no livro “Soccernomics”.

A partir da análise das variáveis PIB, população, participações em copas e sedes do evento, eles discutiram os motivos para a Inglaterra não ter conquistado mais taças da Copa do Mundo, além de 1966, que ganhou jogando em casa.

Vale lembrar que correlação não implica em causalidade, mas é um bom começo para fazermos a análise. Além disso, cabe destacar que a escala dessas variáveis não é linear. Ou seja, ter o dobro de população não dobra sua chance de vencer, apenas aumenta essa chance.

Veja abaixo como as variáveis nos oferecem subsídios para ajudar a explicar essa história.

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O que impulsiona o campeão?

Sediar o evento

Em geral, os campeões seguem um padrão. Todos os vitoriosos, até a última edição da Copa do Mundo, sediaram o torneio em algum momento. Jogar em casa tem o mesmo efeito estatístico de sair ganhando de 1×0 em duas a cada três partidas. Isso ocorre devido a vários fatores de difícil mensuração. Por exemplo: o time de casa está menos cansado, pois viajou pouco ou nem viajou. Ou ainda, na dúvida, o juiz marca um pênalti para o time que a torcida apóia. O mesmo caso vale para impedimentos, faltas e expulsões. Essa situação se torna o que podemos chamar de profecia auto-realizável: como o time local tende a vencer mais, o adversário já começa a partida com um esquema defensivo, na retranca. Enquanto isso, a equipe da casa vem com uma postura mais ofensiva e, consequentemente, pode fazer mais gols.

Olhando o gráfico, é interessante destacar que, embora o Brasil seja superior ao Uruguai, isso não quer dizer que o time brasileiro vencerá todas – apenas que vamos vencer mais. Às vezes, a partida que a equipe canarinho perderá pode ser exatamente o jogo final do campeonato. Detalhe: mesmo jogando em casa.

Participações em Copas

A experiência de uma seleção é coletiva. O que significa isso? Neymar jogou com Robinho. Esse, por sua vez, atuou com Ronaldo, que anteriormente participou de uma equipe com Zico que tinha jogado com Rivellino, que fez parte do time de Pelé em 1970. Ainda que não seja perfeita essa passagem histórica, as experiências são transferidas de um para outro. Vale, ainda, a pergunta: em geral, quem está mais nervoso em final de copa, um jogador que atua pela quarta vez no torneio ou um estreante? Conforme o estudo, tais fatores são muito fortes e a exceção também confirma a regra. Por exemplo, os países integrantes da ex-União Soviética e Iugoslávia possuem desempenho melhor do que o esperado, tendo em vista que, de certa forma adquiriram experiência enquanto unificados.

Fatores PIB e população

Essas duas variáveis – Produto Interno Bruto (PIB) e população do país – são menos importantes em relação aos demais. Mesmo assim, geralmente ter uma economia grande e sólida permite que mais pessoas se dediquem ao esporte. Claro que nem todos os países direcionam seus investimentos esportivos para o futebol. Contudo, quanto maior o poder econômico, em geral, maior é a probabilidade de existir estrutura capaz de formar talentos no esporte e, consequentemente, garantir bons resultados em campeonatos.

Os grandes esportistas também têm maior probabilidade de aparecer quando são originários de um país populoso. Isso, combinado com uma boa estrutura econômica, pode gerar uma relação direta entre população e desempenho. Nesse caso, entretanto, China e Índia – duas nações muito populosas – seriam casos que fogem à regra, ou seja, pontos fora da curva, pois acabam não direcionando muitos recursos ao futebol.

Olhando para o gráfico, com exceção do Uruguai, todos os países que já foram vencedores têm população acima de 40 milhões de habitantes. Além disso, no ranking das maiores economias do mundo (medição a partir do PIB), ocupam as seguintes posições: Alemanha (4ª), França (5ª), Reino Unido (6º), Brasil (7º), Itália (9ª), Espanha (13ª) e Argentina (26ª) – o Uruguai novamente aparece como ponto fora da curva em 77º.

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