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24 de junho de 2015 Ultima atualização: 19 de outubro de 2018

Como investir no exterior com ETFs de bolsa americana

Conheça a história do Marcelo, um investidor que resolveu investir no exterior e descobriu que não é tão simples assim e entenda como funcionas as ETFs de bolsa americana.

24 de junho de 2015

Recentemente, mais um cliente nos procurou querendo investir no exterior – vamos chamá-lo de Marcelo. Nós já havíamos notado que o interesse por esse tipo de investimento havia crescido bastante, por diversos motivos.

O cenário político conturbado, a desaceleração econômica nacional e a perda de valor do real em relação ao dólar foram os principais catalisadores desse processo. Muitos investidores ficaram inseguros com as condições do país e resolveram buscar alternativas em “moeda forte”.

Porém, o caso de Marcelo teve desdobramentos marcantes. Vamos explicar um pouco da dificuldade que ele enfrentou tentando acessar o mercado norte-americano do modo tradicional – talvez seja um aprendizado para você não acabar na mesma situação que ele. Em seguida, você vai ver como os ETFs de bolsa americana no mercado brasileiro tornaram muito mais simples diversificar com investimentos no exterior sem ter que mandar dinheiro para fora.

O que aconteceu com Marcelo

Como na ocasião não trabalhávamos como esse tipo de operação, Marcelo foi ao banco onde tinha atendimento na área private. A gerente abriu sua conta numa filial do banco nos Estados Unidos, enviou dois milhões de dólares e… “sumiu”: não sabia como orientá-lo no próximo passo, e não sabia conectá-lo com ninguém no banco que pudesse fazê-lo.

Uma vez que o dinheiro estava nos Estados Unidos, Marcelo ainda precisava definir onde investir e ficou completamente sozinho. Voltou a nos procurar pedindo orientação, mas o novo investimento, dentro do banco, estava fora da nossa alçada. Um assessor americano lhe enviou dezenas de opções de fundos, sem maiores explicações sobre os riscos, custos, tributação.

Nós recomendamos que ele procurasse o serviço de investimento automatizado oferecido pelo Wealthfront.com. Ele entrou em contato, mas foi informado que, por não possuir uma identidade americana (social security number) e um endereço de residência permanente, não poderia fazer uso do serviço.

Enfim, depois de deixar o dinheiro parado por mais de dois meses, Marcelo acabou escolhendo um fundo que lhe pareceu OK, sem muita análise. Foi uma péssima experiência.

Casos como esse não são raros. Uma matéria publicada na Folha de S. Paulo em 2014 (Investimento fora do Brasil é caro e requer cuidados extras, 22/09/2014) resumiu as dificuldades para esse tipo de investimento, que muitas vezes inviabilizam a operação.

Em geral os custos, a burocracia operacional de cadastro, câmbio, declaração anual de investimento no exterior e tributação são impeditivos. Uma vez superada a red tape, vem a parte mais difícil: em que aplicar? Não são pequenos os desafios que o investidor enfrenta para investir fora do Brasil.  Mas há formas mais fáceis de fazer isso.

A bolsa americana dentro da bolsa brasileira

Hoje, é possível investir em uma cesta de ações das principais empresas negociadas nas bolsas de valores norte-americanas, com exposição à variação do dólar, utilizando um veículo muito mais simples e barato: um ETF de S&P 500, negociado no Brasil.

Já existem na Bovespa dois ETFs que cumprem esse papel: o iShares S&P 500 da BlackRock (IVVB11) e o It Now S&P 500 do Itaú (SPXI11). Ambos acompanham o índice Standard & Poor’s 500, que representa as 500 maiores empresas negociadas na NYSE ou na NASDAQ, por valor de mercado.

Como funciona investir no exterior via ETFs

Eles já foram tema de um artigo aqui na Vérios, falamos o que são ETFS, o funcionamento e mostramos que podem ter um importante papel num plano de investimento de longo prazo. Entre as vantagens estão a conveniência, eficiência de custos e transparência que tais ativos oferecem.

Simule seus investimentos

Com ETFs de S&P 500, é possível investir em ações de empresas americanas sem burocracia. Você não precisa abrir conta no exterior, fechar contrato de câmbio, enviar dinheiro para fora do país, informar Banco Central etc.

Basta abrir uma conta em qualquer corretora no Brasil e comprar o ETF pelo home broker, em reais, como se fosse uma ação de uma empresa brasileira negociada na BM&F Bovespa.

A cotação e a negociação são em reais, mas atenção: você passa a estar exposto à oscilação das 500 empresas listadas no S&P 500 mais a oscilação do câmbio entre real e dólar.

Existe, porém, uma barreira à compra desses ETFs: pela própria complexidade da posição (500 empresas, câmbio, mercado externo), eles são reservados apenas para investidores que se declarem qualificados. Com a nova Intrução CVM nº 554 de 2014, que passou a vigorar a partir de 1º de outubro de 2015, essa restrição deixa de existir caso você invista contando com o serviço de um gestor de recursos, como a Vérios. (Clique para simular um plano de investimento que inclui o investimento em bolsa americana.)

Mais um mercado para diversificação

A diversificação entre classes de ativos descorrelacionadas (sujeitas a riscos distintos entre si) é um dos principais motivos a justificar a inclusão das bolsas de valores americanas em uma carteira de investimentos.

São empresas líderes em setores de ponta da economia mundial, com fontes de receita não concentrada em setores, regiões ou países. O valor de mercado de todas as companhias que integram o índice soma aproximadamente US$ 19,5 trilhões. Essas 500 empresas valem mais de oito vezes o PIB anual do Brasil.

Para integrar o índice S&P 500, há uma série de critérios a serem alcançados. Dentre eles, as empresas precisam ter valor de mercado superior a US$ 4,6 bilhões e mais de 50% das ações em poder do público para negociação. Para fins de comparação, a Natura possui valor de mercado próximo a US$ 4 bilhões.

Entre as empresas com maior participação no índice S&P 500, estão: Apple (4,02%), Exxon Mobil (2%), Microsoft (1,93%), Johnson & Johnson (1,53%) e a empresa de Warren Buffet, a Berkshire Hathaway (1,47%)1. Há outras 495 grandes companhias, como Google, GE, Coca-Cola, Disney, JP Morgan, Pfizer e Nike compondo este índice. Comprar um ETF de S&P 500 é investir nessa cesta de ações.

Estrutura: ativo alvo

Os dois ETFs em questão, para acompanhar um índice de mercado estrangeiro, compram cotas de fundos negociados na bolsa americana. Ou seja, o ETF brasileiro compra cotas de um ETF americano. Esse ETF americano é chamado de ativo alvo, pois é o alvo final do seu investimento no ETF brasileiro.

O iShares S&P 500 da BlackRock possui como fundo de índice alvo o IVV, enquanto o It Now S&P 500 do Itaú investe no SPY, ambos negociados na NYSE.

Quando você compra ou vende cotas desses ETFs na bolsa brasileira, todas as operações de integralização ou resgate, conversão de câmbio e liquidação financeira internacional são efetuadas entre os agentes autorizados, administradores, gestores e as respectivas bolsas de valores envolvidas, no caso a BM&F Bovespa e a NYSE.

Custos

Assim como qualquer tipo de investimento, você precisa entender também os custos. Ao investir em ETFs, você vai incorrer em custos de administração, transacionais e de manutenção.

Os custos de administração máxima dos dois ETFs disponíveis no Brasil é de apenas 0,27% ao ano. Isso já inclui os custos de aquisição e manutenção dos ETFs alvo, no exterior.

Os transacionais são aqueles que ocorrem quando você compra ou vende os ETFs – são as taxas de corretagem. Lembre-se de que esses custos incidem todas as vezes que você comprar ou vender, por isso é importante não ficar girando a posição: compre e mantenha uma quantidade adequada ao seu perfil de risco, focado no longo prazo.

Já os custos de manutenção estão relacionados à custódia dos ativos em carteira. Tanto os custos transacionais quanto os de custódia variam de acordo com a corretora que você escolher.

Tributação

Os ETFs são tributados com a alíquota de 15% sobre o ganho de capital. Eles não contam, porém, com o limite de isenção de IR para negociações de pessoas físicas de até R$ 20 mil por mês, como acontece com os investimentos diretos em ações.

Liquidez

Os ETFs possuem a mesma liquidez de uma posição comum em bolsa: venda imediata e liquidação financeira em 3 dias úteis. Além disso, contam com a figura do formador de mercado, que é responsável por dar liquidez ao ativo. Então, mesmo quando um ETF é novo e possui poucos investidores, a liquidez não é um problema.

Dividendos

Os dividendos, bem como outros rendimentos relativos às ações da carteira, são reinvestidos automaticamente pelo administrador do fundo de índice alvo.

Compare e entenda as diferenças

Por fim, preparamos uma tabela comparativa entre os dois ETFs de S&P 500 disponíveis no Brasil, para ajudá-lo a entender as diferenças entre eles.

ETFs de bolsa americana disponíveis no Brasil

ETFiShares S&P 500 (IVVB11)It Now S&P 500 (SPXI11)
GestorBlackRockItaú Unibanco
AdministradorCitibankItaú Unibanco
Taxa de adm. máxima0,27% a.a.0,27% a.a.
Moeda de compraRealReal
BenchmarkS&P 500S&P 500
Formador de mercadoCredit SuisseCredit Suisse
Fundo de índice alvoIVVSPY
CNPJ19.909.560/0001-9117.036.289/0001-00

Se você busca diversificar seus investimentos com uma parcela de ETFs de bolsa americana, conheça a carteira inteligente da Vérios. Simule seu investimento agora e descubra o percentual desse investimento recomendado para o seu perfil.

1Dados obtidos na lâmina do IVVB11, na página do ETF no site da BlackRock, com data de 28/02/2015.

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Autores

Ávila é cofundador da Vérios e consultor de investimentos com a certificação CFP®

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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