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21 de Fevereiro de 2014 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Como o Facebook inventou dinheiro para contratar outros Mark Zuckerberg

21 de Fevereiro de 2014

Quase todas as notícias sobre a aquisição do WhatsApp pelo Facebook estão questionando o preço atribuído pelas partes à empresa adquirida. A maioria apenas ressalta que 19 bilhões de dólares parece um valor excessivo por uma companhia com baixíssimo faturamento. Mas há vários aspectos do negócio que podem justificar esse preço.

WhatsApp é um mero aplicativo para celulares. Ele permite que seus usuários troquem mensagens de texto, voz, imagem e vídeo pelo smartphone, usando apenas a conexão de internet, sem pagar pelo envio de cada mensagem. O aplicativo pode ser baixado e utilizado gratuitamente por um ano. Após esse período, o custo é uma assinatura de apenas 99 centavos de dólar por ano.

Cada usuário do WhatsApp custou USD 42,22 ao Facebook, mas gera apenas USD 0,99 ao ano

A maioria dos questionamentos envolve contas superficiais sobre quanto cada usuário do WhatsApp custou ao Facebook (42 dólares, de acordo com esse infográfico publicado pelo Tecmundo), ou quanto tempo o Facebook levaria para recuperar o investimento no WhatsApp.

A questão central (e cheia de ramificações) que muitos esquecem é que o Facebook não comprou um aplicativo. Ele comprou uma empresa.

Como “o” Mark Zuckerberg contrata “um” Mark Zuckerberg?

Todas as grandes empresas precisam de empreendedores para criar novos serviços, funcionalidades e modelos de negócios. Essa necessidade é ainda mais acentuada em empresas inovadoras e de tecnologia como o Facebook, onde um atraso em antecipar a próxima novidade pode significar uma enorme perda de mercado.

Mas onde Mark poderia ir para contratar empreendedores? Essas pessoas não costumam enviar currículos, nem participar de processos seletivos. Esses empreendedores quase sempre estão… empreendendo.

O WhatsApp tem 55 funcionários, sendo apenas 32 engenheiros. É uma equipe extremamente pequena para um aplicativo com mais de 450 milhões de usuários (crescendo cerca de 1 milhão de novos usuários ao mês). 

O sistema que eles desenvolveram gerencia quantidades estratosféricas de dados, diariamente, com qualidade, velocidade, simplicidade.

A única forma de trazer para sua empresa uma equipe que funciona, brilhante, com profissionais dedicados, inteligentes e capazes como essa, é comprar a empresa da qual eles fazem parte.

O Facebook não pagou por um aplicativo; pagou para absorver uma equipe brilhante

E para a equipe do WhatsApp, qual a vantagem? Primeiro, eles deixam de ter que lidar diariamente com questões administrativas, passando a se dedicar integralmente ao negócio. A empresa ainda recebe um aporte financeiro, criando condições de executar projetos que eram considerados inviáveis com o orçamento anterior. E, claro, os sócios e funcionários colocaram algum dinheiro no bolso, o que não deve ter sido ruim pra eles.

A moeda de troca não foi dinheiro

Apesar da impressionante cifra estar estampada em todas as notícias, esse acordo não foi negociado em dólares. As pessoas têm o hábito de atribuir valor financeiro a tudo, pois nós só estamos acostumados a negociar com moedas. Mas esse caso é diferente.

A discussão girou em torno de uma pergunta: o valor do WhatsApp corresponde a quantos porcento do valor do Facebook?

O primeiro passo foi definir que o WhatsApp vale aproximadamente 10% do Facebook. Essa proporção leva em conta diversas informações confidenciais e planos para negócios futuros, aos quais não temos acesso. Depois, considerando que o Facebook hoje vale cerca de 170 bilhões de dólares, atribuiu-se o valor de 16 bilhões ao WhatsApp, mais 3 bilhões de dólares em ações do Facebook a serem atribuídas à equipe do WhatsApp ao longo dos próximos 4 anos.

A maior parte do preço foi pago em forma de troca: ações do WhatsApp por ações do Facebook

Se você acha que esse preço é absurdo, talvez o foco de sua crítica deva ser o valor que o mercado atribui ao Facebook. Se as ações do Facebook valessem metade do preço atual, provavelmente o WhatsApp teria sido vendido pela metade do seu preço em dólares (porém no mesmíssimo preço em percentual do Facebook).

O próprio pagamento não foi em dinheiro. “Apenas” 4 bilhões de dólares foram pagos em dinheiro, o restante do preço sendo pago em forma de troca: ações do WhatsApp por ações do Facebook.

O Facebook pode inventar dinheiro

É interessante notar que o Facebook desembolsou apenas 4 bilhões para comprar uma companhia avaliada muito acima dessa cifra. De que forma? Emitindo novas ações do Facebook e pagando a conta com esses papéis.

Se o Facebook acredita que suas ações estão valorizadas, faz mais sentido pagar com ações do que usar dinheiro. Isso cria um benefício concreto para empresas com ações valorizadas. Elas podem emitir novas ações para comprar outros negócios que sejam de seu interesse. Isso causa a diluição dos acionistas existentes, mas eles passam a ser donos de uma empresa maior.

Empresas bem administradas e eficientes podem crescer quase indefinidamente pela emissão de novas ações. Desde que elas tenham capacidade de gerenciar e gerar valor com as novas equipes e negócios incorporados, não há limites para emitir ações e portanto não há limites de orçamento. O único preço a pagar é a diluição, mas ela pode ser um bom negócio para todos.

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21 de Fevereiro de 2014
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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