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6 de outubro de 2014 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Consequências de viver até os 150 anos

6 de outubro de 2014

Enquanto a população se torna mais longeva, as taxas de natalidade são cada vez menores. Isso é um bom sinal, resultado do desenvolvimento e melhoria das condições de vida. Mas o fato também carrega problemas do ponto de vista econômico. Como a previdência pagará mais aposentadorias arrecadando menos? Você já está se preparando para isso?

A primeira pessoa a chegar aos 150 anos de idade provavelmente já nasceu. Assim prevê o cientista inglês Aubrey de Grey, especialista em envelhecimento humano. Essa afirmação coloca em perspectiva o aumento da expectativa de vida em todo o mundo.

Segundo o Banco Mundial, a média mundial da expectativa de vida ao nascer passou de 52 anos, em 1960, para 70, em 2012. No Brasil, evoluiu de 54 para 73 anos no mesmo período.

Os dados representam uma evolução louvável do ponto de vista do desenvolvimento socioeconômico e melhoria das condições de vida da população. Mas não há bônus sem ônus: a perspectiva de viver até os 150 anos traz grandes desafios à economia. E possivelmente ao seu bolso e aos dos seus filhos e netos.

Como o envelhecimento da população impacta a previdência social

Em regimes públicos de previdência social, trabalhadores da chamada população economicamente ativa (PEA) pagam contribuições que servem para custear os benefícios concedidos àqueles que já se aposentaram.

Enquanto a PEA for suficientemente superior em relação ao número de aposentados, esse sistema funciona bem. No entanto, o efeito do prolongamento da expectativa de vida conduz justamente ao desequilíbrio dessa relação.

Com o envelhecimento da população, o gasto com aposentadorias cresce. Por outro lado, a queda da taxa de natalidade pode indicar uma menor arrecadação da previdência no futuro

Contribui para isso outro efeito demográfico que ocorre no Brasil e na maioria dos países do mundo: a queda da taxa de natalidade. Por aqui, a média de filhos por mulher caiu de seis, em 1960, para um número que não chega a dois, em 2012.

Com isso, se por um lado há redução de despesas com educação e outras economias relacionadas, por outro não podemos deixar de considerar a redução gradativa no número de trabalhadores que irão contribuir para a previdência no futuro. Essas contas irão fechar?

Como abordamos em outro artigo, ao que tudo indica muitos dos trabalhadores que hoje contribuem com o teto à previdência irão aposentar-se com um valor equiparável ao salário mínimo.

Uma releitura da pirâmide etária

Nesse cenário de aumento da população idosa e queda da natalidade, a clássica pirâmide etária deixa de guardar qualquer relação de semelhança com uma pirâmide. Veja no gráfico abaixo uma forma alternativa à pirâmide etária, que mostra não apenas o retrato estático de um determinado ano, mas sim todo o histórico e a projeção futura, o que permite apresentar a evolução demográfica ao longo do tempo:

Gráfico de linhas alternativo à pirâmide etária
Projeção da distribuição etária da população brasileira entre 2000 e 2060

No gráfico, desenvolvido pela equipe da Vérios, cada linha que compõe a malha representa uma faixa etária. O eixo vertical apresenta a participação percentual de cada uma delas na população, enquanto o eixo horizontal mostra a passagem do tempo. Enquanto as faixas etárias mais jovens declinam, as mais velhas desenham uma trajetória oposta, por isso as linhas se entrelaçam. Os dados são do IBGE.

Em 2060, cerca de 35% da população brasileira terá mais de 60 anos de idade. Suas aposentadorias serão financiadas por contribuições de um contingente de trabalhadores que ainda serão maioria na população, mas que representam uma proporção bem menor em relação à situação atual.

A projeção do IBGE indica que, em 2060, a população idosa brasileira terá quase o mesmo tamanho da população economicamente ativa

Cabe observar que toda projeção está sujeita a falhas. Diversos fatores podem influenciar a distribuição etária da população brasileira no futuro. A imigração, por exemplo, pode compensar a baixa na taxa de natalidade.

Da mesma maneira, as regras da previdência podem mudar novamente. Ainda não estão claros quais serão os resultados da reforma previdenciária realizada no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A idade mínima para aposentadoria e o tempo de contribuição mínimo podem mudar. Gastos públicos, como os investimentos em infraestrutura, podem ser reduzidos no futuro, o que permitiria que tais recursos fossem utilizados para cobrir o déficit da previdência. Todas essas projeções, apesar de incertas, são possibilidades razoáveis. Você já está se preparando para elas?

Planejamento

O investidor prudente (e previdente) precisa tomar uma decisão no presente diante desse futuro incerto. Por isso, é essencial planejar hoje a aposentadoria para reduzir a dependência da previdência pública.

São vários os mecanismos para financiar a sua aposentadoria. O mais importante é ter planejamento, diversificando sua carteira de investimentos e adequando-a ao seu perfil e objetivos de longo prazo. A tarefa parece árdua, mas pode ser muito mais fácil – até mesmo mais barata – se você buscar apoio em serviços de investimento práticos, de baixo custo e com uma metodologia de investimento reconhecida.

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6 de outubro de 2014
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Autores

Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

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