Consistência dos fundos de investimento

Durante sua existência, os fundos passam por fases boas e fases ruins. Por isso, quando procuramos um investimento, não faz sentido avaliar apenas aqueles que obtiveram o melhor resultado no ano passado. Não existe nenhuma garantia de que esses serão os melhores fundos para os próximos 12 meses.

Para a maioria das pessoas, faz mais sentido um investimento que frequentemente supera um benchmark (CDI ou Ibovespa, por exemplo), do que um investimento que esteve no topo dos rankings de 2014 e apresentou um resultado ruim em 2015.

Foi por isso que, desde a primeira versão do Comparação de Fundos, optamos por divulgar um índice chamado de consistência. Esse indicador não é comum ou frequente no mercado financeiro, mas nós acreditamos que ele torna mais fácil separar os bons gestores daqueles que simplesmente correm mais risco, ficando às vezes no topo e às vezes por baixo.

Para calcular a consistência, nós avaliamos quantas vezes o fundo superou o benchmark em períodos de 1 ano. Porém, não ficamos presos somente ao ano-calendário, aquele que começa em janeiro e termina em dezembro. Nosso cálculo utiliza todos os períodos de 1 ano contidos na existência do fundo, da seguinte maneira:

Quando o fundo completa 1 ano, temos o primeiro período. No dia seguinte, retiramos o primeiro dia e incluímos o dia mais recente. Assim, temos um segundo período. No dia seguinte, retiramos o segundo dia do fundo e incluímos de novo o dia mais recente, resultando em mais um período de 1 ano. E assim sucessivamente.

Esquema visual da base para determinação da consistência dos fundos de investimento

O resultado disso é que, em menos de 2 anos, já temos uma amostragem de mais de 300 períodos de 1 ano. Assim, calculamos em quantos por cento desses períodos o fundo superou o benchmark, e exibimos esse percentual como índice de consistência.

Analisar a consistência é importante porque o gráfico de rentabilidade só mostra o resultado obtido por quem investiu no primeiro dia da existência do fundo – ou seja, quase ninguém.

Em resumo

A consistência é relevante porque indica qual a probabilidade histórica de o fundo superar o benchmark, em um período aleatório de 1 ano. Ou seja, qual seria a probabilidade de o fundo ter gerado valor adicional para você, acima do benchmark, para um investimento realizado em um dia aleatório.

Dicas práticas para avaliar a consistência de um fundo

Em geral, quanto maior a consistência, melhor o fundo. Mas há exceções.

Consistência de 100%

É raro encontrar um fundo com esse desempenho. Podem ser boas opções, mas tenha cuidado: fundos de crédito privado, que apresentam um risco sem volatilidade, costumam aparecer com 100%. Fundos muito novos também podem ter 100%, devido ao histórico curto.

Consistência acima de 50%

São os que conseguem agregar valor na maior parte do tempo.

Consistência abaixo de 50%

São os que geralmente não conseguem agregar valor acima do benchmark.

Consistência de 0%

Normalmente são fundos referenciados ao benchmark, que nunca o superam, por causa dos custos. Alguns rendem constantemente perto do benchmark e podem não ser opções ruins; outros, porém, possuem taxas elevadas que prejudicam gravemente a rentabilidade. Para diferenciar, verfique a rentabilidade relativa.

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Felipe é cofundador e CEO da Vérios. Atuou por 7 anos como agente de investimento credenciado pela CVM e Ancord e cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil de fundos de investimento. Felipe é advogado pela USP e especialista pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.