Será que você precisa de uma consultoria de investimentos? Neste artigo, explicamos o escopo de trabalho do consultor, os benefícios para o investidor e as limitações da sua atuação. Falamos também sobre a consultoria online de investimentos, uma forma de atender que está revolucionando o mercado de investimentos no Brasil e no exterior.

O que é a consultoria de investimentos

O consultor de investimentos é o profissional responsável por orientar os clientes em suas decisões de investimento. Ele deve usar seus conhecimentos técnicos e práticos para avaliar os objetivos, expectativas e necessidades de cada cliente visando desenvolver e apresentar estratégias de investimento adequadas ao perfil do cliente.

Por isso, a consultoria de investimentos envolve, de um lado, as atividades de avaliação dos ativos financeiros e, de outro, a avaliação também das características dos clientes. Assim, o consultor pode chegar a uma recomendação de carteira, composta por produtos e estratégias adequadas ao investidor.

A consultoria de investimentos envolve a análise de ativos financeiros e suas características (como risco, liquidez e expectativa de retorno) associadas ao perfil e objetivos de quem está investindo (idade, patrimônio, renda, conhecimento de mercado e tolerância a risco).

O grande valor do serviço de consultoria é seu caráter independente. Como o mercado financeiro tradicional pode apresentar muitas armadilhas para o investidor pessoa física, contar com um especialista isento pode fazer diferença, principalmente se você não tem tempo ou paciência para cuidar dos seus investimentos com a atenção que o assunto merece.

O grande valor da consultoria é o seu caráter independente, que visa proteger o investidor contra as armadilhas existentes num mercado repleto de asteriscos e letrinhas miúdas

Além disso, mesmo que você entenda bastante de investimentos, uma consultoria bem feita proporciona um olhar externo que aumenta sua segurança para tomar decisões de investimento e minimiza os riscos de cometer erros que possam lhe custar caro.

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O que esperar de um consultor de investimentos?

Ao contratar uma consultoria de investimentos, você pode esperar um diagnóstico inicial dos seus investimentos, a otimização da sua carteira e o acompanhamento periódico dela.

1. Diagnóstico inicial

O consultor deve ser capaz de apontar falhas na composição atual da sua carteira de investimentos, indicando possíveis caminhos para corrigi-las. Os problemas mais comuns são:

  • Concentração excessiva em um determinado ativo ou classe de ativos
  • Investimento em produtos com custos elevados
  • Investimento em produtos inadequados ao perfil do investidor
  • Redundância de posições (fundos de instituições diferentes, mas com alta correlação entre os ativos investidos)
  • Contradição de posições (fundos com operações antagônicas: um comprado e outro vendido no mesmo ativo)

Se sua carteira estiver bem estruturada, valorize a sinceridade do consultor em reconhecer isso. É uma opinião profissional. Em alguns casos, a escolha correta é continuar como está.

2. Otimização da carteira de investimentos

Ao identificar as falhas em sua carteira, uma consultoria deve buscar otimizá-la, reduzindo riscos e ineficiências. Para isso, o consultor deve sugerir uma composição diversificada em ativos de classes diferentes, com características complementares, com segurança e custos baixos.

O trabalho de otimização pode ser baseado apenas na percepção e experiências do consultor, ou pode ser construído em cima de uma metodologia objetiva. O uso de uma metodologia técnica e isenta é o modelo que acreditamos ser o mais adequado, principalmente num mercado como o nosso, onde os papéis e incentivos de cada profissional nem sempre estão claros.

3. Acompanhamento periódico

O trabalho da consultoria não termina com a recomendação da carteira adequada. É necessário um acompanhamento periódico para rebalanceamento e revisão.

No rebalanceamento, o consultor deve lhe orientar a vender um pouco dos ativos que mais se valorizaram e comprar um pouco mais dos que se desvalorizaram ou se valorizaram menos, para voltar à configuração planejada da carteira.

Leia também: Rebalanceamento da carteira de investimentos: o que você precisa saber

Na revisão, ele deve atualizar as suas informações pessoais porque, assim como os ativos mudam de preço, você também muda de perfil com o passar dos anos.

Gerentes de banco e assessores NÃO são consultores

Esse é um ponto importante, e nunca é demais enfatizá-lo.

No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é responsável pelo credenciamento de consultores. Gerentes de banco e assessores (agentes autônomos de investimentos) não são consultores de investimento.

Os gerentes de contas e os agentes autônomos de investimento, em geral, são mais próximos dos produtos do que dos clientes: sua principal função é vender; sejam investimentos, seguros, empréstimos, financiamentos ou planos de capitalização.

Contar com o gerente da sua agência bancária para cuidar dos seus investimentos é como esperar que um atendente da farmácia faça sua avaliação cardíaca no balcão e recomende o remédio adequado. Assim como o gerente do banco, ele tem um papel ligado à venda do produto, e não ao diagnóstico do cliente, tampouco está autorizado a receitar o medicamento.

Contar com o gerente do seu banco para cuidar dos seus investimentos é como esperar que um atendente da farmácia faça sua avaliação cardíaca no balcão e receite o remédio adequado

Os agentes autônomos (muitas vezes chamados de assessores) são contratados por corretoras e administradoras com a função de distribuir (vender) produtos financeiros. Existem aqueles que investem em estudo, especialização, e trabalham com uma grande gama de produtos, de diferentes instituições, focados nas necessidades dos clientes.

Mas, verdade seja dita, muitos assessores são movidos por comissões, limitando-se a repetir aos clientes a campanha feita pela instituição contratante em torno de produtos que pagam as maiores comissões. O grande impulso que os fundos imobiliários tiveram em 2012 se deu em grande parte devido ao incentivo financeiro na distribuição, assim como já aconteceu com muitos outros investimentos da moda.

Ao ser atendido por um agente de investimentos ou assessor, o cliente precisa ter clareza de que está falando com um vendedor, e não com um consultor

Importante ressaltar também que, pela regulamentação da CVM, os agentes autônomos não podem ser remunerados diretamente por você, apenas via comissão dos produtos que distribuem, o que também levanta a bandeira amarela sobre o potencial conflito de interesses.

Leia também: Como reconhecer o conflito de interesses

Nada disso significa que os agentes ou assessores necessariamente façam um trabalho ruim, ou que você deve desconsiderá-los. Eles são úteis na divulgação e no acesso aos produtos de investimento, mas o cliente deve ter clareza de que está falando com um vendedor, e não um consultor.

O conflito de interesses pode existir sem ser um problema: basta ser claramente comunicado e explicado, para que o cliente e o assessor possam juntos mitigá-lo. O problema é fingir que esse conflito não existe.

Ficou clara a diferença entre consultor, gerente do banco e assessor de investimento? O caráter independente do primeiro é um grande diferencial, mas isso não significa que o modelo de consultoria esteja livre de limitações.

Limitações do modelo tradicional de consultoria de investimentos

1. Impossibilidade de entregar uma solução com comodidade

Embora os consultores possam fazer diagnósticos e recomendações, eles não podem entregar a solução completa para o cliente, pois a regulamentação da CVM não autoriza que eles mesmos executem a estratégia recomendada ao cliente, comprando e vendendo os ativos. Nesse caso, há três caminhos possíveis:

  • O próprio cliente corre atrás de cada produto recomendado;
  • O cliente procura um assessor (agente autônomo de investimento) vinculado a uma corretora para realizar a compra dos produtos recomendados pelo consultor;
  • O consultor encaminha o cliente a uma gestora de investimentos que oferece acesso aos produtos via fundos ou carteira administrada.

Isso pode mudar um pouco a partir de 2016, pois a nova Instrução CVM 558, que entra em vigor em 04/01/2016, permite que os gestores de investimento prestem também os serviços de consultoria. Assim, a CVM decidiu abrir espaço para um novo tipo de consultor-gestor, que diagnostica, recomenda e executa o planejamento do cliente.

2. Cobrança de honorários

Uma segunda limitação são os honorários cobrados pela consultoria de investimentos. Uma consultoria verdadeiramente isenta, ou seja, desvinculada de qualquer interesse financeiro que não seja o seu melhor interesse, precisa cobrar honorários. Contratar um consultor qualificado pode fazer com que você incorra em custos equivalentes ou superiores aos de um médico ou advogado. Para fugir desse custo, muitos clientes acabam ficando sem consultoria.

3. Subjetividade

E a terceira limitação da consultoria de investimentos tradicional é a subjetividade, característica de qualquer serviço que dependa fortemente de pessoas. Quando você conversa com um consultor, expõe suas vulnerabilidades, expectativas e percepções. Se por um lado isso é importante que ele lhe conheça bem, por outro isso pode enviesar as respostas que ele deveria lhe dar de forma técnica.

Já ouvimos de alguns consultores que não adianta discordar do cliente. Com essa justificativa, alguns acabam confirmando opiniões equivocadas, simplesmente para não perder o cliente.

Se isso não parece tão errado, imagine que você está consultando um advogado pra mover um processo judicial. Ele sabe que suas chances de êxito são muito pequenas (ou nulas), mas percebe que você tem expectativas equivocadas sobre o possível resultado. Ele pode ser mais firme em lhe alertar de que você terá gastos desnecessários, ou ele pode atender sua vontade e seguir em frente na aventura jurídica, cobrando honorários para tocar o processo.

Na primeira hipótese, ele agiu corretamente e ficou sem os honorários. Na segunda, ele não foi ético, mas faturou. Qual postura você esperaria do advogado? E do consultor?

A ascensão das consultorias online de investimentos

Nos Estados Unidos, por exemplo, o modelo de consultoria pessoal é difundido há décadas. Toda família ou indivíduo de classe média tem acesso a um consultor, a quem eles chamam de advisor. No Brasil, devido aos custos, esse serviço em geral é restrito a pessoas ou famílias que precisem gerenciar fortunas e recorrem às empresas que aqui são conhecidos como family offices.

Entretanto, a tecnologia e a internet estão superando as limitações do modelo tradicional de consultoria de investimentos, provocando uma verdadeira revolução nesse mercado com a ascensão dos robo-advisors, ou consultores-robô.

A tecnologia e a internet estão superando as limitações da consultoria tradicional, provocando uma verdadeira revolução nesse mercado com a ascensão dos robo-advisors

Também conhecidos como serviços de gerenciamento automático de investimentos, as novas consultorias online agregam o trabalho do advisor e também a gestão de investimentos, proporcionando, assim, uma solução completa para o cliente. É o caso da Vérios.

Na prática, funciona assim: diferentemente de um consultor que escuta e anota informações em uma folha de papel ou em uma planilha, seus dados (como aplicação inicial, idade, tolerância a risco) são enviados por uma página na internet.

O algoritmo – ou consultor-robô – determina, em poucos segundos, a alocação adequada para seus investimentos, com base em uma metodologia de diversificação definida pela equipe de gestores e programada nos algoritmos da empresa. A maioria dos robo-advisors elimina a subjetividade, utilizando uma metodologia reconhecida com o Prêmio Nobel da Economia, a Teoria Moderna do Portfólio.

Como o processo não é manual, os honorários despencam. Um advisor tradicional nos Estados Unidos cobra cerca de 1,00% ao ano para orientar e gerir o patrimônio do cliente, enquanto os robo-advisors cobram a partir de 0,25% ao ano. A esses valores, nos dois casos, somam-se os custos individuais de cada produto recomendado.

Os principais serviços de investimento automatizado disponíveis hoje para quem reside nos Estados Unidos são oferecidos pelas empresas Wealthfront e Betterment

Para finalizar

O mercado de investimentos é enorme e as dificuldades e inseguranças dos investidores também. Espero que este artigo tenha ajudado você a entender um pouco mais sobre o serviço de consultoria de investimentos, suas características, benefícios e fragilidades.

A consultoria online já é uma realidade no exterior, à qual pessoas já estão confiando bilhões de dólares em troca de um serviço sofisticado, prático e barato. Estamos vivendo uma revolução que irá resultar em redução de custos, aumento da transparência e melhores serviços para o cliente final, que é o que realmente importa.

Você sabia que a Vérios é uma gestora de investimentos credenciada na CVM e isso inclui também a função de consultoria de investimentos? Trabalhamos de forma alinhada, construímos uma carteira de investimentos que atenda às suas necessidades, e praticamos uma política de custos justa e transparente. Para saber a carteira que recomendamos para o seu perfil, responda algumas perguntas e simule seu investimento agora mesmo.

Para saber como ajudamos você a investir melhor, assista ao vídeo abaixo:

 

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Consultoria de investimentos: o que é e como funciona
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