Crise na Europa: uma explicação objetiva

Na semana passada, a revista The Economist publicou um gráfico que ilustra, de maneira interessante, uma das principais razões por trás da crise na Europa. Os dados revelados trazem conclusões esclarecedoras, e também uma visão otimista para o nosso país.

A explicação do cenário pré-crise é simples, os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) viviam (e ainda vivem) com um nível de riqueza acima do que seus recursos permitem.

À primeira vista o gráfico pode parecer confuso, porém é fácil compreendê-lo. Diversos detalhes foram extirpados e apenas duas variáveis são consideradas, revelando a relação entre elas:

  • Quanto mais para cima no gráfico, maior a riqueza per capita; e
  • Quanto mais para a direita, mais competitivo é o país.

A competitividade é medida levando em consideração diversos fatores, como o grau de escolaridade da população e qualificação da mão-de-obra, o custo da energia, a complexidade burocrática e tributária, a disponibilidade e qualidade da infra-estrutura, entre outros. São fatores que permitem o desenvolvimento econômico e atraem empresas, gerando riqueza e empregos.

Não foi à toa que o pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff antes do feriado de 7 de setembro de 2012 foi sobre esse tema. A Presidente ressaltou a importância da COMPETITIVIDADE para sustentar o crescimento brasileiro. (Veja o vídeo ou leia o texto do pronunciamento.)

A crise é apenas um reajuste de riqueza dos países europeus que viviam bem acima do seu grau de competitividade

O que a Presidente brasileira e a revista inglesa estão dizendo é claro: existe uma relação direta entre competitividade e riqueza de uma nação. Quanto mais competitivo o país, mais oportunidades e empregos são criados e, portanto, mais riquezas são geradas.

No gráfico da The Economist, a linha vermelha mostra o nível médio de riqueza que cada país deveria ter, segundo a sua competitividade. Exceto por alguns países pequenos que não foram nomeados no estudo, apenas dois tipos de países possuem mais riqueza do que a sua competitividade permite. Esses países se destacam acima da linha vermelha. São eles:

  • Países com grande produção de petróleo, que adquirem riqueza pela exportação da commodity; e
  • Países do PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). Justamente os países em crise.

Em grande medida, a crise é apenas um reajuste de riqueza desses países europeus que viviam bem acima do seu grau de competitividade. Eles estão perdendo suas empresas para países mais competitivos. Seus empregos estão migrando para outros lugares, principalmente China, Malásia, Taiwan, Coréia do Sul, Singapura; mas também para a Alemanha e os Estados Unidos, que têm menos riqueza do que deveriam pelo nível de competitividade (ainda que tenham bastante).

É claro que a explicação da crise é muito mais complexa e passa por outras questões que foram e estão sendo amplamente abordadas pela mídia. Não queremos entrar em muitos detalhes, apenas destacar essa questão interessante, que foi pouco comentada.

Com tudo o que vemos hoje, é de se esperar que os filhos dos italianos e espanhóis tenham uma vida mais dura que a de seus pais, enquanto os filhos de chineses, indianos, tailandeses e brasileiros provavelmente terão uma vida melhor que a da geração anterior.

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Categorias: Economia
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Cofundador da Vérios e diretor de Estratégia de Investimento. Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science, mas pode chamá-lo de "Father of Algorithms" :)

Felipe é cofundador e CEO da Vérios. Atuou por 7 anos como agente de investimento credenciado pela CVM e Ancord e cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil de fundos de investimento. Felipe é advogado pela USP e especialista pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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