Derivativos: entenda o que são essas aplicações financeiras

Derivativos: o que são e como funcionam

Diariamente, os veículos de comunicação especializados em economia e finanças noticiam a cotação dos chamados contratos futuros de diversos ativos, desde moedas como o dólar até commodities, caso do petróleo. Mas afinal, o que isso significa? Tais instrumentos são conhecidos como derivativos. Complicou?

Em outras palavras, os derivativos são aplicações financeiras cujo preço de mercado deriva (daí vem o nome) do comportamento de determinado ativo, incluindo ações, dólar ou commodities. Na prática, o valor dos derivativos depende do valor do ativo de referência negociado no mercado à vista.

Exemplo: o mercado futuro de petróleo é uma modalidade de derivativo, cujo preço decorre dos negócios realizados no mercado à vista de petróleo. Assim também se comportam os contratos futuros de café, milho, soja etc. Entre os derivativos financeiros, podemos destacar os contratos futuros de juros (DIs) e contratos futuros de dólar comercial.

A negociação dos derivativos ocorre, principalmente, nas bolsas – BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Vale destacar que, mesmo após a fusão entre as duas, originando a BM&FBovespa, cada bolsa continuou responsável por realizar os negócios que lhe cabem. Ou seja, você não verá compra e venda de ações na BM&F, que é focada em mercadorias e futuros. Assim como esses ativos não serão negociados na Bovespa.

O mercado de derivativos costuma ser classificado, principalmente, em operações de mercado a termo, mercado futuro, opções e swaps. Saiba como funciona cada tipo de instrumento:

Mercado a termo

Entre os derivativos negociados na bolsa, o mercado a termo é o mais simples de entender. Funciona assim: duas partes assumem um compromisso de compra ou venda de certa quantidade de um bem (mercadoria ou ativo financeiro), por um preço fixado na data de realização do negócio, para negociação em uma data futura. A liquidação só ocorre de maneira integral no vencimento do contrato.

Vamos a um exemplo: um investidor decide comprar a termo uma ação da Vale, no período de um mês (ou 30 dias) a um preço definido previamente. Assim como ele assumiu um compromisso de comprar o papel, a outra parte que aceitou a negociação tem a obrigação de vender a ação nesse prazo.

Mercado futuro

O mercado futuro funciona de maneira parecida com o mercado a termo. O investidor se compromete a comprar ou vender determinada quantia de um bem (mercadorias ou ativos financeiros) por um preço fixado para a liquidação em uma data futura.

No mercado futuro, é possível vender um contrato antes mesmo do vencimento, o que não dá para ser feito em operações no mercado a termo, por exemplo. Além disso, há ajuste diário do valor dos contratos, mecanismo que apura perdas e ganhos. Na prática, se o investidor vendeu um contrato e o preço teve alta, ele terá de fazer um depósito para compensar o prejuízo da posição assumida.

Opções

Investir em opções significa possuir um contrato com o direito de comprar ou vender um ativo (ações e moedas, por exemplo) a um determinado preço em uma data futura também pré-estabelecida. Ou seja, negocia-se no mercado financeiro o direito da operação de compra ou venda de um bem a um preço estabelecido no momento da realização do contrato.

As opções costumam ser usadas por investidores que aplicam em ações como uma maneira de proteger seus papéis contra eventuais perdas devido às tradicionais oscilações dos ativos no mercado de renda variável. Leia mais sobre o funcionamento das opções neste texto.

Swaps

No mercado de swaps, negocia-se a troca de rentabilidade entre dois bens, sejam mercadorias, sejam ativos financeiros. Isso é feito por meio de um contrato, que nada mais é que um acordo entre duas partes, estabelecendo a troca de fluxo de caixa a partir da comparação de retorno entre dois ativos.

Para ficar mais claro, veja um exemplo: considere um contrato de swap de ouro VS taxa de prefixada. Se, no vencimento do contrato, a valorização do ouro for menor que a taxa prefixada (pactuada previamente) negociada entre as partes, quem comprou taxa prefixada e vendeu ouro receberá a diferença. Caso a rentabilidade do ouro seja superior à taxa prefixada, a parte que comprou ouro e vendeu taxa prefixada ficará com a diferença. A liquidação, assim como nas operações a termo, ocorre integralmente no vencimento.

Vantagens e riscos

O uso de derivativos está associado a uma série de pontos positivos, mas o investidor iniciante (e mesmo quem tem mais experiência no mercado) também deve se atentar aos riscos embutidos em determinadas operações com esses instrumentos financeiros.

Proteção (hedge):

Uma das principais vantagens de operar derivativos é o chamado “hedge”, ou seja, a proteção do investidor contra variações adversas de taxas de juros (no caso de contratos futuros DIs), moedas (como o dólar) ou preços (de produtos agrícolas, por exemplo, café). Na prática, esse tipo de operação de proteção significa ter uma posição oposta à assumida no mercado à vista, de modo a minimizar o risco de perdas decorrentes das flutuações de preços.

Alavancagem:

Os derivativos também possibilitam alavancar uma posição. Trocando em miúdos, com esses instrumentos, o investidor pode negociar a compra de um ativo com menos recursos do que se fosse realizar a transação no mercado à vista. Por exemplo, se o investidor acredita em um movimento de alta do mercado de ações, é possível aplicar nos contratos futuros do Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) ou em opções de ações, em vez de investir em papéis no mercado à vista. Como dá para notar, esse tipo de operação pode aumentar a rentabilidade dos investimentos a um custo mais baixo, mas também eleva a possibilidade de perdas. É simples: quanto maior a chance de retorno, maior o risco.

Arbitragem:

Esse tipo de operação tem como objetivo aproveitar a diferença de preços de um mesmo produto ou ativo negociado em mercados diferentes. É possível arbitrar entre vencimentos futuros distintos (operação de spread) ou por meio de combinações entre duas ou mais opções do mesmo tipo, com preços de exercício diferentes. Diferentemente do especulador, quem faz arbitragem tem suas posições travadas em dois segmentos de mercado, o que dilui um pouco o risco.

Especulação:

A especulação nada mais é do que tomar uma posição no mercado futuro ou investir em opções sem uma posição que tenha correspondência no mercado à vista. O objetivo é operar uma tendência de preços do mercado, tendo como preocupação a alavancagem do capital. Por isso, o investidor assume riscos bem elevados, apesar da expectativa de obter maior ganho.

Risco elevado

Resumindo: da mesma forma que ações, os derivativos podem funcionar como instrumentos para maximizar o retorno, porém as operações embutem maior risco. Quando feitas apenas de olho na expectativa de rentabilidade mais elevada, essas aplicações podem ser muito prejudiciais ao investidor.

Por isso, todo cuidado é pouco. Antes de “mergulhar” nesse oceano, procure conhecer profundamente os aspectos apresentados no texto, pois o mar está cheio de tubarões.

Derivativos: entenda o que são essas aplicações financeiras
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Categorias: Intermediário, Avançado, Tipos de investimentos
  • Eric Santos

    É verdade que dá para acompanhar a negociação via home broker dos juros futuros ?

    • Danylo Martins

      Oi, Eric. Obrigado pelo comentário! Consultei um economista especializado em investimentos para responder sua pergunta. Segundo ele, é possível, sim, acompanhar a negociação dos juros futuros negociados na BM&FBovespa pelo home broker que você usa. Basta procurar por DI Futuro e o vencimento que quiser. Por exemplo, 2020, 2023 ou agosto/2017 no caso dos contratos futuros de prazo mais curto. Abraços.

  • Alberto Tavares

    Muito boas as explicações. Apontou para mais um caminho de estudos.

    saudacoes
    educacaomaisinvestimento.blogspot.com.br