Diversificação de investimentos: o que você precisa saber

Carteira de investimento diversificada

“Tenha uma carteira de investimentos diversificada.” Esse é um mantra muito utilizado por profissionais sérios do mercado financeiro. Afinal, diversificar é um dos pilares para a construção de um patrimônio de longo prazo.

Apesar disso, nem todos entendem bem o que é diversificação de investimentos, como fazer na prática e por que se preocupar com isso. Neste artigo, vamos explicar o que você precisa saber para viver em paz com os seus investimentos.

O principal motivo para diversificar

O principal motivo para você diversificar é otimizar a sua carteira de investimentos. Como? O mercado é imprevisível, mas a diversificação permite que você dilua sua exposição aos diferentes tipos de risco existentes, ao mesmo tempo em que se expõe a oportunidades de ganho financeiro variadas. O resultado final é uma carteira que colhe os resultados das classes de renda variável, mas sofre menos com a volatilidade de seus ativos.

“The only investors who shouldn’t diversify are those who are right 100% of the time.”
Sir John Templeton

Uma carteira muito concentrada em renda fixa corre o risco de ter uma rentabilidade muito abaixo da necessária para assegurar a tranquilidade do investidor no longo prazo – e você só percebe isso quando já é tarde demais.

Já a concentração excessiva em ativos de renda variável traz consigo a alta volatilidade desses mercados, que causa desconforto à grande maioria dos investidores e pode resultar em perdas significativas.Banner 1

Há quem tente ficar acertando o momento certo de entrar e sair da renda variável, o que chamamos de market timing. Esse investidor acredita que pode migrar para a renda variável quando o mercado subir e migrar para a renda fixa quando o mercado cair. O problema é que vários estudos mostram que acertar esse movimento sempre é impossível, e os erros trazem consequências desastrosas.

É por isso que o caminho do meio é o mais recomendável. O investidor que está sempre posicionado em diversos mercados ganha um aliado: o rebalanceamento. Ao contrário do market timing, o rebalanceamento não é um exercício de futurologia. Ele é sempre feito com base nos acontecimentos passados, com dados já conhecidos e certos.

Ao contrário do market timing, o rebalanceamento não é um exercício de futurologia

Uma boa metodologia de rebalanceamento fará com que você reduza suas posições nos ativos que se valorizaram e aumente suas posições nos ativos que se desvalorizaram. A sensação pode parecer esquisita (vender parte do que está indo bem e comprar mais do que está indo mal), mas os resultados no longo prazo são comprovados.

Em resumo, diversificar é expor-se a riscos e oportunidades diferentes, proporcionados por diferentes mercados, e a melhor aliada da diversificação é uma boa metodologia de rebalanceamento.

Esteja preparado para os ciclos econômicos

Observe este ranking das estratégias de investimento com maior rentabilidade entre 2004 e 2014:

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Você consegue adivinhar quais serão os melhores investimentos de 2017? E de 2018, 2019?

A economia funciona em ciclos. Em um momento, os juros podem estar elevados e o preço das ações e dos imóveis em baixa. A inflação pode subir e o Real desvalorizar-se, e vice-versa. É impossível antecipar esses movimentos com segurança.

Com uma carteira diversificada, você ganha tranquilidade e segurança para não ter que se preocupar tanto com as oscilações do mercado

Se algum consultor lhe disser que sabe um movimento futuro de algum mercado, fuja! Ou, melhor, diga a ele para pegar o máximo que puder em empréstimos e investir tudo na classe que ele está recomendando… Se ele tivesse certeza do que diz, essa seria uma jogada segura e lucrativa.

Mas se você prefere não arriscar o seu patrimônio dessa forma, o melhor caminho é montar uma carteira de investimentos distribuída de forma equilibrada, de acordo com sua expectativa de risco e retorno. Isso lhe trará mais tranquilidade e segurança para não ter que se preocupar tanto com essas oscilações dos mercados, que vão continuar acontecendo.

Cuidado com a falsa sensação de diversificação

Muita gente pensa que diversificar é investir com vários bancos, corretoras e assessores. Você também pensa assim? Um erro muito comum é investir com diferentes instituições, mas aplicando em ativos financeiros que têm as mesmas características. Fazendo isso, é bem possível que você tenha a sensação de estar diversificando, mas na verdade seu risco continua concentrado.

Em vez de distribuir seu patrimônio em diferentes instituições, preocupe-se em distribui-lo em diferentes classes de ativos

Quer um exemplo? Se você tem fundos de renda fixa DI em diferentes bancos ou gestoras independentes, você está exposto ao mesmo risco em todos. Ou seja, você teve trabalho e dor de cabeça para distribuir seus investimentos, mas diversificação que é bom… nada.

Sabe o comportamento do “colecionador de fundos”? Também é uma armadilha. Parece diversificação, mas não é. Ter vários fundos com comportamento semelhante pode significar que grande parte dos ativos da sua carteira são idênticos (têm alta correlação). E, sem saber exatamente onde os fundos estão investindo, você não tem nem como conferir.

O jeito certo de diversificar

O primeiro passo para diversificar sua carteira de investimentos é selecionar classes de ativos que representem de forma abrangente alguns setores da economia, como juros, inflação e ações. Outras classes de ativos que podem ser usadas são os mercados imobiliário e externo. Aqui na Vérios, estamos trabalhando com juros prefixados, juros pós-fixados, inflação, bolsa brasileira e bolsa americana.

Uma dúvida comum que surge nessa hora é: por que escolher ativos que representam de forma abrangente cada classe de ativos, e não escolher apenas alguns papéis ou produtos dentro de cada classe?

Primeiro, temos o custo. É muito mais díficil e trabalhoso escolher ativos individuais. É fácil decidir que é necessário estar exposto a ações, por exemplo. Mas para escolher somente algumas delas, seria necessário estudar profundamente as centenas de opções existentes e manter-se sempre atualizado sobre o que acontece com todas as empresas. Ainda assim, seria necessário contar com um bom elemento de sorte, afinal, várias informações sobre essas empresas estão fora do alcance dos gestores, e chegam à mídia da noite pro dia, de surpresa.

O maior responsável pela performance total de uma carteira é a classe à qual cada ativo pertence, e não o ativo em si

Além disso, todo esse trabalho tem pouca eficácia. A Vanguard, uma das maiores gestoras do mundo (com mais de três trilhões de dólares sob gestão), publicou um whitepaper interessante no ano passado, chamado Principles for Investing Success, que mostra claramente, com base em diversos outros estudos: a metodologia de alocação entre mercados é responsável por cerca de 88% do resultado de uma carteira. Apenas 12% podem ser atribuídos à escolha dos ativos dentro de cada classe.

Vamos pensar juntos: escolher entre alocar em ações ou em um título de renda fixa pós-fixado é uma decisão com muito mais peso do que decidir em qual ação ou qual título você irá investir. Isso acontece porque os ativos dentro de uma mesma classe se comportam de forma parecida. Por exemplo, quando o mercado de ações está em alta, isso significa que várias ações individuais também estão em alta, o que dispensa a escolha de uma única ação para captar o movimento.

Com tudo isso, você pode estar se perguntando: meu perfil é conservador, preciso mesmo investir em ações? Sim, você precisa. Ter ações na carteira é a única forma de capturar no longo prazo o crescimento das principais empresas do Brasil, aquelas que mais contribuem para que o país seja hoje a sexta maior economia do mundo.

“Meu perfil é conservador, preciso mesmo investir em ações?” Sim, precisa

É também a presença de alguns mercados com volatilidade, como o de ações e os ativos de inflação, que vai permitir que você faça um rebalanceamento eficiente na carteira, realizando ganhos sistematicamente, de forma planejada, sem ter o trabalho de ficar migrando seus investimentos como um todo ou desfigurando sua alocação de recursos.

O que vai determinar seu perfil mais conservador ou agressivo é o percentual de alocação nessas classes de ativos. Quanto menor for a sua tolerância a riscos, menor deverá ser a proporção de renda variável em sua carteira.

Por fim, mas não menos importante: atente para o gerenciamento dos custos dos seus investimentos. Procure buscar veículos de baixo custo, como títulos públicos e ETFs. Reduzir custos é a única maneira garantida de aumentar a sua rentabilidade.

Encontre o mix perfeito para você

Como vimos, a diversificação não vai blindá-lo totalmente contra variações negativas de seus investimentos, mas vai livrá-lo de um risco desnecessário da concentração em uma única estratégia.

Dessa forma, ela é capaz de protegê-lo contra variações acentuadas de um único ativo ou mercado, e lhe permite participar dos diferentes ciclos econômicos, sem necessidade de ficar migrando entre eles. Com isso, você pode alcançar paz de espírito nesse vaivém da economia.

O próximo passo é definir qual o mix de ativos que funciona melhor para você. Para evitar decisões tomadas com base em “achismos” e recomendações furadas, é importante seguir alguma metodologia comprovada para orientar a alocação correta entre os ativos. No serviço de investimento automatizado, por exemplo, a metodologia mais adotada no mundo todo é a Teoria Moderna do Portfólio, reconhecida com o Prêmio Nobel de Economia.

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Simule seu investimento com a Vérios para conhecer nossa proposta de diversificação na prática.

Diversificação de investimentos: o que você precisa saber
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Categorias: O que você precisa saber, Intermediário, Aposentadoria, Planejamento pessoal, Plano de investimento
  • moacir

    ótima colocação, perfeito o artigo. Mas não dá para negar, até pq contra fatos não há argumentos……. em uma década…. os fundos de inflação são os campeões…….campeão em cinco anos e vice em outros 3…… não é pouca coisa….

    • É, Moacir. O ranking foi feito com a variação do IMA-B (e não com os fundos de inflação), mas sim, na última década a inflação foi alta.
      E o que podemos concluir disso para o ano que vem? Se a inflação subiu muito na última década, será que existe alguma tendência de subir em 2016? Será que existe tendência de cair? Será que devemos investir pesado em inflação agora?

  • Fernando

    Pena que a maioria dos investidores só conseguem comparar o retorno da carteira com o CDI ou poupança nos últimos 12 meses.

    • É verdade.

      Mas o problema não é só dos investidores. O problema começa na indústria financeira. A solução também pode começar.

      Durante muito tempo (décadas), essa comparação fazia algum sentido. Num país com hiperinflação e juros estratosféricos, o CDI e a poupança eram referências como “custo de oportunidade de ficar parado”. Esse cenário mudou, mas as pessoas demoram a entender que o CDI e poupança não deveriam ser referência para investimentos. Agora, a Selic subiu, mas a poupança já perde para a inflação. A forma de encarar o custo de oportunidade vai mudar nos próximos anos, mas o mercado precisa começar a ensinar corretamente. Não adianta reclamarmos do CDI como referencial, e continuarmos apresentando as opções de investimento usando “percentual do CDI” nos materiais, concorda?

      Na sua empresa, existem esforços de educação do investidor no sentido de abandonar o CDI? Como tem sido a resposta dos investidores?

  • ana

    “Diversificação é uma proteção contra a ignorância e não faz muito sentido para aqueles que sabem o que estão fazendo.”
    ―Warren Buffett
    Frase para discussão… Fica a dica.

    • Isabella Paschuini

      Mais uma frase do Buffett pra discussão, Ana:

      “The goal of the non-professional should not be to pick winners – neither he nor his ‘helpers’ can do that – but should rather be to own a cross-section of businesses that in aggregate are bound to do well.”

    • Olá, Ana. O próprio Buffett também defende a diversificação para o investidores não-profissionais, conforme a frase citada pela Isabella. A questão é que ele, como gestor profissional e de dedicação integral, prefere conhecer muito bem algumas poucas empresas, investir nelas, fazer parte da administração do negócio e ganhar mais pela concentração do risco (e dos ganhos) em poucos lugares.
      Quem souber investir tão bem quanto o Buffett, não precisa diversificar. =)
      Os outros, por favor, não cometam o erro de ficar concentrados nas ações de uma empresa só…

  • Louis Allanic

    Prezados, por favor, queria algumas dúvidas quanto à maravilhosa imagem que compara investimentos nos últimos 11 anos (2004/2014): Os quadrados verdes se referem a investimentos remunerados pela inflação, (IPCA ou IGPM), como o Tesouro IPCA+juros ?

    Os quadrados cinzas, onde se lê somente Tesouro, se refere a qual título do Tesouro, o que remunera Selic, o pré-fixado ou o IPCA+ ?

    Os quadrados vermelhos, onde aparece somente a palavra Fundos, se refere aos tradicionais fundos de investimentos ? Como eles tem um gama vasta de produtos, qual seria o indexador básico, e/ou aqui tomado como referência para a remuneração desses fundos, porque me parecem ter comparto próximos aos CDI’s (verdes). Obrigado !! Louis Allanic

    • Louis Allanic

      Perdão: onde se lê “comparto” era pra ser comportamento. Teclado com problemas, me desculpem!

    • Olá, Louis! Tudo bem?

      O gráfico interativo estava com um pequeno defeito de formatação, os quadrados não estavam cabendo todos na tela. Já corrigimos, veja se agora melhorou. Com relação à sua pergunta, os índices utilizados foram; CDI, IMA-B, PTAX, IBOV, IFMM, Poupança velha, IRFM.

      > CDI, principal indicador usado para calcular os juros de CDB, LCI, LCA e outros
      > IMA-B, índice dos títulos públicos federais atrelados à inflação, calculado pela ANBIMA
      > PTAX, a taxa média apurada com base nas operações realizadas no mercado de câmbio
      > Índice Bovespa, composto pelas ações mais negociadas da bolsa de valores nos últimos 12 meses
      > IFMM, índice de fundos multimercados calculado pelo banco BTG Pactual
      > Poupança com a regra antiga, mais vantajosa que a atual, calculada pela Taxa Referencial (TR) + 0,5% ao mês
      > IRF-M, Índice dos títulos públicos federais de renda fixa prefixada, calculado pela ANBIMA

      Abs!

  • Alex

    A partir de quanto devo considerar incluir renda variável na carteira?

    • Alex,
      Depois de formar sua reserva de segurança. A reserva de segurança deve ficar em renda fixa, priorizando liquidez e segurança. O valor da reserva deve ser de 3 a 6 meses o seu custo de vida mensal.
      Abs!

  • Maysa

    Para renda fixa, vale a pena adquirir CDBs atrelados ao ipca (ex: ipca + 7% vencimento 2020) pensando em diversificar em um cenário de queda de juros futuros?

    • Oi, Maysa. Se a queda de juros continuar, ela vai beneficiar quem estiver posicionado em IPCA + ganho real. Se houver um “repique” para cima, prejudica esses papéis.

      Porém, esse percentual (7%) me pareceu um pouco alto. Quem é o banco emissor? Para pegar um papel de 3 anos, voc6e precisa ter confiança de que a instituição vai quebrar, para você não ter dor de cabeça. Geralmente os bancos que estão com saúde financeira mais frágil precisam pagar uma taxa mais alta para atrair investidores, porém a segurança do investimento é menor.

      Outro ponto é a diversificação. Precisa ver quais outros investimentos você tem na carteira, e as quantidades de cada um. Um investimento como esse não serve para reserva de segurança, então você precisa ter uma renda fixa atrelada à Selic ou CDI antes de colocar dinheiro nesse outro CDB.

      • Maysa

        O que seria esse “repique para cima”?

        Este é do Banco BMG. Seria considerado de risco? Já possuo TD Ipca e prefixado, além de outros investimentos atrelados ao CDI, sem comprometer a reserva de segurança.

        Fiz a simulação de carteira de vocês e achei muito boa, traduzindo e consolidando realmente o meu momento atual (A melhor que já vi. Estão de parabéns!), não sendo ainda indicado adentrar ao mercado de Ações, então para diversificar pensei em balancear Selic/CDI x IPCA + juros. Meu raciocínio está correto?

        • Sim, o raciocínio faz sentido. Aqui na Vérios diversificamos em Selic, prefixado e IPCA. Quando a carteira chega em determinado tamanho, incluímos bolsa brasileira e bolsa americana também. E fazemos tudo para você automaticamente, você só precisa se preocupar em poupar. O resto é com a gente.

          Repique pra cima é se subirem os juros de novo. Existe a tendência de queda no longo prazo, sim, mas essas coisas são cercadas de incertezas. Já existia tendência de queda em 2008, quando estavam em 13,75% ao ano, e de fato os juros caíram bastante. Chegaram a 8,75% em 2009. Mas depois subiram de novo até 12,50% em 2011 e caíram a 7,25% em 2013. Em 2016 chegaram de novo em quase 15% e agora estão caindo outra vez. São ciclos da economia, acontecem. Dá uma olhada no histórico recente: http://arte.folha.uol.com.br/graficos/UuNyB/?

          É por isso que não adianta confiar nas “tendências”. Tendência é uma palavra que significa: “muitos acham que sim, mas pode ser que não, talvez aconteça, mas ninguém garante, talvez não aconteça… quem sabe?”

          Abs!

  • Luiz

    Prezados, tenho uma dúvida. Porque vocês não investem em outros tipos de ativos, tais como os Fundos Imobiliários. Acredito que possa ser uma boa maneira de aumentar a diversificação, diminuindo a volatilidade da carteira.

    Obrigado

    • Isabella Paschuini

      Oi, Luiz! Tudo bem?

      Aqui é a Isa da Vérios.

      Nós até gostaríamos de incluir algum representante da classe imobiliária, mas temos alguns critérios para escolher os ativos. Esbarramos principalmente na liquidez dos fundos imobiliários e no fato de eles serem muito correlacionados com a bolsa brasileira…

      Abraços,
      Isa