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13 de Maio de 2015 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Diversificação de investimentos: o que você precisa saber

13 de Maio de 2015

“Tenha uma carteira de investimentos diversificada.” Esse é um mantra muito utilizado por profissionais sérios do mercado financeiro. Afinal, a diversificação de investimentos é um dos pilares para a construção de um patrimônio de longo prazo.

Apesar disso, nem todos entendem bem o que é diversificar uma carteira de investimentos, como fazer na prática e por que se preocupar com isso. Neste artigo, vamos explicar o que você precisa saber para viver em paz com os seus investimentos.

O que é diversificar? E o principal motivo para isso

O principal motivo para você diversificar é otimizar a sua carteira de investimentos. Como? O mercado é imprevisível, mas a diversificação permite que você dilua sua exposição aos diferentes tipos de risco existentes, ao mesmo tempo em que se expõe a oportunidades de ganho financeiro variadas. O resultado final é uma carteira que colhe os resultados das classes de renda variável, mas sofre menos com a volatilidade de seus ativos.

“The only investors who shouldn’t diversify are those who are right 100% of the time.”
Sir John Templeton

Uma carteira muito concentrada em renda fixa corre o risco de ter uma rentabilidade muito abaixo da necessária para assegurar a tranquilidade do investidor no longo prazo – e você só percebe isso quando já é tarde demais.

Já a concentração excessiva em ativos de renda variável traz consigo a alta volatilidade desses mercados, que causa desconforto à grande maioria dos investidores e pode resultar em perdas significativas.

Há quem tente ficar acertando o momento certo de entrar e sair da renda variável, o que chamamos de market timing. Esse investidor acredita que pode migrar para a renda variável quando o mercado subir e migrar para a renda fixa quando o mercado cair. O problema é que vários estudos mostram que acertar esse movimento sempre é impossível, e os erros trazem consequências desastrosas.

É por isso que o caminho do meio é o mais recomendável. O investidor que está sempre posicionado em diversos mercados ganha um aliado: o rebalanceamento. Ao contrário do market timing, o rebalanceamento não é um exercício de futurologia. Ele é sempre feito com base nos acontecimentos passados, com dados já conhecidos e certos.

Ao contrário do market timing, o rebalanceamento não é um exercício de futurologia

Uma boa metodologia de rebalanceamento fará com que você reduza suas posições nos ativos que se valorizaram e aumente suas posições nos ativos que se desvalorizaram. A sensação pode parecer esquisita (vender parte do que está indo bem e comprar mais do que está indo mal), mas os resultados no longo prazo são comprovados.

Em resumo, diversificar é expor-se a riscos e oportunidades diferentes, proporcionados por diferentes mercados, e a melhor aliada da diversificação é uma boa metodologia de rebalanceamento.

Esteja preparado para os ciclos econômicos

Observe este ranking das estratégias de investimento com maior rentabilidade entre 2008 e 2017:

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Você consegue adivinhar quais serão os melhores investimentos de 2018? E de 2019?

A economia funciona em ciclos. Em um momento, os juros podem estar elevados e o preço das ações e dos imóveis em baixa. A inflação pode subir e o Real desvalorizar-se, e vice-versa. É impossível antecipar esses movimentos com segurança.

Com a diversificação de investimentos, você ganha tranquilidade e segurança para não ter que se preocupar tanto com as oscilações do mercado

Se algum consultor lhe disser que sabe um movimento futuro de algum mercado, fuja! Ou, melhor, diga a ele para pegar o máximo que puder em empréstimos e investir tudo na classe que ele está recomendando… Se ele tivesse certeza do que diz, essa seria uma jogada segura e lucrativa.

Mas se você prefere não arriscar o seu patrimônio dessa forma, o melhor caminho é montar uma carteira de investimentos distribuída de forma equilibrada, de acordo com sua expectativa de risco e retorno. Isso lhe trará mais tranquilidade e segurança para não ter que se preocupar tanto com essas oscilações dos mercados, que vão continuar acontecendo.

Cuidado com a falsa sensação de diversificação de investimentos

Muita gente pensa que diversificar é investir com vários bancos, corretoras e assessores. Você também pensa assim? Um erro muito comum é investir com diferentes instituições, mas aplicando em ativos financeiros que têm as mesmas características. Fazendo isso, é bem possível que você tenha a sensação de estar diversificando, mas na verdade seu risco continua concentrado.

Em vez de distribuir seu patrimônio em diferentes instituições, preocupe-se em distribui-lo em diferentes classes de ativos

Quer um exemplo? Se você tem fundos de renda fixa DI em diferentes bancos ou gestoras independentes, você está exposto ao mesmo risco em todos. Ou seja, você teve trabalho e dor de cabeça para distribuir seus investimentos, mas diversificação que é bom… nada.

Sabe o comportamento do “colecionador de fundos”? Também é uma armadilha. Parece diversificação de investimentos, mas não é. Ter vários fundos com comportamento semelhante pode significar que grande parte dos ativos da sua carteira são idênticos (têm alta correlação). E, sem saber exatamente onde os fundos estão investindo, você não tem nem como conferir.

Leia também: 6 comportamentos financeiros que você deveria abandonar

O que é a diversificação de investimentos feita do jeito certo

O primeiro passo para a diversificação de investimentos é selecionar classes de ativos que representem de forma abrangente alguns setores da economia, como juros, inflação e ações. Outras classes de ativos que podem ser usadas são os mercados imobiliário e externo. Aqui na Vérios, estamos trabalhando com juros prefixados, juros pós-fixados, inflação, bolsa brasileira e bolsa americana.

Uma dúvida comum que surge nessa hora é: por que escolher ativos que representam de forma abrangente cada classe de ativos, e não escolher apenas alguns papéis ou produtos dentro de cada classe?

Primeiro, temos o custo. É muito mais díficil e trabalhoso escolher ativos individuais. É fácil decidir que é necessário estar exposto a ações, por exemplo. Mas para escolher somente algumas delas, seria necessário estudar profundamente as centenas de opções existentes e manter-se sempre atualizado sobre o que acontece com todas as empresas. Ainda assim, seria necessário contar com um bom elemento de sorte, afinal, várias informações sobre essas empresas estão fora do alcance dos gestores, e chegam à mídia da noite pro dia, de surpresa.

O maior responsável pela performance total de uma carteira é a classe à qual cada ativo pertence, e não o ativo em si

Além disso, todo esse trabalho tem pouca eficácia. A Vanguard, uma das maiores gestoras do mundo (com mais de três trilhões de dólares sob gestão), publicou um documento interessante, chamado Principles for Investing Success, que mostra claramente, com base em diversos outros estudos: a metodologia de alocação entre mercados é responsável por cerca de 88% do resultado de uma carteira. Apenas 12% podem ser atribuídos à escolha dos ativos dentro de cada classe.

Vamos pensar juntos: escolher entre alocar em ações ou em um título de renda fixa pós-fixado é uma decisão com muito mais peso do que decidir em qual ação ou qual título você irá investir. Isso acontece porque os ativos dentro de uma mesma classe se comportam de forma parecida. Por exemplo, quando o mercado de ações está em alta, isso significa que várias ações individuais também estão em alta, o que dispensa a escolha de uma única ação para captar o movimento.

Com tudo isso, você pode estar se perguntando: meu perfil é conservador, preciso mesmo investir em ações? Sim, você precisa. Ter ações na carteira é a única forma de capturar no longo prazo o crescimento das principais empresas do Brasil, aquelas que mais contribuem para que o país seja hoje a sexta maior economia do mundo.

“Meu perfil é conservador, preciso mesmo investir em ações?” Sim, precisa

É também a presença de alguns mercados com volatilidade, como o de ações e os ativos de inflação, que vai permitir que você faça um rebalanceamento eficiente na carteira, realizando ganhos sistematicamente, de forma planejada, sem ter o trabalho de ficar migrando seus investimentos como um todo ou desfigurando sua alocação de recursos.

O que vai determinar seu perfil mais conservador ou agressivo é o percentual de alocação nessas classes de ativos. Quanto menor for a sua tolerância a riscos, menor deverá ser a proporção de renda variável em sua carteira.

Por fim, mas não menos importante: atente para o gerenciamento dos custos dos seus investimentos. Procure buscar veículos de baixo custo, como títulos públicos e ETFs.

Leia também: Reduzir custos é a única maneira garantida de aumentar a sua rentabilidade

Encontre o mix perfeito para você

Como vimos, a diversificação de investimentos não vai blindá-lo totalmente contra variações negativas em sua carteira, mas vai livrá-lo de um risco desnecessário da concentração em uma única estratégia.

Dessa forma, ela é capaz de protegê-lo contra variações acentuadas de um único ativo ou mercado, e lhe permite participar dos diferentes ciclos econômicos, sem necessidade de ficar migrando entre eles. Com isso, você pode alcançar paz de espírito nesse vaivém da economia.

O próximo passo é definir qual o mix de ativos que funciona melhor para você. Para evitar decisões tomadas com base em “achismos” e recomendações furadas, é importante seguir alguma metodologia comprovada para orientar a alocação correta entre os ativos.

Simule seu investimento com a Vérios para conhecer nossa proposta de diversificação na prática.

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13 de Maio de 2015
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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