Duas únicas formas de ganhar dinheiro: alfa e beta (parte 2)

No primeiro artigo desta série, foram apresentados os conceitos de alfa e beta e discutimos em linhas gerais a importância de saber diferenciar, na hora de avaliar a performance de fundos de investimentos, estas duas formas de gerar retorno.

Para quem não se lembra, alfa é o ganho gerado pelo gestor que é capaz de tirar dinheiro de outros participantes do mercado. Também mencionamos que há, no meio acadêmico, muita discussão sobre a existência de alfa: alguns estudiosos afirmam que alfa não existe.

Devido às distorções causadas pelos grandes investidores institucionais, os fundos multimercados encontram oportunidades de tirar dinheiro dos demais agentes do mercado

Na prática, existem alguns gestores capazes de gerar ganhos consistentemente acima do beta, por muitos e muitos anos. E existem algumas explicações que justificam esse fato.

Uma das principais condições que possibilitam o surgimento de alfa é a diferença na forma de atuação dos principais agentes do mercado financeiro, decorrente das restrições a que estão submetidos.

No mercado internacional, é muito utilizada a expressão Real Money. Ela se refere ao grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras, fundos mútuos e fundos de índice/passivos.

Esses participantes são os gigantes do mercado financeiro e são responsáveis, em conjunto, pela administração da maior parte dos recursos negociados no mundo. Por conta disso, suas decisões de investimento causam muito mais impacto nos mercados que as decisões de pessoas físicas ou de outros tipos de participantes.

No gráfico abaixo, é possível comparar a ordem de grandeza de diversos tipos de patrimônio existentes no mercado internacional.

Indústria Global de Gestão de Fundos*

Fonte: Relatório Fund Management – October 2011 – Financial Markets Series, publicado pela consultoria TheCityUK, de Londres

 Em geral, tais investidores institucionais estão submetidos a uma série de restrições legais em relação às suas formas de atuação. Não podem utilizar alavancagem, não podem negociar ativos em determinados mercados, estão obrigados a respeitar prazos específicos e montantes mínimos de investimentos, entre outros.

Como os institucionais administram um volume enorme de recursos e não podem atuar de forma livre, sua atuação cria diversas distorções nos preços dos ativos negociados.

Os hedge funds (veículos semelhantes aos fundos multimercados), por sua vez, não estão sujeitos a essas restrições. Assim, podem atuar livremente em quaisquer mercados, comprando e vendendo ativos, utilizando alavancagem e sem obrigação de manter montantes mínimos de ativos em carteira.

Os investidores institucionais estão submetidos a uma série de restrições legais que criam diversas distorções nos preços

Essa flexibilidade possibilita que participem de mercados que não estão acessíveis aos investidores institucionais. Com isso, os hedge funds podem aproveitar os movimentos de patrimônio entre mercados e, principalmente, explorar as distorções criadas pelos investimentos dos gestores institucionais.

Em resumo, devido às distorções causadas pelos grandes investidores institucionais, os fundos multimercados encontram oportunidades de tirar dinheiro dos demais agentes do mercado. O retorno gerado dessa forma é chamado de alfa, sendo a sua obtenção o principal objetivo dos gestores de fundos de investimentos.

*Os nomes dos tipos de investidores foram traduzidos livremente. Não é possível uma tradução exata, pois as figuras jurídicas e classificações divergem entre países.

Duas únicas formas de ganhar dinheiro: alfa e beta (parte 2)
5 (100%) 3 votos

Categorias: Plano de investimento, Economia
  • Igor Czermainski De Oliveira

    Cabe explicar o fenômeno do block trading, que é o que possibilita aos grandes fundos gerar alfa mais facilmente que os pequenos investidores, manipulando preços.