É importante ter confiança para diversificar a carteira

A diversificação das aplicações financeiras já é uma praxe enraizada no processo de investimento dos poupadores mais tarimbados. A experiência mostra que carteiras formadas por diversos tipos de ativos tendem a produzir retorno maior e com risco menor.

A razão é que raramente o rendimento de todas as aplicações financeiras caminha na mesma direção. Pelo contrário. Em vários momentos, quando o ganho de uma determinada modalidade é baixo, outros tipos de ativos têm destaque.

Existe uma certa compensação dos resultados que, na média, torna positiva a rentabilidade total se o conjunto for bem distribuído. Todavia, para diversificar de maneira eficiente, é importante conhecer e saber explorar as características individuais de cada ativo financeiro.

Diversificar, na essência, não é necessariamente ganhar mais, e sim buscar diferentes tipos de retorno

Uma mistura dos sentimentos de ganância e prudência atua, na prática, para estimular a diversificação. Tanto o desejo de aproveitar as eventuais oportunidades de ganhos excepcionais, quanto a cautela de evitar perdas acentuadas no patrimônio incentivam a busca pela combinação ideal de ativos.

Em vez de aplicar a maior parte da poupança numa modalidade ainda desconhecida – mas que promete ganhos maiores, o bom senso recomenda começar com valores mais baixos. Passado o teste inicial e confirmado o melhor desempenho, mais recursos podem ser aplicados nessa nova alternativa.

Esse tipo de abordagem pode ser útil para aproveitar as inovações do mercado e, ainda assim, manter os riscos sob controle. No entanto, possui o inconveniente de associar diversificação com novos produtos. O que aumenta as chances de proporcionar resultados ruins.

O mercado financeiro é extremamente criativo e capaz de reciclar continuamente os produtos oferecidos. Invariavelmente, sempre existem as chamadas operações do momento.

Nas fases de alta da bolsa, por exemplo, a quantidade de ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) é elevada. Há uma disputa ferrenha pelos novos papéis que podem levar a ganhos extraordinários. A contrapartida do excesso de demanda é o rateio das ordens: apenas uma parte da reserva feita pelo investidor é efetivamente disponibilizada.

O resultado da estratégia de diversificação por meio da compra de ações oferecidas em IPOs ilustra uma situação na qual o investidor acaba com uma grande quantidade de papéis de empresas diferentes e valores muito pequenos. A consequência é que fica muito difícil acompanhar o desempenho de cada empresa. E as oportunidades de negociação com os papéis são perdidas.

Os fundos de investimento podem ser uma forma eficiente de diversificar as aplicações. Ao comprar uma cota, o investidor está adquirindo uma fração de uma carteira maior, mais pulverizada e administrada por profissionais.

No entanto, também no mercado de fundos de investimento é fácil perder o controle e acabar com uma diversificação exagerada. A quantidade de fundos disponíveis é muito grande.

Além disso, as estratégias das carteiras nem sempre são claras. E o que é pior, podem mudar radicalmente sem nenhuma necessidade de aviso prévio ao investidor.

Para que você diversifique de forma eficiente aplicando em fundos de investimento, é importante avaliar detalhadamente o desempenho histórico da carteira, analisar a correlação da rentabilidade com outras carteiras e estimar a contribuição de cada estratégia para o ganho dos seus investimentos.

É importante ter em perspectiva que diversificar, na essência, não é necessariamente ganhar mais, e sim buscar diferentes tipos de retorno. Nessa linha, aplicações em fundos podem oferecer excelentes oportunidades para montar uma carteira equilibrada.

Usando os fundos de investimento de forma criativa, é possível ganhar mais e manter o risco sob controle. Apesar do custo com taxa de administração e performance, é uma ótima forma de diversificar como os gestores profissionais.

Marcelo d'Agosto Foto

*Marcelo d’Agosto é economista e consultor autorizado pela CVM, conhecido por sua coluna O Consultor Financeiro, no jornal Valor Econômico. Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, Marcelo também presta consultoria de investimento.

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Marcelo d'Agosto é economista e consultor autorizado pela CVM, conhecido por sua coluna O Consultor Financeiro, no jornal Valor Econômico