É possível perder dinheiro no Tesouro Direto? Caso 2: Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB)

Gráficos subindo e descendo: Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB)

Em 2015, os indexados à inflação foram os títulos mais populares do Tesouro Direto1. Faz todo o sentido: em um cenário de inflação e juros nas alturas, o Tesouro IPCA+ funciona como uma garantia da proteção do poder de compra do seu patrimônio, com um ganho adicional.

O que não é tão popular assim é a dinâmica de precificação e rentabilidade desses títulos de inflação. Se o título é indexado à inflação, como pode o IPCA subir e o valor dos títulos cair?

Assim como no caso no Tesouro Prefixado (LTN), que nós explicamos em um artigo anterior, é possível, sim, perder dinheiro no Tesouro IPCA+, bem como é possível ganhar acima da rentabilidade contratada. Isso acontece tanto para o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB) quanto para o Tesouro IPCA+ (NTNB Principal). Os dois títulos possuem dinâmicas de funcionamento diferentes, e hoje vou explicar utilizando o exemplo do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB).

Gravei um vídeo que vai direto ao ponto, mas se você não estiver familiarizado com os termos do Tesouro Direto, recomendo ler também o artigo. 

Rentabilidade do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB)

O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB) é o título público do Tesouro Direto cuja remuneração é dada pela inflação mais um percentual fixo predeterminado, os juros. Por isso, esse título é considerado híbrido: uma parte da rentabilidade é pós-fixada (inflação) e outra parte é prefixada (juros). O resultado disso é que o investidor consegue garantir um rendimento acima da inflação, desde que segure os títulos até o vencimento.

A inflação utilizada nesse título é a apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. Se você não conhece bem o IPCA, clique aqui para dar uma olhada rápida nesse trecho sobre os dois principais índices de inflação do Brasil.

Vamos a um exemplo prático?

O gráfico abaixo mostra a evolução do preço de mercado do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020 (NTNB). O título foi lançado em 2009 e vencerá em 2020, pagando juros de 6% ao ano ou 3% ao semestre2.

Gráfico da evolução dos preços do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020 (NTNB)

Como se determina a rentabilidade desse título? Bem, ela depende de 3 fatores:

1. Correção pelo IPCA

Veja a linha verde no gráfico a seguir. Ela representa o valor do título corrigido mensalmente pela inflação no período. Para quem está um pouco mais habituado com as nomenclaturas do Tesouro Direto, essa linha representa o Valor Nominal Atualizado (VNA).

Gráfico da evolução dos preços e VNA do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020 (NTNB)

Como é difícil prever a inflação (o Relatório Focus erra constantemente, mas isso é assunto para outro artigo), mais adiante você verá uma animação com diferentes cenários que mostram como a inflação futura pode afetar o VNA do título. Por ora vamos ao segundo fator que influencia na rentabilidade do título.

2. Juros semestrais

O título de inflação em questão realiza pagamentos semestrais de juros. O cálculo é feito pelos 3% semestrais aplicados sobre o VNA (linha verde no gráfico), ou seja, o investidor recebe um pagamento equivalente a 3% do valor do título dado pelo VNA corrigido pela inflação.

3. Preço de mercado

Como vimos, a linha preta no gráfico é a evolução do preço de mercado do título. Observe como ela é instável, com altas e baixas, por conta dos humores do mercado.

O preço de mercado é o valor pelo qual os títulos são negociados no Tesouro Direto. Quando você compra o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020, você paga o valor indicado pela linha preta na data da compra. Quando o preço de mercado está acima da linha verde (VNA), você está pagando um valor mais alto que a referência (ou seja, fazendo uma compra com ágio) e vai ter uma rentabilidade um pouco menor. Quando o valor de mercado está abaixo do VNA, você está comprando com desconto (deságio), e terá uma rentabilidade um pouco maior até o vencimento.

Apesar desses descolamentos, a linha instável do preço de mercado sempre irá convergir com a linha verde (VNA) no vencimento do título. Ou seja, quanto mais próximo do vencimento, mais próximo o preço de mercado fica do VNA (valor inicial do título corrigido pelo IPCA). Veja abaixo uma simulação dessa convergência com inflação de 10% ao ano no período.

Gráfico da projeção da evolução do título Tesouro IPCA+ (NTNB) 2020 com inflação em 10% ao ano

Entendendo a taxa do Tesouro IPCA+

O Tesouro Direto convencionou uma forma simplificada de apresentar a rentabilidade (chamada de “taxa”) que você contrata ao comprar o título, levando em consideração os três fatores que falamos acima.

No site do Tesouro Direto, você vê uma tabela como esta:

Tabela com preços dos títulos do Tesouro Direto, com destaque para o Tesouro IPCA+ 2020 com Juros Semestrais

Note na tabela acima que a rentabilidade (taxa % a.a.) do título em questão estava em IPCA + 7,35%. O IPCA você já sabe, vai depender da inflação apurada mês a mês. E os 7,35%? Podemos decompor esse percentual em 6,00% + 1,35% (valores aproximados, para facilitar). Os 6,00% são os juros oferecidos pelo título, e o 1,35% é o percentual “extra” que você ganha de rentabilidade, correspondente ao deságio que atualmente existe no preço dos títulos.

No gráfico você pôde notar momentos, por exemplo em 2013, em que os títulos estavam sendo negociados com grande ágio, muito acima da linha verde. Naquela época, houve datas em que o título pagava IPCA + 4%. Ou seja, IPCA + 6,00% (juros sobre o VNA) – 2,00% (rentabilidade a menos devido ao ágio). Você receberia a correção de inflação, mais os juros de 6%, porém pagaria um ágio correspondente a cerca de 2% ao ano a menos, da data de compra até o vencimento.

Como podem ocorrer as perdas com as NTNBs

Se sua intenção é manter o título até o vencimento

A boa notícia é que, mantendo o título até o vencimento, você não vai perder dinheiro com o Tesouro IPCA+. A oscilação do preço de mercado não terá impacto, porque no vencimento ele converge para o valor do título corrigido para a inflação: não há surpresas, e o único fator desconhecido é a inflação. Portanto, se sua intenção é manter o título até o vencimento, pode ficar tranquilo(a) e ignorar o sobe-e-desce do preço de mercado.

O preço de mercado só é importante no momento da compra. Sua rentabilidade será um pouco maior se você tiver comprado com deságio, e um pouco menor se você tiver comprado com ágio, mas isso não significa uma perda, e sim reflexo do momento em que o mercado estava quando você comprou o título.

Você poderá passar por épocas turbulentas e ver o preço de mercado do seu título abaixo do valor que você pagou. Quanto mais longo o título (ou quanto mais distante o vencimento), maior a possibilidade de oscilação do preço de mercado. Mas isso não muda o fato de que o valor de mercado vai convergir com o VNA no vencimento.

Se você pensa em vender o título antes do vencimento

Já se você decide se desfazer do título antes do vencimento, o preço de mercado assume o papel de protagonista na história. Ao vendê-lo, você receberá o preço de mercado. Se os títulos estiverem sendo negociados com valor abaixo do que estavam quando você comprou, é aí que você pode perder dinheiro.

Isso aconteceu, por exemplo, com quem comprou o Tesouro IPCA+ 2020 em 2013 por quase R$ 3.000 e vendeu no mês passado, com preço de mercado na faixa de R$ 2.600. Ainda assim, a perda não chegou a R$ 400, pois essa pessoa recebeu os juros semestrais.

Recentemente, um cliente que havia comprado esse título em 2013 nos perguntou se valeria a pena vendê-lo e recomprar o mesmo título. O que acontece é que ele tinha comprado o título precificado em IPCA + 3% e agora estava vendo o mesmo título precificado em IPCA + 6%. O cliente queria aumentar a rentabilidade dele para IPCA + 6% também. O que você acha? Vale a pena trocar? Pare e pense antes de continuar lendo.

Meme pensativo

A verdade é que essa troca não faz nenhum sentido, porque ele iria vender seus títulos pelo mesmo preço de compra dos novos. E ainda teria que descontar o Imposto de Renda, arcar com os custos da nova compra e perder uma margem no spread entre preço de compra e preço de venda (entenda todos os custos de investir no Tesouro Direto). Mas então ele ficou com a rentabilidade de IPCA + 3% até o final?

Sim e não. Quando os juros subiram, o valor de mercado dos papéis caíram. Esse investidor teve, da data de compra até o momento da pergunta, uma rentabilidade inferior a IPCA + 3% e, daquela data em diante, ele teria IPCA + 6%. Ou seja, a “troca” que ele queria fazer era totalmente desnecessária, os títulos dele já estavam precificados a IPCA + 6%.

E mais: somando os dois períodos (antes e depois da pergunta), a rentabilidade total seria exatamente o IPCA + 3% que ele contratou na compra.

Os títulos de inflação vão cumprir seu papel de oferecer um ganho acima da inflação independentemente do momento em que você comprou. A inflação será apurada mês a mês, após a compra, e a rentabilidade prefixada passa a ser fixa a partir da data de compra, seguindo a mesma dinâmica que explicamos no artigo sobre Tesouro Prefixado.

Projetando diferentes cenários de inflação

A inflação nos últimos 12 meses estava em 10,48% (dados até novembro de 2015). No longo prazo, existem diversos cenários possíveis para esse indicador. Como não estamos aqui tentando prever o que vai acontecer no futuro, projetamos diferentes níveis de inflação média anual para você mesmo visualizar como ficaria a evolução do valor do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020 (NTNB) corrigido pela inflação. Para exemplificar de forma didática (ou cômica?), nossa animação considera inclusive um caso de deflação.

Gráfico animado (gif) com cenários de inflação para o título Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020 (NTNB)

Espero ter ajudado a desvendar um pouco do mistério dos títulos de inflação do Tesouro Direto. Se ainda ficou alguma dúvida, é só deixar um comentário.

banner-planilha-rentabilidadeE se você tem interesse em conhecer a nossa carteira inteligente e descobrir o percentual de Tesouro IPCA+ (NTNB) recomendado para o seu perfil, clique aqui para simular seu investimento agora mesmo.

1Durante todos os meses de janeiro a novembro de 2015, os títulos indexados à inflação foram mais vendidos que os indexados à Selic e os prefixados. No mês de maio, os títulos de inflação corresponderam a mais de 70% das vendas do Tesouro Direto. Fonte: Tesouro Direto – Balanço e Estatísticas.

2Na verdade, os juros matematicamente corretos são 2,96% ao semestre, o que corresponde a 6% ao ano. Utilizamos 3% para simplificar.

É possível perder dinheiro no Tesouro Direto? Caso 2: Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB)
4.67 (93.33%) 6 votos

Categorias: Intermediário, Títulos públicos
  • Thiago

    Boa noite Daniel, primeiramente parabéns pelo artigo, muito didático e explicativo, de fácil compreensão e muito útil para quem comprou estes títulos e os viu perder valor momentaneamente. Gostaria de saber se, caso o governo altere as regras da tributação na renda fixa, alteraria algo também na rentabilidade e na forma da carteira inteligente que a Vérios pretende lançar, visto que os testes foram efetuados com a tributação ainda vigente, acredito. Abraço!

    • Daniel Resende

      Olá Thiago,

      Obrigado pelos comentários. A tributação sempre é um dos componentes mais difíceis de serem considerados na otimização. Ela afeta a composição da carteira, as bandas de rebalanceamento e a precisão dos cálculos de rentabilidade. Existem inúmeras normas confusas sobre o tema que temos que digerir.

      Os ativos que estamos trabalhando tendem ou possuem alíquota de 15%. A grande dificuldade neste caso fica nos rebalanceamentos até a alíquota cair. Com o possível fim da isenção tributária das letras, os títulos públicos ficarão ainda mais atrativos.

      De qualquer maneira, faz parte do nosso trabalho olhar também para a tributação, que infelizmente é alta e complexa neste país.

  • Hermelindo

    Artigo muito bom Daniel.

    Da mesma forma que é possível perder dinheiro, também é possível ganhar mais do que o pactuado no momento da compra…
    Pelo que entendi do seu artigo, quando valor de mercado estiver suficientemente acima do valor nominal atualizado é uma boa ocasião para venda antecipada. Para calcular a partir de quanto acima vale a pena, temos que considerar o imposto a ser pago (que depende do prazo) e demais custos de compra e venda.
    Então para otimizar a rentabilidade deste título poderíamos vendê-lo quando o “ágio” estiver maior que o Imposto de Renda + custos a serem pagos na operação e o resultado da venda utilizado para comprar um título que esteja com “deságio”.

    O que você acha dessa estratégia?

    • Daniel Resende

      Hermelindo, vender com ágio e comprar com deságio é uma excelente estratégia, porém tem alguns problemas de implementação. Em geral estes títulos andam juntos, pois representam as mesmas classes e os mesmos fatores econômicos, então se um está com ágio é provável que os outros também estejam. Então você vai vender e não vai ter o que comprar.

      Outra coisa, o ponto de referência para sabermos se está com ágio ou não é arbitrário. No caso dos títulos de inflação, são pagos juros anuais de 6%, portanto se o título está pagando menos que 6% ele está com ágio e se está pagando mais, está com deságio. Porém se a referência de 6% fosse 4%, um título que pagasse 5% estaria com deságio. Porém esse título paga 5%, independente da referência ser 4% ou 6%. O que importa é o retorno dele e não a distância dele até uma referência arbitrária.

      No casos das NTNB Principais, não há o juros, a forma de se obter retorno é comprar sempre com deságio, só que o deságio pode ser maior ou menor. Esses título porém possuem retornos muito parecidos com as NTNB não principais, ainda que estas últimas estejam com ágio.

      NÃo olhe para o ágio deságio, ele é apenas um mecanismo de precificação, ele é uma referência para calcularmos a rentabilidade. A rentabilidade sim que é o fator importante.

      • Hermelindo

        Oi Daniel, com relação ao que comprar após a venda antecipada, eu tinha imaginado que o mais provável seria que quando os
        títulos pré fixados estivessem com ágio, os pós fixados estariam com deságio e vice-versa (deveria ser isso se a inflação
        fosse a maior influência). Obviamente além de vários outros fatores influirem no valor de mercado, este nem sempre reage
        racionalmente e se no momento da venda nenhum título estivesse com deságio, eu poderia comprar o título indexado à Selic
        enquanto aguardo a ocorrência de um deságio.

        Não entendi completamente sua explicação com relação ao critério para considerar o título com ágio ou deságio. Minha
        opinião é que sempre que o valor de mercado do título estiver maior do que o valor nominal atualizado, o título está com
        ágio. O fato de nessa hora a taxa contratada ser menor que 6% (para o caso dos títulos que pagam juros semestrais) é
        consequência (tem que ser assim para fechar as contas no vencimento do título). No caso dos títulos pós fixados que pagam juros semestrais, comparar a taxa de compra com 6% seria uma forma de saber se está ou não com ágio sem ter que calcular o valor nominal atualizado.

        No caso dos títulos que não pagam juros semestrais NTNB Princ por exemplo, teria alguma maneira similar (taxa oferecida na compra) de avaliar a situação (ágio /deságio) sem ter que calcular o VNA?

        Você poderia analisar por exemplo as NTNB com vencimento em 2035 que estão sendo oferecidas hoje com taxas próximas (7,32% e 7,41%, com e sem juros, respectivamente), mas preço muito diferente (R$ 2.443,98 e R$ 701,00, respectivamente)? Embora ambas vençam na mesma data (15/05/2035, a que paga juros foi lançada em 12/04/2006 (por R$ 1.279,73 – 8,04%) e a outra somente em 10/03/2010 (R$ 413,99 – 6,25%)… Supondo que a renda semestral ou no final fosse indiferente e eu quisesse aplicar no título que desse maior rentabilidade, como calcular qual dois dois é melhor?

        • Daniel Resende

          Hermelindo. Esse assunto é bem complexo mesmo. Mas vamos lá. Pegue esse exemplo que você citou, duas NTNBs uma valendo R$2.443 e outra R$701, ambas com mesmo vencimento (2035) e quase a mesma remuneração (7,32% e 7,41%). O preço de referência do VNA é o mesmo, ou seja, ambas vão receber quase o mesmo retorno até 2035.

          Só que uma está com um pequeno deságio e outro com um deságio enorme. Isso se dá por que uma paga juros semestrais de aprox 3% e outra não. Para que elas tenham o mesmo tanto de retorno, a que não paga juros tem que ter um deságio muito maior que a que paga, mas ambas tem o mesmo rendimento. Como o rendimento é o mesmo, o deságio não é importante na conta. Ele é apenas um ajuste de preço para que ele tenha o mesmo rendimento.

          O que importa é o rendimento e não o deságio. Esses títulos são muito parecidos, porém possuem precificação diferente para darem retornos parecidos.

          Se os juros anuais fossem 8%, esse título de 2035 que paga 7,32% estaria com ágio ao invés de deságio, mas o retorno dele continuaria sendo 7,32%. Sei que é difícil digerir isso, mas o ágio e deságio não importa. O que importa é o retorno dele.

  • Viviane

    Parabéns pelo seu texto! Eu tenho uma dúvida e talvez você possa esclarecer: se no final das contas o IPCA semestral e principal rendem praticamente a mesma coisa, porque ao utilizar a calculadora do site do Tesouro, o rendimento do IPCA semestral é significativamente inferior? Quanto maior o prazo de vencimento do título você simular a diferença entre essas duas letras aumenta. Eu não consigo entender o porquê.

    • Daniel Resende

      Olá Viviane.

      Não sei exatamente como funciona a calculadora do Tesouro Direto, mas sei qual é a raíz da diferença. O título que não paga juros vai vencer completamente na data do vencimento, então você vai ficar com todo seu dinheiro investido até o final e seu ganho terá efeito de juros sobre juros nesse período.

      Já os títulos que pagam juros funcionam como um título grande que será pago no final e mais uma série de títulos de 3% que vencem a cada seis meses. Esses juros não serão automaticamente aplicados e não estão na conta. Isso é uma falha da calculadora, pois ao receber esses juros, você pode reaplicá-los e também receber juros sobre os juros. O problema nesse caso é que você não sabe como estará o mercado no momento que recebê-los. Se os juros estiverem mais altos, você vai reinvestir recebendo mais, se estiverem mais baixos, você vai receber menos.

      Essa escolha é muito complexa e a matemática dela logo ganha mais letras que números. Tentamos simplificar, mas por trás tem bem mais coisas.

      Espero ter respondido.

  • Rafael Barreto

    Fala aí daniel blz? Cara se eu comprar o ipca ntnb 2035 por exemplo, se em uma eventual queda de juros, eu resolva vender, eu teria prejuízo? Ou seja, antecipar a venda desse título num cenario de queda de juros dá pejuizo ou lucro? Pergunto isso pq o governo pensa em derrubar os juros, certo? Abraço

    • Daniel Resende

      Opa Rafael, tudo bem!

      Cara, se você comprar ntnb 2035 e o juros cair, provavelmente você vai ganhar mais entre a data de compra e o momento da queda de juros e menos depois da queda de juros. Mas as somas da rentabilidade continuará a ser a mesma até o final.

      Mas até o movimento de queda das taxas, esses títulos devem ter um desempenho positivo bem forte.

      O problema é que o mercado inteiro está contando com essa queda da taxa de juros e boa parte desse movimento já aconteceu. Não é a toa que esses título subiram muito esse ano.

      Essa é uma das complexidades de se operar nesse mercado, tem muita gente antevendo os movimentos e muita gente tentando antever a antevisão das outras pessoas.

  • Marco Aurelio

    oi Daniel, parabéns pelo blog! Com relação ao IPCA+, é correto eu pensar que conforme a inflação (ou a projeção dela) cai, o preço do título cai tb e, consequentemente, o ágio de um título antigo aumenta? Estou perguntando pq eu tenho um IPCA+ 2035, que comprei com taxa de 7,35% (em Out/2015) e agora em Novembro, ele desvalorizou -3,4% em relação a Outubro/16. Não entendo o porquê dessa desvalorização! Na minha cabeça, se comprei o título em um momento de inflação alta, ele deveria se valorizar em períodos de tendência de baixa de inflação, como estamos passando agora. Se estamos projetando uma inflação menor agora do que na época da compra do título, ele não deveria desvalorizar, correto? Não consigo entender qual ponto da conta estou perdendo para não entender essa desvalorização. Obrigado! Abraços, Marco

    • Daniel Resende

      Olá Marco,

      Acredito que o principal motivo da queda dos seus títulos não foi esse. Esse título IPCA+ 2035 pagou juros em novembro, então parte do valor dele virou dinheiro e você ficou com menos valor em títulos. Não foi exatamente uma queda (ainda que ele tenha caído um pouquinho), e sim um pedaço que virou líquido.

      Esse é um dos pontos que automatizamos na Vérios, assim que o título paga juros, imediatamente usamos esses recursos para rebalancear um pouco a carteira.

      Abraço