É seguro aplicar em fundos de investimento hoje

Com a rentabilidade da poupança e outras aplicações de renda fixa se tornando cada vez menos atrativa, muitos investidores desejam entender e investir em fundos. Para esses investidores, uma boa notícia: a regulamentação de fundos de investimento no Brasil é uma das mais seguras do mundo. E há vários fatos que comprovam essa afirmação.

Talvez a ocorrência de escândalos e fraudes no passado tenha sido um dos motivos para o grande avanço de nossas normas sobre segurança do investidor. Um dos marcos mais relevantes dessa evolução foi a separação de recursos, que se tornou obrigatória em 1997 e continua até hoje.

Também conhecida como “Chinese Wall” – uma referência à Muralha da China – essa regra determina que o patrimônio do banco não se misture com o patrimônio dos clientes. Além da Chinese Wall, outras regras importantes são apresentadas nesse histórico, elaborado pela ANBIMA, um dos agentes reguladores dos bancos.

Desde a crise de 2008, diversos países do mundo passaram a olhar o modelo brasileiro como um exemplo a ser seguido. Em 2009, nossa CVM (Comissão de Valores Mobiliários), foi eleita para o Comitê Técnico da Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO, da sigla em inglês), para ajudar a replicar em outros países o sólido modelo brasileiro.

Em 2011, a presidente da CVM, Maria Helena Santana, foi eleita para presidir a IOSCO, com foco na proteção dos investidores, conforme noticiou o jornal Valor Econômico.

Para tentar explicar algumas das características que dão segurança ao nosso mercado de fundos de investimento, respondemos a seguir algumas dúvidas comuns.

Se o banco que administra o fundo falir, posso perder meu dinheiro?

Não há possibilidade do seu dinheiro sumir, desde que você aplique em um fundo de investimento autorizado pela CVM, pois os recursos dos fundos nunca se misturam com o dinheiro das instituições que fazem a administração, gestão ou prestam outros serviços para o fundo.

Mesmo que a administradora quebre, os recursos dos investidores ficam em contas separadas, sob os cuidados do custodiante – mas também não se misturam com o patrimônio do custodiante! Em caso de falência de alguma dessas instituições, os recursos podem ser transferidos para outro banco e as operações continuam normalmente.

Você está exposto apenas aos riscos inerentes ao mercado (oscilações de preço, etc). A rentabilidade pode variar de acordo com mudanças na taxa de juros, oscilação da bolsa de valores, câmbio e preços de commodities, mas nunca por conta da saúde financeira dos administradores do fundo.

Veja, por exemplo, o que aconteceu no caso do Banco Santos: os fundos administrados pelo Banco Santos foram transferidos para outro administrador e os investidores não perderam seu dinheiro. Apenas os fundos que compravam títulos emitidos pelo próprio Banco Santos sofreram prejuízo. Por isso é importante verificar se o regulamento do fundo proíbe ou estabelece limites de compra de ativos emitidos pelo próprio administrador ou por empresas do mesmo grupo.

Como posso saber se um fundo está autorizado a funcionar pela CVM?

Antes de investir, verifique se o fundo está listado neste link da CVM. Digite parte do nome ou do CNPJ do fundo. Se for encontrado, o fundo obedece todas as regras de administração, gestão e auditoria, entre outras. Você poderá consultar várias outras informações, inclusive uma cópia do regulamento.

Os fundos do meu banco são mais seguros que os fundos independentes?

Não. Todos esses fundos obedecem aos mesmos regulamentos, normalmente os fundos independentes utilizam serviços de adminsitração e custódia dos grandes bancos. A única vantagem de investir nos fundos oferecidos pelo banco onde você mantém sua conta corrente, na verdade, é a comodidade. O processo é mais fácil, pois o banco já possui seus dados – você não precisa abrir um novo cadastro em outro banco. Mas essa comodidade pode ter um custo alto, sem você perceber.

Os investidores que procuram os bancos de agência para investir muitas vezes são alocados em fundos que possuem taxas elevadas de administração, o que prejudica a rentabilidade.

No âmbito da segurança, os fundos “do banco” e os fundos “independentes” são praticamente iguais. Quando você investe em um fundo independente, o dinheiro NÃO fica com o gestor independente. Ele fica com um banco de primeira linha, no papel de custodiante, igualzinho aos fundos do seu banco.

Todos os fundos administrados pelo BNY Mellon por exemplo, são custodiados pelo Bradesco. Isso significa que o seu dinheiro fica no Bradesco, junto com tudo que o fundo compra com seu dinheiro. Para entender mais sobre o papel do custodiante, veja o post sobre quem está por trás dos fundos de investimento.

Por fim, tenha cuidado com as ofertas de isenção de taxa. Você investe em fundos do banco e “ganha” uma redução de taxas na conta corrente. Antes de aceitar, faça as contas. As taxas elevadas podem estar lhe custando mais do que o desconto obtido.

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Categorias: Fundos de investimento