É seguro investir em LCI e LCA?

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É inegável que as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) conquistaram, nos últimos anos, o paladar do investidor pessoa física. Com a combinação de ingredientes que saltam aos olhos, como isenção de Imposto de Renda e mesma segurança que a caderneta de poupança, essas aplicações passaram a figurar entre as mais procuradas nas prateleiras de bancos e corretoras.

O apetite por esses papéis também foi aguçado pelo cenário econômico, marcado por juros altos e inflação elevada. Traduzindo em miúdos: a Selic – taxa básica de juros da economia – reflete diretamente no desempenho do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), uma taxa referencial para as aplicações conservadoras, incluindo LCI e LCA.

A popularidade desses títulos pode ser comprovada pelo crescimento do volume financeiro na carteira de investidores do fim do ano passado para este ano. O estoque de LCA, por exemplo, pulou de R$ 48,6 bilhões em agosto de 2015 para R$ 58,8 bilhões em agosto de 2016. No caso da LCI, o montante passou de R$ 183,3 bilhões para R$ 189,9 bilhões.
Veja, abaixo, a tabela com a evolução do estoque desde 2014:

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Como funcionam LCI e LCA

Apesar de toda fama, nem todo mundo sabe do que se tratam esses dois ativos. Você sabe? Ambas as letras são títulos lastreados a créditos de dois setores: imobiliário (LCI) e agronegócio (LCA). Assim como os CDBs (leia mais aqui), elas são papéis de renda fixa emitidos por bancos — de pequeno, médio e grande porte — cuja garantia é dada justamente por esses empréstimos concedidos a projetos imobiliários ou agrícolas.

A rentabilidade dos títulos pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida (que remunera com a variação de determinado índice, como IPCA, mais juros prefixados). É mais comum encontrar no mercado LCIs e LCAs com juros pós-fixados (entenda mais sobre juros prefixados e pós-fixados). Por exemplo, uma LCA com prazo de 361 dias e remuneração de 92% do CDI.

Saiba em detalhes como funcionam LCI e LCA neste artigo.

Mas, afinal, é seguro investir em LCI e LCA? Esse é um ponto importante a ser discutido, embora seja pouco destrinchado como funciona a proteção ao investidor em caso de falência da instituição emissora desses papéis.

Como funciona a garantia do FGC

A garantia proporcionada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) sem dúvida é uma vantagem para quem aplica seus recursos em LCI e LCA. Mesmo assim, vale a pena conhecer mais a fundo o funcionamento dessa proteção.

Na prática, o FGC é uma associação sem fins lucrativos, de natureza privada. Sua manutenção é feita por bancos que, para poderem se valer da garantia oferecida pelo Fundo, fazem contribuições  mensais, cujos valores  correspondem a um percentual dos depósitos garantidos.  

banner-blog-lancamentoA proteção do FGC está limitada a R$ 250 mil por CPF ou CPNJ e por instituição financeira. Embora garanta os investimentos mais conhecidos, por exemplo, poupança, CDB, LCI e LCA, é importante lembrar que o Fundo também garante recursos aplicados em outros instrumentos, como Letras de Câmbio (LC) e  Letras Imobiliárias.

Mas cuidado: O FGC não sobre algumas operações como depósitos, empréstimos, além de outros recursos captados no exterior.

Outro ponto que merece atenção — e esse aqui quase nunca é “contado” aos investidores — é que o limite compreende a soma das aplicações financeiras e de depósitos à vista ou a prazo (com ou sem emissão de certificado). Ou seja, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil, mas o valor depende de alguns critérios estabelecidos pelo Fundo. Por exemplo, o titular do crédito precisa ser aquele em cujo nome o crédito estiver registrado na escrituração da instituição financeira ou o nome designado no título que foi emitido ou aceito pelo banco ou pela financeira.

No caso de aplicações financeiras, o montante garantido leva em conta a soma do valor investido e o rendimento obtido. Por isso, é preciso ter cuidado para não manter quantias muito próximas aos R$ 250 mil.

Ficou curioso? Já escrevemos um artigo no blog com 7 coisas que você não sabia sobre o FGC.

Risco real dos ativos

Ao chegar nesta parte do texto você ainda deve estar com dúvida se é seguro investir em LCI e LCA. Na hora de investir, todo cuidado é pouco; o FGC não pode ser o seu único ponto de apoio. Em outras palavras, a garantia é apenas  a parte da história que os bancos e as corretoras contam sobre os produtos.

É como ir ao supermercado. Nas gôndolas, as embalagens são bonitas e chamativas, mas o conteúdo às vezes não é tão saboroso. No caso das LCIs e LCAs distribuídas pelas prateleiras das instituições financeiras, não é possível saber a composição das letras.

Por exemplo, onde ficam os empreendimentos imobiliários e quanto valem? E os projetos agrícolas, quais são e como têm se comportado nos últimos anos? O dinheiro que você aplicou é emprestado para quais empresas ou pessoas? Todas essas e outras perguntas ficam no ar, pois as informações não são divulgadas em detalhes.

Neste outro texto você pode perceber que, sem conhecer quem participa das operações de crédito, não dá para avaliar com propriedade a saúde financeira dos empréstimos e dos bancos emissores. Por isso, antes de aplicar, é fundamental se informar em relação ao desempenho das instituições financeiras, o rating atribuído a elas por agências de classificação de risco (indicador importante para avaliar a saúde financeira). O site Banco Data pode ajudá-lo nessa tarefa.

Alternativas mais seguras

Existem opções de investimento muito mais seguras que a proteção oferecida pelo FGC. Os títulos públicos, disponíveis na plataforma do Tesouro Direto, são um exemplo de como é possível fazer o dinheiro render mais com baixíssimo risco. Sabe por quê? Os papéis da dívida pública federal são garantidos pelo Tesouro Nacional, o que faz com que a aplicação financeira seja a de menor risco da economia.

Na prática, ao investir nesses ativos, você está emprestado dinheiro ao governo que, no vencimento, será devolvido com um rendimento sobre essa quantia. Por ser responsável pela regulação do mercado financeiro e das emissões de moeda no país, o governo federal é o melhor credor. Isso mesmo: melhor que qualquer banco, independentemente do tamanho.

Leia mais sobre a segurança dos títulos públicos aqui.

Investimento diversificado e inteligente

Como dá para notar, a embalagem de LCI e LCA pode ser bem atraente, mas talvez não tenha os ingredientes mais saudáveis e seguros para o dinheiro poupado. É possível montar uma cesta diversificada de títulos públicos, na dose mais adequada ao seu paladar. Detalhe: tudo com apoio de um time de profissionais experientes para fazer a gestão dos recursos, assim como acompanhamento e rebalanceamento.

Além da facilidade e praticidade, investir por meio da carteira inteligente da Vérios sai mais barato. A Vérios cobra uma taxa fixa de 0,95% ao ano, já inclusas despesas como taxa de administração, taxa de custódia, entre outras, que acompanham cada produto da cesta.

banner-planilha-rentabilidadeOutra vantagem é contar com um mix de títulos prefixados, pós-fixados e indexados à taxa Selic, o que significa ainda mais proteção para seus investimentos, já que essa diversificação permite atravessar com mais tranquilidade as flutuações de mercado e os diferentes momentos da economia. Quer coisa melhor?

Agora é com você. Quer um investimento mais transparente e mais seguro? Use o simulador de investimento da Vérios para descobrir a alocação indicada para o seu perfil de risco.

 

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Categorias: Iniciante, Intermediário, LCI e LCA
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Jornalista especializado em economia e finanças pessoais, Danylo escreve para o jornal Valor Econômico e para as revistas Capital Aberto e Você S/A, além do seu blog Economia Sem Enrosco e de colaborar com o blog da Vérios

  • Fritz

    É isso aí, Danilo, TNSTAAFL