Entenda o risco das carteiras da Vérios

Comparação de risco dos investimentos

Intuitivamente, você já sabe o que é risco: é a probabilidade de perder alguma coisa, certo?

No seu dia a dia, essa definição basta. Tem o risco de pegar trânsito (e perder o começo da reunião), o risco de chover no fim de semana (e perder a praia)…

Já quando o risco é de perder o seu dinheiro, convém um pouco mais de precisão para compreender o quanto você pode perder com um investimento.

Neste artigo, explico o conceito básico de risco e volatilidade e também o risco das carteiras administradas pela Vérios, e como ele se compara a outros tipos de investimento.

O que é o risco de um investimento?

Quantas vezes você já ouviu falar sobre o “humor” do mercado?

Os preços de boa parte dos ativos financeiros em que as pessoas investem podem subir ou descer todos os dias. Essa característica não é exclusividade do mercado de ações. Até mesmo alguns tipos de títulos públicos, que são aplicações de renda fixa, oscilam bastante no curto prazo. É nessa oscilação que é possível estimar o risco.

Quanto mais intensa a oscilação (para cima ou para baixo), maior a chance de você ganhar e também de perder dinheiro com um investimento.

A principal medida estatística do risco de um determinado ativo financeiro é a sua volatilidade1. (Há outras estatísticas sobre o risco, complementares à volatilidade, como o teste de estresse, sobre o qual vamos falar num artigo em breve.)

A volatilidade é muito usada em boa parte porque ela vem de uma fórmula matemática elegante e relativamente simples que permite comparações entre riscos de ativos muito diferentes entre si. Se você sabe que o fundo imobiliário X tem volatilidade 5% e que a ação da empresa Y tem volatilidade 10%, então investir em Y é duas vezes mais arriscado — do ponto de vista de volatilidade — do que investir em X. Podemos comparar os números.

O que é a volatilidade?

Bem, não vamos dizer exatamente o que é, porque a definição precisa talvez envolva um pouco (ou um muito) mais de matemática do que você queira encarar nesse momento2. Vamos simplificar.

Em linhas gerais, a volatilidade de um ativo mede o quanto a sua rentabilidade tipicamente pode destoar da sua rentabilidade esperada ao fim de um ano.

Se você investir numa carteira com rentabilidade esperada de R% e com volatilidade de V%, então tipicamente a rentabilidade do seu investimento ao final de um ano vai ficar no máximo a V% da rentabilidade esperada.

Para dar alguma exatidão ao “tipicamente”, vou precisar introduzir mais um pouco de matemática, mas prometo ser didático. (Se ficar confuso, pode puxar minha orelha nos comentários.)

A volatilidade mede o quanto a rentabilidade pode destoar da sua rentabilidade esperada ao fim de 12 meses

A regra de bolso é a seguinte: a rentabilidade vai ficar entre (R-V)% e (R+V)% com 68% de probabilidade, ou seja, isso vai acontecer em cerca de dois terços dos casos.

Se ampliamos para a possibilidade de a rentabilidade ficar no máximo a 2V% (duas vezes a volatilidade) da rentabilidade esperada — ou seja, entre (R-2V)% e (R+2V)% — então a probabilidade disso acontecer vai para 95%; isso significa 19 vezes a cada 20 casos! A figura abaixo ilustra essa ideia:

rentabilidade_esperada_volatilidade

Repare que, com essa definição, o risco não abrange apenas a possibilidade de perder dinheiro. O risco — quando medido por meio da volatilidade — inclui também a possibilidade de obter retornos acima do esperado.

Ainda assim, a gestão de risco é sempre voltada primordialmente a limitar ao máximo as possibilidades de perda. Para isso, existe toda uma coleção de métricas de risco, incluindo os já mencionados testes de estresse.

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Cuidado: existem outros tipos de risco

Vale lembrar que existem ainda outros tipos de risco além do risco de oscilação dos preços dos ativos. Por exemplo, alguns ativos de renda fixa, como fundos de crédito privado, CDB, LCI e LCA, têm volatilidade praticamente nula, porque seus preços quase não oscilam no curto prazo.

Mas isso não significa que o risco desses ativos é nulo. Quando você perde dinheiro com eles, perde um montão de uma vez: é o risco de calote. Leia mais neste artigo. (Ah, pode ficar tranquilo: na Vérios sua carteira está livre desse risco.)

O risco da carteira inteligente da Vérios


Agora que já sabemos como se mede o risco pela volatilidade, podemos nos perguntar quão arriscado é investir nas carteiras inteligentes da Vérios, inclusive em comparação com outros investimentos de risco (vou soprar a resposta desde já: não muito).

Vamos aos números?

A carteira inteligente da Vérios pode ser ajustada para 5 níveis de risco diferentes. Hoje, coincidentemente, a volatilidade anual (nível de risco) da carteira inteligente de nível X é de exatamente X%.

Tabela de volatilidade das carteiras Vérios

Ou seja, a carteira 1 tem risco muito baixo, quase sempre oscilando só um pouquinho em torno da sua rentabilidade esperada.

Se a rentabilidade esperada da carteira 1 é de, digamos, 14,25%, então em 68% dos casos depois de um ano ela vai render algo entre 13,25% e 15,25%. E em 95% dos casos ela vai render algo entre 12,25% e 16,25%.

A vantagem de correr mais risco é que, na média, a rentabilidade de uma carteira mais agressiva é mais alta do que a de uma carteira mais conservadora.

Se a rentabilidade esperada da carteira 5 é de, digamos, 16,5%, então depois de um ano a sua rentabilidade tem 68% de chance de estar entre 11,5% e 21,5%, e 95% de chance de estar entre 6,5% e 26,5%.

Observe que, mesmo num cenário pessimista em que a carteira 5 renda 6,5% no ano, este ainda é uma retorno praticamente equivalente a deixar seu dinheiro na caderneta de poupança. Otimizamos a alocação de forma que não exista risco relevante de você ter rentabilidade negativa após o período de 1 ano.

Via de regra, quanto maior o risco, maior a rentabilidade esperada. Esse trade-off entre risco e rentabilidade é visível a olho nu: veja no gráfico abaixo como a carteira 1 na média ganha menos — mas em compensação sempre oscila menos também — do que a carteira 5.

Rentabilidade acumulada: carteira 1 e carteira 5

gráfico de rentabilidade das carteiras 1 e 5

Comparando com os riscos de outros tipos de investimento

Já se perguntou como os riscos das carteiras da Vérios se comparam ao de outros tipos de investimentos?

Numa ponta, a poupança tem volatilidade praticamente zero: seu retorno é extremamente estável. O problema é que a poupança é um péssimo negócio: sua rentabilidade tem andado abaixo da inflação3. É perda (de poder de compra) na certa. Como diria um amigo, deixar o seu dinheiro na poupança não tem nenhum risco, nenhum risco de dar certo.

Na outra ponta do espectro dos níveis de risco temos a bolsa e o dólar, dois ativos que volta e meia entram na moda, no caso da bolsa em momentos de euforia (como tem acontecido nos últimos meses) e no caso do dólar em momentos de pânico (como aconteceu depois da quebra do Lehman Brothers em 2008).

Assim como bolsa e dólar podem decolar rapidamente, esses dois ativos às vezes entram em ritmo de queda livre: o dólar despencou durante a disparada da bolsa em 2016, e o inverso aconteceu ao longo de boa parte de 2015.

As súbitas e fortes mudanças de humor desses dois ativos bipolares não escapam à equação da volatilidade. Historicamente, a volatilidade do dólar gira em torno de 15% — três vezes a volatilidade da carteira 5, a de maior nível de risco da Vérios.

E a bolsa? Bem, essa é mais selvagem ainda: sua volatilidade geralmente gira torno de 25%, cinco vezes mais alta do que a da carteira 5 — que aliás tem pequenas exposições tanto à bolsa quanto ao dólar, mas risco bem menor do que as duas graças ao efeito positivo da diversificação.

Num meio-termo entre a placidez sem rentabilidade da poupança e a montanha-russa do dólar e da bolsa estão os fundos multimercados, um grupo com perfil de risco bem heterogêneo.

Alguns multimercados são muito agressivos, com volatilidades de 15% ou mais; os mais comportados podem ficar ali pelos 5%. Só que o nível de risco varia não só de fundo para fundo, mas também de período para período em um mesmo fundo.

O gestor de um fundo que estava num momento relativamente calmo, com volatilidade de 5%, pode ficar mais confiante e resolver apostar alto, jogando de repente a sua volatilidade lá para os 15%; ou um fundo alavancado pode ficar mais cauteloso depois de sofrer uma perda e diminuir temporariamente o seu risco.

Seja como for, os fundos multimercados em geral oscilam entre no mínimo tão arriscados quanto a carteira 5 da Vérios até várias vezes mais arriscados do que ela.

A figura abaixo resume toda essa conversa. Nela, você pode conferir como o risco de investir nas diferentes alocações da carteira inteligente da Vérios se compara com o risco de investir em classes mais tradicionais de ativos de risco. Em duas palavras: bem baixo.

riscos de todos os tipos de investimento

Espero que tenha ajudado você a compreender melhor o conceito de risco. Se tiver alguma pergunta, pode deixar aqui nos comentários que ficarei feliz em responder.

Quer saber qual é o nível de risco recomendado para o seu perfil? Responda a 6 perguntas em nosso simulador de investimentos e descubra!

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A rigor deveríamos escrever “volatilidade anual”, mas para encurtar vamos usar só “volatilidade” mesmo. O “anual” fica subentendido, tá?

Para os engenheiros, nerds e afins com apetite por equações: a volatilidade de um ativo financeiro é o desvio-padrão da série histórica das variações diárias dos seus preços, devidamente anualizada — a anualização corresponde a multiplicar o desvio-padrão diário pela raiz quadrada do número de dias úteis do ano, o que dá algo próximo a 16.

Atualmente a inflação (IPCA) acumulada nos últimos 12 meses está em 8,5%. Já a poupança nesse período rendeu 8,3%.

Entenda o risco das carteiras da Vérios
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Categorias: Carteira inteligente, Por dentro da Vérios
  • Cleber Dantas

    Muito legal, parabéns pelo artigo Flavio!

    Por curiosidade, se a volatilidade histórica do dólar e da bolsa são 15% e 25% respectivamente, qual seria o “retorno histórico esperado” desses dois camaradas? Imagino que “alto”, só assim pra correr esse risco todo.

    Obrigado e abs,
    Cleber

    • Oi Cleber,

      Em primeiro lugar: obrigado! 🙂

      Em segundo, ótima pergunta. Na literatura acadêmica de finanças um ativo com volatilidade muito alta deveria ter um retorno esperado também muito alto. Acontece que no caso da bolsa brasileira a relação entre risco é empiricamente mais fraca do que a teoria prevê: há longos períodos (e.g., 2011-2015) durante os quais a bolsa teve retorno bastante baixo, e outros (e.g., 2002-2007) durante os quais ela subiu muito rapidamente. (Ocorre algo parecido com o dólar.)

      Se usássemos o retorno esperado indicado pela literatura acadêmica o dólar e a bolsa teriam retornos teóricos muito altos, e com isso constituiriam uma parcela excessiva das nossas carteiras, o que prejudicaria o seu risco-retorno na prática.

      Então nos nossos modelos definimos uma relação ainda positiva mas um pouco mais fraca entre risco e retorno: ativos mais arriscados — nesse contexto, com volatilidade mais elevada — tem sim retorno esperado mais alto do que ativos menos arriscados, mas o retorno esperado cresce mais lentamente em função do risco do que aconteceria nos modelos tradicionais. Em termos técnicos: substituímos uma relação linear entre risco e retorno esperado* por uma relação côncava.

      Essa relação não-linear entre risco e retorno esperado se encaixa muito bem com o histórico real de rentabilidades. Ainda mais importante, ela melhora o risco-retorno historicamente realizado das nossas carteiras.

      Com os valores atuais de SELIC e volatilidade histórica — 15% e 25% são apenas médias, medimos constantemente as volatilidades — o nosso modelo nesse momento prevê retorno esperado nominal de 19% para o dólar e 23% para a bolsa.

      Cabem duas observações sobre esses valores. Primeiro, esses valores flutuam ao longo do tempo em função de parâmetros como a volatilidade real dos ativos e a SELIC. Segundo, não fazemos market-timing: esses retornos esperados não incorporam nenhum tipo de opinião sobre a economia, eles são puramente o produto de modelos matemáticos e estatísticos.

      abraço!

      * pra quem já estudou finanças, leia-se aqui “retorno em excesso” esperado

      • Cleber Dantas

        Sensacional, Flavio!

        Muito obrigado.

        Abs,
        Cleber

  • Anônimo

    Vocês poderiam criar uma carteira com um pouco mais de renda variável. 20% ainda é bastante conservador. Sei que essas regras não são verdades absolutas, mas vale lembrar da regra dos 100, adaptada pro Brasil como regra dos 80.

    Atualmente a SELIC está bastante alta, mas quando ela baixar a renda variável acaba sendo a alternativa para melhorar um pouco a rentabilidade da carteira, desde que o investimento seja feito visando o longo prazo, evidentemente.

    • Obrigado pela sugestão!

      O preço de aumentar a exposição à bolsa é aumentar o nível de risco da carteira como um todo. Por enquanto achamos que os níveis de risco atuais estão confortáveis para a grande maioria dos nossos clientes. Não descartamos acrescentar níveis de risco mais elevados no futuro, claro. Isso vai depender em parte da evolução da economia brasileira, inclusive o valor da SELIC, como você apontou.

      abraço

      • Anônimo

        Eu é quem agradeço pela resposta, Flávio. Só o fato de vocês não descartarem a mudança, tendo em vista a evolução da economia, já mostra que estão no caminho certo. Seu artigo é ótimo, sempre é bom poder ler um texto que conjuga bem a técnica e a didática. Desejo muito sucesso para a empresa de vocês. Abraços.