Especial Gestoras: Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG)

É quase impossível falar da Credit Suisse Hedging-Griffo, a CSHG, sem pensar no Fundo Verde e em seu gestor, Luis Stuhlberger. O fundo se mantém no topo do ranking brasileiro na categoria multimercado, com R$ 13,9 bilhões aportados e rentabilidade acumulada de mais de 8.000%. Somados, o total de investimentos sob a gestão da CSHG alcança R$ 94,4 bilhões.

A história da CSHG começou a ser escrita em 1981, quando a corretora de mercadorias Hedging e a corretora de valores Griffo, ambas brasileiras, passaram por um processo de fusão, formando a Hedging-Griffo. Luis Stuhlberger havia iniciado sua carreira na Griffo em 1978, atuando como operador de commodities. Na época, a especialidade da corretora eram as commodities agrícolas. Mas Stuhlberger, ainda um inexperiente operador, viria a se destacar no mercado com a negociação de ouro.

Luis Stuhlberger (Crédito: Silvia Costanti/Valor/Folhapress)

 O “Rei do Ouro”

O desempenho da Hedging-Griffo na negociação da commodity foi tão expressivo que, em 1982, Stuhlberger passou a ser conhecido como “Rei do Ouro”. Como resultado disso, em 1984 o Banco Central convidou o gestor para representar os operadores de ouro do Brasil.

O êxito da experiência com a negociação de ouro e a abertura comercial do país, a partir dos anos 1990, possibilitaram a expansão das operações com derivativos para os demais mercados, como futuro de juros, câmbio e ações.

Apesar de ter liberdade de decisão com alguns clientes, nem a Hedging-Griffo e nem o próprio Stuhlberger eram ainda uma referência em gestão de recursos. A solução veio em 1994, quando a empresa firmou uma parceria com a Linear, gestora independente comandada pelo ex-presidente do Banco Central, Ibrahim Eris. A lógica do novo negócio era a seguinte: a Linear entraria com a gestão de um hedge-fund (fundo multimercados) e a Hedging-Griffo, com os clientes.

A abertura do Fundo Verde e a peculiar gestão de Stuhlberger

Luis Stuhlberger acompanhou por alguns anos o trabalho de gestão da Linear. Em 1997, abriu o Fundo Verde, que hoje está fechado para captação. O estudo exaustivo da conjuntura socioeconômica nacional e internacional se tornou o diferencial da gestão de Stuhlberger. Uma de suas estratégias consiste em sair da frente da tela de computador e dedicar um tempo a ouvir as pessoas, sem distinção de classe social.

O Fundo Verde se mantém no topo do ranking brasileiro na categoria multimercado, com R$ 13,9 bilhões aportados e rentabilidade acumulada de mais de 8.000%

Outros métodos peculiares de gestão marcam a trajetória de Stuhlberger, como não se apegar com exclusividade aos modelos matemáticos de risco e ir contra o consenso do mercado. Aliás, para ele, as oportunidades podem aparecer exatamente nessas situações, indo de encontro ao consenso estabelecido.

Em dezembro de 1998, o gestor estava preocupado com a deterioração da economia brasileira e acreditava que a desvalorização do real era a solução. Ele apostou, então, na compra de dólar. A flutuação só ocorreu em meados de janeiro de 1999, mas o Verde aproveitou grande parte da variação. Só em 1999, o fundo valorizou 135%.

Em 2004, o Verde já havia atingido o seu limite. Mesmo assim, mais e mais investidores queriam aplicar na estratégia de sucesso do fundo. Para poder atender a demanda desses investidores, a Hedging-Griffo teria que criar uma estrutura gigantesca, contratar muitos funcionários, ampliar seu espaço… Mas essa trajetória estava fora dos planos dos sócios. A solução foi passar a distribuir fundos de terceiros. Assim, os clientes teriam mais alternativas para investir e ainda incentivariam estratégias diversificadas de novas gestoras, como Península, Ibiúna e SPX, entre outras.

A entrada do Credit Suisse

Escritório da CSHG em São Paulo (Crédito: Site Credit Suisse)

No final de 2006, foi anunciada a venda de 51% da Hedging-Griffo para o Credit Suisse, um dos maiores bancos de investimento com presença global. Foi quando a gestora passou a ser conhecida como CSHG. A associação entre as duas empresas, nesse primeiro momento, garantiu que o foco continuasse na gestão de recursos e geração de valor para os clientes. A compra dos remanescentes 49% da empresa foi concluída em 2011. Apesar da mudança no controle da gestora, Stuhlberger permaneceu à frente dos negócios.

A associação entre a Hedging-Griffo e o Credit Suisse garantiu que o foco continuasse na gestão e geração de valor para o cliente

A fundação da CSHG teve um significado mais profundo que apenas se unir a um grande banco de investimento. O modelo de gestão da Hedging-Griffo sempre foi muito centrado na figura de Stuhlberger. E, ao que parece, ele não criou um sucessor. Foi preciso assegurar um respaldo na estrutura e na reputação da empresa para que os clientes não se sintam desamparados no futuro, quando o gestor “pendurar as chuteiras”.

Mudanças previstas

Neste ano, foi anunciada a criação da Verde Asset Management, que marca a saída de Stuhlberger do Credit Suisse. A partir de janeiro de 2015, a nova gestora será controlada pelo próprio Stuhlberger, sendo que sua atual equipe e o próprio Credit Suisse serão acionistas minoritários.

Será proposto aos cotistas que aprovem a transferência de gestão das seguintes famílias de fundos para a nova gestora: Verde, Ações Long-Only, Long & Short e Global. Além disso, está prevista ainda a redução do patrimônio do fundo Verde Master, com a devolução de recursos aos clientes por meio de quatro parcelas semestrais, cada uma equivalente a 10% do patrimônio, na data do pagamento.

Linha do tempo

1976: A corretora de valores Griffo é fundada.

1978: Luis Stuhlberger inicia sua carreira na Griffo como operador de commodities.

1981: A corretora de mercadorias Hedging é fundada. No mesmo ano, ocorre a fusão com a Griffo, dando origem à Hedging-Griffo.

1990: O banco suíço de investimento Credit Suisse inicia suas atividades no Brasil.

1997: Abertura do Fundo Verde, com Luis Stuhlberger como gestor.

2006: Credit Suisse adquire 51% da Hedging-Griffo e assume o controle da nova empresa, criando assim a CSHG.

2011: Credit Suisse adquire a fatia remanescente da Hedging-Griffo.

2014: É anunciada a criação da Verde Asset Management, controlada por Luis Stuhlberger.

Exceto quando expressamente indicada outra fonte, todas as informações deste artigo foram obtidas em documentos oficiais da gestora, no website da gestora e/ou em conversa com a equipe da gestora.

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