Especial Gestoras: Guepardo Investimentos

Algumas gestoras de fundos de ações compartilham uma origem semelhante: surgem a partir de clubes de investimento. Inicia-se o negócio com aporte de capital de familiares e amigos para montar uma carteira de ações. Quando os resultados se tornam positivos e consistentes, o clube ganha visibilidade, mais investidores querem entrar… E então uma estrutura mais robusta, de fundo de investimento, passa a ser necessária.

Em 2001, Octávio Ferreira de Magalhães criou um clube de investimento para gerir os recursos de pessoas próximas. Com o sucesso da gestão, em pouco tempo o clube cresceu, e, em 2004, respondendo a esse crescimento, a Guepardo Investimentos foi fundada.

A Guepardo se diferencia pelo foco da sua equipe em buscar o melhor resultado dentro de uma estratégia única de gestão. Selecionar a dedo poucas empresas com potencial, comprar suas ações quando elas estão subavaliadas e vendê-las quando alcançam o preço justo é a expertise da gestora para gerar valor aos cotistas de seus fundos.

Olhar de investidor para uma estratégia única de investimento

A Guepardo carrega um bom legado da época do clube: tem o olhar do investidor e está sempre atenta para não dar um passo maior que as pernas

Com R$ 1,5 bilhão sob gestão, a Guepardo carrega um bom legado da época do clube, lançando um olhar não apenas de gestor, mas também de investidor sobre seus ativos, sempre atenta para não dar um passo maior do que as pernas.

Todo o montante está aplicado em uma mesma carteira de ações. Embora a gestora tenha diversos fundos – para investidores estrangeiros, investidores institucionais, entre outros – , todos replicam a mesma estratégia.

Em busca de ações subavaliadas

O perfil de investimento e modelo de gestão da Guepardo possibilitam que sua equipe – cuja maior parte é voltada às atividades de análise – concentre esforços em torno de um único propósito. Todo o time de análise é dedicado à estratégia Long-Only, que, a partir de um modelo proprietário de análise qualitativa, permite o investimento em empresas com diferenciais competitivos sustentáveis no longo prazo.

O processo de investimento é bem definido e rigoroso, o que se evidencia no nível de exigência para que uma nova empresa entre no portfólio. O investimento é direcionado a empresas subavaliadas pelo mercado, o que aumenta a margem de segurança. Além disso, o time de gestão precisa compreender o motivo de a empresa estar subavaliada e ter a convicção de que ela irá convergir ao que os analistas consideram o valor justo.

Ou seja, de uma forma simplificada, o investimento ocorre quando as ações de excelentes empresas estiverem abaixo do seu preço justo. Por sua vez, o desinvestimento acontece quando os preços convergem ao preço considerado justo. “Acreditamos nas ineficiências do mercado e investimos na contramão”, anuncia a gestora em sua página na internet.

Praticando o desapego

Trata-se de uma estratégia que exige disciplina. Uma vez alcançado o preço-alvo, deve-se ter a frieza de vender o ativo e realizar o lucro esperado. Não há espaço para apego emocional com as ações das empresas investidas.

O rigor da Guepardo na seleção dos investimentos já rendeu um artigo sobre a qualidade de sua gestão e seu processo de tomada de decisão (a respeito da BRF, a maior posição na estratégia de investimento da gestora nos últimos cinco anos).

Outro cuidado que a gestora exercita é não selecionar uma ação para o portfólio somente porque está abaixo do preço nos modelos de análise. Há ações “baratas” que vão continuar sem o reconhecimento do mercado. Na literatura de investimentos, esses papéis são conhecidos como value traps.

Menos é mais

A ênfase na análise qualitativa, além da quantitativa, faz com que a equipe trabalhe com um número reduzido de empresas. Como consequência, o objetivo da Guepardo não é acompanhar o desempenho do Ibovespa nem tê-lo como referencial de peso nas alocações da carteira. Seu foco está em identificar valor em empresas com geração de caixa, diferencial competitivo e que estejam subavaliadas pelo mercado.

Para diminuir o risco de liquidez ao aplicar em papéis com menos giro, a gestora tem um rigoroso processo de controle. Primeiramente, são definidos os cenários de stress e, a partir deles, a gestão estabelece o percentual de alocação para cada papel, sempre respeitando um limite máximo de exposição por ação.

A gestora trabalha com uma carteira concentrada, sem ter o objetivo de acompanhar o desempenho do Ibovespa, que não é um referencial de peso nas alocações da carteira

Para conseguir aplicar a estratégia de longo prazo da melhor forma possível, a Guepardo precisa de parceiros – leia-se investidores – que suportem quedas bruscas em períodos adversos. Isso explica os longos prazos de resgate dos fundos e a busca por investidores que entendam essa dinâmica de funcionamento, como por exemplos endowment funds de instituições de ensino no exterior.

Nem sempre foi assim: o primeiro fundo da casa, o Guepardo FIC FIA, que apresenta hoje rentabilidade acumulada de aproximadamente 30% ao ano em pouco mais de 10 anos, oferece resgate em 30 dias, e está fechado para novos aportes. No entanto, cada vez mais, a ideia da Guepardo é ter clientes alinhados com o diferencial competitivo da gestora e que não queiram resgatar no primeiro período de turbulência.

Exceto quando expressamente indicada outra fonte, todas as informações deste artigo foram obtidas em documentos oficiais, reportagens publicadas pela imprensa, no website da gestora e/ou em conversa com a equipe da gestora.

Categorias: Especial Gestoras, Fundos de investimento