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19 de Março de 2015 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Esqueça a diversificação. Aplique apenas no melhor investimento

19 de Março de 2015

Você cometeu um erro enorme com o seu dinheiro no ano passado. Você sabe disso, não sabe? As únicas partes da sua carteira de investimentos que renderam bem provavelmente foram as posições em inflação e dólar. Os fundos multimercados empataram com a poupança. Bolsa de valores foi horrível.

Onde você estava com a cabeça? Você claramente perdeu a grande oportunidade do ano. Você deveria ter abandonado a diversificação e investido todo seu dinheiro em títulos de inflação.

 Sensação de diversificar neste ano e no ano que vem

Esse é o problema com essa estratégia de diversificação que você insiste em seguir. Todo ano você vai ficar aborrecido com o resultado de uma parte do seu portfólio. Na maioria dos anos, se você tiver 5 classes distintas de ativos na carteira, uma ou duas vão ter bom resultado, uma vai ficar ali no meio, e duas vão apresentar um resultado ruim. E você não pode tolerar esse tipo de performance, de jeito nenhum. Afinal, por que alguma pessoa em sã consciência aceitaria qualquer rentabilidade abaixo do topo, abaixo da melhor de todas?

Ainda bem que a solução para o seu problema é simples. Todo ano, no dia 1º de janeiro, descubra qual classe de ativos vai ter o melhor desempenho no ano e transfira todos os seus investimentos pra lá. Esqueça a diversificação. Simplesmente invista no melhor.

Caso você ache que todo o sarcasmo deste artigo até aqui não reflete a opinião verdadeira de muitos investidores, o autor do texto original, Carl Richards, cita o caso concreto de um cliente, vamos chamá-lo de Dave. Dave tinha muito dinheiro. Carl se lembra de uma conversa em que Dave estava muito irritado. O cliente disse a Carl: A questão é simples. A única coisa que espero de você é que me diga o que devo comprar antes de valorizar, e o que devo vender antes de perder valor. Só isso. E Carl respondeu: Só isso? Por que não pensei nisso antes?

Agora, falando sério. Considerando que não existe nenhum método comprovado para descobrir o próximo melhor investimento, será que você deveria mesmo ficar escolhendo? Se você fosse obrigado a escolher um (apenas um!) investimento para segurar de hoje até o final do ano, você conseguiria? Não aceito ‘não’ como resposta! Você ainda não sabe qual vai ser o investimento campeão de 2015? Como não sabe?

Se não sabe mesmo, então talvez a melhor decisão seja ficar com uma carteira diversificada. Sim, um portfólio diversificado praticamente garante que você vai ficar infeliz com pelo menos uma classe de ativos, ano após ano. Mas o investimento que te traz essa infelicidade vai ser diferente a cada ano. Uma classe de ativos sobe enquanto outra desce. Aceite essa insatisfação como um sinal de que você está diversificando da forma certa, pois é assim mesmo que o mercado funciona.

Você deveria avaliar o impacto da diversificação apenas no longo prazo – e eu estou falando de décadas

Além disso, numa escala de 1 a 10, com 1 sendo satisfeito e 10 sendo estado depressivo, eu aposto que a sua tristeza vai ficar ali em torno de 5, talvez 6. Mas como ficará sua infelicidade caso você escolha apenas um investimento e escolha errado? Passa de 11.

Além de diversificar, sugerimos também rebalancear. Rebalancear é outro hábito que vai te deixar infeliz. Ao rebalancear, você vai vender pelo menos um ativo que performou bem e comprar mais daqueles ativos que foram mal. Isso deixa as pessoas extremamente incomodadas. Ao invés de sentir que estão comprando algo com desconto, elas se sentem como se estivessem trocando um ativo campeão por um perdedor.

Em anos como 2014, em que duas classes de ativos foram obviamente muito melhores que as demais, todo mundo adora falar mal da diversificação. Quando um tipo de investimento vai muito melhor que os outros, diversificar parece loucura. Rebalancear, então, pior ainda.

Mas o erro é esse: uma ferramenta como a diversificação não deve ser avaliada de um ano para o outro. Você deveria avaliar o impacto da diversificação apenas no longo prazo – e eu estou falando de décadas. Você não está diversificando por conta de como o Ibovespa foi no ano passado. Você deve continuar diversificando porque você não sabe como ele vai performar nos próximos 10 anos.

Claro que seu cunhado ou seu amigão ou um espertinho no jornal podem ter investido pesado nas ações de uma empresa e por acaso acertado o vencedor de 2014. Naquele ano. Mas se você tentar segui-los e errar, certifique-se de ter por perto uma boa planilha. Você vai precisar dela para calcular quantos anos a mais vai continuar trabalhando, antes de se aposentar, para recuperar o dinheiro perdido com uma única jogada errada.

Para saber mais sobre diversificação, recomendamos também a leitura do artigo Diversificação de investimentos: o que é e como funciona

Artigo publicado originalmente no The New York Times em 16/03/2014, traduzido e adaptado pela Vérios com expressa autorização do autor. O texto original está disponível no site do autor, Behavior Gap.

 

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Autores

Carl Richards é um CFP (Certified Financial Planner™), autor da coluna semanal Sketch Guy, publicada no The New York Times, e colunista no Morningstar Advisor

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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