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25 de outubro de 2012 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Fundos de inflação: final da festa

25 de outubro de 2012

Muitos investidores têm nos perguntado se é uma boa hora para investir em fundos e títulos indexados à inflação, que levam no nome IPCA, IMA-B, Índíce de Preços ou simplesmente Índices. Apesar da euforia, diversos indicadores levam a crer que a festa está acabando.

Diversos consultores vêm orientando seus clientes a investir em fundos de inflação. Os investidores, impressionados com os excelentes resultados, têm aceitado avidamente a oportunidade, e esses fundos continuam batendo recordes de captação. Mesmo com a festa chegando ao fim, eles atraíram quase R$ 1 bilhão, somente na semana de 5 a 11 de outubro.

Para saber se é provável que os ganhos continuem elevados, é preciso entender a origem desses ganhos. Com esse intuito, preparamos o gráfico abaixo, que relaciona alguns dados relevantes:

Os títulos de inflação apresentam melhores rentabilidades nos momentos em que ocorrem quedas na Taxa Selic

  • Rentabilidade do CDI
  • Rentabilidade do IMA-B
  • Taxa Selic

O IMA-B é o Índice de Mercado ANBIMA que representa a evolução de preços (rentabilidade) das Notas do Tesouro Nacional, Série B (NTN-B). As NTN-B são títulos públicos atrelados à variação do IPCA, e são o principal título adquirido pelos investidores e fundos que investem inflação.

O gráfico mostra que os títulos de inflação apresentam melhores rentabilidades nos momentos em que ocorrem quedas na Taxa Selic. Isso pode ser percebido nos períodos hachurados: quando a Selic é reduzida, a rentabilidade do IMA-B acelera, descolando-se do CDI.

Rentabilidade do IMA-B em relação à Taxa Selic e ao CDI: quando a Selic cai, o IMA-B sobe
Rentabilidade do IMA-B em relação à Taxa Selic e ao CDI: quando a Selic cai, o IMA-B sobe

 Para saber se é um bom momento para investir em inflação, precisamos saber se a Taxa Selic continuará em queda. Acreditamos que a resposta é “não”.

Na ata da última reunião do COPOM, que acontece a cada 45 dias, o Banco Central sinalizou que a queda da Taxa Selic chegou ao fim. A redução decidida no dia 18 de outubro foi defendida por cinco membros, que justificaram seu voto argumentando que o cenário “ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias”.

O jornal Valor Econômico publicou recentemente uma reportagem com esse mesmo alerta, que você pode ler clicando aqui. Concordamos e reforçamos essa mensagem, pois a fase de altas rentabilidades provavelmente se esgotou.

Muitos investidores chegam atrasados após uma fase de rentabilidade elevada. Investem depois que a oportunidade já passou, e acabam com suas expectativas frustradas. Dependendo dos seus objetivos, pode ser bom investir em inflação neste momento. O importante é que você não tome essa decisão achando que a rentabilidade apresentada ao longo de 2012 se repetirá. Decida pelos motivos certos, e não com base na ilusão de ganhos acelerados.

Por que os títulos de inflação sobem com a queda da taxa de juros?

Os títulos de inflação (NTN-B) apresentam uma rentabilidade híbrida: parte é pré-fixada e parte é pós-fixada. Quando são emitidos, esses títulos oferecem remuneração composta por um indicador de inflação (pós-fixado) e um percentual de juro real (pré-fixado). Por exemplo, rentabilidade de IPCA + 3% ao ano.

Essa rentabilidade é garantida pelo Tesouro Nacional, que se compromete a pagar aos investidores, na data de vencimento, o valor do título acrescido da rentabilidade combinada.

Porém, depois de serem emitidos pelo Tesouro Nacional, esses títulos passam a circular livremente, podendo ser vendidos e recomprados por investidores. Nessas negociações, o preço (valor de mercado) dos títulos sofre forte influência decorrente de variações na taxa de juros básica da economia.

Para simplificar, vejamos um exemplo utilizando um título de rentabilidade pré-fixada, com prazo de 1 ano.

No momento da emissão, o Governo se compromete a pagar R$ 110 a quem detiver o título na data de vencimento. Se a taxa de juros está em 10% ao ano e o prazo do título é de 1 ano, os investidores estarão dispostos a pagar R$ 100 por esse título.

Valor FinalR$ 110,00
Taxa de Juros10%
Valor de MercadoR$ 100,00

Quando a Taxa Selic cai, existe um reajuste imediato no valor de mercado dos títulos públicos pré fixados. Suponhamos que, no mesmo dia da emissão acima, o COPOM anunciasse um corte da Taxa Selic para 5% ao ano. Os investidores passariam a pagar por esse título um valor de mercado que, acrescido de 5%, resultasse em R$ 110. Esse valor é R$ 104,76.

Valor FinalR$ 110,00
Taxa de Juros5%
Valor de MercadoR$ 104,76

Para o investidor que já tinha esses títulos ANTES da mudança na Taxa Selic, ocorre uma variação no valor de mercado dos títulos, que resulta numa rentabilidade imediata. No nosso exemplo, teria ocorrido um ganho imediato de 4,76%. Porém, o investidor que adquirir esses títulos APÓS a mudança, restará a rentabilidade de 5% ao ano.

É claro que o processo na prática é mais complexo, pois existem muitas outras variáveis. O exemplo simplificado ajuda a entender, mas, se sobraram dúvidas, estamos à disposição para continuar essa conversa.

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25 de outubro de 2012
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Autores

Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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