Fundos multimercados: o que são e como funcionam

Fundos multimercados: o que você precisa saber

Diversificar é uma das regras básicas na hora de investir o dinheiro. Para distribuir os ovos em diferentes cestas, há uma série de aplicações financeiras, entre elas os fundos multimercados, que costumam ser indicados para a diversificação dos investimentos.

Para se ter uma ideia do tamanho dessa classe de ativos, em outubro de 2016 os fundos multimercados no Brasil tinham patrimônio líquido de R$ 654,1 bilhões, o equivalente a 19,4% do patrimônio total da indústria de fundos de investimento, segundo dados da Associação Nacional das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Saiba como funcionam os fundos de investimento neste outro artigo.

Os fundos multimercados são mais complexos do que os fundos de renda fixa ou DI e os fundos de ações. Neste texto explicamos as características, vantagens e desvantagens, assim como os riscos dessa classe de ativos.

O que são fundos multimercados e como funcionam

Ao contrário dos fundos de uma classe específica, os fundos multimercados têm liberdade para operar diferentes ativos, entre papéis de renda fixa, ações de empresas, moedas (como dólar), derivativos e investimento no exterior. Essa flexibilidade possibilita ao gestor do fundo montar diversas estratégias, conforme mudanças no cenário econômico ou no mercado financeiro, por exemplo.

A característica versátil permite que os fundos atravessem, inclusive, momentos de forte volatilidade nos mercados. Nesse caso, a liberdade conferida ao gestor pode trazer um retorno atrativo, mas também um alto nível de risco.

Tipos de estratégias

Devido à suabanner-poupanca grande flexibilidade, os fundos multimercados são os maiores coringas da indústria de fundos. Eles podem ser mais conservadores que alguns fundos de renda fixa, ou muito mais agressivos que os fundos de ações. A categoria dos multimercados literalmente inclui “todo o resto” – ou seja, todos os fundos que não se encaixam nas demais categorias existentes.

Por isso, ao investir em um fundo multimercado é importante ficar atento ao tipo de estratégia que a gestora do fundo adota. Isso porque cada estratégia tem regras diferentes para realizar as operações. Conheça as mais comuns, conforme descrição disponível no site da Anbima:

Estratégia Macro

Esse tipo de fundo faz operações em ativos de renda fixa, renda variável, câmbio, entre outras classes, com estratégias de investimento traçadas com base no cenário macroeconômico de médio e longo prazo.

Estratégia Trading

Diferentemente do tipo macro, esses fundos buscam aproveitar oportunidades de ganhos a partir de movimentos do preço dos ativos no curto prazo.

Estratégia Long and Short (também conhecidos como Equity Hedge)

Esse tipo de fundo opera ativos de renda variável, principalmente ações, com posições compradas e vendidas. Nesse tipo de operação, o objetivo do gestor é buscar retornos pela diferença entre a rentabilidade das ações compradas e vendidas (leia mais aqui).

Estratégia Juros e Moedas

Os multimercados com essa estratégia procuram obter retorno no longo prazo por meio de aplicações em ativos de renda fixa, permitindo operar moeda estrangeira – como dólar –, juros, assim como índices de preços. Nesse tipo de fundo, o gestor não pode fazer alocação em renda variável, por exemplo, ações.

Estratégia Livre

Como o nome já diz, esses fundos podem adotar diferentes estratégias ao longo de sua existência, sem compromisso com alguma específica.

Estratégia Específica

Ao contrário da estratégia livre, esses fundos podem montar estratégias de investimento específicas, incluindo ativos como commodities.

Riscos e liquidez

Ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades de ganho em diferentes cenários, os fundos multimercados costumam carregar uma boa dose de risco, que varia conforme o tipo de ativo nos quais investe e também de acordo com a estratégia.

Na prática, apesar de às vezes conseguir surfar bem as ondas de incerteza do mercado, os fundos podem ter prejuízos grandes em crises mais profundas, por exemplo, ou quando algum acontecimento inesperado surpreende o gestor. Por isso, costumam ser recomendado a investidores moderados ou arrojados, ou seja, com estômago para aguentar possíveis perdas do patrimônio ao longo do tempo.

O risco também pode ser maior porque, em muitos casos, é permitida a chamada alavancagem, uma prática que pode maximizar os ganhos, porém também potencializar as perdas. De forma bem resumida, a alavancagem consiste em colocar em jogo um valor superior ao patrimônio total do fundo.

Em média, a volatilidade dos fundos multimercados fica entre 5% e 15% ao ano. Veja nesta ilustração a comparação com a volatilidade de outros tipos de investimento:

riscos de todos os tipos de investimento

(As Carteiras 1 a 5 representam os cinco níveis de risco das carteiras administradas pela Vérios.)

Liquidez

Diferentemente dos fundos DI, que costumam ter liquidez diária, no caso dos fundos multimercados o investidor pode ter de esperar algum tempo para poder sacar os recursos. O prazo para pagamento dos resgates pode variar muito de um fundo para outro, conforme a estratégia de cada um, por isso é fundamental ler o prospecto e o regulamento antes de fazer os aportes. (Essa recomendação, aliás, vale para qualquer fundo de investimento: leia sempre o prospecto e o regulamento antes de investir e esclareça suas dúvidas por escrito!)

Custos

Como os demais fundos de investimento, os multimercados também possuem a chamada taxa de administração, cobrada para remunerar as instituições responsáveis pela gestão, administração e distribuição do fundo.

A taxa média cobrada por fundos multimercados é de 1,82% ao ano, segundo dados da Anbima referentes a setembro de 2016. Mas não é incomum encontrar fundos com mordidas maiores.

Como a gestão desse tipo de fundo costuma ser mais complexa em relação a outras modalidades, geralmente há incidência de taxa de performance, cobrada para remunerar a equipe de gestão quando o desempenho do fundo supera o índice de referência, conhecido como benchmark. As taxas mais comuns no mercado são de 20% sobre o rendimento que ultrapassar o CDI (taxa de referência de aplicações conservadoras) ou Ibovespa (principal índice de ações da bolsa de valores).

Para entender melhor, vejamos um exemplo  de fundo hipotético que cobra 2% de taxa de administração + 20% sobre o CDI a título de performance. Caso o gestor desse fundo consiga gerar na carteira do fundo, após os encargos de operação, um ganho de 4,10% acima do CDI no ano, a rentabilidade oficial do fundo que chegará para o cotista investidor será de 1,68% acima do CDI. Isso acontece porque será descontada a taxa de administração (2%) e depois, sobre a rentabilidade restante, serão descontados 20% do que superou o CDI: 2,10% * 0,8 = 1,68%.

Tributação

Os multimercados também não escapam da mordida do Leão. O Imposto de Renda (IR) incide sobre os rendimentos de acordo com o prazo da aplicação, e o investidor paga o imposto no resgate do dinheiro aplicado.  

No caso de fundos de curto prazo – cuja carteira tenha prazo médio igual ou inferior a 365 dias – o IR é cobrado conforme as seguintes alíquotas:

  • 22,5%: investimentos com prazo de até 180 dias;
  • 20%: investimentos com prazo de 181 dias até 360 dias;

Para fundos com prazo médio igual ou superior a 365 dias, conhecidos como fundos de longo prazo, a tributação também segue uma tabela regressiva:

  • 22,5%: investimentos com prazo de até 180 dias;
  • 20%: investimentos com prazo de 181 dias até 360 dias;
  • 17,5%: investimentos com prazo de 361 dias até 720 dias;
  • 15%: investimentos com prazo de acima de 720 dias.

Geralmente você consegue ver, na lâmina de informações essenciais do fundo, se ele está sujeito à tributação de curto prazo ou de longo prazo.

Come-cotas

Além do IR cobrado no resgate, parte do Imposto de Renda é recolhido antecipadamente no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano, em um sistema chamado de “come-cotas”. Para esse recolhimento é sempre utilizado o menor percentual de imposto incidente em cada tipo de fundo, ou seja, 20% para fundos de curto prazo e 15% para fundos de longo prazo. No resgate, não ocorre tributação em dobro, pois é cobrada apenas a diferença restante. Clique aqui para saber tudo sobre o come-cotas em outro artigo.

IOF

Cabe destacar que, ao resgatar uma aplicação em menos de 30 dias após o aporte, o investimento também estará sujeito à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A mordida varia de 96% a 0% sobre os ganhos, dependendo do número de dias decorridos entre a aplicação e o resgate. A partir do 30º dia, não há mais a incidência desse tributo.

Diversificação mais prática e barata

Como falamos no início, os fundos multimercados podem ser um bom veículo para diversificação dos investimentos. Apesar dessa vantagem, os custos (taxa de administração, taxa de performance e encargos) envolvidos nesse tipo de fundo podem corroer parte da rentabilidade ao longo do tempo.

Há outras maneiras de diversificar a cesta de aplicações financeiras, com custo menor e mais praticidade. Ao investir pela carteira inteligente da Vérios, você tem acesso a um portfólio composto por títulos públicos e uma pequena fatia em ações das bolsas brasileira e norte-americana.

Além disso, estamos de olho em todos os movimentos do mercado para, sempre que necessário, fazer o rebalanceamento do portfólio. E melhor: você paga apenas 0,95% ao ano, já incluindo todas as despesas de todos os produtos que fazem parte da cesta, e também todos os custos da corretora. Sem pegadinhas.

Que tal fazer uma simulação para descobrir a alocação diversificada que indicamos para o seu perfil de risco? É rápido e fácil.

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