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20 de junho de 2017 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Fundos que cobram preço de churrascaria para entregar um prato feito

20 de junho de 2017

Em que investem os maiores fundos de investimento brasileiros? Para responder a essa pergunta, fizemos um estudo da composição dos 10 fundos com maior patrimônio líquido, ou seja, aqueles com mais dinheiro aplicado. O resultado é frustrante. Se você aplica em fundos oferecidos pelo seu banco, a leitura é obrigatória.

Neste artigo apresentamos com mais detalhes nosso estudo, assunto de reportagem publicada pela Folha de São Paulo no dia 12 de junho de 2017.

Fundos que oferecem prato feito…

Juntos, os 10 maiores fundos do país têm patrimônio de cerca de R$ 669 bilhões1. A maior parte deles são fundos para fundos (que no financês são chamados de “fundos master”, pois não estão disponíveis para investimento direto pelas pessoas, servindo apenas para que outros fundos apliquem neles). Confira na lista:

Os maiores fundos do Brasil em patrimônio (valor investido)

Banco

 

 

Nome do fundo

   

Patrimônio líquido

Banco do Brasil
 
 
BB TOP RENDA FIXA CURTO PRAZO FUNDO DE INVESTIMENTO
   
R$ 115.394.131.599,81
Itaú
 
 
ITAÚ FLEXPREV RENDA FIXA – FUNDO DE INVESTIMENTO
   
R$ 91.573.782.310,80
Itaú
 
 
SPECIAL RENDA FIXA REFERENCIADO DI – FUNDO DE INVESTIMENTO
   
R$ 91.519.590.398,34
Banco do Brasil
   
BRASILPREV TOP TPF FUNDO DE INVESTIMENTO RENDA FIXA
   
R$ 89.822.127.410,03
Bradesco
   
BRADESCO FUNDO DE INVESTIMENTO RENDA FIXA MÁSTER II PREVIDÊNCIA
   
R$ 83.583.082.415,26
Bradesco
   
BRAM FUNDO DE INVESTIMENTO RENDA FIXA REFERENCIADO DI CORAL
   
R$ 52.318.016.798,13
 Bradesco
   
BRADESCO FUNDO DE INVESTIMENTO RENDA FIXA REFERENCIADO DI PERFORMANCE
   
R$ 51.748.813.902,53
Banco do Brasil 
   
 BB RF IV FUNDO DE INVESTIMENTO RENDA FIXA LONGO PRAZO
   
R$ 49.001.449.247,64

 

Banco do Brasil
   
BRASILPREV RT FIX II FUNDO DE INVESTIMENTO EM COTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO RENDA FIXA 
   
R$ 44.203.400.345,02

Fontes: CVM e banco de dados do Comparação de Fundos, com dados de abril de 2017.

Na lista estão nove fundos porque o décimo é justamente um fundo que aplica todo o seu patrimônio no primeiro fundo da lista (vamos falar bastante sobre ele já, já). Se incluíssemos ele na lista, seu patrimônio seria contado de forma duplicada!

Do patrimônio total investido nos fundos listados, cerca de 82% estão aplicados em títulos públicos indexados à Selic2.

Até aí, tudo bem. Brasileiros gostam de renda fixa! Nada mais natural que os maiores fundos sejam de renda fixa, com aplicações remuneradas pelo principal indicador da renda fixa, a Selic, taxa básica de juros da economia. Costumamos dizer que ela é o arroz com feijão dos investimentos. No contexto deste artigo, podemos chamar as aplicações atreladas à Selic de prato feito, o famoso “PF”!

O que nos chamou a atenção foi o preço que os bancos cobram por esse serviço, ou seja, as taxas de administração cobradas pelos fundos.

…mas cobram preço de churrascaria

Como vimos, o primeiro fundo da nossa lista, o BB Top Renda Fixa Curto Prazo Fundo de Investimento, é um fundo de fundos e não está disponível para investimento. Por isso mesmo, sua taxa de administração é zero. Esse fundo, de acordo com seu regulamento, aplica 100% do seu patrimônio em aplicações indexadas à Selic.

Outros 29 fundos aplicam no BB Top. O maior deles é o BB Renda Fixa Curto Prazo Supremo Setor Público FIC FI, que administra nada mais nada menos que R$ 44 bilhões. Esse fundo tem 140 mil cotistas (investidores) e cobra taxa de administração de 4% ao ano. Sim, 4% ao ano para aplicar apenas em títulos atrelados à taxa básica de juros. A título de comparação, a taxa média cobrada no mercado, no segmento de varejo, é de 1,03% ao ano para fundos de renda fixa3.

O fundo poderia ser destinado o público em geral (infelizmente existem alguns que cobram taxa de até 5% ao ano), mas — o que é ainda mais revoltante — ele é “indicado para os Governos Estaduais e Municipais, suas Autarquias e Fundações que desejem liquidez e rentabilidade diárias”, de acordo com informações do Banco do Brasil. São 140 mil contas bancárias de órgãos públicos que pagam essa taxa de administração de 4% ao ano com o dinheiro da população.

Na relação dos 29 fundos que aplicam seu patrimônio integralmente no BB Top você encontra outros que cobram taxa de administração superior a 2% ao ano, como:

  • Fundo BB Renda Fixa Curto Prazo Automático FIC FI, que cobra taxa de administração de 3,70% ao ano para aplicar o saldo de empresas correntistas do Banco do Brasil. Tem patrimônio de mais de R$ 13 bilhões e mais de 144 mil investidores.

  • Fundo BB Renda Fixa Curto Prazo 200 FIC FI, que cobra taxa de 2,50% ao ano para aplicar o saldo de pessoas físicas correntistas do Banco do Brasil. Seu patrimônio é superior a R$ 6 bilhões e tem cerca de 216 mil investidores.

Tomamos o Banco do Brasil como exemplo por gerir o fundo de maior patrimônio em nosso país. Mas esse cenário não é exclusividade desse banco. Sabemos que diversos outros bancos cobram em seus maiores fundos taxas de administração  no mesmo patamar das que mostramos acima.

Em alguns casos, pagar mais caro pode fazer sentido, se você estiver contratando um serviço que exige maior complexidade. O problema desses fundos é que as pessoas por pura falta de informação estão pagando taxas altas por um produto de investimento muito simples.

Com taxas de 4% ao ano, alguns fundos podem render menos até que a inflação, levando você a uma situação de perda de dinheiro

Nesses fundos de renda fixa, quanto maior o custo, menor é a sua rentabilidade. Praticando taxas altas e considerando os impostos devidos, alguns fundos podem render menos até que a inflação, levando você a uma situação de perda de dinheiro.

Em vez de deixar seu dinheiro nesses fundos, você pode aplicá-lo na mesma coisa (títulos públicos indexados à Selic) com custo médio bem menor, como veremos a seguir.

Como fugir da armadilha dos fundos de renda fixa

A primeira coisa que você pode fazer é buscar no próprio banco outros fundos de renda fixa que não cobrem tão caro para aplicar seu dinheiro. Isso na teoria. Na prática, dificilmente seu banco oferecerá uma taxa menor que 1% ao ano — a não ser que você se comprometa a aplicar em produtos do banco grande parte do seu patrimônio. Isso não deixa de ser uma espécie de venda casada, por sinal muito comum.

O caminho mais certeiro para fugir das altas taxas dos bancos é tirar o dinheiro de lá, buscando opções melhores em corretoras e novas empresas, como a Vérios, que estão surgindo para prestar um serviço bem melhor que os bancos, por um custo menor.

Se seu objetivo é aplicar apenas em renda fixa, o “PF” dos investimentos, o que recomendamos é ir de Tesouro Direto, o programa do Governo Federal para oferta de títulos públicos. A partir de R$ 30 você pode investir diretamente no Tesouro Selic, um título que em essência é o mesmo em que os fundos que vimos aplicam, mas sem pagar a taxa de intermediação do fundo. É a aplicação mais segura do Brasil, por ter o menor risco já que é garantida pelo Tesouro Nacional. Mais segura inclusive que a caderneta de poupança, que está sujeita à saúde financeira do banco e só é garantida dentro dos limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Para investir no Tesouro Selic é preciso ter conta aberta em uma corretora. Em média, custa 0,55% ao ano4, contando o que você paga para a corretora e a B3 (antiga BM&F Bovespa, responsável por custodiar os títulos em seu nome e CPF). Mas já existem corretoras que não cobram nenhuma taxa para intermediar sua aplicação no Tesouro Direto. Nesse caso, o custo total fica em 0,30% ao ano, que corresponde à taxa de custódia da B3. É um custo 13 vezes menor que um fundo que cobra 4% ao ano, para ter o mesmíssimo investimento no fim das contas. A diferença de preço é a mesma entre almoçar no rodízio de carnes de uma famosa churrascaria e na padaria da esquina.

Os títulos públicos são a aplicação mais segura do Brasil, por ter o menor risco já que são garantidos pelo Tesouro Nacional. É mais seguro inclusive que a caderneta de poupança

Você não é obrigado a pagar preço de churrascaria para comer um prato feito. Aliás, churrascaria nenhuma vale uma taxa de administração de 4 ou 5% ao ano sobre o seu dinheiro. Na Vérios, oferecemos um serviço bem “gourmet”, com benefícios que o banco não te dá, cobrando 0,95% ao ano (o que inclui não apenas nossa taxa, mas todas as outras que você pagaria investindo por conta própria). Existem fundos que cobram taxas de 2% ao ano, mas entregam bons resultados.

Se sua opção for continuar com o banco, não aceite recomendações de fundos ou outros produtos sem antes compreender os custos. Para aplicar apenas em produtos de renda fixa atrelados à Selic, não aceite pagar mais que 1% ao ano. Entenda os custos que você paga para investir e faça o possível para reduzi-los.

E a poupança? Bom, a caderneta de poupança não vale a pena nunca, a não ser que seja comparada com um fundo que cobre taxas abusivas e tenha baixa rentabilidade. Mesmo nesse caso, dê preferência para aplicar seu dinheiro fora da poupança. Você certamente encontrará opções mais rentáveis.

Todos os dados apresentados no estudo feito pela Vérios referem-se ao final do mês de abril de 2017.

Para identificar o percentual de 82%, analisamos os regulamentos dos fundos e os balanços divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários. Cerca de R$ 553 bilhões de todos os recursos aplicados nos 10 maiores fundos estão alocados em títulos públicos indexados à taxa Selic, e/ou compromissadas lastreadas em títulos públicos indexados à Selic.

Fonte: Consolidado Histórico de Fundos de Investimento ANBIMA, Abril/2017.

Considerando a taxa de 0,30% ao ano cobrada pela B3 para custódia dos ativos mais a taxa média de 0,25% ao ano cobrada pelas corretoras credenciadas ao Tesouro Direto. Veja no site do Tesouro Direto a taxa de administração cobrada por cada corretora (agente de custódia).

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Fundos que cobram preço de churrascaria para entregar um prato feito
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20 de junho de 2017
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Autores

Economista pela Unicamp com Certificação de Gestores Anbima (CGA) e programadora nas horas vagas, Aninha foi Head de Customer Experience na Vérios e ajudou a construir nosso modelo de atendimento próximo e eficiente, que se tornou referência no mercado financeiro

Fã da facilidade que as fintechs proporcionam, Isa trabalha com comunicação e marketing. É jornalista formada pela UERJ, com MBA em Marketing pela FGV

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