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29 de novembro de 2013 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Fundos que não estão investindo em nada

29 de novembro de 2013

Quem tem acompanhado o mercado, sabe que a vida dos gestores de recursos tem sido extremamente difícil em 2013. Além da complexidade habitual, o mercado tem estado sem tendências definidas. Diante desse cenário, alguns deles optaram por uma estratégia inusitada: desinvestir e esperar.

Questões como o programa de liquidez americano, a direção da taxa Selic, o desafio da política fiscal brasileira e a divulgação de indicadores econômicos confusos no País são alguns dos fatores que têm gerado incertezas e tirado o sono dos gestores. Fundos com qualidade amplamente reconhecida no mercado estão atualmente “andando de lado”. Clique aqui e veja um gráfico com a rentabilidade de alguns deles nos últimos 6 meses.

A ausência de resultados, positivos ou negativos, gera insegurança nos investidores que acompanham com mais frequência suas aplicações. Nós também, monitorando esses fundos, notamos a mudança de desempenho e fomos averiguar os motivos.

Após algumas reuniões com gestores, cuja pauta incluía os resultados dos fundos e o cenário macroeconômico, ficou claro que muitos desses profissionais também não possuem convicção sobre o que deve acontecer nos próximos meses. Diante disso, a estratégia adotada tem sido manter os recursos mais ou menos parados.

A ausência de resultados, positivos ou negativos, gera insegurança em investidores que acompanham com mais frequência suas aplicações

Mas qual o sentido, então, de investir em um fundo se o gestor não está aplicando seu dinheiro em quase nada? Apesar de não estar montando nenhuma posição de investimento relevante, as taxas de administração continuam sendo cobradas. Parece contraditório, mas acreditamos que faz sentido.

Primeiro, porque esses fundos não estão completamente parados. Eles continuam fazendo algumas posições curtas, aproveitando algumas oportunidades pontuais e rodando estratégias acessórias. Apenas estão evitando grandes posições direcionais .

Segundo, porque gerar rentabilidade sobre o patrimônio dos clientes é um trabalho que consiste em encontrar oportunidades com relação risco/retorno favorável, em diferentes cenários, a cada momento. Se não há segurança suficiente para montar posições direcionais, o melhor é ficar fora do mercado até que as oportunidades apareçam.

Ao não assumir nenhuma posição, o objetivo é preservar o patrimônio do investidor

Na nossa avaliação, consideramos que esses fundos tomaram uma decisão corajosa e correta. Na falta de uma diretriz clara, é coerente a estratégia de não investir em quase nada: o objetivo é proteger o patrimônio do investidor.

Essa dinâmica faz parte do mandato do gestor, mas nem todos têm coragem de adotá-la. Isso acontece porque o investidor brasileiro é muito curtoprazista, ou seja, muito preocupado com o curto prazo. Um fundo que passa 4 meses sem superar o CDI já entra na fila para realocação.

Por isso, aproveitamos a oportunidade para lembrar que o papel do gestor não é apenas ganhar dinheiro para o cotista. É também evitar perder o dinheiro do cotista. No longo prazo, saber o momento de evitar perdas é tão importante quanto saber identificar oportunidades de ganho.

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29 de novembro de 2013
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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