Gastador, pão-duro ou frugal? Conheça seu perfil e aprenda a gastar dinheiro sem culpa

Saiba como fazer o controle dos seus gastos

Muitas pessoas nos perguntam quanto deveriam poupar e investir todos os meses. Hoje trazemos aqui no blog a metodologia do Tiago Guedes, do site Investidor Rico. Veja se ela funciona para você e não se esqueça de comentar!

Você quer gastar seu dinheiro sem culpa?

No mundo da educação financeira, muitos especialistas dizem que ter um orçamento completo é uma das ferramentas mais importantes para alcançar a independência financeira. Você já tentou fazer um orçamento? Controlar todos seus gastos?

E quando ficava um dia sem anotar e acumulava? Lembra daquele sentimento de culpa?

Mas eu tenho uma boa notícia: esqueça esses orçamentos complexos onde você precisa anotar tudo. Em vez disso, você vai criar um Plano de Gastos Conscientes, organizar suas finanças pessoais em apenas cinco passos e ainda gastar seu dinheiro sem culpa!

Essa é uma metodologia proposta pelo Ramit Sethi, educador financeiro e empreendedor, autor do excelente livro “I Will Teach You To Be Rich” (“Vou te Ensinar a Ser Rico”, em tradução livre).

Você não precisa de um orçamento complexo

Eu percebi que o foco do orçamento (controlar cada custo no detalhe) estava errado ao me perguntar sobre os porquês de fazer orçamento completo:

Por que eu tenho um orçamento completo? Para entender da onde vem o meu dinheiro e para onde ele está indo.

Por quê? Para saber onde estão os gastos altos e desnecessários.

Por quê? Para poupar mais dinheiro.

Por quê? Para investir mais!

Por quê? Para alcançar a independência financeira, realizar meus sonhos de consumo e não ter mais preocupações com dinheiro!

O mais importante é o quanto eu invisto e não como e onde eu gasto

A partir dessa reflexão, cheguei à conclusão de que o mais importante é o quanto eu invisto e não como e onde eu gasto!

Será que ter o trabalho de contar cada café que tomo é o que realmente vai me deixar mais próximo da independência financeira? Focar em investir o máximo possível não parece melhor e mais simples?

A criação de um Plano de Gastos Conscientes tem como objetivo distribuir sua renda de forma que você possa alcançar todos seus objetivos e ainda gastar com as coisas que ama. E o melhor: sem culpa!

Aí você me pergunta: “Como gastar sem culpa e ainda poupar uma boa parcela da minha renda?”. Resposta em breve, continue lendo. Antes, quero saber como você lida com o dinheiro.

Você é gastador, pão-duro ou frugal?

Quando se trata de gastar dinheiro, você pode se enquadrar em três tipos, gastado, pão-duro ou frugal. Vamos analisar cada um deles:

– O perfil gastador

Se você for um gastador, será difícil poupar, pois nunca sobra dinheiro. Basta ter saldo positivo na conta bancária que sempre se arruma um jeito de gastar!

O perfil gastador quer sempre as coisas mais caras, mesmo sem precisar. Consome para os outros.

Resultado: será escravo do dinheiro e irá trabalhar para pagar contas!

– O perfil pão-duro

Muita gente acha que ser pão-duro é bom, mas se esquecem dos prejuízos a longo prazo, pois muitas vezes quem tem esse perfil faz a chamada “economia porca”.

Por exemplo: comprar alimentos de menor qualidade nutricional para economizar, ou então “esquecer” de pagar os 10% da conta quando sai com os amigos.

Resultado: problemas de saúde por causa de uma alimentação ruim e perda das amizades por atitudes mesquinhas!

Agora você deve estar pensando: “Como vou poupar sem ser pão-duro? Esse cara é maluco!”. Mas a resposta está no terceiro perfil possível.

– O perfil frugal

Se você pensou: “Iiih, mas ser frugal não é o mesmo que ser pão-duro?”, é porque está com o conceito errado na cabeça!

Ser frugal é priorizar o que é importante para você, gastar seu dinheiro de forma inteligente

Ser frugal significa priorizar o que é importante para você, dar valor ao que tem e gastar seu dinheiro de forma inteligente. É se importar com o valor e os benefícios do que se compra, e não com o preço.

Como ser frugal?

Antes de comprar qualquer coisa, faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  • Eu realmente preciso disso?
  • Quais são as características desse bem que satisfazem minhas necessidades?
  • Qual marca/modelo de melhor custo-benefício em relação às características básicas acima?
  • O prazer/benefício dessa compra compensa ficar mais longe da minha independência financeira?

Ao realizar esse exercício antes de qualquer compra, as chances de gastar com algo desnecessário diminuirão drasticamente.

Treine sua mente para focar no valor e benefícios de tudo que você compra, não no preço. Faça compras para você e não para os outros!

Agora que você já sabe a importância de ser frugal, vou te ensinar como montar um Plano de Gastos Conscientes.

Montando um Plano de Gastos Conscientes

Para montar o seu Plano de Gastos Conscientes o primeiro passo é analisar seu fluxo de caixa, isto é, as entrada e saídas de dinheiro na sua vida. Basta seguir estes cinco passos:

1) Saiba qual é a sua receita líquida mensal

A receita líquida mensal é a renda que efetivamente entra na sua conta bancária todos os meses. Se quiser anotar o valor bruto, não se esqueça de colocar os descontos como o Imposto de Renda!

2) Liste seus gastos fixos

São as contas que você precisa pagar, os custos essenciais para sobreviver, como aluguel ou financiamento de imóvel, contas de luz, água, internet, gastos no supermercado etc. O ideal é que essas despesas não ultrapassem 50% da sua renda líquida.

Após levantar todas esses gastos, adicione 15% como uma conta de imprevistos ou emergências. Você não vai lembrar de todos os custos e nem pode controlar fatores externos!

Dica 1: Pense em todas as contas nos próximos 12 meses, não apenas no mês que passou, pois existem anuidades!

Dica 2: Separe uma parcela para doação. Esse é um hábito milionário e contribuirá para educar seus filhos com valores altruístas.

3) Faça uma reserva para gastos futuros

Minha sugestão é que essa reserva seja equivalente a 5% da renda líquida. Aqui entra a depreciação (seus equipamentos precisam de reposição, como um computador, por exemplo), aquela viagem que você faz todo ano com a família ou a compra de presentes em datas importantes.

São despesas quase certas, mas que podem ser evitadas em casos extremos.

4) Separe uma parte para investir

Recomendo poupar no mínimo 20% da renda. Em primeiro lugar, você deve criar um colchão de liquidez que é uma reserva equivalente a seis meses de gastos fixos (também conhecida como reserva de emergências ou oportunidades).

Após a criação dessa reserva, você deve investir, no mínimo, 10% da sua receita líquida para sua independência financeira ou aposentadoria e 10% para sonhos de consumo, como uma festa de casamento, compra de um apartamento ou uma viagem sabática!

Dica: Quanto mais você investir para sua independência financeira, melhor!

5) Gastos sem culpa!

Essa reserva mensal pode ser de até 25% da receita líquida. Gaste como quiser nas coisas que ama! E sem culpa, afinal você já pagou as contas, investiu, está preparado para os gastos por vir e ainda ajudou os outros.

Dica: Você pode optar por alocar parte desse dinheiro em investimentos e, assim, acelerar sua independência financeira.

Vale lembrar que esses percentuais que recomendo são apenas ilustrativos e podem variar de acordo com seus objetivos, sua renda e necessidades da família. Entretanto, investir menos de 10% da renda e gastar mais que 50% dela em custos fixos são sinais de que sua independência financeira está longe. Cuidado!

Os gastos fixos somam mais de 50% da sua receita líquida?

Se seus gastos fixos estão acima dos 50%, minha sugestão é olhar as três maiores despesas e ver quais podem ser otimizadas. Após esse exercício, comece a procurar assinaturas que não usa, ou que possa reduzir, por exemplo, os pacotes de TV a cabo e telefonia celular.

Dica: Se a sua despesa com aluguel consome mais que 30% da sua renda, você deveria começar a pensar em se mudar.

Lembre-se de que a vida é feita de escolhas. Vale mais a pena morar em um lugar um pouco melhor ou ter liberdade financeira? Não posso responder essa pergunta por você, mas quero que pense a respeito!

Se mesmo após os ajustes os gastos fixos ficarem muito acima dos 50%, sugiro a criação de um plano para redução dessas despesas, com uma meta de reduzir 5% ao ano. Dessa forma, você estará em ação e sem a necessidade de grandes alterações no seu estilo de vida.

Quando tudo estiver dentro dos limites, é hora de se perguntar: estou poupando e investindo para o quê mesmo?

Tenha objetivos concretos

Por que devemos ter objetivos reais e não apenas financeiros?

Ter objetivos significa que você está correndo atrás de algo concreto, te dá uma razão para poupar em vez de gastar. O cérebro humano não reconhece o dinheiro como uma recompensa. Se você poupa apenas por poupar, suas chances de sucesso serão baixas.

Em vez disso, poupe por um objetivo: alcançar a independência financeira aos 40, viajar o mundo por um ano, comprar sua casa ou se casar!

Vale comprar aquela calça jeans de R$ 500 ou ficar R$ 500 mais próximo da viagem inesquecível?

Dê nome para suas contas de investimentos, transforme os sonhos em algo mais tangível!

Como definir objetivos?

Primeiro, vamos falar das prioridades:

  1. Pagar dívidas, principalmente cartão de crédito e cheque especial, pois o custo delas é enorme!
  2. Montar um colchão de liquidez (a reserva para oportunidades ou emergências), geralmente equivalente a seis meses de despesas fixas. Imprevistos acontecem, esteja preparado!
  3. Investir para sua independência financeira no mínimo 10% da sua receita líquida.

Somente após pagar as dívidas ruins (com custo maior que a rentabilidade dos investimentos), montar uma reserva de liquidez e conseguir poupar, no mínimo, 10% da sua renda líquida é que você deve pensar em outros objetivos.

Após equalizar a sua situação financeira, é hora de definir objetivos! Mas, antes disso, precisamos considerar uma coisa: a inflação.

Cuidado com a inflação

A inflação é um fator muito importante para ser considerado em objetivos de médio a longo prazo, pois ela destrói o poder de compra do seu dinheiro.

Por exemplo: com uma inflação de 6,5% ao ano, a cada 10 anos seu poder de compra cai quase pela metade. Isto é, R$ 1.000 daqui 10 anos comprarão aproximadamente R$ 500 em bens nos preços de hoje. Então, quando falo de objetivos e renda desejada, me refiro a uma renda real, isto é, descontada a inflação! 

Se quiser aprender mais, gravei uma aula gratuita sobre esse assunto, onde também disponibilizo e explico como preencher uma planilha realista de objetivos a médio e longo prazo que já considera o efeito da inflação.

Gostou? Deixe seu feedback nos comentários. Espero que você consiga montar um Plano de Gastos Conscientes e assim possa gastar uma parte do seu dinheiro sem culpa todos os meses!

Gastador, pão-duro ou frugal? Conheça seu perfil e aprenda a gastar dinheiro sem culpa
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Categorias: Iniciante, Intermediário, Avançado, Planejamento pessoal, Cansou de ler sobre investimentos?
  • TatiHardt

    Ótimo texto, parabéns! Mas como eu vou saber se eu fiquei dentro do orçamento mensal sem anotar os gastos diariamente?

    • Isabella Paschuini

      Oi, Tati!
      Sou a Isa, editora aqui do blog.

      Eu acredito que seja controlando não cada gasto que você faz, mas o quanto você ainda tem para gastar livremente naquele mês.

      Por exemplo, suponha que eu tenha definido R$ 1.000 livres para gastar como quiser e deixe na minha conta corrente. Não preciso anotar que gastei R$ 12 tomando um chá, R$ 56 com um livro e R$ 73 no cinema. Mas após esses gastos eu vou acessar minha conta e ver que só terei mais R$ 859 até o final do mês! Ficou claro?

      De qualquer forma pedi ao Tiago, autor do artigo, pra responder pra você também!

    • Isabella Paschuini

      Ah, o Tiago acabou de me responder!

      Ele disse:

      “Eu separo cada grupo de gasto (gastos fixos, gastos sem culpa etc) com um cartão de crédito ou débito sem anuidade (como Nubank).
      Assim, eu sei que estou dentro do orçamento se aquela fatura específica não ficar acima do valor estimado.”

      • TatiHardt

        Obrigada pela atenção Isabella! Eu acho que entendi o conceito agora, é que eu gasto mais com alimentação do que outra coisa, então acho que devo deixar esse dinheiro livre pra quando eu tiver preguiça de cozinhar também hehe.