Gestoras que geram alfa: sorte ou competência?

Existem investidores e gestores competentes, capazes de gerar aquele ganho acima da média do mercado, que chamamos de “alfa”? As opiniões de renomados economistas, matemáticos, cientistas se dividem. Alguns afirmam que existe habilidade capaz de gerar alfa. Outros têm certeza de que essa capacidade não existe e a explicação para desempenhos excepcionais é simples: sorte.

Apesar de controvertida no meio acadêmico, a existência de gestores excepcionais, tanto no mercado internacional quanto no local, capazes de gerar retornos consistentes por diversas décadas parece demonstrar a viabilidade da geração de alfa.

Esta frase do artigo Duas únicas formas de ganhar dinheiro: alfa e beta causou um pouco de polêmica.

 Alguns leitores defendem a existência de alfa, enquanto outros acreditam que não existe nenhum gestor capaz de gerar esse ganho acima da média do mercado. E as duas opiniões encontram forte suporte no meio acadêmico, por renomados economistas e outros estudiosos.

Para aqueles que não acreditam em alfa, a explicação mais difundida e aceita para a existência de gestores com performance significativamente superior ao mercado é simples: sorte.

Para aqueles que não acreditam em alfa, a explicação para a existência de gestores muito acima da média é simples: sorte.

Esse argumento é largamente difundido pela internet, respaldado em resumos de um capítulo de um livro interessantíssimo chamado “O Andar do Bêbado” de Leonard Mlodinow (que nem sempre recebe o devido crédito como fonte das informações) e no livro “Black Swan” de Nicolas Nassim Taleb. As duas obras apresentam o raciocínio descrito a seguir.

A média do mercado é dada pela soma de rentabilidade de todos os gestores e investidores, portanto sempre metade estará acima da média e metade abaixo em um dado ano (sem considerar os custos).

Dessa forma, uma estratégia aleatória de investimentos teria 50% de chance de superar o mercado em um determinado ano. A chance de repetir esse feito em dois anos consecutivos seria de 25% e assim sucessivamente. Se considerarmos um período de 10 anos, 1 em cada 1.024 estratégias aleatórias superariam o mercado todos os anos.

Nesse caso, o bom desempenho durante 10 anos seguidos seria resultado apenas da probabilidade estatística, totalmente desvinculado de qualquer habilidade do gestor. Dessa maneira, não haveria nenhuma forma de prever qual gestor apresentará esse resultado nos próximos anos, e a chance de se escolher antecipadamente o gestor correto seria extremamente baixa (1 em 1.024).

Em função disso, costuma-se alegar que, num mercado com uma quantidade suficientemente grande de investidores, sempre haverá alguém que superará o mercado de forma consistente, independentemente de suas habilidades.

Inconsistência

Um ponto falho desta teoria é que ela mede a qualidade de um gestor apenas pela consistência. Consistência é importante, mas o raciocínio apresentado desconsidera outro ponto essencial: a magnitude da performance superior que muitos gestores apresentam em relação ao mercado.

Não importa simplesmente que alguns gestores atingiram desempenho superior ao do mercado por longos períodos de tempo, mas também que tal desempenho foi significativamente superior.

A estatística prova que sempre haverá gestores se destacando, porém esse destaque costuma vir com muito estudo e dedicação e não por motivos aleatórios

No mercado brasileiro, há exemplos de gestores que não superaram o mercado todos os anos de sua existência, mas que ainda sim apresentaram desempenhos excepcionais, como o caso dos fundos CSHG Verde, BTG Pactual High Yield e Dynamo Cougar.

Estudando esses casos encontramos explicações não aleatórias para o desempenho, como cenários bem traçados antes dos movimentos do mercado e explicações razoáveis para os erros. É difícil após ler as cartas da Dynamo afirmar que seus resultados são uma mera probabilidade estatística e não produto de profunda análise e estudo.

A estatística prova que sempre haverá gestores se destacando, porém esse destaque costuma vir com muito estudo e dedicação e não por motivos aleatórios.

Conclusão

Um disclaimer clássico do mercado financeiro afirma que boas rentabilidades passadas não são garantia de boas rentabilidades futuras.

É verdade, pois elas podem ser resultado de pura sorte, ou de alguma circunstância que não se repetirá. Porém, às vezes, é possível perceber que o sucesso passado é resultado de um trabalho bem feito, o que aumenta a probabilidade de alcançarmos bons resultados futuros. E, de qualquer forma, péssimas rentabilidades passadas também não são um bom sinal para as rentabilidades futuras.

De acordo com a Vanguard, há duas formas de construir patrimônio: 1) conseguindo descobrir, de antemão, quais gestores terão bom resultado no ano seguinte, ou 2) cortando custos. Para não ter que contar com a sorte, melhor ficar com a segunda opção.

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